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Desde 2009 no Chuteira, ele é um dos expoentes do Ras Time. Ama futebol, estar com os amigos e, de sujeira para seu lado, só quer o apelido

 
A maioria dos adolescentes tem ou já esteve ligada a uma tribo, sobretudo a musical. Dentro dela, existem a tribo do samba (ou samba-rock), a do pagode, do rap, do eletrônico, do rock e por aí vai. Claro, não poderia faltar a tribo dos regueiros. Ouvir um som do Burning Spear, Israel Vibration, Steel Pulse, Gregory Isaacs, Max Romeo, entre inúmeros outros artistas do gênero, até para se fugir um pouco dos tradicionais Bob Marley (& The Wailers), Peter Tosh e Jimmy Cliff.
 
Foi por causa do reggae que o Chuteira de Ouro foi apresentado ao Ras Time, e vice-versa – afinal, o time foi criado para participar da Liga, em 2009. E assim apareceu um dos jogadores que mais se identificam com a competição: Sujeira. Irmão de um dos fundadores da equipe – Flash –, participa das campanhas desde sua criação, passando por altos e baixos nas séries que disputou. Estas, no caso, a Ouro e, muito mais corrente, a Prata.
 
Sujeira sempre foi calmo e apaixonado por futebol e pelo Ras. Inclusive, chateia-se quando dizem que a equipe é 'eternamente de série Prata', mesmo disputando a Ouro no momento. “Incomoda, sim. Tirando um único semestre atípico em que fomos muito mal na Prata, estamos sempre brigando pelo topo”, desabafa. Porém, não é de ficar colecionando mágoas: “Nunca levamos briga para fora da quadra e nunca guardamos nenhum rancor de ninguém”.
 
Confira a entrevista com Pedro Espírito Santo, o Sujeira, passando a limpo sua trajetória no Chuteira de Ouro que, a partir de agora, sofrerá um hiato devido ao nascimento da garotinha Rosa. A função de pai fala mais alto neste momento e ele dá um tempo para cuidar do rebento e recuperar a forma física. “No segundo semestre estou de volta”, garante ele.
 
 
Por que o nome Ras Time? Como foi fundado?
O nome vem de um título dado aos nobres da Etiópia, Ras Tafari. Como boa parte dos integrantes originais gostava de reggae e afins, surgiu a ideia de chamar a equipe de Ras Time. O Ras foi fundado para participar do Chuteira. Alguns amigos do meu irmão jogavam no MachuPichu e vieram para fundar o time, daí juntamos os irmãos, primos e amigos e nos inscrevemos.
 
A inspiração das cores do time veio da Internazionale de Milão?
A primeira camisa era azul e branca, foi pensada para não ter nenhum tipo de semelhança com nenhum clube do futebol paulista. A camisa era de um tecido ruim, e quando começamos a levar o time a sério decidimos fazer uma camisa um pouco melhor. Então, mantendo o pensamento das cores sem semelhança aos clubes paulistas encontramos um modelo da Inter e desde então adotamos o azul e o preto.
 
E como o Sujeira chegou ao Chuteira? Quais foram suas impressões iniciais e no decorrer dos primeiros semestres?
Estive desde a origem, quando o meu irmão, Flash, e o meu primo Johny me contaram sobre o campeonato. Abracei a ideia na hora e chamei os amigos mais próximos para entrar no time, e assim montamos nossa primeira formação. O campeonato é fenomenal. Claro que naquela época era bem menor, com bem menos times, mas o espírito de competitividade e disputa de ir lá todo sábado nos fascinou logo de cara. Os três primeiros semestres foram muito variados, aos poucos fomos filtrando aqueles que eram mais comprometidos e surgiu a base fixa do Ras que vai até hoje.
 

Aliás, por que o apelido Sujeira? Qual a origem?
Tenho uma mancha de nascimento nas costas que é branca. Durante o colegial, “nêgo” ficava falando que era sujeira, e como eu era meio cabeça quente o apelido pegou... Daí, no começo da faculdade, algum puto já entregou o apelido e ele foi me seguindo – até que resolvi incorporá-lo.
 
