O time que chega na Ouro sempre carrega as desconfianças dos demais. “Vai voltar”, “Subiu para descer” e outras falas similares sempre rolam. O Só Quem Sabe, campeão da última Série Prata, passa certamente por isso. Entretanto, entender a filosofia do time e como pensa um dos seus idealizadores ajudam a explicar o sucesso do time no último semestre, quando passou a jogar um futebol vibrante, especialmente no mata-mata, quando disparou rumo ao título ao desbancar favoritos como Fora de Série e Palestrinha.
Sim, ao se falar de Só Quem Sabe deve-se falar de Ricardo Mezadri, ou só Mezadri, ou Ricardinho. O camisa 10 mais ausente dentro dos jogos é figura ímpar na condução da equipe, porém, do lado de fora, foi fundamental para manter o conjunto unido e focado. Mezadri é daqueles que colocam o coração na ponta da chuteira.
Para a disputa da inédita Série Ouro, entretanto, a equipe não terá mais seu manager. Isso porque a vida e o desejo de mudanças levaram Mezadri ao outro lado do mundo. Desde meados de agosto o presidente está morando na Austrália, com planos de passar um tempo lá para aprimorar inglês, fazer mestrado e buscar “um lado musical”, além de curtir as garotas na praia de biquíni.
Assim, a direção da equipe passa ao técnico Pedrão e ao capitão Tessarin, dois grandes parceiros na jornada vitoriosa do Só Quem Sabe. Mezadri deixa o Brasil, deixa o Chuteira, deixa o Só Quem Sabe no campo físico, mas estará há milhares de quilômetros torcendo e mandando suas energias positivas aos amigos de longa data.
Abaixo o Chuteira News traz uma entrevista com o presidente do Só Quem Sabe, já bem instalado numa praia paradisíaca australiana e curtindo a vida adoidado. Esperto, deixou a bucha de encarar os grandes do Chuteira para os companheiros. Confira.

Sol, praia, mulheres: Mezadri busca outras paixões e deixa o futebol para trás
Como surgiu o Só Quem Sabe? Qual seu papel para o time virar realidade?
Surgiu no interior de São Paulo, mais precisamente em São Carlos no ano de 2000, quando, ainda bem novos, disputávamos torneios de salão da cidade. Vim para São Paulo para jogar bola aos 17 anos e anos depois veio também o Tessarin (capitão do SQS), que disputava o Chuteira pelo Império Celeste. Fiquei encantado com o torneio e a ideia de reviver o time, daí comecei a garimpar a galera e mexer o caldo. Deu no que deu!
A equipe patinava na Bronze, sem conseguir o acesso. Quando conseguiu via desistência de outras equipes, o time deslanchou na reta final da Prata rumo ao título. A que se deve esse salto em se tratando de um torneio de maior qualidade técnica e competitividade?
O SQS sempre praticou um bom futebol, mas batíamos na trave por talvez faltar ter mais calma em horas decisivas, porque não tínhamos pessoas totalmente concentradas no objetivo. Isso é difícil de alcançar... Trabalhamos com o lema mente tranquila e coração fervendo na Prata, que é basicamente confiar na capacidade para fazer algo bom com ela. E conseguimos... A Prata, por ser mais aberta e de maior qualidade, nos permitiu mais espaço para jogar. Temos jogadores habilidosos e um coletivo forte e fomos, jogo a jogo, sem desconcentrar! E tudo também deu certo. Campeão precisa de sorte, mas fomos atrás dela... Treinamos muito e, mais do que isso, treinamos certo. Quando você vai atrás a chance de acontecer triplica!
Quais você considera os pontos essenciais para o título da Prata e consequentemente o acesso à Ouro?
Como disse, mente tranquila e coração fervendo! Bola no chão, crença no cara que está do seu lado, harmonia entre todos, responsabilidade cumpridas individualmente e coletivamente... Enfim, uma série de coisas, mas a mais importante é a #racaecachaça. Iisso significa muito para nós!
Como funciona o Só Quem Sabe nos bastidores? Qual o seu modo de gerenciar e administrar tantos amigos?
Sou um cara que gosta de estar com boas pessoas ao meu lado, pois isso facilita o caminho e também te dá suporte para continuar qualquer que seja a brisa. No SQS a gente se respeita muito e é bastante amigo, o que até facilita brigas ou discussões, mas quando o grande objetivo não é perdido e todos entendem o valor de uma amizade, aí sim se tem um time! O segredo é tratar todo mundo bem e ser sempre otimista. Assim, coisas muito boas podem acontecer... Sempre que chega alguém no time, a gente explica o que é o raça e cachaça e no primeiro grito antes de começar o jogo ele já entende...
