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Oitavas de final começam neste sábado sem grandes favoritos e apenas uma certeza: será difícil alguma partida terminar no tempo normal com ampla vantagem de gols a um time

“Qualquer time pode ser campeão”. Esta é a frase que mais se escuta quando alguém pergunta quem levantará a taça da 22ª edição da Série Ouro. Pelo segundo semestre seguido, a divisão é uma incógnita, com equipes niveladas e mostrando poder de fogo e de defesa até certo ponto parecidos. Nem os líderes Fora de Série e Peneira estão em vantagem em relação aos outros classificados. Ambos fizeram campanhas consistentes, mas a fase final pode ser traiçoeira com eles.
 
Novidade nessa fase do campeonato apenas a ausência do tricampeão da divisão SNG. Rebaixado, o histórico time ficou de fora da disputa pelo quarto título – a última vez que isso aconteceu foi no segundo semestre de 2014, quando terminou na oitava colocação. As outras situações não chegam a ser curiosas. Nem mesmo o MachuPichu na terceira posição ou os Aroucas na quinta colocação de seus respectivos grupos. O que virá a partir das oitavas de final é equilíbrio e poucas pessoas cravando um classificado, já que a maioria das campanhas é parecida.
 
O único ponto fora da curva é o Real Paulista Classic, que se classificou na “bacia das almas” como falaram Lê Rosa e o técnico Jean Patrick após o time ser goleado pelo Vingadores, mas salvo pela vitória do Ras Time sobre o TáLigado. A equipe vem oscilando bastante e só passou de fase graças aos triunfos sobre Ras, HidroNG e Nois Que Soma. Aliás, a classificação do Real pode ser considerada milagrosa, já que foi no limite, mas vencendo o atual campeão da competição e empatando com outro favorito, Mulekes.
 

Quem terá a missão de testar se a classificação do time de Gará foi sólida ou não é o MachuPichu. A tradicional equipe peruana é considerada a maior surpresa entre os garantidos no mata-mata, já que ficou em terceiro no Grupo B – à frente de times como Arouquinha e Roleta Olímpico. A base é a mesma há semestres, com os irmãos Ricci e Tebas, mais Renato Seckler e Thiago Branco, todos dando o suporte para que demais jogadores – como o vice-artilheiro Luis Blanco – possam surgir e ajudar a equipe em momentos distintos. Com cinco triunfos em nove partidas, o “Tchupichu” pode ser considerado o mais apto a avançar de fase. Porém, terá de passar por um adversário que vem empolgado, ciente de suas limitações. Tem Cadu (artilheiro da competição com 12 gols) e Lê Rosa em boa fase, e no semestre passado afastou a fama de amarelão. Traz na bagagem mais experiência que os jovens peruanos, que, por sua vez, apresentaram duas boas promessas – Thi Ramalho e Rodrigo Costa - além de Badari, comendo a bola nas últimas rodadas.
 
Nas outras três partidas, difícil apontar para qual lado pende mais a balança – mesmo que de forma mínima e ínfima. Deverão ser jogos de alto nível e com muita tensão. Divino e Arouca abrem as oitavas sabendo que pode ser um jogo decidido no golden goal ou até mesmo nas cobranças de pênalti. As campanhas são idênticas – 5 vitórias, 1 empate e 3 derrotas – e mesmo no saldo de gols ficam iguais – 7 gols positivo cada. O que os difere são os números de gols feitos e sofridos. O Divino tem um ataque melhor (31 a 28), com um dos artilheiros da competição, Gu Mogi, com 10 gols; o Arouca é melhor no sistema defensivo (sofreu 21 ante 24 do rival) e apresenta a segunda melhor defesa entre os 20 participantes (perde para o Mulekes, com 19 gols, e empata com Vingadores).
 

Robson na meta, Guinho na zaga, e Gu Mogi no ataque – além das investidas de Jonas – marcam a espinha dorsal divinense, que fez uma boa campanha para um novato de divisão. Do outro lado, M1 e Marinho se alternam na meta, enquanto Vitão, Lodetti, Coala e Dhani, entre outros, fazem os arouquenses serem mais uma vez candidatos a título. Será uma disputa intensa – e só uma aberração fará algum classificado sair no tempo normal e com ampla margem de tentos. O Divino mostrou que engrossa contra qualquer time, mesmo os já tradicionais.
 
Mulekes e Arouca Jrs. são dois times sempre apontados como candidatos a título no início do certame, mas que andam patinando nas últimas temporadas. Desta vez eles derraparam bastante já na fase de classificação, ficando com a 4ª e 5ª posições respectivamente em seus grupos e fazendo antecipadamente um duelo que muito bem poderia estar numa quartas ou semifinal.
 
O time do manager e agora também técnico Leandrinho Caetano conta com plantel sólido há várias temporadas, como Leco e Pipo (os irmãos Valente), Vitinho, Gian e Caíque, entre outros, e trouxeram Jamil e Vinicius nessa reta final, dois jogadores de renome no society. A campanha de 5-2-2 (5 vitórias, 2 empates e 2 derrotas) derrubou o time para uma 4ª colocação, diferente das duas últimas temporadas, quando avançou diretamente às quartas de final. De diferente nas campanhas, dois empates (o Mulekes não empatava na 1ª fase desde o primeiro semestre de 2015). Foram 4 pontos que deixou de somar – como quando empatou com o Real Paulista Classic – que o colocou em xeque em certo momento. Só que o último triunfo (7 x 2 ante o HidroNG) parece ter mostrado a verdadeira face da equipe – em busca do tetracampeonato.
 

Enquanto isso, o Arouquinha desafia o Mulekes com uma campanha esquizofrênica – capaz de ser goleado pelo Roletinha em uma rodada e, na seguinte, golear o Peneira. Seu maior expoente ainda é o capitão Nelsinho, mas Vitinho, Gallo, além de Andrey e Luan, entre outros, vão dividindo as responsabilidades para elevar o time de status: de eterno “amarelão” na hora H para um verdadeiro campeão.
 
Fecha as oitavas de final (não pela ordem de horário, mas pela ordem imposta na matéria) o confronto Nois Que Soma versus Roleta Russa Olímpico. Se for para apostar de forma seca, é capaz de a maioria apontar o atual campeão como grande favorito. E não seria injusto. A equipe do bom goleiro Tinho não só defende o título como consegue se transformar em uma fase decisiva. Aliás, é o que se fala bastante: o NQS aguardava apenas o mata-mata para mostrar seu verdadeiro futebol. Felipinho, Luiz Fernando, Paulinho, Tuco, Beleti… são muitos os jogadores que tentarão o bicampeonato.

Para evitar esse título logo cedo, apenas o Roletinha. Só que para acreditar no time de Vadão tem de ter muita coragem. Não que seja uma zebra, longe disso. O problema é que a classificação veio com a equipe em franca queda técnica e psicológica. Chegou a liderar seu grupo na primeira metade da competição, quando venceu 4 jogos e empatou outro, dando a entender que estaria em alto nível até o fim da primeira fase. Ledo engano. Depois disso, foram 4 derrotas e 4 jogos, uma queda brusca de rendimento e classificação apenas na sexta posição. Dos times acima dele na tabela, só bateu o Arouca Jrs. Entretanto, mesmo com esse retrospecto negativo, desconfiar de Pina, Kuminha, Catatau, Alê Harada, entre outros, pode ser uma ficha mal gasta.

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