Fale de sua relação com Cipó. Como é jogar na mesma equipe? Já passou mais apuros ou alegrias com ele dentro de quadra?
O Cipó é figura, é um dos pilares do time, nunca faltou a um jogo sequer. Não me lembro de passar apuros por causa dele. Às vezes, na circunstância do jogo, ele sai igual um retardado para o ataque tentar aquelas bicicletas malucas. Um dia acho que ele ainda acerta uma (risos). Tem um vídeo do Chuteira que faz uma montagem dele, com um frango, aquilo tinha de ser eternizado (risos). (confira o vídeo 'A goleada, o frango e o horror'  aqui)
 
O Ras era chamado de "time dos maconheiros". Isso é verdade?
Era? Não é mais? Temos que rever isso aí (risos).
 
Você jogou ao lado do seu irmão. Como era a sensação? Se davam bem?
A gente brigava pra caramba em campo, mas fora era tranquilo. Ele foi um dos fundadores, sempre foi comprometido com o time, foi fundamental pra termos sobrevivido naquele começo quando a cada semestre meio time abandonava e entrava outra galera nova.
 
Aproveitando, por onde anda ele? E o Jhonny? Abandonaram o Ras? Voltarão um dia ao Chuteira?
O moleque foi morar na Austrália. Nosso irmão mais velho já morava lá. Ano passado ele pegou a namorada e se mudou também. No segundo semestre do ano que vem deve vir passar umas férias aqui e certamente vai aparecer. O Jhonny virou jogador de poker, fica boa parte do ano em Las Vegas e quando está por aqui só quer saber de farra. Quando sobra uma vaguinha a gente sempre tenta inscrever ele para ter uma participação em algum jogo, mas nem sempre dá certo. O Johnny tem as portas sempre abertas, se resolver voltar para o esporte vai ter vaga cativa. O Flash, acho pouco provável, não deve voltar a morar aqui tão cedo.
 
O Ras é chamado de eterno time da Prata, mesmo disputando a Ouro algumas vezes. Te incomoda essa pecha?
Incomoda, sim. Tirando um único semestre atípico em que fomos muito mal na Prata (edição XIV, no qual se livrou do rebaixamento à Bronze na última rodada da fase classificatória), estamos sempre brigando pelo topo. É nossa segunda ascensão à Ouro e de novo não fizemos um bom semestre. Permanecemos e agora vamos focar nas melhorias para o próximo ano. O Ras vem pra brigar lá em cima, a galera está mordida.
 
E quanto ao Ras ser também o “time do quase”, já que faz boas campanhas na fase de classificação, mas na hora de disputar o título acaba caindo?
Incomoda um pouco, mas a gente não desanima, não. Sabemos que uma hora seremos coroados, isso aí é comum no futebol, não somos menos comprometidos ou confiantes por causa disso. Sabemos das nossas capacidades e tenho certeza que uma hora vai pintar um troféu.
 

Você acha que seu time é perseguido dentro do Chuteira, seja pela organização, imprensa, ou outras equipes?
Jamais. A gente fez muitos amigos por ali, claro que tem sempre um ou outro que tem algum rancor ou rixa com a gente, mas é normal, faz parte do futebol. A gente também não gosta de todo mundo, não. O dia que o Ras sair do Chuteira acho que o Lucas entra em depressão (risos).
 
Difícil ver a equipe envolvida em confusões. Lembro apenas de uma, quando a equipe enfrentou o Bucets. Como conseguem essa proeza?
No Ras tem muito jogador enxaqueca. Muito mesmo. Mas acho que posso falar por todos quando digo que tudo que acontece dentro de campo fica dentro de campo. Nunca levamos briga para fora da quadra e nunca guardamos nenhum rancor de ninguém. Mencionando esse caso específico do Bucets, o Flash, que estava 100% envolvido na maior das confusões (tivemos mais de um jogo conturbado com eles, né), agora mora do outro lado do mundo, e foi ficar amigo justamente do cara que saiu na mão com ele, o Claudinho. Os caras ficaram amigos na Austrália! vai entender.
 
Isso faz com que vocês não tenham tantos rivais, ou estou enganado? Quem seria o maior rival do Ras nesses quase 9 anos de existência?
Não damos moral para nenhum time ser nosso rival. Acredito que cada um de nós tem um time que goste mais de enfrentar, seja por algum desentendimento, ou por algum motivo pessoal. O Cipó, por exemplo, gosta de enfrentar ex-jogador, não importa a camisa que ele esteja vestindo. “X-9” nunca é bem visto (risos).
 
