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6ª final seguida do NQS pode confirmar na prática o que na teoria já se vê – vivemos tempos de uma nova hegemonia; o Vingadores quer estragar tudo


Vira e mexe falamos de uma certa hegemonia no Chuteira, como que um time a dominar e doutrinar os rivais sem ninguém fazer frente. Quase como os grandes impérios da humanidade, desde os antigos romanos, passando pelo poderio inglês e, atualmente, para os que encaram o “fim da história”, o império americano (que alguns já o colocam em decadência).
 
Fala-se muito, claro, mas no futebol impérios longevos não se sustentam. O tempo é danado (0 SNG que o diga), não perdoa ninguém. Mas, afinal, estamos prestes a viver uma espécie de 5ª dinastia no futebol chuteirense? Sim, é certo. Antes de falar dela, relembremos as anteriores.
 
Lá pelos idos de 2007, o SNG iniciou sua trajetória e imperava. Futebol compacto, eficiente como poucos, seguro na defesa e fora de série no ataque (alguém que jogou contra Renê no tempo áureo diria o oposto?). Ganhou dois títulos seguidos e parecia fadado a mais. Demorou até chegar a seu terceiro caneco, pois sofreu nos pés da 2ª dinastia, a do Bengalas, quando faturou 3 semestres seguidos e não tinha para ninguém. Luisinho e Ritolê foram soberanos. Quando o futebol despencou, como acontece com toda equipe, foi o adeus.
 
Tivemos um período de equilíbrio no imediato pós-Bengalas, em que o título foi dispersado até que alguém se agarrasse firme ao trono. Real Paulista, Arouca, Mulekes e My Balls foram campeões. Aí veio o CAV, mas a hegemonia era outra, da mulekada, com mais dois títulos e adiando os planos caveiras de uma ultra hegemonia – comparado ao projeto Guerra nas Estrelas de Ronald Reagan nos Estados Unidos dos anos 1980.
 
O Mulekes reinou por um tempo, mas sucumbiu ao poderio financeiro do CAV, que chegou ao tetracampeonato com um tri seguido. Era a 4ª supremacia que o Chuteira presenciava, essa capaz de ser mais duradoura, mas que acabou quando Caio Fleischmann tirou seu time de campo. E nisso o trono ficou vago novamente, e calhou de ser no exato momento que o NQS chegava à Ouro. Nunca se enfrentaram (uma pena!), mas certo é que a turma do Tinho ocupou o vácuo deixado. Ganhou no 1º semestre, pode repetir a dose neste sábado e fechar o ano 100%. Cravar de fato uma nova hegemonia, a 5ª na história do Chuteira, que não sabemos quando poderá acabar.
 
A rigor, o desafiante Vingadores quer que esse papo de hegemonia fique só na teoria. Na prática, a conversa é outra, o jogo é jogado e a turma do Guerra apostou alto para chegar onde chegou. O NQS não terá vida fácil em hipótese alguma. Não vai ter atropelo igual foi até agora no mata-mata.
 
Há mais de ano a gente vem falando no Vingadores como um time que se reforça e promete, mas na hora de mostrar o pau acaba não cumprindo. Ou o cumprimento é menor do que se esperava. Isso acabou. O time do futuro amadureceu e virou do presente, do agora, da possibilidade de título real como nunca dantes na história da franquia. É outro time daqueles que foi subindo e chegou a decidir um título da Aço com o Primatas (2ª edição). Teve a mínima consistência e se instalou na Ouro. Ali ficou, mas sempre fazendo papel de coadjuvante, quando não de protagonista na briga para não cair. Foram três edições disputadas (19ª a 21ª edição) em que oscilou entre 7ª e 8º colocado – sempre fora da zona de classificação. Na melhor campanha até então, foram 3 vitórias em 9 jogos.
 
A maioria que joga hoje lá chegou no último ano. Diogão veio para a temporada 2016, quando o CAV saiu. Ele trouxe Osso, R10 e Gambetta. Aí tudo mudou: um trouxe um que trouxe outro. Virou uma máquina de juntar bons jogadores. Ao mesmo, jogadores das origens foram deixando a equipe, casos de Iglesias e Alemão. Uma nova base se formou.
 
