Em tempos de excessiva correção (no discurso, claro), cujos comentários são cada vez mais melindrados, ter uma voz polêmica soa até como um disparate. Afinal, qualquer comentário pode se tornar uma fagulha a acender um rastilho de pólvora. Entretanto, para alguns soa mais como um alento. E Rogerinho, jogador do Mulekes, é assim: gosta de uma faísca. Gostem ou não, ser polêmico é seu charme natural.
Sempre foi dessa forma, sobretudo quando chegou ao Mulekes. Antes, no Med Taubaté, jogava e observava os movimentos nos sábados à tarde, mas já demonstrava sua personalidade diferenciada. Já em seu atual equipe – isso desde 2011 – aliou a habilidade com a bola nos pés com sua língua afiada.
Para quem chega agora ao Chuteira de Ouro é bom alertar que, no passado, havia menos amarras para se falar o que pensava, o que levou o site da competição a ter dezenas e dezenas de comentários nas matérias. Daí muitas situações inusitadas emergiram. Por exemplo, foram alguns comentários de Rogerinho que fez jogadores de outros times ficarem p* da vida. “Simplesmente parei com isso, o pessoal estava levando muito a sério”, confessa ele, hoje.
Porém, não só de polêmicas vive o camisa 14 do Mulekes. Rogerinho é todo família ao se referir ao irmão e parceiro Pedrinho: “Conversamos de futebol o tempo todo e na maioria das vezes concordamos. Nossa visão de como o futebol deveria ser é a mesma”. Confira abaixo a “polêmica” entrevista com Rogerinho.
Como você chegou ao Chuteira?
Tudo começou no saudoso Med Taubaté, quando ainda eram apenas doutores. Fui convidado pelo Aníbal
(fundador do time, hoje já aposentado dos gramados) para participar da Série Prata. Ficamos em primeiro na nossa chave e subimos para a Série Ouro. Conseguimos chegar a uma final, que perdemos para o Real Paulista
(edição 11 da Série Ouro, com placar de 3 x 1 na decisão). Depois disso meu irmão e eu nos desentendemos com o Peruca
(ex-Treinadores do Braz). O cara fedia a rebaixamento, fala sério
(risos).
(Peruca caiu da Ouro com Treinadores do Braz, Med Taubaté e Acidus) A partir daí o Leandro
(Caetano), que ainda não usava calça branca apertada, me convidou para jogar no Mulekes, na esperança do meu futebol ser o mesmo do Med. Foi decepcionante para ele, claro.
Falando em Mulekes, qual é o segredo do time, sempre unido e brigando por títulos? Qual sua relação com os outros jogadores? Concorda com a pecha de “time bom, mas desencanado” que sempre falam?
O segredo é um só: jogadores de altíssimo nível. O Tio
(J. C. Caetano, manager do Mulekes) tem um ótimo olho para jogadores, diferentemente do Gian
(parceiro de equipe), que é míope para escolher jogadores. Essa pecha de time desencanado é mentira, coisa da imprensa marrom que domina o Chuteira, aliás, essa entrevista está bem marronzinha. Este semestre estamos com o futebol abaixo do esperado, e o time está sentindo isso. Todo jogo acaba com aquelas conversas que nunca dão em nada, e estamos mais tensos dentro da quadra. Isso mostra que nos importamos sim com o desempenho dentro das quatro linhas. A relação é ótima, temos o sentimento que o Mulekes é um time de amigos que não deve acabar, é um prazer jogar ao lado da rapaziada.
E a relação com o “tio” Caetano? Como você o vê? Essa história de que ele banca o Mulekes é verdade?
O Tio é dono do time, ponto. Escala, aprova contratações e corta jogadores. Entende de futebol e gosta muito disso, está um pouco preocupado com o nosso desempenho, mas ele tende a ser um pouco pessimista mesmo. É uma figura muito importante para o time. Com ele nós não nos preocupamos com melindres na hora da escalação, pois todo mundo tem um respeito muito grande por sua pessoa.
Houve um momento que o Mulekes rivalizou com o CAV dentro do Chuteira para ver quem era o melhor. Realmente era um rival para você? O que você lembra dessa relação Mulekes/CAV?
A maior rivalidade era com o Caio
(Fleischmann) em si, e não com os jogadores do CAV. Era muito bom ganhar do Caio. Ele odeia perder e vê-lo frustrado dava uma sensação de dever cumprido. Os jogos sempre foram muito disputados, pelo menos enquanto a gente conseguiu manter um nível físico mais alto. Depois só deu eles, ainda mais quando o Dih
(Diego Orsi, tido como mercenário quando largou o Mulekes para jogar no CAV; voltou ao time neste ano, após a saída do tetracampeão) nos largou e foi jogar de preto. Foi difícil sem ter aquela franga no nosso meio. Agora que ele está de volta, as coisas voltaram a ser do jeito que eram.
Rogerinho e Med Taubaté, vice-campeões do XI Chuteira de Ouro
Falando em polêmica, na época do antigo site do Chuteira você protagonizou um dos momentos mais inusitados, quando passou a comentar e a provocar sobretudo o SNG – causando a ira de alguns jogadores.
Simplesmente parei com isso, o pessoal estava levando muito a sério.
