Quando todos o consideram liquidado, eis que o time ressurge das cinzas para abocanhar mais um título
A Série Ouro está chegando ao final. E a decisão será neste sábado. De um lado, o Fora de Série surpreendeu e passou na frente de equipes tradicionais e favoritas ao título. Já do outro lado, uma verdadeira barbada entre os torcedores: o SNG. Não surpreendeu a ninguém a classificação do time de Tejeda e Cia. à grande decisão. Afinal, o time é bicampeão do torneio e decidirá a sua terceira final seguida. Com o SNG é assim: você o considera fora do páreo, mas ele se reformula e despacha seus concorrentes, igual ao personagem Jason, da franquia “Sexta-feira 13”.
“Acredito que esse alto nível que o SNG mantém há anos se deve ao comprometimento dos jogadores que aqui fazem parte. E do alto nível técnico que a equipe sempre possui. A cada edição foi se fortalecendo com um ou outro jogador para suprir as ausências e as dificuldades que o time tinha. O atual time, na minha visão, é o melhor elenco do SNG desde a 3ª edição da Ouro”, explica o lendário Memé.
O SNG é, sem dúvida, um dos times mais fortes do Chuteira de Ouro. Jogadores de outras divisões fazem questão de se programar somente para assistir às jogadas de Ronei, os desarmes precisos de Biro e Allan, e a frieza no comando de ataque de Renê. Também, não é para menos. O time faturou a 3ª e a 4ª edição da Série Ouro. É, também, o atual bi-vice do torneio, mas quer acabar com esse jejum e igualar o número de títulos de outro gigante do Chuteira: o tricampeão Bengalas.
Com a queda do Bengalas nas quartas de final (derrota ante o Arouca), o caminho para o título ficou um pouco mais tranquilo. “Perdemos duas finais para o Bengalas porque eles aproveitaram bem nossos erros. E nisso eles são mestres. Sabíamos que não podíamos errar, e erramos. Mas isso é passado. Serviu de ensinamento. E por isso não vamos cometer os mesmos erros nessa final. Sobre facilitar, não sei não. Eu tinha vontade pessoal de jogar novamente contra eles e ganhar para tirar a ‘zica’ (risos). Mas o Arouca tem uma p* equipe e conseguiu ganhar deles. Coisas do futebol”, externa o matador Renê.
A campanha do ‘Jason’ do Chuteira foi de altos e baixos. A equipe, acostumada a chegar entre os dois primeiros lugares na fase de classificação, amargou a terceira posição do Grupo B. Ficou atrás do líder Arouca e do vice-líder Fora de Série. Nas oitavas de final, passou sufoco ante o copeiro time do Estudiantes de La Vila. Nas quartas, atropelou o Real Paulista, e nas semifinais derrubou o favorito ao título, Arouca. “Sinceramente, nem passou pela nossa cabeça que esse semestre seria um desastre, com todo respeito a outras equipes. Tivemos um começo de temporada com novos jogadores, alguns jogadores importantes ficaram fora por contusão, ou ausências devido ao trabalho”, explica Memé.
Renê diz que jamais viu uma fase de classificação tão disputada: “Acho que essa fase de classificação foi a mais difícil de todas que joguei. Tivemos diversos problemas de desfalques e, principalmente, de entrosamento. É difícil acertar isso logo no começo, tanto é que na segunda metade da classificação já estávamos jogando melhor, e no mata-mata fomos muito bem em todas as partidas”.
Quem está do lado de fora imagina ser fácil montar uma equipe rapidamente, ou que seja sossegada a reformulação de um elenco. Mas, pelo contrário, isso demanda tempo e paciência, fatores fundamentais para que o SNG pudesse alcançar mais uma decisão. Nesta edição, por exemplo, chegaram para compor a “família SNG” os atletas Alemão, Felipe, ambos oriundos do Joga 13, e Washington, parceiro da dupla nos tempos de Melville Power.
“As reformulações são normais dentro do futebol. Muitos acabam assumindo outros compromissos e não podem se comprometer com o time. Quando isso ocorre, precisamos de reforços. Tivemos vários jogadores que passaram pelo SNG nesses últimos 8 campeonatos, mas sempre com uma base de 10 a 12 jogadores. Ou seja, o time não perde a essência. A abertura para esses 3 jogadores foi a melhor possível. Conheço eles desde o 2º Chuteira e sempre conversávamos bastante. Sempre falávamos que um dia íamos jogar juntos e isso felizmente aconteceu nesse semestre. Acho que eles estão satisfeitos em fazer parte da família SNG e que eles até se surpreenderam com tamanha receptividade nossa”, desabafa Renê.
O SNG superou as dificuldades e mais uma vez chegou à decisão. Pela frente a “zebra” Fora de Série. Mas os atletas do SNG sabem da qualidade do adversário e pregam respeito para esta final. “Bater na trave pela 3ª vez seria doloroso demais (risos). Mas tudo pode acontecer, o time do Fora está bem, tem ótimos jogadores e não está na final por acaso. Eles fizeram por merecer”, esclarece Memé.
Seu companheiro Renê segue a mesma linha de raciocínio: “Nenhum time chega à final por acaso. O Fora fez a 2ª melhor campanha do grupo, só perdendo para o Arouca. Ficamos atrás deles. Eu conheço o Clebão há tempos e sei de sua capacidade para motivar um grupo e tirar o máximo de cada um. É um excelente time, tem o Lapa, Orley, Zóio, Argentino, Rica, entre outros, que sempre figuram com destaques no MVP. Ou seja, é um time muito qualificado e que não desiste nunca da partida”.
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