Fim de algumas eras, mas (re)começo de outra. Uma notícia vem agitando a pré-temporada do Chuteira como uma bala (tal como seu nome) no alvo. Precisamente, três alvos para um único Roleta Russa. O anúncio da fusão entre os Roletas: de agora em diante, não mais existem Roleta Russa Olímpico (encerrou as atividades na Série Prata) e Roleta Russa Mítico (jogava a Copa Calcio). Ambos se fundem ao Roleta Russa numa equipe só, a disputar atualmente a Copa Apertura e a Red & Blue League, além de já estar confirmada para a disputa da 13ª edição do Chuteira 5, a começar em abril. Assim, a histórica equipe resgata a origem de sua criação para sobreviver com competitividade.
Lá em 2006 – já se vão quase 16 anos – Baru Matos e Leandro Batata trouxeram seus amigos para a disputa do II Chuteira de Ouro. Com o sucesso da competição e sua expansão, cresceu também o número de interessados em vestir a camisa do Roleta. Com isso, junto à Série Prata do Chuteira veio também o Roleta Russa Olímpico, em 2009. “Nos primeiros anos de Roleta, nós não precisávamos procurar jogadores. Era tanta gente querendo jogar que justamente acabou gerando estes múltiplos elencos. Chegamos a ter 6 equipes de 2016 a 2018”, relembra Baru, hoje técnico do time.
A avalanche Roleta Russa atingiu em cheio o Chuteira. Do número citado por Baru, cinco times ligados à franquia disputaram competições dentro da liga: além de Roleta e o time Olímpico, houve ainda Roleta Russa Clássico (chegou à Série Prata), Roleta Russa Mítico (jogava às quintas, na Copa Calcio e Red&Blue), Roleta Russa Lendário (Master) e Roleta Russa Dasmina (Chuteira Girls).
Porém, o tempo passou, e as situações individuais mexiam com os elencos – transformando o que era simples prazer em desafio maior que um determinado jogo. “Com o passar dos anos, a manutenção do elenco fica cada vez mais complexa. É um processo que sabemos que ocorre com muitos outros times também. No Roleta, percebemos que as equipes estavam perdendo força e preferimos nos unir em um só time novamente, para fortalecer os laços em todos os sentidos”, explica Gabriel Pina, eterno capitão do Olímpico.
A manutenção de elenco citada por Pina foi determinante para Baru reassumir as rédeas de uma cavalgada que ele próprio construiu há uma década e meia e reunificar a ‘Nação Roleta’ num único caminho. “Tínhamos 3 times com dificuldade pra fechar elenco de forma satisfatória, mas tínhamos peças interessantes que formariam um baita time”, pensou Baru antes de alertar para outro detalhe. “Mesmo assim precisei entender se havia encaixe pra isso ocorrer e se a galera compraria a ideia”.
Operação Roleta – A maior dificuldade, contudo, não foi o possível ciúme que poderia existir, mas sim convencer os cabeças dos times que, juntos, poderiam se tornar um único Roleta Russa. “O Pina era sem dúvida o cara mais importante nesta etapa, não haveria este projeto sem ele. Mesmo assim, assuntei a ideia com alguns antes dele, pra chegar com um plano um pouco mais formatado: jogadores como Kuminha, Volt, Thomas, Rodrigo e Rocha eram essenciais para o projeto funcionar e eles deram sinal verde”.
Baru é conhecido e alcunhado como ‘Mister Roleta’. Cada time tinha autonomia para tomar suas próprias decisões, mas sempre dentro da filosofia implementada por um dos nomes históricos do Chuteira de Ouro e que nunca deixou de acompanhar suas crias, mesmo de longe. Ele ficou alguns anos ausente por conta da família, que aumentou
(vide foto abaixo), mas hoje se coloca com gás total. “A minha volta com mais força coincidiu com meus filhos um pouco maiores (atualmente com 9 e 6 anos). Agora é diferente, estou com dedicação total. Ao mesmo tempo, o Pina virou pai e está numa fase que dificultaria muito tocar o Roleta Olímpico com a dedicação que ele sempre teve – em 2012 passei por isso e sei como é difícil”.

O pensamento de Baru coincide com o de Pina nessas encruzilhadas da vida. “Acredito que tenha sido o melhor a ser feito
(unificar o time), a decisão correta para todos. A notícia foi bem recebida e aceita por todos, o que gerou mais tranquilidade para concretizar a decisão. No final das contas, o subtítulo de Principal, Olímpico, Clássico e Mítico é só um detalhe. Fazer parte desse universo Roleta é o ponto-chave para nós”, avalia Pina.
