Talvez crise não seja a palavra certa a ser usada para definir a situação do Roleta Russa, mas que as coisas no time de Baru não andam nada bem não há mais como negar. Por trás da camuflagem que o capitão tenta passar de organização e competência gerencial, há um time acuado, sem vibração e que está na corda bamba para não se classificar. Afinal de contas, na 10ª posição, o Roleta só não está pior que os lanternas Basicus e Fora de Série, com quem, aliás, ainda não jogou.
O Roleta passou por mudanças do V para o VI Chuteira que envolveram as férias de Nação e o afastamento de Bruno para cuidar de contusão. Certamente a direção apostou que o talento de Kuminha, a recuperação de Martins e a contratação de um técnico, Phil, pudessem manter o mesmo nível de futebol apresentado no semestre passado. Entretanto, o que se vê desse “novo” Roleta está muito abaixo das expectativas, para não dizer decepcionante. Em 7 jogos disputados, foram 3 derrotas (Joga 13, Estudiantes e Melville), 3 empates (SNG, Giro SP e Kadência) e apenas uma vitória (Muleke Piranha).
A coisa parece piorar quando se compara ataque e defesa da equipe em relação aos demais. Se a defesa ainda aparece entre as melhores do grupo – perde apenas para as dos dois líderes (13 gols sofridos do Melville, 19 do Kadência e 20 do Roleta Russa) – o outrora poderoso ataque do Roleta é um dos piores de todos os 24 times – com 15 gols marcados em 7 jogos, só ganha de Tosco, MSM e Basicus. A média é de pouco mais de 2 gols por partida, considerada pífia perto das marcas de torneios anteriores. O artilheiro é Bob, com 4 gols, seguido de Kuminha, com 3.
Ranalli aponta justamente isso quando comenta a má campanha. “O time não está se encontrando. A média de gols sofridos da defesa está basicamente a mesma que dos campeonatos anteriores, mas nosso ataque está ruim. Está faltando alguma coisa que está difícil de saber o que é”, tenta ele uma explicação.
Aliás, uma das explicações para a má fase parece residir no craque Kuminha estar muito aquém do seu habitual jogo. Dos 7 jogos, ele deixou de ir em 2 deles – nos empates com Giro SP e Kadência. Contra SNG, na estréia, e Piranha, ele arrebentou, entretanto, diante de Estudiantes, Melville e Joga 13, o camisa 13 não apareceu com o mesmo poder de decisão.
Hoje, o time parece muito dependente de Kuminha e do meia defensivo Gegê, outro que não compareceu em todos os jogos. Na defesa, o forte Gegê faz a diferença, pois sabe marcar, desarmar e sair jogando com qualidade e velocidade. No meio, Kuminha é rápido e liso e tem condições de deixar os companheiros da cara do gol. “Hoje mais do que nunca sentimos a falta do Gegê”, comentou Luiz Eduardo, goleiro que vem jogando de atacante nos últimos jogos, referindo-se à derrota para o Joga 13. Ranalli concorda: “Acredito que atualmente estamos mais dependentes do Gegê. O Kuma não vem muito bem, mas sempre desequilibra”.
Claro que, a contar as derrotas, foram jogos perdidos para times que estão bem acima da tabela ou com quem o Roleta tem grande rivalidade, caso do eterno rival Joga 13. Ou seja, são derrotas “normais”, assim como os empates contra SNG e Kadência tiveram sabor de vitória. No fundo, o Roleta sofre com um time mais frágil neste semestre e dentro de um grupo mais forte, o que foi o oposto no V Chuteira, quando havia mais equilíbrio entre defesa-meio-ataque e estava numa chave considerada mais fraca.
Com justificativas ou não, o time segue na briga pela classificação, mas, a contar os semblantes de muitos jogadores, as esperanças de classificação já não são tão grandes assim. Para piorar, Ranalli confirma que há certa insatisfação de alguns com a reserva. Há jogadores que vão todo sábado, ou de vez em quando, e não entram nem um minuto sequer para jogar. O camisa 3, representante do Roleta na Comissão do torneio, confirmou que houve uma reunião do time antes do jogo diante do Kadência e que as questões de jogar mais ou menos ou mesmo não jogar foram colocadas. A intenção era evitar mais pra frente um “racha” no elenco entre “os que jogam” e “os que não jogam” e, assim, piorar a já complicada situação.
“Na semana retrasada, antes de irmos para o jogo, todos falaram e tal. O time não está rachado, mas no momento não é o mais unido”, apontou Ranalli. “São dois lados a serem analisados: todos pagam, todos querem jogar. Ao mesmo tempo, quem joga mais teoricamente é o que pode render mais para o time. Então ou você pensa no ganhar ou na igualdade de jogar. Óbvio que todos preferem jogar”, completou, colocando em pauta uma questão pela qual todos os times passam – a de conseguir combinar qualidade de jogo com todos os jogadores jogarem.
Apesar disso, é notório que alguns evitam qualquer embate com a cúpula Roleta. Bocha, por duas vezes seguidas, ao sair do jogo preferiu a companhia de si mesmo do que dos colegas de time. Ele é um dos que vem jogando muito pouco e aquém do que pode. Já se ouviu que vive má fase, mas há aqueles que acreditam que há algo além aí, talvez o dedo marcador do técnico Phil. Assim como em outros casos, como o de Folha, que até já viu aparecer no site a Campanha “Phil, põe o Folha pra jogar!”.
Brincadeiras à parte, nos bastidores já se comenta a possível saída de alguns jogadores para 2009. Caso venha a eliminação precoce, pode ser que as coisas se precipitem. Mas enquanto houver chances o Roleta segue na esperança, e sábado tem um passo decisivo para tanto diante do Diabos Laranjas, concorrente direto. Ranalli, mais uma vez, coloca as cartas na mesa. “Teve alguns jogos-chave que não podíamos ter empatado e isso está custando caro agora. O time está fechado e todos acreditam na classificação sim. Mas está complicado, o time precisa jogar, precisa voltar a brincar”.
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