Então, qual seria a sua rivalidade no Chuteira?
Tá querendo polêmica, né? (risos)
 
Jamais. Busco apenas elucidar possíveis dúvidas do leitor (risos). 
Não vou chamar de rivalidade, mas tem um time que ainda estou esperando um próximo confronto: o Primatas. Perdemos na morte súbita para eles que ficou marcado (V Chuteira de Prata, fase de quartas de final, vitória do Primatas por 1 x 0 na prorrogação, após empate de um gol no tempo regulamentar). Se rolar esse confronto de novo pode ter certeza que vai ter um incentivo a mais!
 
Você continua achando o Chuteira de Ouro legal como nos primeiros anos? Sentiu alguma mudança?
Continuo achando foda. Acho que a organização melhorou muito, mesmo com o campeonato mais que dobrando de tamanho. Ainda temos o bom e velho problema da arbitragem, mas no geral acho que melhorou também. Futebol é foda, um dos times sempre vai se sentir prejudicado e o primeiro a ser marcado por isso é o árbitro; depois quem o contrata. Mas no geral acho o campeonato muito foda mesmo, muitos de nós sempre passam boa parte do sábado entre nossos jogos e assistindo os outros. Sempre que dá organizamos um churrasco, a resenha lá às vezes é melhor que o jogo em si (risos).
 

Dentro de todos os jogos que disputou com a camisa do Ras, qual foi sua partida mais marcante?
Não tenho nenhuma específica. Lembro-me de um jogo que ganhamos do MachuPichu de virada, partida conturbada, e jogamos com goleiro improvisado (provavelmente o Cipó estava suspenso). Jogo de superação. Essa última partida contra o TáLigado (9ª rodada do XXII Chuteira de Ouro, vitória por 5 x 4, livrando a equipe do rebaixamento) vai ficar marcada também pelas circunstâncias. Ganhamos de virada e permanecemos na Ouro, mesmo tomando shoot out, com expulsão e cusparada.
 
Você não é atacante, mas já marcou seus golzinhos. Tem algum significativo?
Meu Deus, é tão raro sair um golzinho que não tem nenhum muito marcante. Lembro-me mais de jogadas de gol e lançamentos do que gols propriamente ditos. Recordo-me bem de um lançamento lá de trás, em que o Leon emendou uma bike, mas isso faz tanto tempo que nem vou saber te dizer em qual edição foi.
 
Qual o fato que mais te marcou dentro do Chuteira?
Acho que não tem nenhum fato isolado. O Chuteira marcou a união desse nosso time, fortaleceu amizades antigas e ajudou a criar novas também. Ganhamos e perdemos, mas todo sábado estamos lá com a mesma vontade e união de sempre. São jogos e lances que vamos lembrar para sempre.
 
Agora o senhor é pai. Parabéns. Conte-me a sensação de ter um filho. Qual o nome? Era seu sonho?
Nasceu minha filha, chama-se Rosa! Está com um mês e meio de vida. Sempre foi um sonho, foi tudo bem planejado. Ano passado fomos para a Austrália visitar meus irmãos e, na volta, tiramos o goleiro de campo! É uma sensação f*, né?! Você muda todas as prioridades, vontades, muda tudo. Tá sendo f* demais.
 
Com essa "nova equipe", a dos casados, como fará para conciliar as funções paternais com o Ras Time? Seus fãs estão apreensivos e querem saber.
(Risos). Vou tirar esse 1º semestre de licença paternidade. Já passei as funções burocráticas para outros membros da diretoria. Nos primeiros jogos vou acompanhar à distância mesmo, mas nos jogos finais devo ir presencialmente apoiar o time. O período de gravidez e de primeiros meses foram de zero atividades físicas, então você pode imaginar que a forma física não é digna da competitividade de jogar a Ouro. Porém, no segundo semestre estarei de volta, e o Ras mais forte do que nunca! Já vou mandar fazer uma camisetinha com o nome da Rosa, e ela vai junto para torcer!!
 
Obrigado pela entrevista. Começamos no Chuteira praticamente ao mesmo tempo e já vimos um bocado de coisas desde então (risos). Vida longa ao Ras e a você!
Valeu, Douglas! Parabéns pelo trabalho, estão bem boas as matérias!
 
Comentários (1)
mar 21, 2017

Ae papito! Grande pessoa e eterno presida do RAS! Show de bola a entrevista, quem diria, a imprensa fugiu uma vez dos times modinha.