A banalização de expressões tornou-se corriqueira dentro do futebol society. Por exemplo, basta um mesmo confronto ser realizado por dois semestres seguidos para muitos o classificar de “clássico”, o que não é a realidade – já que clássico se torna com a passagem de muitos anos. Não é diferente com a expressão “grupo da morte”. Parece que em qualquer formato de Copa tem obrigatoriamente uma chave mais forte, o que nem sempre acontece, mas falar esse jargão, procurando pelo em ovo, chama a atenção. Não é o caso do Grupo A da Série Prata, talvez o maior “grupo da morte” da história do Chuteira, superando o mesmo Grupo A prateado do semestre passado, quando também se reiterou a alcunha fatal.
Diante do histórico de cada equipe fica fácil entender por que este será o grupo mais equilibrado de todos os tempos (por enquanto, ao menos no papel, claro). O melhor grupo de todos os tempos até este semestre, parafraseando os Titãs. Na próxima edição pode haver outra chave pior. Por enquanto, Bronx, Condor's, HidroNG, Império Celeste, Primatas, Roleta Russa Clássico, Shakthar dos Leks, Só Quem Sabe e Wake 'n' Bake se engalfinharão em busca da classificação e por fuga de rebaixamento. E, numa primeira instância, é possível crer que as definições acontecerão apenas na última rodada.
Trata-se, simplesmente, de 9 candidatos potenciais. E quem saiu vencedor na rodada 1 pode se animar quanto a escapar da degola. Afinal, eis o primeiro passo em um grupo realmente equilibrado – largar na frente. Na abertura, o Roleta Clássico goleou de forma até surpreendente o Só Quem Sabe. Surpresa? Sim, pois a equipe dos discretos Minhoca, Mezadri e Pedrão vinham treinando forte toda semana na pré-temporada. O placar adverso de 4 x 1 talvez tenha sido exagerado, mas é certo que o vencedor sabe de seus limites e, somando pontos agora, poderá ter uma vida menos ordinária daqui a algumas semanas.
Em seguida, o Bronx superou a sensação da 13
a edição da Série Bronze, o Shakthar dos Leks. Telles e cia. são chamados de “time chato”. Nada tem a ver com o caráter dos jogadores, antes que deturpem mais um jargão. A expressão é lançada pois se trata de uma equipe determinada e com uma proposta de jogo que sempre complica o adversário. Em um grupo complexo, o triunfo por 6 x 4 logo de cara faz crer que a equipe poderá ganhar corpo nas próximas rodadas e fazer o básico, que é não descer de divisão no “grupo da morte”. O Shakthar, por sua vez, conheceu as dificuldades prateadas e sai em desvantagem na chave. Ainda é cedo para ligar o sinal amarelo, mas a segunda rodada será fundamental para seu norte.
As outras duas partidas foram disputadas quase que simultaneamente. Na quadra 11, grande vitória do HidroNG, mostrando que o desastre na 22
a edição da Série Ouro ficou no passado. Sempre que um time cai de divisão, ainda mais da principal delas, forma-se um grande ponto de interrogação quanto à performance na temporada seguinte. Em princípio, vencer o Primatas por 3 x 1 é animador para as próximas jornadas. Já para os símios, é bom ter um algo a mais no semestre. O vice-campeão do XX Chuteira de Ouro vem caindo de produção, mas sempre se escora na pecha de time que faz o mínimo na fase de grupo para chegar forte na fase final. Dessa vez, ou o time faz o máximo já na etapa de classificação, ou as chances de ser bronzeado ainda em 2017 serão enormes.
O último jogo da primeira rodada foi o mais aguardado. Império Celeste e Wake 'n' Bake tinham tudo para fazer uma partida daquelas de encher os olhos e cheia de equilíbrio. Só que uma maior experiência dos meninos de azul falou mais alto, e o elástico placar acabou até sendo surpresa. Afinal, o time de Cutait foi vice-campeão da Copa Hua dos Campeões do Chuteira há uma semana caindo nos shoot outs diante do multicampeão NQS. Difícil explicar se entrou de ressaca pela perda do título ou o quê. Mais fácil falar do Império, que, na batuta de Guedes, continua sendo uma equipe “enjoada”, que não desiste facilmente e tem no elenco vários jogadores habilidosos e entrosados. O Wake dificilmente passará sufoco no grupo se lembrarmos do semestre passado, quando começou mal mas foi semifinalista. Só que terá de se impor para não ser novamente surpreendido.
O “grupo da morte” ainda conta com o Condor's. O recém-ganhador da Copa Apertura folgou na rodada e só entra em quadra neste sábado, dia 25. Porém, sua estreia é muito aguardada, já que formou um verdadeiro “dream team”, com Rafa Martins, Gio e o papa-troféus Bahia para infernizar as zagas rivais. Na calada da noite, ainda arrancou Volpato do Guaxupé. Neste “grupo da morte”, as apostas vão todas para a equipe terminar em primeiro a fase de grupo. Duvido que as outras 8 equipes concordem.
Dessa vez vai, Fora de Série? - Promissora a estreia do Fora nesta temporada. Jogando na quadra grande, a equipe despachou o Camaro na estreia por 8 x 4 e deve, por mais um semestre, terminar nas primeiras colocações na fase de classificação. Juliano e o tricolor carioca Jhoni foram os demônios aos zagueiros aurinegros, mas é em Leandro Dias sua maior contratação. O técnico, que levou o Invictus ao título da Divisão Prata do Apertura, assumiu o comando técnico celeste no lugar de Sega e pode fazer história. Não na primeira fase, a qual a lendária equipe sabe jogar, mas sim, na fase final, quando os meninos são separados dos homens. O time cansou de se ver menino e morrer na praia. Quer um algo a mais e apostam que a experiência do técnico pode ser o diferencial.
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