Depois de um ano e meio na labuta, o Nois Que Soma finalmente está na Ouro. O que já era esperado desde o pontapé inicial no Chuteira 5, finalmente veio a acontecer de forma perfeita. A campanha que a equipe aurinegra apresenta na atual Série Prata é de invejar qualquer time. Em nove rodadas completadas, foram: 9 jogos, 9 vitórias, 66 gols prós, 18 contra, totalizando um saldo de incríveis 49 gols.
O que mais impressiona não é somente a campanha atual, mas sim toda a trajetória da equipe ao longo de Chuteira 5, Série Aço e Bronze. Ao longo dos quatros campeonatos disputados, o Nois Que Soma sofreu apenas duas derrotas. Uma na Aço para o Toque Me Voy logo na estreia. A outra na Bronze para o Cachorro Velho – o mesmo time que tomou um totó de 10 x 3 no início de outubro e é o adversário da equipe nas quartas de final na Prata, neste sábado. De resto, a equipe só soma vitórias atrás de vitórias. Detalhe: sem nenhum empate.
Para quem não sabe, o Nois Que Soma surgiu de um enorme desmanche dentro do Mercenários, já na fase final do XVII Chuteira de Ouro. Em um elenco que tinha aproximadamente 14 jogadores, nada menos que nove deram adeus ao Mercenários durante a disputa do mata mata daquela ocasião e formaram o Nois Que Soma.
A conversa inicial da formação da equipe surgiu num diálogo de um grupo de WhatsApp pelos jogadores que estavam insatisfeitos com uma situação dentro do Mercenários, a qual Bollito até hoje evita falar muito. Após esta conversa onde nada era definitivo, em uma viagem ao litoral paulista, alguns jogadores ainda do Mercenários, liderados por Bollito, decidiram criar um outro time.
Com isso, para a criação do nome da equipe, eles usaram uma gíria muito expressada por Paulinho, ala da equipe, que é o famoso “nois que soma”. Daí em diante, tudo foi fluindo aos aurinegros. Um detalhe interessante é que as partes em dourado no fardamento fazem alusão ao objetivo maior de todos – chegar à Ouro. E eles conseguiram!
Na época em que o time já estava montado no papel, os jogadores ainda cumpriam seu acordo diante do Mercenários e estavam disputando as quartas de final da 17ª edição da Ouro. Em atrito com a direção do time, os jogadores acabaram não jogando e a eliminação para o Só Resenha foi uma consequência inevitável. Eles não perderam tempo e pegaram a última vaga para a disputa da 1ª edição do Chuteira 5.
No fim de 2014, campeão da 4a. edição da Série Aço
No Chuteira 5, em junho-julho de 2014, o Nois Que Soma desfilou ante os adversários, ganhando todas as partidas do torneio, se sagrando campeão e garantindo o acesso ao Chuteira de Aço. Já na Aço, quem conhecia a equipe já dava como certo o acesso – quiçá o título. Entretanto, um susto logo na estreia. O time perdeu para o Toque Me Voy por 6 x 5, em um duelo altamente disputado e apimentado. A equipe conseguiu se recuperar ao vencer todos os jogos do torneio em seguida e se sagrou campeã novamente, passando pelo James Bode na final (atual Bode).
Na Bronze, no primeiro semestre deste ano, o time passou por uma reformulação. Caras novas como Thales, Neres, Paolo, Herick e Gleissinho vieram para acrescentar qualidade à equipe. Fezão, Noal e Felipinho tomaram outros rumos. Diante disso, o NQS demonstrou mais uma vez ser o bicho papão e não ficou com o acesso antecipado já na primeira fase por uma punição sofrida na sua última derrota no Chuteira, diante do Cachorro Velho, quando Bollito acabou expulso e entrando em atrito com a arbitragem. Perderam 3 pontos e viram o Leões do Brás ficar com a vaga. Problema? Nenhum! Afinal, com uma fase final perfeita, deitaram e rolaram até levantar o terceiro caneco na final ante do Divino.
