O Grupo A dourado teve placares, digamos, esquisitos. Nada de falta de capacidade dos vencedores, tornando o adversário uma 'zebra'. Sem esse discurso clichê para angariar mais discussões acaloradas (muitas vezes desnecessárias). Tampouco se faz necessário usar o velho chavão “1º de abril” para justificar as vitórias de TáLigado, Bode, Divino e, a mais gritante, a do SPQSF. Esses times saíram com 3 pontos cada, quando a maioria esperava no máximo 1, porque fizeram o jogo perfeito contra equipes até então apontadas como mais qualificadas tecnicamente.
Desses resultados, ver que o Fora de Série perdeu por 3 x 1 para o SPQSF talvez seja o mais surpreendente. Talvez. E por quê? Vejam só: um time completamente desmerecido que perde na estreia para o atual bicampeão por apenas 1 x 0 (gol no minuto final) é normal? Um time que empata com um recém-promovido na divisão e leva apenas 1 tento é tão comum? E levar apenas 1 gol da equipe até então detentora de um dos ataques mais potentes do Chuteira, eis algo habitual? O amigo leitor já chegou onde eu queria. Lépido, já sacou que a turma de Bruno Meneguelo aposta na estratégia defensiva para a temporada.
Não à toa, é a defesa dourada menos vazada (3 gols em 3 jogos), e a terceira mais sólida dentre as 4 divisões do Chuteira – perde apenas para Maciota's (1 gol sofrido em duas partidas) e Xoras (2 gols em 3 jogos). Apostar no sistema defensivo para explorar os contra-ataques não é novidade. Afinal, defender-se faz parte do jogo – este, como se fosse uma batalha. Quem não quiser aceitar esse tipo de estratégia pode pegar o banquinho e ir conferir outras modalidades. O SPQSF aprendeu isso há alguns semestres e, agora, vai colhendo os frutos de uma base entrosada que soube encaixar um estilo de jogo que está dificultando a vida de adversários mais badalados.
Quem também está dando trabalho é o Bode. Até aí, nada de novidade no
front. É uma base qualificada, com Piero na meta, Renatão Coco na zaga, Mascherano na proteção e distribuição de jogo, enquanto, no ataque, habilidosos e experientes jogadores, como Túlio, Orley e Romulo, além de outros que sabem o que fazer quando em quadra. Só que derrotar o Arouca, ainda por cima por um placar de 4 x 1, não é para qualquer um.
A maturidade caprina mostrada na convincente vitória é digna de uma análise mais profunda. Não cabe nesta coluna, pelo menos não nesse momento. Análise, no sentido de achar uma possível resposta: o mesmo Bode que goleia um gigante sem piedade terá cacife para brigar por título, longe de ser um 1º de abril?
Aliás, a data referida, internacionalmente conhecida como “dia da mentira” [algo que não dá para entender, já que mentir é algo intrínseco nas sociedades desde que Adão e Eva existiram (?)], poderia ser lançada para justificar a boa vitória da turma comandada pelo gerador de conteúdos Deco. O TáLigado jogou demais no triunfo sobre o Nois Que Soma. Marcou forte em todos os setores da quadra, anulou as principais jogadas do bicampeão e foi letal nas conclusões – vencendo por 2 x 0 e fazendo pairar uma nuvem de incredulidade na quadra 5. É necessário todo esse escárnio?
Não deveria. Afinal, o campeão do VI Chuteira de Bronze vem se mantendo na elite chuteirense há um bom tempo e deveria ser apontado mais pelo conjunto do que apenas como “o time do Zaidan”. Neste semestre, já soma dois triunfos e, a cada rodada que passa, deverá ganhar consistência e confiança para se classificar ao mata-mata. Quem sabe até buscar o troféu – em uma divisão sem favorito absoluto por enquanto.
Tudo porque o triste de ontem é o alegre de hoje, independente de sair da água pro vinho justamente no dia da mentira. Foi o caso do Divino. Antes da rodada 3 era o lanterna com nenhum ponto. Bastou uma semana e, pronto!, vitória sobre o Camaro e a volta da alegria para o matador Andrade e cia. Há muito chão a ser percorrido ainda caso a equipe busque uma melhor colocação e uma eventual classificação. Contudo, entrar na rodada despedaçado e sair dela esperançoso não é história de mentiroso.
Polarização na Aço – Guaxupé e TeJanto são apontados como times de, no mínimo, Série Prata. E fazem jus à pecha. No Grupo B da Aço são os líderes com 9 pontos em 3 jogos, já abrindo excelente margem para o terceiro e quarto colocados, Voando Baixo e Interativo, respectivamente, ambos com 4 pontos. Para efeitos de comparativo absoluto, o segundo colocado por pontos perdidos são Se7e de Perdizes e Faroeste, que têm 3 pontos em duas partidas realizadas. Mesmo assim, já é quase abismal a diferença dos líderes, que deverão duelar ponto a ponto até a última rodada da primeira fase pela vaga bronzeada no segundo semestre.
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