(pausa) Pensando bem, eu deveria continuar a fazer aquilo, justamente pelo pessoal se importar tanto. Saudades do Bucets. Os caras
(Tom e Denys) também eram polêmicos, apesar de nunca ganharem nada. Prometo voltar com os comentários nas redes sociais, principalmente em relação aos logos do Chuteira
(risos).
Você não tem ido aos jogos com tanta frequência. Já pensa em aposentadoria?
Pensei em parar de jogar bola por um tempo, tive muitas lesões e quando me recuperei aconteceu outra pior. Mas já larguei mão disso, o Chuteira me merece, vou fazer esse esforço por vocês. Esse semestre já recuperei um pouco, o ano que vem vai ser bem melhor. Logo, seremos campeões.
O Chuteira já foi mais legal ou para ti continua o mesmo?
O perfil mudou um pouco, mas isso é reflexo desse futebol moderno cheio de frescuras. Só tem “discursinho” padrão e faltam pessoas no estilo do velho Vamp
(Vampeta, ex-jogador de futebol). O nível do futebol aumentou, isso é verdade. O Chuteira é muito mais difícil hoje do que foi há alguns anos. Os jogadores estão mais preparados, entraram muitos times do universitário e isso melhorou o nível. Mas aquele sentimento de esperar pelo sábado nunca se modificou.
Qual foi seu jogo mais importante dentro do Chuteira?
Vou escolher a campanha na qual o Med chegou na final. Fizemos um ótimo campeonato, eu estava bem até me lesionar na semifinal e ir para a final baleado. Sinceramente, achei que seríamos campeões daquela edição, ia ser um feito. O time não era muito acreditado, mas tínhamos um futebol defensivo muito forte. No meu primeiro Chuteira
(2ª edição da Série Prata) fui MVP e artilheiro com 33 gols. Ainda almejava ser jogador e estava em um nível muito alto, então me traz boas lembranças. Teve um jogo que fiz 11 gols
(contra o Sem Pretensão, na 6ª rodada). Talvez tenha sido minha melhor participação individual.
Tem algum gol que queira destacar?
Marquei muitos gols, diga-se de passagem. Vou escolher os 11 que eu fiz nesse jogo aí. Isso foi bem marcante, pois o Xixi
(destaque e artilheiro do Bucets na época) reclamou que o pessoal meio que largou a mão e ele não conseguiu me alcançar na artilharia
(Xixi terminou em 3º na artilharia, com 16 gols), porém, ele jogou contra o mesmo time e não fez tudo isso de gol. Então um chupa para ele.
E jogar ao lado de seu irmão Pedrinho, como é? Se dão bem? Já tiveram muitos atritos?
Não temos nenhum atrito, eu que o trouxe para o Mulekes. Como nunca consegui jogar no Mulekes um décimo do que joguei pelo Med, a contratação dele foi uma espécie de prêmio. Algumas vezes acho que o Tio me deixa no time só por ter trazido o Pedrinho. Joguei ao lado dele a vida inteira, a relação não poderia ser melhor. Conversamos de futebol o tempo todo e na maioria das vezes concordamos. Nossa visão de como o futebol deveria ser é a mesma. Até na relação da torcida e os torcedores de arena. Preferimos arquibancada e um pernil com substâncias duvidosas a um lugar onde não se pode beber cerveja para ver seu time jogar.
Não ser o protagonista do time e jogar mais de forma coletiva já chegou a te incomodar alguma vez?
Não me incomoda de maneira alguma. Mas sinto que às vezes atrapalha o time, algumas vezes nós confiamos muito uns nos outros e esquecemos de ajudar, deixamos de voltar para marcar pois sempre achamos que o nosso companheiro vai tomar uma bola ou que o goleiro irá defender. Deixamos de apoiar o ataque, achando que o atacante vai driblar e se virar sozinho, ou, o que mais me irrita, deixamos de finalizar uma bola para tocar para uma pessoa que está do lado da quadra. Gian e Dih, “CHUTEM NO GOOOOOL, CAZZO!”
Se fosse convidado, trocaria o Mulekes para jogar em outra equipe?
Não, só saio do Mulekes se o Tio rescindir meu contrato, que hoje está valendo duas coxinhas gordurosas e uma Tubaína Funada. Não me sentiria bem em outra equipe, esse é o meu time e não troco. Jogar ao lado da rapaziada me faz feliz, ter um capitão que não fala palavrões, um zagueiro que parece um árabe surfista, um meia que parece o Zidanilo e muitos outros craques... Não troco isso por outro time.
Obrigado pelas respostas, Rogerinho, você é uma figura sempre polêmica.
Valeu, Douglas. É sempre um prazer falar com vocês e parabéns pelo trabalho. Acho que o Chuteira já faz parte das nossas vidas e tudo isso não passa de uma brincadeira. E vou cobrar uma entrevista em vídeo, uma espécie de “Bola da Vez” comigo. Tenho essa necessidade de atenção.
Comentários (2)
- Lói
out 25, 2016Rogerinho é figuraça, tenho saudades das polêmicas no site, me divertia pra kct com essas coisas. Joga mto, fala mais ainda, abrassssss
- Johnny
out 25, 2016Pela volta dos jogadores resenheiros! Pelo fim da moderação nas matérias! Pela volta da zoeira sem limites! Por mais uma eliminação do Lói na fase de grupos! Ops...