Você, como publicitário, é um homem de imagem, mas registramos diversas vezes discursos seus ao time com fervor e paixão antes de certas partidas. O que pensa antes de falar e incentivar o time? O que considera o mais importante nessas horas?
Cara, eu falo o que me vem no coração na hora, de verdade, alinhado com o planejamento que fizemos para aquela hora. Pedrão (técnico do time) me ajuda bastante nisso. Aliás, é um cara muito inteligente, o título tem bastante dele!
O que você pensava quando lia que o SQS era azarão, zebra, que os outros eram favoritos e tal? Isso mexe com jogador mesmo antes de uma partida?
Mexe bastante sim. Eu ficava chateado porque sabia o que estava fazendo para isso não acontecer, mas precisava equilibrar coisas importantes para deixar de ser, como o psicológico. E isso arrumamos, agora é dar continuidade.
Você mais ficou machucado do que jogou em 2013. Ressente-se por isso?
Pra caralho! Machuquei 7 vezes em 1 ano, isso frusta e tira qualquer cara de forma ou ritmo. Foi foda, ainda mais eu que amo jogar bola, fui profissa com 17 anos. Fico chateado de não conseguir jogar em alto nível mais, mas pode ser que isso volte, há tempos não me machuco mais, me cuido bastante agora em vários sentidos... Mas ajudei bem em outros lados importantes e isso foi bom!
Quem assume a direção do time com sua saída? O que espera desse “novo” manager?
O Pedrão, como sempre de treinador, e com algumas outras responsas e o Tessarin, que ficou com as coisas mais administrativas. Espero que o SQS nunca perca sua essência de amizade, bom futebol, raça e cachaça!

Mente tranquila e coração fervendo: eis a receita do
sucesso para Mezadri no Só Quem Sabe
Quais as expectativas para a primeira vez disputar uma Série Ouro? Já andaram se informando a respeito?
As melhores possíveis. Estou acompanhando daqui e caímos em um grupo bem difícil, mas a preparação está boa, vai ser bem legal essa experiência de Ouro e de um futebol em alto nível. Tem tudo pra ser bom! Society é muito igual, ganha quem tem mais cabeça e vontade! Já jogamos com muitos times da Ouro e fomos bem! O importante é não perder a pegada!
O que é a Série Ouro para os times que estão lutando na Bronze e na Prata?
É a mulher gostosa que você fala para os seus camaradas: "Eu ainda vou comer essa mina". (risos)
Você está de mudança para a Austrália. Quais seus planos profissionais e pessoais? Um retorno está previsto?
Já estou aqui, na verdade, e a mudança está sendo grande em profundos sentidos! Planos sempre mudam ou se adaptam, mas o desenho inicial é firmar o inglês e depois fazer um mestrado em design, fotografia, artes e afins, que tem a ver minha profissão, mas também tem um lado musical que quero evoluir, além de, é claro, ter um lifestyle diferente, morar na praia e ver as meninas passando e algumas ficando!
Pretende continuar acompanhando o Só Quem Sabe e o Chuteira mesmo a distância? O quão bom e ruim é isso?
Pretendo sim, mas confesso ser um pouco martirizante isso! Pô, eu gosto demais do SQS, talvez tenha sido umas das coisas que mais senti de deixar aí, amizades verdadeiras, momentos indescritíveis, tudo isso é proporcionado por 18 malucos que resolvem abraçar uma brisa de momentos inenarráveis e por culpa de outros loucos como vocês que fazem um campeonato tão bacana de jogar! Tem como esquecer? Vou fica um tempo por aqui, evoluindo como pessoa e também profissionalmente, sem contar o foco grande na parte física. Talvez não demore muito por aqui, vai ser o tempo que eu achar necessário. Voltarei ainda melhor e tomara que na Ouro e para conquistá-la. Isso se já não tiver acontecido.... (risos)
Comentários (1)
- Jacobi
set 05, 2013Grande Meza, uma perda inestimada para o SQS !!!!! Fora as saudades já sentidas no rolês, você fará muita falta dentro e nos bastidores do gramado. Será um baque estrear no sábado sem sua presença e sem o seu tradicional grito de guerra. Saiba que a raça e a cachaça sempre prevalecerão, e iremos manter a mente tranquila e o coração fervendo. Botar pra quebrar nessa Ouro !!! Um grande abraço do seu irmão, amigo e fã. Jacobi.