O Grupo A da Aço tem Bacana e IMZT disputando ponto a ponto a liderança, com o Fúria na cola – este, mesmo com uma partida a mais já realizada. Em comum, além de disputarem o acesso direto à Bronze, são os únicos times que não possuem saldo negativado. Do 4º colocado (Belini) ao último (Ex-trelas), todos têm desequilíbrio nas contas antes da quinta jornada, algo nada comum.
A Aço tradicionalmente tem mistura de times considerados de elite com equipes mais tranquilas. Normal que haja o famoso ‘saco de pancadas’, fazendo com que o equilíbrio entre números de gols marcados e sofridos seja menos fácil de se aproximar. Porém, passados quatro sábados, as contas mostram a disparidade até então raramente vista – para não dizer inédita. Para agravar a situação, o 3º colocado, Fúria, só conseguiu sair do vermelho no último fim de semana (quando venceu o Voando Baixo e trocou o -1 para o +1).
O Belini contribui para esse fenômeno. O time está na 4ª posição e encaminhado para o mata-mata – situação que muitos times em todas as divisões almejam. Porém, começou o certame com menos 8 de saldo. “O grupo é muito equilibrado. A derrota para o Bacana na estreia, quando o time estava se acertando, foi bem difícil de digerir e o saldo é fruto disso”, tem consciência Mike Patricio, um dos principais nomes do alviverde. A derrota citada foi por 9 x 1. Isso fez com que a balança do Grupo A começasse desregulada.
Depois disso, na segunda jornada, foi a vez do Ousadura levar 6 x 0 do IMZT e estrear com o mesmo saldo negativo ao qual se encontra após três jogos realizados. Aliás, o time azul e preto é parte dessa questão, pois venceu seus compromissos marcando no mínimo 6 tentos e, no último sábado, fez incríveis 12 x 7 no Ex-trelas. “Realmente nosso setor ofensivo vem muito bem. Trouxemos peças importantes, que se entrosaram rapidamente e estão conseguindo ajudar nesses placares mais elásticos. Nos preparamos bem mais para a Aço”, ajuda a explicar o portento Arthur, manager do IMZT.
O time é novato na divisão. Disputou o IX Chuteira 5, alcançando a semifinal (perdeu para aquele que viria a ser vice-campeão, Futsamba, por 4 x 0). Contudo, por enquanto, parece não estar com tantos problemas de adaptação. Tem o melhor ataque da divisão, e a segunda melhor defesa de seu grupo. “Não somos os únicos responsáveis
(pelo alto número de saldos negativos na chave A). O Bacana só teve resultados grandes até agora e o Belini também chegou a golear em algumas rodadas”, refresca a memória do público Arthur. “Acho que os três times estão se destacando ofensivamente e dividindo esse saldo negativo aos outros do grupo, e pelo que vimos têm outras equipes que também possuem capacidade de fazer grandes jogos”, continua.
Hoje, além de IMZT, Bacana, Fúria e Belini, mais duas agremiações completam o G-6: Voando Baixo e É Verdadeee. Ambos possuem 4 pontos, mas com saldo negativo relativamente alto (-4 e -5 respectivamente) e um jogo a mais do que Ousadura e O’Hara – estes na cola com 3 pontos. Os o’harenses, por exemplo, buscam o equilíbrio necessário, já que têm o terceiro ataque mais efetivo do grupo, mas também o segundo a sofrer mais tentos. “Observando os campeonatos passados, dá para ver que estamos evoluindo, chegando num certo equilíbrio”, analisa Ratto, técnico do alviverde.
O último triunfo do O’Hara foi no dia 18 de novembro de 2017 (venceu o Sem Cutcharras no VIII Chuteira 5 por 5 x 2). Desde que ingressou na Aço não comemorou uma única vitória. Passou perto no sábado anterior, quando sofreu a igualdade no final para o É Verdadeee – contribuindo para o time permanecer com saldo negativo de 3. “O que precisamos focar é em não deixar a vitória escapar. Nos primeiros jogos a gente saiu ganhando, mas, principalmente no segundo tempo, não sei se a gente apagou um pouco, talvez o cansaço, acabamos levando muitos gols e deixando a vitória escapar”, conta a receita para o sucesso Ratto.
Culpa de quem? – Colocar a responsabilidade pelo excesso de times com saldo negativo em Bacana e IMZT parece ser a resposta mais fácil. Juntos já fizeram incríveis 43 gols em três partidas, levando apenas 16. “Creio que o Bacana seja o time mais forte da chave”, aponta Mike Patricio. O jogador, porém, parece fugir um pouco do senso comum em apontar um único culpado. “O IMZT tem um ótimo time, com boa base, mas acredito que não esteja no nível do Bacana. Os outros times são mais equilibrados e os placares são apertados na maioria das vezes, então, um placar elástico já faz a diferença para o saldo dos times”, finaliza Mike.
Na coluna
Pimba desta semana, o jornalista da casa, Lucas P., diz que há retrancas para o bem e para o mal. No caso do Grupo A da Aço, talvez não se aplique, já que nenhum ferrolho é visto como esquema tático – fazendo com que os times façam gols, mas levem bastante em contrapartida. “Não acho que a dificuldade na Aço seja pequena, muito pelo contrário. A divisão tem times com nível de Prata e Ouro, por exemplo Bacana e Futsamba. Além disso, têm equipes que já estão no Chuteira há anos, então em nenhum momento da para a gente falar que a dificuldade é baixa ou que somos favoritos”, compara Arthur com a campanha do IMZT na última edição do Chuteira 5: “Nos preocupamos mais em manter um desempenho alto do que quem é o adversário e o grau de dificuldade”.
Um sonho sem limites – Qualquer time que inicia sua temporada se imagina levantando o caneco. Porém, sem equilíbrio nas contas, dificilmente chega ao principal objeto de desejo da maioria dos jogadores. “É improvável um time ser campeão com saldo negativo, mas não duvido de nada”, deposita esperança Ratto. O técnico do alviverde explica o porquê: “Por exemplo, a gente pode estar com saldo negativo no final da primeira fase, mas classificando pro mata-mata. Aí vira jogo de vida ou morte. Então, mesmo negativado, mas passando à fase final e ganhando os jogos, mesmo que por um de diferença, podemos levantar a taça. É difícil, mas temos sempre de acreditar”.
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