A principal divisão do Chuteira de Ouro terá um campeão inédito neste semestre. Neste sábado, Catado e Baixada de Munique se enfrentam na busca pela taça mais cobiçada entre todas espalhadas pelas outras séries. Outro detalhe acompanha esta decisão: após treze finais seguidas, é a primeira vez que Nois Que Soma, Mulekes ou Clube Atlético da Vila (CAV) – este último inativo desde 2015 –, os maiores vencedores da história, não estarão na disputa. A finalíssima poderá marcar o início de uma nova era entre equipes para a próxima década.
Tanto Catado quanto Baixada caíram no mesmo Grupo B e ficaram nas duas primeiras posições. No próximo sábado, reencontram-se em um momento distinto àquela ocasião. A fase de classificação, na Ouro, serve apenas para direcionamento no mata-mata. Ambos sabem que, por exemplo, o confronto direto vencido pelos santistas (5 x 1) não deverá ser repetido na grande decisão. “Não se pode ignorar o que fizemos na primeira fase, até porque isso tem um peso na campanha que fizemos até aqui, mas sabemos que eles sofreram com desfalques e, mais do que isso, é a terceira final consecutiva deles”, salienta Pedrinho, responsável pelas armações do BM. “Muita coisa passou desde a primeira fase, agora são dois ‘novos’ times, com objetivos maiores e, no meu ponto de vista, sem favoritismos”, complementa.
Tratando-se de uma final, é muito difícil que haja goleada. A última registrada na Série Ouro foi na edição 24 (disputada no segundo semestre de 2017) quando o Nois Que Soma bateu o Condor’s por 4 x 1 para sacramentar seu tetracampeonato. De lá para cá, ou placares apertados ou o título sendo decidido no gol de ouro. Antes, a mesma situação: raras as vezes em que o campeão venceu por dois ou mais gols de diferença, mostrando o quão complexo é levantar o caneco dourado.
O Catado fará sua terceira final seguida na Ouro. Nas duas ocasiões anteriores, caiu para NQS e Mulekes, respectivamente. “Confesso que em todas as decisões de Chuteira de Ouro que disputei, minha semana foi mais lenta, a hora demorava para passar. Com essa agora não está sendo diferente. Uma ansiedade domina meu peito e meus pensamentos me traem a todo instante devido às outras duas últimas experiências”, revela Interior, um dos destaques do Catado. Ele esteve presente nas perdas para NQS e Mulekes nos semestres anteriores. “Erramos e aprendemos, todo o nosso sacrifício, todas as dificuldades que passamos durante este semestre vão ser esquecidas em 50 minutos. O final é só Deus que sabe, mas a vontade de vencer vocês vão perceber quando olharem nos meus olhos. Vencer é gostoso demais, mas vencer do lado dos meus amigos, não tem nada mais prazeroso que isso”, anima-se a esperança da torcida do ‘Catado Indomável’.
Já o Baixada de Munique vem colecionando taça atrás de taça. Desde que entrou no Chuteira de Ouro, venceu todas as divisões de acesso em sequência, a partir do Chuteira 5 até a Série Prata. Inclusive, vencendo grupo na fase de classificação em todas as ocasiões. “A Ouro é o nível máximo do Chuteira de Ouro. O Catado é uma equipe que sempre vem chegando, não vamos ter moleza. Claro que tudo que fizemos nas divisões de acesso fica marcado na nossa história, mas não entra em quadra. Vamos jogar com seriedade em busca do nosso maior objetivo, que sempre foi chegar na Ouro e conquistá-la”, planeja Holanda, zagueiro santista.
Trio de ferro fora da festa – Nois Que Soma, com cinco títulos, e CAV e Mulekes (4 cada um), são os maiores vencedores da história da Série Ouro. Será a 28ª disputada de taça na divisão, e quase a metade dos títulos foi parar nas mãos dos três gigantes (13 de 28). Dois outros times venceram em três oportunidades cada um: Bengalas e SNG, fechando a monopolização da divisão entre esses cinco times. Nesta década, apenas Real Paulista, Arouca, My Balls e Peneira se ‘intrometeram’ no amplo domínio dos times que foram, no mínimo, tricampeões.
“Lembro que éramos um time de amigos (da infância), e que éramos muito aguerridos, tínhamos uma equipe que marcava demais, e nos contra-ataques éramos letais, errávamos pouco”, recorda-se Panella, campeão da divisão dourada com o Real Paulista em 2011. Apelidado de ‘maestro’ por coordenar as principais jogadas da então equipe merengue, foi um dos responsáveis por derrubar outra zebra naquela final, o Med Taubaté.
Porém, depois dessa competição, o domínio do ‘trio de ferro’ foi assombroso. “CAV, Mulekes e NQS são de uma época diferente do Chuteira de Ouro, em que cresceu muito o Fut 7 e, com isso, muitos dos jogadores dessas equipes jogam, ou jogavam, várias competições no circuito nacional da modalidade. Aí fica difícil acompanhar”, analisa Panella, que resume: “Ou os outros times se preparam e trazem jogadores, ou a briga será pra ver quem fica com o 3º lugar para baixo”.
Outro detalhe que chama atenção é a não presença do ‘trio de ferro dourado’ na final. De 2013 até o semestre anterior, sempre teve Mulekes, CAV ou NQS na decisão (quando não disputaram entre si, caso da 23ª edição da Ouro, quando o NQS venceu o Mulekes na morte súbita (
releia aqui). Uma situação inusitada ao se tratar de uma competição amadora, provando a dificuldade em ser campeão. “Acredito que, depois de chegar em duas finais, nosso time ficou mais cascudo e começou a entender como jogar uma final de Série Ouro, entrar com o pensamento de vitória e muita vontade. Como o Balão sempre diz: ‘Final não se joga, se ganha’”, alerta João Gualtieri, arqueiro do Catado. “Este semestre foi um dos mais equilibrados, muitos times se reforçaram e isso deixou a Ouro mais disputada”, continua Gualtieri, que ainda prevê sua equipe no topo dourado por anos e anos. “Acredito sim que o Catado possa assumir esse protagonismo, com a qualidade do nosso time e com a bagagem que conseguimos durante esses anos”, finaliza.
Comentários (0)