Numa atitude inédita, equipe se compromete a doar 1 kg de alimento a uma instituição de caridade por cada gol marcado no Chuteira; jogadores de outras equipes elogiam e já aderam à campanha
O futebol move paixões, intrigas, rusgas, determinações – independente do tipo da competição. Une pobres e ricos, negros e brancos (e amarelos), heterossexuais e homossexuais etc. Faz um ser humano sentir-se apto a alcançar o êxtase quando marca, ou vê seu time marcar, um gol; ou quando defende um lance de tento. Além disso tudo, outro sentimento começa a tomar conta dos boleiros do Chuteira de Ouro: a cidadania. Graças a uma ação do Só Resenha. Em atitude inédita, os resenhistas prometem doar 1 kg de alimento a uma instituição de caridade para cada gol que o time fizer, ao longo da participação na Série Ouro. Uma decisão ímpar, que deverá incentivar outras agremiações do certame.
A inspiração vem de um recente projeto adotado por Palmeiras e Corinthians, no qual, a cada gol marcado por cada equipe, 100 mudas de árvores eram plantadas em São Paulo. “Juntei isso com a vontade que temos de ajudar aqueles que precisam. Dividi a ideia com alguns atletas mais veteranos do Resenha, e eles me apoiaram. Aí criamos a campanha e vamos até o final”, sentencia o líder resenhista, Vitinho. O elenco recebeu positivamente a sugestão. Todos “se colocaram à disposição para ajudar”, a partir do momento que Vitinho adaptou a campanha dos gigantes do futebol brasileiro ao Chuteira.
O que diferenciará a campanha solidária do Só Resenha de outras que envolvem esporte, tratando-se de doações, é que o repassado às instituições não será em dinheiro. No caso do Resenha, ao fim da participação da equipe, serão contabilizados os gols; depois, os jogadores arrecadarão dinheiro entre eles para, daí, comprar os alimentos (1 kg de alimento para cada gol). Com isso, será evitado algum possível desvio de dinheiro, de acordo com Vitinho: “Juntamos o que mais gostamos de fazer, que é jogar futebol, com a solidariedade. Nós vemos por aí muitos programas solidários, mas o difícil, às vezes, é acreditar que está sendo doado mesmo, porque envolve dinheiro”.
A iniciativa cai bem num time reconhecidamente ofensivo, mas não é para tornar o time ainda mais ofensivo que a campanha nasceu. “A intenção da campanha não é essa (buscar incessantemente o gol), mas já que unimos a doação com os gols, espero que incentive, sim”. A princípio, não há ainda instituições definidas para receber os alimentos. “Queríamos dividir em três estágios: idosos, adultos e crianças. Mas, para resolver isso, precisamos ver o quanto vamos arrecadar. Estamos procurando algumas casas e vamos trabalhar em cima da necessidade de cada uma”.
A vontade dos resenhistas pode respingar em outras equipes. Não que seja o propósito primordial, mas talvez falte um “empurrãozinho” para que outros times possam tomar a mesma iniciativa. “Temos hoje, no Chuteira, 64 equipes. Se metade das equipes tomarem essa iniciativa, chegaríamos numa média de 500 kg de alimento em dezembro”, faz as contas Vitinho.
A julgar pelo pioneirismo, talvez tenhamos cada vez mais ações solidárias no Chuteira de Ouro. “Achei muito legal a iniciativa, e seria ótimo se mais equipes participassem. Não sei se a galera vai aderir, mas acho que pode ser proposto. Pena que não posso colaborar com gols, ainda mais que minha função é evitá-los”, conta o zagueiro do Acidus Lói. Dick Vigarista, “matador” do Rabeloska, também se encantou com a proposta, mas faz uma ressalva: “Ótima iniciativa, pode contar com o pessoal do Rabeloska nessa campanha. Tenho certeza que muitos outros times participarão. Só acho que deve haver uma fiscalização acirrada em cima disso; não pode chegar na hora e time deixar de pagar o que ‘deve’”.
O maior artilheiro da história do Chuteira de Ouro, o atacante do SNG Renê, não só apoia a ideia de Vitinho e o parabeniza, como pretende adaptar o movimento para seu time. “Muito legal a iniciativa, e o SNG está dentro: cada gol que fizermos, 1 kg de alimento não perecível. E mais: cada gol que eu fizer, doarei mais 2 kg de alimentos – fora os do SNG.”. Vitão, o xerife da zaga do Arouca segue a mesma linha de raciocínio: “Pode contar com o Arouca nessa campanha. Acho que vai dar um retorno positivo. Não posso fazer a mesma promessa que o Renê, mas prometo que se contra o SNG ele não fizer gol, eu doarei 10 kg de alimentos”. Renê já aceitou o desafio: “Vitão, se eu jogar contra o Arouca, vamos fazer uma aposta do vencedor do confronto e uma pessoal minha contra você”.
Os adversários do Só Resenha tentarão evitar os gols do time quando os enfrentar. Mas, pela cidadania, talvez Med Taubaté, SNG, Fiorella, Jeremias, Arouca, Arouquinha, Roleta Russa, Bufalos e MachuPichu tenham até prazer em sofrer tentos. “Quanto mais gols, melhor para o Resenha, e melhor para a campanha”, finaliza Vitinho.
Comentários (0)