Se pensarmos na letra de “Encontros e Despedidas”, de Milton Nascimento e F. Brant, podemos identificar a situação do Locomotiva Tarja Preta, para muitos, equipe eliminada precocemente do último Chuteira de Prata e juntando os cacos para o ano de 2010. Especificamente, os seguintes versos:
“A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar”
Em 2009, pela 1ª edição da Prata, a equipe, ainda nova, perdeu a classificação na rodada final, graças a uma inesperada derrota do Roleta Russa para o É Verdadeee. Na última edição, os férreos loucos do maquinista Publius e do condutor Lucas fizeram campanha consistente e, apontados por muitos como um dos nomes mais propensos ao acesso à Série Ouro, classificaram-se em terceiro colocado no Grupo A.
No entanto, algum fator inóspito fez o Trem listrado sair de seus trilhos. Após 6 jogos iniciais consistentes (4 vitórias e 2 empates), a Locomotiva entrou em derrocada e descarrilou. Nas duas últimas rondas da classificação, duas derrotas. Muito embora essas tenham sido para as sensações do Grupo A, Real Paulista (3 x 1) e os arquirrivais do Bucets (4 x 3), os reveses foram, de fato, sentidos.
Voltando de folga do último dia classificatório, o êmulo das oitavas-de-final era o Pé de Pano. E o que se viu na pugna foi ainda mais surpreendente: um Locomotiva apático, que tomou 3 gols em sequência dos concentradíssimos podólogos têxteis e demorou a reagir, culminando num resultado final de 5 x 3 em favor dos azuis e branco. “Menosprezamos a equipe adversária e achamos que poderíamos ganhar a qualquer hora”, confessou Rodrigo D’Alonso, explicando a sua versão do que aconteceu em todo o campeonato em seguida: “Faltou alegria e espírito de equipe. Alguns jogadores faltavam e não davam nem satisfação, outros iam mas não estavam nem aí com o jogo: jogavam com displicência, não incentivavam. Quando substituídos, faziam cara feia. Se tivéssemos na equipe pelo menos dois jogadores iguais ao Menotti, pode ter certeza que seria diferente. Não só pelas boas partidas que fez, mas pelo apoio e alegria que demonstra em todos os jogos”, disparou o camisa 15.
Já o chairman Publius é categórico: “Acordamos e o jogo estava 3 a 0. O time reagiu tarde e falhamos nos momentos decisivos do campeonato”. Rodrigo acrescenta: “Faltou vontade e inteligência. Os caras tinham uma única jogada: pegar a bola e jogar no atacante canhoto deles (Paulo Roberto, camisa 4), e nós não soubemos marcar. Partimos para o ataque e deixamos a defesa aberta”.
E, assim, o sonho de chegar à “Estação Ouro” se esvaiu. Rodrigo exalta a falta de uma força de conjunto: “Nos enganamos com o elenco que tínhamos. Na verdade, trouxemos alguns jogadores com potencial, muitos com boas características individuais, mas não conseguimos formar uma equipe, um conjunto. Dependíamos de jogadas individuais e quando não tinha alguém inspirado não conseguíamos as vitórias”, analisa. Já Publius defende os companheiros, mas parece concordar com o meia atacante no aspecto do conjunto: “Não podemos culpar um ou outro pela derrota. Faltou um pouco de entrosamento que só ganharemos com rodagem”, reflete.
Renan, outro meio campista habilidoso do alvinegro, apesar de concordar com os companheiros, adota uma postura mais otimista: “A temporada não ‘deu errado’. Somos uma equipe recente, metade do elenco é novo e como uma equipe em formação é natural que erros aconteçam durante o processo de implementação de um sistema adequado de jogo”. No que diz respeito à presença de um treinador, os 3 Locomotivos são consensuais:
“É indispensável a presença de um técnico em nossa equipe. Algumas equipes conseguem ir bem sem uma pessoa no comando, mas a nossa já demonstrou na edição passada do Chuteira que não consegue. Embora o Lucas tenha que suportar uma pressão enorme, pois ninguém quer sair da quadra, e quando sai já fica cornetando do lado de fora para voltar, foi bem no comando da equipe. Não foi o responsável por nossa eliminação” – Rodrigo D’Alonso
“Sim, o comando fora de campo é importante, afinal, é necessário alguém que não esteja literalmente no ‘calor do jogo’ para analisar qual a melhor decisão a ser tomada durante as partidas” – Renan
“A experiência foi válida e com certeza manteremos a filosofia de um técnico. No futebol existem egos, vaidades e precisa-se sempre de uma figura hierárquica a quem cabe a palavra final” – Publius
Se é assim, o Locomotiva vai ter de arrumar outro técnico. Afinal, Lucas e Publius chegaram a um acordo e o primeiro deixou a equipe, até porque tem pretensões de disputar o Chuteira de Prata e não ficaria bem ser técnico de um time e jogador de outro na mesma competição. Para Publius, não há ainda um nome para ocupar o posto. Enquanto isso, parece que Menotti e Paulinho farão o papel de condutores do lado de fora do campo.
Em termos de reforços, não chegou ninguém ao time, mas em compensação já há ausências. O primeiro é o goleiro Betão, que saiu irado e decepcionado na derrota para o Pé de Pano e bradou a todos pulmões que não jogava mais. De fato ele não joga mais pelo Locomotiva, pois no começo deste ano o veterano arqueiro fechou com o Basicus. Publius já avisou que assume a meta tarjapretana.
Outros que estão fora dos planos do Locomotiva são Lillo e Caio. O primeiro chegou no meio do torneio, mas pouco apareceu de fato para jogar. Já o atacante Caio, que chegou como um nome de autoridade, segundo a cúpula tarjapretana, pouco rendeu e está fora dos planos. Segundo alguns, havia um favorecimento do técnico Lucas para com o atacante para jogar, o que deixou muitos jogadores em melhor fase no banco enquanto o camisa 14 jogava.
Porém, os demais jogadores seguem no vagão, inclusive Foguinho, que era dúvida. Com Publius no gol, o Locomotiva começa a temporada 2010 voltando aos trilhos e atrás de um atacante.
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