O time nasceu de outro – Só Risada. Este jogou o festival de meio de ano do Chuteira no ano passado. A equipe não vingou para o IV Torneio Chuteira de Ouro. Dele, só Maurício permaneceu para formar o novo time. Juntou Caio, Danilo, Kaká, Ronei, Marquinhos, Bruno, Denis e Philip. Nascia o Só Lance.
A estréia da equipe foi no IV Chuteira, e na ocasião perdeu para o Sport Club CBB. Em seguida, perdeu apertado para o Acidus e para o SNG. Somente na quarta rodada conheceu o sabor da vitória. Mas até aí Danilo, que vinha sendo um dos comandantes fora de campo da equipe ao lado de Maurício, já tinha deixado tudo por conta deste, que sofreu com a falta de compromisso – e de pagamento – de alguns. Inscreviam jogadores, mas estes nunca compareciam. Alguns nomes da súmula nem os próprios jogadores sabiam quem era.
Confusão de nomes, novos jogadores, mas quem estava em campo eram sempre os mesmos. Ronei começou a se destacar – fazia gols e levava pontos na Corrida MVP. A equipe começava a ganhar corpo e a incomodar.
Na rodada final, a decisão pela última vaga diante do Tosco. Vitória tranqüila e classificação garantida. Aos trancos e barrancos o Só Lance ia adiante no Chuteira, mas não passou das quartas-de-final, pois pegou logo de cara no mata-mata o atual campeão e se deu mal. Apesar de eliminado, deu sufoco e deixou a competição de cabeça erguida.
Antes do V Chuteira, as coisas iam de mal a pior. Maurício, cansado de sofrer para organizar a equipe, deixou o time. A bucha caiu no colo de Caio, que passou a sambar para fazer o Só Lance retornar à ativa. Ronei prometeu ajudar e trazer jogadores. Trouxe Felipe Vitta. Os demais “ponta-firme” continuaram a jogar, mas alguns esqueceram que tem de pagar para se jogar. Tal situação já fez Caio comentar com alguns amigos e jogadores que não mais tomaria conta do Só Lance, ou seja, ele não mais organizaria o time, e se ninguém tomasse as rédeas poderia ser o fim da equipe. Outro que se cansava da “bagunça”.
Entretanto, o time dentro de campo, depois de derrapar em algumas rodadas, encontrou seu rumo. Classificou-se em 4º lugar, com 15 pontos em 9 jogos, e em seguida eliminou o Treinadores do Braz nas oitavas-de-final. Assim, chega com a moral elevada para a decisão nas quartas diante, de novo, do agora bicampeão SNG. Momentaneamente, a crise foi esquecida. O otimismo tomou seu lugar e, a contar pela belo futebol diante do Treinadores, ele não é à toa. O Só Lance pode jogar de igual contra o SNG.
Philip acredita que as condições de vitória são boas, mas não podem se enganar em razão do último jogo. “O momento do Só Lance é bom, mas não podemos nos enganar por causa do jogo contra os Treinadores e acreditarmos que agora estamos voando e ninguém pode nos vencer. O jogo foi ótimo, mas acabou escondendo os muitos erros da equipe durante o campeonato”, avalia. “Acredito que chegamos para essa decisão com muita moral e mais entrosados do que nunca. É um prazer enfrentar uma equipe tão bem organizada e tão boa quanto o SNG em um jogo decisivo. Respeitamos o SNG pelo passado e pelo presente desse belíssimo time, mas vamos entrar com muita garra e inteligência para atropelar”, completa.
Contas com o Chuteira atrasadas, uma equipe com uniformes emprestados (foram 3 já desde o IV Chuteira), jogar quase sempre sem reservas... Philip novamente explica a situação. “Depois do último campeonato tínhamos nos programado ficar meio ano ‘parados’. Juntaríamos dinheiro, compraríamos uniforme e treinaríamos para não fazermos feio, masssss a vontade de jogar esse campeonato era tanta que não nos agüentamos e aqui estamos”, afirma. “Tivemos de optar por pagar o campeonato e não fazer o uniforme personalizado. Hoje, acho que ninguém se arrepende, pois, como dito em uma matéria do Chuteira News no começo do campeonato, o Só Lance veio para mostrar que não precisa de uniforme bonito para ganhar seus jogos”, revela o camisa 9.
O Só Lance tinha tudo para dar errado. Porém, vem dando certo. O Só Lance escreve certo por linhas tortas. Resta ver até quando.
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