No fim de semana que pontuou a metade da primeira fase, vários resultados foram significativos – a ponto de análises mais aprofundadas acerca de reais motivos para determinado time ter vencido um concorrente, abrindo especulações para ‘zebras’ ou ‘favoritismos’. Porém, não há como negar: a grande notícia após a quinta jornada, da Ouro ao Chuteira 5, é o Peneira, atual campeão da principal divisão, na última colocação de seu grupo.
Seria um momento para falar, por exemplo, da primeira derrota do Baixada de Munique desde 15 de novembro de 2017 – coincidentemente, data de feriado nacional. O time da Baixada Santista sucumbiu diante do Leleks por 3 x 1 e conheceu seu revés mais dolorido, já que nos 8 x 0 para o Real Mazzei (quase 1 ano atrás) o time estava com um a menos na linha e já classificado ao mata-mata, enquanto a última derrota foi por WO, diante do Soberanos, por conta da greve dos caminhoneiros em maio deste ano. A maiúscula vitória da lelekada teria de ser enaltecida com incontáveis parágrafos, mas no circo do Chuteira de Ouro, acabou abafada.
Também seria o caso de enaltecer os trabalhos de La Buça Romana, Real Paulista Classic e Academia Competition na Série Prata – todos com 100% de aproveitamento. No caso dos dois primeiros, farão confronto direto na manhã da véspera do dia em que elegeremos manipuladores de marionetes, enquanto a equipe de Andrey Coutinho já despachou dois concorrentes diretos e segue firme rumo à elite. A briga pelas duas vagas diretas à Ouro se torna cada vez mais intensa e teve na quinta jornada mais um capítulo importante. Porém, foi outro assunto ofuscado.
Quem também mereceria um destaque mais amplo é o Vila Mureta, que acabou a rodada na liderança do Chuteira 5. A equipe comandada por Gira, o ‘técnico taradão’, venceu de forma apertada o Titans, mas se valeu da folga do Ou Não para assumir a ponta e confirmar seu favoritismo para ou vencer o grupo ou abocanhar a segunda vaga à Aço terminando a fase de classificação na vice-liderança. Um momento importante ao time de branco e grená, mas que perdeu força entre os assuntos mais comentados do fim de semana.
Tudo porque o atual campeão da principal divisão da Liga Chuteira de Ouro foi derrotado pelo Wake ‘n’ Bake por 1 x 0 e, somando-se os outros resultados do Grupo A, caiu da 6ª para a última colocação – algo inédito nesta fase do torneio. Nenhum defensor de título até hoje figurou na zona de rebaixamento do campeonato seguinte antes da 6ª rodada! Um caso raro, que mostra duas possíveis situações.

A primeira é que o Peneira está levando a fase de classificação em banho-maria, apenas querendo fazer pontos suficientes para avançar ao mata-mata e imitar o semestre ao qual foi campeão (classificou-se em 6º e foi eliminando fortes concorrentes na fase final). Por ter caído em um grupo, na teoria, sem bichos-papões como Mulekes, Arouca e Nois Que Soma, parece ter havido um relaxamento que seria natural se não fosse o fundo do poço. Restam quatro jogos e, com duas vitórias, o time fatalmente estará no G-6. O problema é que todos estão atrás de algo neste grupo – começando pelo TáLigado, que hoje ocupa o Z-2 por ter perdido o confronto direto com o Primatas.
Isto acarreta na segunda possível situação: falta comprometimento? Num grupo em que só havia um favorito máximo a ficar em primeiro, no caso o próprio Peneira, já era de se esperar retrancas e sistemas jogando atrás da linha da bola, já que o atual campeão tem uma equipe de primeira categoria e muitos adversários não querem ser goleados. Porém, os rivais estão percebendo que o bicho não é tão feio assim. TeJanto, Arouca Jrs., MachuPichu e WB já arrancaram pontos do campeão (isso sem contar o sufoco que passou para vencer o Zenite por 3 x 2). O Peneira, sem dúvida, é decepcionante nessa primeira metade.
Conversando informalmente com alguns jogadores do elenco, uma frase chamou atenção: “Nós somos um time de vagabundos”. A frase pode ser pesada, mas faz sentido. A ‘vagabundagem’ não se refere a desleixo em quadra, mas sim nos bastidores, com alguns jogadores não comparecendo com a mesma frequência de alguns outros – estes jogando quase todas as partidas. Isso acaba sobrecarregando atletas e o técnico Claudião, que talvez gostaria de contar com mais pessoas no elenco para, assim, poder preparar melhor seu time para o bicampeonato.
Essa preparação seria importante pois a outra chave é considerada o ‘grupo da morte’. Se o Peneira está pensando em se classificar ‘nas coxas’, poderá ter problema já numa eventual oitava de final. Caso estivesse na 6ª posição, enfrentaria o Mulekes. Tão cedo, não parece ser tão bom negócio. Isso sem contar que times como o Fora de Série estaria fora do mata-mata, provando a força do Grupo B. O momento do Forão também era digno de análise detalhada, mas o Peneira roubou todas as atenções na metade da primeira fase.
Por pouco – Se o Baixada de Munique conheceu sua primeira derrota ‘limpa’ (seis contra seis legítimo), quem quase perdeu pela primeira vez na história foi o Primatas Master. O atual bicampeão do Chuteira Master nunca foi derrotado, mas o revés ficou bem perto no confronto direto ante o AFC. O bom time de amarelo, que tem em Caio Balbino seu maior expoente, chegou a ficar na frente mas sofreu empate da equipe comandada em quadra por Dri Ferreira. Ambos permanecem na liderança com 7 pontos, mas este semestre, a força dos velhinhos está evidente – e a invencibilidade do Primatas em perigo.
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