Nos últimos dois anos só ouvimos os nomes de Bengalas e SNG como campeões. Mas, na 11ª edição da Série Ouro, já há uma certeza: teremos um novo campeão na principal divisão do Chuteira de Ouro
De 2008 até 2010 as finais do Chuteira eram barbada: SNG e Bengalas eram presença garantida. Assim, a galeria de títulos da Série Ouro ficou polarizada: o Bengalas ganhava tudo e foi campeão três vezes seguida, duas sobre o SNG. E quando não foi o Bengalas que ganhou? Ah, sim, aí foi o SNG. Os dois gigantes do Chuteira de Ouro viviam no topo máximo da competição e tinham uma supremacia que parecia imbatível. Só parecia, pois com o Bengalas fazendo uma campanha para cair à Série Prata e sendo afastado do Chuteira, além do SNG dizendo adeus numa quartas de final (fazia tempo, hein, Renê?!), o Chuteira de Ouro promete ter outro dono. Enfim o Grande Troféu Chuteira de Ouro vai para outras mãos após 2 anos de hegemonia. Bacana, Real Paulista, The Veras e Med Taubaté: um deles levantará o caneco no dia 18.
“Acho importantíssimo que sejam renovados os campeões, pois demonstra a qualidade desse campeonato e faz os times terem mais comprometimento”, analisa Marcelão, homem forte do Bacana – time que encara o Real Paulista no jogo que decidirá um dos finalistas. Panela, seu adversário no confronto de sábado, pensa da mesma forma: “O campeonato está num nível cada vez melhor. Pra vencê-lo, tem que estar muito bem mesmo. Gostaria de parabenizar as 4 equipes, porque só cada um sabe o quanto foi difícil chegar aqui”. Os dois times chegam de formas distintas neste duelo de arrepiar.
O Bacana sempre mostrou regularidade durante a fase de classificação. Obteve seis vitórias – uma delas derrotou o Arouca por 4 x 2 –, um empate e apenas uma derrota (2 a 4 contra o Só Resenha, na 6ª rodada). Com campanha impecável, o time terminou na primeira posição do Grupo B e se credenciou às quartas de final. “Os jogadores do Bacana mudaram o comprometimento: a postura dentro de quadra, o companheirismo com outro e a dedicação aos jogos foram fundamentais. Outro fator é a volta do João para o time, e o melhor entrosamento do último membro bacanense, o Gustavo”, revela Marcelão.
Em sua estreia neste mata-mata, O Bacana encarou o Bufalos, que não resistiu à maior coesão de jogo de Rômulo, Demehur e cia. Entretanto, algo incomoda Marcelão – o falatório de que o Bacana não é time de chegada e que tremia na hora de decisão. “Muita gente critica nosso time pela falta de consistência. Sim, demos motivo, por fazer campanhas ruins em edições anteriores. Escutei muito que o Bacana só está aonde está porque o grupo era ridículo e que, na hora H, treme. Mas, estamos focados nas finais, e tenho certeza que faremos o melhor”, desabafa Marcelão.
Já a campanha do Real Paulista foi marcada por altos e baixos. O time, que perdeu dois importantes atletas antes do início – Quintanilha e Salvador –, começou perdendo seus dois primeiros jogos, mas se reencontrou com as vitórias a partir da terceira rodada. Nas 4 partidas iniciais, Panela estava suspenso – fruto dos incidentes gerados no confronto contra o SNG, nas quartas de final do X Chuteira de Ouro (revés por 5 x 1). O ‘maestro’ do time voltou e, junto a ele, o bom futebol da equipe. “Estou mais preocupado em ajudar o meu time. Estamos provando que gostamos de estar juntos. E, o melhor, todos se respeitando. O Panela e o Real vão lutar até o fim pra chegarmos a essa final”, declara Panela.
Na outra semifinal, também times de campanhas distintas: Med Taubaté e The Veras duelam pela vaga na grande final. O time do carequinha uruguaio Javier começou de forma avassaladora a competição, vencendo suas 3 partidas iniciais. Oscilou na metade final da fase de classificação, mas acabou conquistando a vaga. Nas oitavas de final, aplicou um clássico 3 a 0 no Fúria e, nas quartas de final, segurou os atrevidos meninos do Só Resenha. “Após ‘contratações’ de alguns atletas e dos amistosos, comprovamos a melhora do time que se deu, principalmente na defesa e na saída de bola. Esperávamos chegar além das quartas, e foi o que aconteceu. A boa campanha não me surpreende, pois sabemos que temos grandes jogadores, só precisávamos de alguns ajustes”, explica o ‘Doutor’ Anibal, camisa 10 do Med.
Não era de surpreender a campanha do time: o próprio Anibal, no início da fase de classificação, já dizia que a equipe estava mais forte em relação ao Med montado no ano passado. “Além de novas peças de reposição, mudamos a organização tática em campo. No ano passado, marcávamos mais gols, mas a defesa ficava mais desguarnecida. Arrumamos o sistema defensivo, mas podemos melhorar ainda mais o ataque. Vamos ver daqui pra frente”, conta o Doutor.
Porém, a tarefa dos médicos de Taubaté não será fácil. Para chegar à decisão terá que passar pela zebra do campeonato: o The Veras. Mas, será que o time do Jairo é mesmo uma zebra? “Fomos apontados como fraco porque as pessoas costumam não olhar os jogos. Com o time completo fizemos grandes jogos e começamos muito bem. Mas tivemos umas suspensões, algumas pessoas machucadas e outros que não compareceram por causa de trabalho”, explica Victor Petreche, um dos principais jogadores do Veras. “Levantar o caneco? Como assim: somos zebras!”, provoca em seguida, mostrando insatisfação com o pecha apontada por muitos.
A equipe começou muito bem o certame, derrotando seus velhos fregueses Roleta Russa, empatando com o Fúria e derrotando o Arouca em jogo confuso e emocionante. Mas, depois dos incidentes nesta partida, parece que o time perdeu a mão. Mesmo assim, na reta final de classificação, credenciou-se entre as 12 melhores equipes da Ouro. Nas oitavas de final aprontou pra cima do Fiorella Brasil e, nas quartas de final, derrubou o último grande favorito ao título que restava: o Mulekes. “Nosso time tem como princípio montar uma equipe de amigos para jogar o nosso futebol. É isso que nos difere de alguns times e nos aproxima de outros. O Veras tem o mesmo elenco, o mesmo capitão, o mesmo goleiro e os mesmos amigos. A diferença é que dessa vez acreditamos em nós mesmos, jogamos o melhor possível e estamos empenhados em ganhar todos os jogos”, emociona-se Petreche.
Depois do dia 4 de junho saberemos quem disputará o título inédito da Série Ouro. Med, Bacana, Veras ou Real: quem cravará seu nome na galeria dos campeões do Chuteira de Ouro? “Isso só mostra o equilíbrio do campeonato, que já nas quartas mostrou que os quatro jogos foram decididos nos detalhes. Um novo campeão sempre é bem-vindo e tomara que seja o Med”, crê Anibal. Independentemente, será a primeira vez, em 2 anos, que não terão os nomes SNG e Bengalas no topo do certame. “Quem ganhar a Ouro o fez por merecer. Mas, do jeito que anda o campeonato, acho que ninguém é louco de apostar suas fichas cegamente em um time, ou é?”, desafia Petreche.
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