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QUAL É A DO FÚRIA PARA 2012?

Na Ouro há 3 temporadas, time dos irmãos Motta tem como meta em 2012 superar a inconstância e, quem sabe, deixar de lado o fantasma da Série Prata

O flerte é um ato que remete a um namoro passageiro, a um romance sem grandes consequências – que pode acabar de uma hora para outra. Passando para o campo futebolístico – mais precisamente ao Chuteira de Ouro –, existe uma equipe que, há 3 temporadas, lança mão do direito do flerte. Porém, de uma forma que deixa seus torcedores com o coração na boca. Sim, o Fúria adora flertar, mas com o rebaixamento. O Fúria flertou com o retorno à Série Prata, contudo, esforçou-se no final nas três vezes que disputou a Ouro e escapou da queda. Diante disso, é inevitável a pergunta: qual é a do Fúria em 2012?

“Este ano eu quero regularidade”. É o que garante Adriano Motta, o camisa 10 de um time aguerrido, de jogadores com qualidade, mas que consegue numa temporada derrubar um até então líder (e futuro campeão) e perder para o lanterna. O exemplo da inconstância da equipe é dado pelo próprio Adriano: “Ganhamos, no XII Chuteira de Ouro, do Mulekes – líder invicto – e perdemos para o Fora de Série, que estava em má fase e acabou rebaixado”.

A equipe, que surgiu em 2003 no futsal, emergiu no Chuteira em 2008. Já no ano seguinte travou com o SPQSF batalha palmo a palmo pela vaga direta à Ouro. Alcançou o êxito e logo partiu para o desafio supremo: disputar o título máximo. Mas o que se viu, dali por diante, foi um time inconstante, algumas vezes apresentando um grande futebol, mas em outras mostrando nervosismo e um futebol aquém do que já mostrou. Porém, a dificuldade encontrada – pelo menos na primeira temporada na nova divisão – tem uma explicação. “Logo que subimos, cinco jogadores se contundiram e fizeram sérias cirurgias. Ficamos sem eles um ano, e, somente dois voltaram”, aponta Luis Gabriel, o Sucão, um dos líderes do Fúria.

Mesmo com as adversidades iniciais, Sucão enxerga as campanhas da equipe de outra maneira. “Acho que fomos bem. O primeiro objetivo era subir e ficar. O segundo era remontar um time, um elenco com uma qualidade maior. Mas ainda estamos muito irregulares”.

Um dos jogadores contundidos foi o meia Fágner. Habilidoso com a bola nos pés, rápido na transição da zaga ao ataque e bom marcador, ele rompeu os ligamentos do joelho antes do jogo de acesso à Ouro, em 2010. Só retornou no segundo semestre de 2011. A ausência de Fágner comprometeu o esquema tático do time, até então conhecido pela força e pelo entrosamento. “Atrapalhou, e muito, essa ausência. O Fá era o pulmão do time. Era ele quem determinava a velocidade que o time joga. Na sua função, é um dos melhores do Chuteira. Sem ele, tivemos que mudar a forma de jogar: antes jogávamos no 2-2-2 e passamos ao 3-2-1”, esclarece Adriano, que faz outra observação: “Pode perceber que, de uns tempos pra cá, o Fúria não faz mais tantos gols. Em contrapartida, sempre estamos entre as melhores defesas do campeonato”.

Essa força suprimida no decorrer da fase de classificação, mas emergida na reta final – quando os sinos começavam a dobrar – é advinda da união do grupo: é a ‘família Fúria’, que luta até o final para alcançar seus objetivos. “O nosso grupo é ótimo, muito fácil de lidar. Nove jogadores se conhecem há mais de 15 anos. Temos uma política: só joga no Fúria alguém que conhecemos bem, que se encaixe no perfil do time. Não buscamos estrelas, buscamos boas pessoas para compor o time, mas, é claro, que saibam jogar”, esclarece Sucão.

E a expressão ‘família Fúria’ é levada ao pé da letra. Adriano Motta joga ao lado do irmão Thiago; ambos levam os valores familiares para dentro do time. E Adriano rasga elogio para Thiago, dirimindo a suposta pressão de jogar ao lado do irmão. “Ajuda e muito jogar com ele. Desde quando ele era pequeno, já jogava no meio dos grandes e se destacava. Sempre falei que ele seria o melhor dos Motta (além de Adriano e Thiago, outro irmão Motta joga no Chuteira de Ouro, que é Juninho Peli, do Condor´s), pra mim é ótimo tê-lo ao meu lado”.

E à família Fúria, agora, junta-se outro membro do clã Motta, o pai de todos, o sr. Roberto Motta. Ele será o técnico do Fúria na temporada. Quem espera moleza aos irmãos Adriano e Thiago, está enganado. “Com o meu pai não tem essa de proteção. Se não jogar em alto nível, ‘come um banquinho’. O tratamento é igual pra todos. Esse é o lema”, assume Adriano.

O Fúria, mesmo flertando com o rebaixamento há três temporadas, visa a dias melhores. Não contará mais com seu ponto de referência: Fágner vai jogar profissionalmente pelo Fernandópolis, e deixa o Fúria – pelo menos por enquanto. Mesmo assim, dias melhores estão por vir, de acordo com Sucão: “Nosso time tem uma característica e não vamos mudar. Porém, precisamos evoluir para chegarmos mais longe. Vamos estar mais equilibrados no eixo ataque-defesa. Talvez, taticamente, o time estará diferente”. Resta somente aguardar a estreia amanhã contra o Rabeloska para já ter uma ideia de se o flerte do Fúria, este ano, será novamente com o rebaixamento, ou com a taça de campeão da Série Ouro.
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