Com bons porta-vozes no mercado, o Vingadores montou um elenco mais forte e confiável, capaz de suportar uma Série Ouro. Virou um time de respeito a quem faltava mostrar que podia dar liga. E deu. Nas mãos de Vini, um dos destaques do meio de campo que se machucou e assumiu o posto de técnico no início da temporada, o grupo fez campanha exemplar, derrubando favoritos. Ficou em 2º lugar do grupo da morte, em que o mesmo NQS estava. De 11 partidas até agora, ganhou 8, empatou uma e perdeu 2. O empate foi justamente contra o NQS. As derrotas foram para o líder da 1ª fase Fora de Série e o quase rebaixado Ras Time. Venceu Mulekes e despachou Arouca.
 
Na 1ª fase, marcou 33 gols e sofreu 21. O NQS fez 32 e sofreu 24. Mas, em se tratando de NQS, esqueçamos a 1ª fase. Para esse time, o que vale é o mata-mata, é quando o melhor de cada um desabrocha e o time voa. Ninguém desbancou ainda essa galera em jogo eliminatório, desde o Chuteira 5. Em junho passado falamos do NQS fazer a trinca – ganhar Chuteira 5, Aço, Bronze, Prata e Ouro. Dito e feito. E agora o time pode repetir o feito na Ouro. Bi da Ouro, se igualar a Equipe Bróder. Poderá, claro, chegar ao tricampeonato como SNG, Bengalas e Mulekes. Pode mesmo igualar e passar o 4 vezes campeão CAV. Pode, dentro do seu tempo. Qualidade há de sobra, como cansamos de apontar e escrever.
 
A hora é do bicampeonato, com o Vingadores como seu oponente. Quem não conhece o Vingadores não sabe que é um time absolutamente técnico, com jogadores experientes e habilidosos, acostumados a jogos de alta pressão. Para começar, Gambetta (ex-CAV) é segurança plena na meta – o Peneira só tem a lamentar sua presença na semifinal. Foi decisivo para a classificação. Diogão é o cabeça, pensa o time e o jogo desde a retaguarda. Faz par com Teté na defesa. Lê, Foguete, Osso, R10 e Queijinho fazem o meio de campo e chegam ao ataque para formar o quadrado com Koba, último de renome a chegar e quem vem fazendo o papel de pivô. Gaúcho é outro nome forte que decide. Ambos foram os nomes nas passagens por quartas e semifinais.
 
O time não tem um matador de ofício, aquele que concentra os gols e mete a bola para dentro. Esse papel coube mais aos dois meias, inicialmente R10, nas primeiras rodadas, e depois Queijinho, por sinal os artilheiros do time, com 11 e 9 gols respectivamente. Quando Koba chegou, no meio da temporada, e foi se adaptando, ele passou a ser certa referência.
 
Essas características são similares ao estilo de jogo do NQS. Ninguém tem posição definida, a bola roda muito até ser finalizada a gol, a saída de bola de ambos é das melhores e lá de trás as jogadas são armadas e pensadas – não à toa, Luiz Fernando e Diogão são os caras no setor de criação, jogando recuados. O meio de campo é habilidoso, ágil e sabe chutar de longe. Talvez a maior arma em favor do NQS seja um jogador cujo similar não existe no adversário – Tuco. O baixinho é rabisqueiro e desmonta defesas com sua habilidade. Tem cheiro de título, é daqueles talismã que quando entram mudam o jogo. O Vingadores não tem um jogador assim.
 
Como disse o repórter Henrique Julião no último sábado, certo é que o campeão da Ouro é um time com uniforme de camisa preta. Para a final, o preto está reservado ao NQS. O Vingadores vai de azul. Ou seja, de certo não tem nada. Azul ou preto, qual a cor que se sobressairá no crepúsculo chuteirense de 2016?
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