Pina é um caso à parte na história olímpica. Ele era capitão e manager do único título da família Roleta na Liga e suas divisões, quando o Roleta Olímpico bateu o Lodetti na final do XII Chuteira de Prata. Isso, somado ao fato de jogadores como Kuminha e Catatau nunca terem disputado Bronze, Aço e Chuteira 5, levanta questões. Como jogadores que disputaram só Ouro e Prata vão encarar ter de reiniciar tudo do Chuteira 5?
“Será uma nova realidade, porém sigo motivado para encarar o novo. Tenho certeza que a nova divisão trará novos desafios e espero que o Roleta faça um bom papel. O grupo como um todo está animado e feliz por fazermos isso juntos”, anima-se Pina.
Quem também foi parte importante do processo de fusão foi Rocha. Era ele quem comandava o Roleta Mítico, time montado com a ideologia de resgatar jogadores históricos do começo da franquia, mas que “estavam sem espaço”. A partir daí, a renovação foi natural. “A vontade de ganhar e a renovação foram atraindo novos jogadores, mais novos inclusive, e mantendo uma idealização de jogos aos domingos, que era de comum acordo entre os jogadores”, começa Rocha.
O salto foi a opção de jogar às quintas-feiras – coincidindo com as realizações da Red & Blue e Copa Calcio. Porém, temporadas se passaram e o interesse em continuar no Mítico era cada vez menor por parte de alguns jogadores, ficando sempre um grupo restrito e fiel para competir pela esquadra. “Nosso presidente (Baru) conversou com os diretores de cada Roleta e definimos como um projeto unificá-los, já que eram sempre os mesmos jogadores ainda com interesse espalhados dentre os Roletas”, atesta Rocha, que jogará a próxima edição do Chuteira 5. “Com essa unificação, e calhando de não estar mais trabalhando aos sábados, sim, teremos Rocha com muita sede e junto ao grupo, focados no objetivo e mais fortes do que nunca”, completa, lembrando de algo que sempre era cobrado e enfim vai acontecer – Rocha disputar o Chuteira de Ouro por alguma equipe
(convites não faltaram).
Os Eleitos – “Espero que voltemos a ter este ‘problema bom’ – mais jogadores do que vagas –, pois assim, quem estiver dentro vai valorizar mais e, inevitavelmente, tenderemos a ter um elenco mais competitivo”, esperança-se Baru. O corte pode ser interpretado de algumas formas. Imaginando uma lista para uma Copa do Mundo de futebol, levar 23 atletas, de um universo com dezenas de jogadores, é um tipo de desafio ao treinador responsável pelas convocações. Para a liderança do Roleta Russa, foi algo parecido. “Tínhamos que transformar aproximadamente 50 jogadores em 25”, exemplifica Baru antes de filosofar: “Era o passo correto a ser feito. Aquela máxima: a vida é cheia de decisões difíceis, vencedores são aqueles capazes de tomá-las”.
Os nomes que irão compor o Roleta Russa para enfrentar equipes como Bicho Solto, Geração de Ouro, Zona Nossa, o atual campeão da Copa Estrelato Cozinha da Villa, entre outras, ainda não estão definidos, apesar de o elenco da Copa Apertura dar uma ideia de quem ficou. Tempo para o início do Chuteira 5 não falta. “Todos desse projeto já jogam há um bom tempo no Roleta. O grande articulador do time será o Baru e contará com figurinhas carimbadas como Kuminha, Catatau, Rodrigo, Thomas, Rodrigo, Volt, Juninho, Machado, entre outros bons nomes. A ideia é manter os mais identificados com o nosso universo Roleta e que seguem com aquela vontade enorme de jogar”, desvenda, parte do mistério, Pina.
De qualquer maneira, a atual fusão visa resgatar algo que foi fundamental no início do Roleta e valor crucial do Chuteira – manter amigos mais próximos pelo futebol. “É animador fazer as coisas ao lado de lendas de nossa história! Outro dia olhei e estávamos juntos Machado, Edu, Pina, Kuminha, Volt, Thomas, Catatau e Rocha no pós-jogo. Todos com mais de 8 anos de Roleta! O Pina tem 15 anos! Não tem como não ter tesão num projeto destes”, derrete-se Baru. Em seguida, finaliza com a ‘receita do sucesso’. “Queremos ter um elenco mais engajado para que aumentemos a resenha e as vitórias e, quem sabe, de quebra, retornar à Série Ouro”.
Comentários (0)