A atual Prata, em sua 16ª edição, pode ser considerada a de maior surpresas de todas as divisões. Ao sair o sorteio, a verificação de um grupo da morte, o Grupo A. As apostas iniciais eram de Absolutos, Abusados e Imperial brigando para não cair. O Abusados de fato caiu, mas, ao fim das contas, em função de perda de pontos e não pela pior campanha
(com os 3 pontos perdidos, terminaria na 6ª posição; o Só Quem Sabe estaria rebaixado). Caso um jogador não tivesse feito m*, Bob e cia. estariam na Prata. Agora, irão se preparar para, na Bronze, fazer bonito e voltar.
Absolutos e Imperial bagunçaram o Grupo A como poucas vezes se viu em 10 anos de Chuteira. Previsões errarem é normal, mas errarem completamente é raridade. Em setembro, eram dois times fadados a ficar de fora do G-6; em novembro, tornaram-se dois times disputando a liderança da competição, dois times que mostraram – e fizeram – em campo o que dos outros se esperava. No duelo final para ver quem ficaria no topo, deu Absolutos, e o Império Celeste beliscou a 2ª posição. Imperial foi para terceiro.
Com 15 pontos em 24 disputados, o Imperial é o de melhor aproveitamento dentre os 8 que disputam as oitavas de final. Conquistou o mesmo número de pontos do Invictus, no outro grupo, mas tem mais gols marcados. Isso indicaria ter o
Imperial como favorito ante o
The Veras, meros 10 pontos ganhos. Entretanto, apesar do leve favoritismo, em fase eliminatória as coisas são diferentes – e o Veras tem bom histórico em jogos decisivos.
O Imperial testará, pela primeira vez, seu elenco em partida de nervos à flor da pele. O sucesso num grupo com equipes cascudas como Real Madruga, Bronx e Só Quem Sabe acalenta os corações imperiais, mas a lambança de jogadores na partida ante o Raça, rendendo suspensão a dois deles, comprova que ainda falta muito para esta equipe crescer em termos psicólogos e comportamentais – dois pontos de extrema importância num mata-mata. É uma besteira de um jogador para se jogar fora todo um semestre
(vide o caso do Abusados citado pouco acima).
A força do Imperial está em seu conjunto, elenco recheado e as jogadas pelo alto com Rafa Ferraz. Já o Veras tem seu jogo mais do que conhecido e eficiente – Vitinho e João Claudio tacando o terror. Sem Renatinho, suspenso, um dos pilares defensivos do grená, caberá a Marchi e Denys segurarem a onda, com a ajuda do experiente Napolitano. Kinho aparecer seria um ótimo reforço, assim como um dos três goleiros do plantel – Benga, Gamito ou Binho. Jogar com Ariel improvisado de novo não dá.
O confronto entre
Primatas e
Invictus coloca, frente a frente, duas forças antagônicas. Para começo de conversa, só ver os números. Dos 12 classificados, o Primatas tem o pior ataque disparado – são apenas 17 gols marcados em 8 jogos! Média de pouco mais de 2 por partida! Já o Invictus tem a melhor defesa entre todos os times – sofreu apenas 15 gols, com média de menos de 2 por partida. Eis o confronto entre um time que sofre para fazer gols contra outro que dificulta muito para tomar gols.

