Ainda irá render muito o confronto do último sábado envolvendo o Locomotiva Tarja Preta e a equipe do Basicus, pois sem dúvida foi um jogo para ser guardado (para o Basicus, festejado; ao Locomotiva, lamentado) na história dos dois times e lembrado por gerações. Um ponto que chamou muita atenção no jogo foi o número de bolas que os tarjapretanos mandaram nas traves do pequeno arqueiro Emílio, o Jorge Campos do Chuteira. “Foram doze pelas minhas contas, fora as defesas do Emílio”, assim Publius revela o espantoso número.
Exageros à parte, segundo o capitão do Locomotiva, ou melhor, o maquinista da Locomotiva, esse elevado número de bolas que pararam nas traves do adversário se deve exclusivamente a uma pessoa: Baru, o homem Roleta. “Ele é o Rasputin (místico russo) do Chuteira. Mas creio que o Barath foi no centro junto com ele comprar patas de aranha e essas coisas a mais. Jogo do Locomotiva sem bola na trave é mentira já”, brinca o camisa 7, autor de duas carimbadas na trave durante a partida.
Mas o grande fato aqui não são as travessuras da trave neste último confronto. O pior é que o Locomotiva, desde o jogo contra o Roleta Russa pelo Chuteira de Prata passado, vive uma fase de a bola ir mais na trave no que no gol. Naquela oportunidade, quando perderam por 5 x 1 do RR, foram mais de cinco a beijar a trave. “Naquele jogo contra o Roletão começamos a sofrer com bolas na trave. Ali o Rodrigo mandou uma, e a bola voltou na mão do Guaraná. Foi f...”, recorda o capitão, amaldiçoando aquele dia que a maldição começou.
A partir dali a trave passou a ser parceira do Locomotiva. Contra É Verdadeee e Babilônia foi a mesma coisa. Acabou Chuteira, começou outro, mas a maldição permanece. Lucas, técnico do Locomotiva, ficou aturdido com tantos quase-gols do time. “Não dava para acreditar. Nos 15 minutos finais foi uma blitz pra cima do Basicus. Atacamos com tudo e toda hora que ia gritar gol a bola explodia numa trave”, confessou ele. “Chegamos ao cúmulo de ver cabeçadas a menos de meio metro caprichosamente bater no travessão. Ou um chute do Toninho de longe fazer uma curva impressionante e também bater lá e ir voltar para o meio da área para ser tirada”, completou.
Para um time que chegou com pretensões reais de subir para a Série Ouro já na 1ª parte do torneio, perder dois pontos assim podem custar muito caro. “Fica um gostinho meio amargo pelos três pontos que não foram somados diante do Basicus. A briga pelo acesso fica mais difícil, vendo que existem boas equipes. Vamos torcer agora para o Basicus roubar outros pontos dos nossos adversários”.
Rodrigo D’Alonso foi outro que saiu indignado, mas não tanto pelas bolas na trave, mas sim com a atitude do time. “Temos que ter mais atitude e colocar na cabeça que se quisermos chegar em algum lugar temos que jogar com vontade e em equipe (o que sobrou para o Basicus no último jogo), mesmo com trocentas bolas na trave”, comentou ele.
Se a maldição começou contra o Roleta, as apostas do Tarja Preta é que termine com ele. Neste sábado, pela 3ª rodada do II Chuteira de Prata, o time de Publius enfrenta o Roletinha, irmão mais novo do Roleta Russa. No banco estará Rasputin Baru comandando o adversário e, se a versão de Publius estiver correta – jogando sua mandinga para gorar o Locomotiva. Será uma ótima chance para o time da tarja preta quebrar o encanto – ou o feitiço – e mandar varias bolas para as redes adversárias. Mas ali estará o goleiro Casari, duas vezes MVG neste Chuteira de Prata, para impedir que a locomotiva deslanche. Pode ser o início de nova maldição – a dos goleiros que fecham o gol contra o Locomotiva.
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