A Prata ainda está em andamento, mas o time já está garantidíssimo na Ouro com a campanha perfeita citada acima – de 9 vitórias em 9 jogos. Mais do que nunca, o Nois Que Soma demonstra seu absolutismo no torneio. Depois de passagem apagada pelo CAV, Felipinho retornou ao time e agregou qualidade ao tiki-taka aurinegro, uma das grandes características da equipe.
Enquanto se prepara para mais uma decisão – é consenso que o time carrega um absoluto favoritismo para ser campeão – caras novas foram incorporadas no decorrer do semestre e são reforços garantidos para a disputa da Ouro em 2016. Com a perda de Thales, o time disputou a maior parte do torneio sem um pivô de ofício, mas já trouxeram Pedro Paulo, que estreou com dois gols na goleada por 6 x 1 contra o SPQSF.
A equipe ainda promete muito mais para a fase final. Tuco, ex-Mulekes, era reforço certo para a fase final do torneio. Ele estreou contra o MachuPichu e já saiu como MVP. O jogador é atleta profissional pelo São Carlos Futebol Clube, atual campeão da 2ª divisão do Campeonato Paulista de Futebol. Isso só eleva ainda mais para o esperado título da Prata, fechando o ano com seu quarto título seguido – feito só realizado pelo A.A.A. – que chegou à Ouro após ser campeão de Aço, Bronze e Prata.
Para Bollito e Tinho, diretores e jogadores do NQS, é a sorte de ter amigos que sabem jogar futebol, já que muitos deles seguiram até carreira no futebol profissional. Segundo os managers, a evoluição da equipe está na boa relação dentro e fora de campo. Muitos deles se conhecem há muitos anos, casos de Tinho e Luiz Fernando – outro membro da diretoria da equipe.
Apesar de ter um elenco recheado de bons jogadores, quem olha de fora vê o Nois Que Soma como um time sem nenhum tipo de problema interno. Muito pelo contrário! A Bronze foi um torneio em que a equipe passou por muitas turbulências internas, que acabaram disfarçadas pelos resultados positivos em campo. Muitas lesões, a saída de Felipinho para o tricampeão CAV e a perda de pontos na partida contra o Cachorro Velho foram algumas das dificuldades que o time enfrentou – e superou.
Festa na conquista da Bronze, em junho passado
Começando por Felipinho, ele é um dos integrantes do tido como um dos melhores meio campo do Chuteira, ao lado de Luiz Fernando e Paulinho. As lesões foram um dos problemas mais graves. Ao total foram cinco. Bollito, Tinho, Luiz Fernando, Uber e Herick. O defensor Bollito já era desfalque previsto desde o início do torneio, após a partida final da Aço, quando deixou o campo com fortes dores no joelho. Passou por cirurgia e está em fase de recuperação, mas está sempre em quadra dirigindo o time.
Já o goleiro Tinho muitas vezes entrou em campo no sacrifício. O goleiro sentia dores no ombro e em várias oportunidades cedeu seu lugar a Herick ou Guto. Uber teve algumas complicações antes mesmo do torneio rolar; Luiz se machucou na 4ª rodada, contra o Fúria Futebol Moleque, jogando algumas partidas também no sacrifício, e Herick se lesionou na partida final contra o Divino.
O acesso à Ouro do Nois Que Soma era tido como certo por quem é bom observador do Chuteira. Times fortes da elite esperavam pela chegada e sabem que a divisão ganhou mais um adversário de peso. O futebol apresentado até o momento é de um time muito bem organizado, com um estilo de jogo que raramente se vê em times amadores. Muito parecido com a escola CAV e Mulekes, jogado com muita movimentação, toque de bola e envolvimento dentro de campo.
Entretanto, antes do início do NQS na Ouro, previsto para a primeira semana de março de 2016, o time tem o desafio das finais da Série Prata. Precisa provar em campo que o favoritismo atribuído fora é mesmo merecedor. Aí, uma nova trajetória será escrita pelo time de Bollito e cia., e desta vez contra forças como CAV, Mulekes, Arouca, Inflação, Bengalas, Roleta e por aí vai.
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