A força da macacada, já testada e aprovada no passado, vive de nome e está em queda livre. Fez campanha medíocre na 1ª fase (3 vitórias e 5 derrotas) e se classificou graças à perda de pontos do Abusados. Depois do vice-campeonato na Ouro, foi um rebaixamento e agora isso. Decepção é a palavra que percorre as línguas de quem fala do time, de quem joga no time. Tieppo, destaque (se é que podemos chamar assim) na atual temporada, não esconde a má fase, mas se apega a um elemento que pode ser crucial – o Primatas cresce em mata-mata e gosta de jogar jogos decisivos. Se Marcelo Gama resolver aparecer, o Primatas se torna outro time.
O Invictus é o oposto. Vive uma ascensão sem igual em sua história e conta com um elenco repleto de novidades e bons valores. O goleiro Leonardo é garantia de segurança; Orellana, Raphinha, Gonçalo, Donato e Rabelo deram outra cara ao time, muito mais seguro e confiável. A equipe comandada por Leandro Dias foi uma grata surpresa no Grupo B, batendo de frente com o Morada Choque e acabando na 3ª posição, já que perdeu o confronto direto ante o Camaro, que teve os mesmos 15 pontos que o rival.
Numa crescente na competição, o Invictus terá seu maior desafio desde a final do Festival Bola na Rede ante o CAV logo de cara, um adversário que sabe o que fazer em jogos de decisão e acostumados a isso. Em termos de momento, Moacyr e cia. estão bem melhores, mas pode pesar ao jovem elenco uma oitavas de final de Série Prata. Porém, pela primeira em sua história o Invictus parece ter atingido um grau acima de estabilidade e confiança. É o melhor conjunto já montado em 6 anos de vida.
Outro duelo de sair faísca é entre
Real Madruga e
Fúria. Duas equipes das quais muito se esperava mas pouco se viu. Ambas fizeram campanhas iguais (10 pontos em 3v, 1e e 4d) e tiveram seus altos e baixos. O Fúria começou bem, liderando junto ao Morada, e depois despencou de produção. Já o Madruga viveu a típica montanha russa, de ganhar e perder, até o final. Ambos tiveram como alicerce seus atacantes de referência. Com 11 gols, Papai do Axé está a apenas dois do artilheiro Lele (no MVP, foi o 3º colocado, com 10 estrelas). É o único jogador na competição que marcou gol em todos os jogos do time, o que dá um alento à torcida – a lógica diz que terá gol do eterno Elite no sábado. Do outro lado, Rafa Ornelas foi o reflexo da equipe. Passou tardes em branco e em outras fazia números invejáveis. Chegou a marcar 4 vezes ante o Abusados, na partida que fechou a participação azul e branca na 1ª fase.

A contusão do goleiro e ícone furioso Sucão foi contornada com a ida de Léo Pavani para a meta. Até agora, não comprometeu. Fagner anda devendo como cérebro da equipe e os irmãos Motta, idem. Sem eles em tarde de vontade, o Fúria pode ser presa fácil a jogadores rápidos e cerebrais como Zé Mannis e Zaron, dois meias que podem muito mais do que mostraram até agora. Ponto a favor do Madruga: a eficiência no uso da bola parada. Anotem aí: terá gol de lateral ou escanteio ao Madruga. Nenhum time do Chuteira, hoje, trabalha melhor essa arma do que eles.
Fechando a oitavas, o
Roleta Russa Clássico, de virtual rebaixado a classificado na 4ª posição, encarando um velho “conhecido”, o
Raça. Subiram juntos da Bronze, mas nunca se enfrentaram. Do lado russo, apreensão por não saber qual Raça virá a campo – se aquele arrasador da Aço ou se aquele capenga da atual Prata. Raphinha, talismã do time, mais faltou que jogou neste semestre. Fica a dúvida – estará ele em campo? Se sim, o histórico diz que o Raça dificilmente perde e dificilmente o camisa 7 passa em branco.
Com duas suspensões, Grasso e João Paulo, o Raça anda com plantel reduzido em quadra, mesmo tendo 21 inscritos. Contra o Primatas, a estrela de Giaco brilhou. Porém, outros ainda podem mais e devem querer mostrar serviço na hora do vamos ver. Gui Simões é um deles. Ex-capitão do Shakthar dos Leks, até agora não mostrou a que veio. Matheus continua sendo o regente no meio de campo, e agora conta com Fabricio para ajudá-lo. Leveza, velocidade e, com Raphinha, letalidade. Eis o que o Roleta Clássico pode esperar.

O técnico Vini lamentou pegar o Raça logo de cara. Preferia outro rival menos assustador, já que, em sua cabeça, está gravado o sapeco que o Raça meteu em outro Roleta, o chamado de principal, na final da Série Aço (7 x 1). Mesmo assim, com um início na divisão prateada a se esquecer, perdendo para o É Verdadeee, que acabaria rebaixado ao fim das 9 rodadas, o Clássico se recuperou e terminou mais em alta do que em baixa – acima do esperado, como os leitores puderam ver no depoimento de Vini para o
Dodo Futebol Show # 8.
Em termos numéricos, os dois se equivalem até aqui. O Raça ganhou mais vezes (4 contra 3), mas terminou com menos pontos devido à punição. Os ataques fizeram média de 3,5 gols por partida – total de 29 ao Roleta e 28 para o Raça. As defesas foram rigorosamente iguais – 26 gols sofridos cada.
A referência técnica continua a ser Brunão. Na defesa, Faustinho, Pegui e Bilica andam em boa fase. Louiz é um talismã que pode injetar ânimo e confiança nos demais. Está confirmado, assim como o goleiro MVG Léo. As armas do Roleta não são muitas, mas se bem empunhadas podem render boa artilharia.
Comentários (0)