‘Diabos Vermelhos’ venceram o Festival no meio do ano e garantiram acesso à Ouro. Mas eles querem mais: o título da Prata e uma boa temporada 2011
Quem gosta de futebol sabe da grandeza do Manchester United, da Inglaterra. O torcedor do Palmeiras não tem muitas boas lembranças desse time (o Manchester derrotou o Verdão na decisão do Mundial Interclubes de 1999, em Tóquio), mas ele sabe que a esquadra onde jogaram Bobby Charlton, George Best, Eric Cantona, David Beckham e Cristiano Ronaldo deu enorme contribuição para a proliferação e adoração do esporte. E o Manchester serviu de inspiração para um dos times do Chuteira de Ouro: o Red Devils, finalista do IV Chuteira de Prata.
Na tradução literal, a expressão ‘red devils’ significa ‘diabos vermelhos’, em referência à cor vermelha do uniforme do Manchester. Daí nasceu o nome do time que foi sensação nesse 2º semestre de 2010: afinal, venceu o Festival no meio do ano, garantiu o acesso à Série Ouro no último sábado e ainda pode faturar a taça do IV Chuteira de Prata.
A ideia dos Devils nasceu com Gabriel e Criança, então jogadores do Treinadores do Braz em 2009. Insatisfeitos com o clima pesado, quando o time por pouco escapou da Série Prata, decidiram se desligar do Treinadores e começar 2010 em casa nova. Surgia o Red Devils. “O nome da equipe partiu do Gabriel como forma de homenagem ao time do Manchester United de 1999”, relata João Lucas, outro ex-Treinadores que deixou o barco e vestiu vermelho.
Rapidamente o Red foi montado e ingressou na Série Prata. No III Chuteira de Prata, uma equipe formada com craques como Neguinho, Darx, Negão, e tendo em sua meta Criança, já se destacava na competição, mas uma derrota inesperada nas oitavas de final para o Invictus custou a classificação do time à Ouro já naquela edição. “Aquela derrota (5 x 3, de virada, após estar ganhando de 3 x 0) marcou uma necessária mudança nos rumos do time. Apesar de ótimos jogadores, o time não tinha peças de reposição para trocas, e alguns jogadores descontentes traziam à equipe um clima pesado”, detecta João Lucas.
Com o revés, a reformulação foi prioritária, e isto somente beneficiou o time, de acordo com o próprio João: “Desliguei-me do Treinadores e trouxe comigo alguns jogadores fundamentais para dar ao elenco o equilíbrio que faltou na primeira participação. Bem como o Gabriel e o Criança trouxeram o Paulinho, do Pé de Pano”. A partir da presença de outros atletas, como a família Pedretti em peso (o elenco conta com nada menos que 4 Pedrettis) – juntando-se aqueles que por ali já estavam –, o Red montou uma equipe competitiva, o que foi comprovado no IV Festival Bola na Rede, quando o time sagrou-se campeão após eliminar, por exemplo, o favorito Joga 13. “O Festival foi importantíssimo para mostrar que realmente nossas escolhas foram acertadas e termos a confiança necessária para a busca do acesso à Série Ouro”, julga João Lucas.
Outro ponto forte dos ‘diabos vermelhos’ está no banco de reservas. A equipe possui jogadores de qualidade sim, mas sem um comandante à altura, talvez não fosse capaz de entrar no ritmo certo. E a tarefa de organizar um time com tantos talentos é do técnico Nelsinho Manzini. “Como diz o técnico Nelsinho, a filosofia do Red é ‘vencer, vencer e vencer’”, aponta Gabriel, um dos fundadores da equipe. Com este pensamento, o Red fez boa campanha na fase de classificação da Série Prata. Porém, não conseguiu a primeira posição do Grupo A, ficando um ponto apenas atrás do Bufalos – este garantindo a vaga direta à Ouro. “Entramos em muitos jogos durante a fase de classificação sem banco de reservas. A organização não costuma nos ajudar com o horário dos jogos”, relata, aos risos, Gabriel.
A classificação direta não chegou. Assim, o Red teve que continuar sua saga rumo à principal divisão do Chuteira de Ouro. Nas oitavas de final o time quase deu adeus à competição: perdia por 3 gols do Jeremias no primeiro tempo, porém, conseguiu a reação. Assim conta o goleiro Criança: “Saímos perdendo de 3 a 0, e conseguimos empatar e ganhar no gol de ouro. Com certeza, a conversa que tivemos no intervalo desse jogo, e a atitude demonstrada por todos, não vai sair da memória de todos”. Passado o sufoco das oitavas, veio outra pedreira, agora nas quartas de final: o SuaMãe. Mas o Red se saiu bem, e venceu por 3 a 2.
A trajetória dos ‘diabos vermelhos’ estava bem encaminhada. E faltava apenas uma partida para a equipe chegar à tão sonhada Ouro. Mas o adversário das semifinais seria um já conhecido: o Cachorro Velho, a quem o Red derrotou na decisão do Festival. Debaixo de muita chuva, o Devils superou o surpreendente Cachorro e o derrotou por 4 a 2, carimbando o passaporte à elite do Chuteira de Ouro. De acordo com João Lucas, “os pontos positivos da campanha foram a união do grupo, a qualificação do elenco, a regularidade e a vontade de sempre querer mais”. Já Criança vai mais além: “O espírito de equipe é a principal filosofia que cada atleta tem em mente. Nas derrotas ou nas vitórias, a gente se diverte dentro e fora de quadra. Todos ajudam todos”.
A festa foi muito grande pelo acesso, e os jogadores comemoraram muito. Todavia, a competição ainda prossegue, e na grande decisão de sábado o Red terá uma equipe que sempre é pedra em seu sapato: o Arouca Jrs. Até hoje foram dois jogos entre os times, com dois empates. O tira-teima deste duelo será na grande final do IV Chuteira de Prata. “Mais uma vez vai espero um jogo muito difícil e com poucos erros. Além disso, diferentemente do Red Devils, eles costumam levar muita torcida para o PlayBall, e isso conta muito numa final. Mas claro que espero sair com a taça de campeão”, conta Gabriel.
João Lucas segue a mesma linha de raciocínio do companheiro: “Uma final entre times tão equilibrados leva à expectativa de um jogo tenso e cauteloso, com respeito mútuo. Espera-se que o Red possa fazer seu futebol prevalecer ante o do time adversário, para coroar uma bela campanha com o título, que seria mais do que merecido”.
O Red visa o título, no próximo sábado. Mas já visualiza a temporada 2011 na Ouro. “Alguns de nossos jogadores já têm experiência na ‘primeira divisão’ do Chuteira. É bem mais complicado pois não existe nenhum time bobo lá”, fala Gabriel. “Nosso time tem jogadores com a experiência de Série Ouro e sabemos que lá o hiato técnico entre os times é muito pequeno, razão pela qual todos os jogos são decisivos e equilibrados. Na Prata sabemos que há uma disparidade técnica entre os times que a disputam, o que tende a diminuir no futuro em razão do surgimento da série bronze e a redução de times”, resume João Lucas.
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