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Sem argumentar, a intolerância avança a deixar terra arrasada; nessas horas, às favas o bom senso

Algo de errado na quadra 10. Um jogador do La Buça Romana sai com o supercílio aberto, enquanto escorre sangue em seu rosto. Recebera uma cabeçada. Poderia ter sido em uma disputa de bola com algum jogador do Condor’s. Não foi. Antes de o player sair da quadra para estancar o sangramento, aconteceu uma discussão áspera entre ele e um condorista. Desse bate-papo carregado à cólera e falta de bom senso – para não utilizar outra palavra que talvez deixe pessoas melindrosas –, o que se viu foi uma bola de neve crescendo, com as vozes cada vez mais elevadas e com a maioria tentando vencer na base da imposição seu argumento (argumento?!).
 
No fim do dia, pelos corredores, um dos personagens envolvidos no fatídico jogo estava com a testa aberta. Possivelmente tinha sido agredido no meio do bololô instaurado. Não foi. O homem com o ferimento na cabeça era o agressor ao jogador que saiu com o supercílio sangrando. Apenas o fato de ver pessoas com lesões no rosto, fora do âmbito esportivo, mostra o quanto o indivíduo está cada dia mais intolerante – e seguindo exemplos desnecessários que vêm do entretenimento.
 
Um deles é a política. Na semana que antecede as eleições, os discursos acerca de candidato A ou B, seja para os defender ou atacar, estão enraizados nas pessoas de uma forma que o debate sadio está cada vez menos presente no dia a dia. Não quer dizer que jogadores e comissões técnicas estão comprando as vozes dos presidenciáveis, mas a tensão vivida numa sociedade carente e sem identidade é levada à quadra de forma indireta, e isso é perigoso. Nada tem a ver com estar ou não de cabeça quente. Isso é balela, pois o sangue está fervendo mesmo que o jogo esteja morno. Tem a ver com outra coisa, ou a falta de.
 
Há quem dirá que o jogador com supercílio sangrando usou força indevida, que quem revidou estava certo ao se proteger, que o ‘cabeceador’ não tem sangue de barata – aumentando o número de desculpas para o injustificável. Aqui também se soma o fato de a maioria esmagadora dos jogadores e treinadores ser, antes de tudo, torcedor de times de futebol de campo profissional. A cada falta, o banco de reservas já está esperneando histericamente antes mesmo de os árbitros marcarem a infração. Precisa? Falta não faz parte do jogo?
 
A intolerância cega o indivíduo. Tanto a de quem comete o ato – com certeza houve algo entre os originários da briga em La Buça Romana x Condor’s – quanto de quem reage com uma fúria de quem acabou de perder o filho. Ao invés de se promover a separação, que é até incentivada pela maioria dos jogadores dos dois lados, sempre tem os nervosinhos que querem ‘salvar o amigo’ se mostrando mais valente que os próprios brigadores. Uma dessas situações envolveu o ‘cabeceador’, fustigado a cometer o ato impensado.
 
A exposição do fato ao público não busca culpados, tanto que os nomes dos envolvidos foram ‘preservados’ – já que a ausência de audiência diminui a ‘contagem de vantagem’ aos amigos. O momento é, talvez, para todos diminuírem os ritmos e lembrarem que é uma competição amadora. Hoje, uma segunda, terça ou quarta-feira, é dia normal de trabalho. Quando quem teve o supercílio aberto, ou quem teve a testa cortada, chegar ao respectivo trabalho, que história contará ao seu supervisor/colega de serviço? Quem fomentou a briga, sendo tão irresponsável quanto, explicará como? Irão todos mentir, contando vantagem aos outros, para depois depositarem em políticos e eleitores a culpa pela sociedade ser esquizofrênica?
 
Enquanto isso, do lado de fora das quadras, crianças observam todas as ações dos adultos. Para o bem ou para o mal. São elas o futuro.
 
Fogo bom – A falta de compreensão de alguns times no fim de semana – como o caso citado acima junto a Ousadura x É Verdadeee e Abre o Olho x Arouca Jrs. – foi a parte decepcionante de um fim de semana em que a Série Prata pegou fogo de um jeito que os torcedores gostam. Antes de a 7ª jornada acontecer, alguns times estavam já pensando em 2019, quando resultados fizeram da divisão a mais atraente até o momento. Simplesmente todos os times têm chance de classificação ao mata-mata!
 
Os casos mais emblemáticos são de Paraguay e Império Celeste. Os paraguayos finalmente venceram a primeira na nova divisão e passarão a semana esperançosos antes do duelo contra o Spartacus – aliás, confronto direto para ver quem ficará na lanterna. A questão, porém, é que, quem vencer, possivelmente sairá da zona vermelha à verde – no mínimo ficará na zona neutra. Ao Paraguay, é promissor. O time de Matheus e Mion caminhava na prancha para ser jogado ao mar da Bronze, mas a promissora apresentação na derrota ao Divino, e agora o triunfo ante o All Games, fizeram a equipe ‘estrear’ na Prata. Se embalar mais duas vitórias disputará a fase final.
 
O Império Celeste era outro que estava devendo. Sem produzir a mesma garra aliada à técnica que caracterizou a equipe ao longo dos anos, os celestes amargavam a última posição junto a boatos sobre o encerramento da equipe. Após vencer o The Veras, e Guedes, Zé e Arai darem entrevista ao programa Papo furado com Dodô, parece que o ânimo voltou. O IC ainda figura na zona do rebaixamento, mas, assim como os paraguayos, caso vença seus dois compromissos restantes, tem tudo para acabar no G-6.
 
Mostra tua cara – Dois times promissores antes de a primeira rodada começar hoje agonizam no Grupo A da Bronze. Um é o Acidus, que desde a fatídica derrota ao Invictus, passando pela humilhante goleada ao principal rival, perdeu o rumo e faz campanha aquém às suas próprias promessas. O outro é o Basicus, que abriu 3 x 0 mas levou a virada incrível para o mesmo Invictus. São equipes tradicionais, que precisam voltar às origens e aceitarem seus limites se quiserem brilhar na atual divisão. Senão estarão fadados a brilharem apenas na US Cup.

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