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Raul Simões passa a assinar a coluna PRORROGAÇÃO. Nesse # 1, uma análise do que esperar dos 5 times que subiram à Prata: Nóis Que Soma já dispara como favorito; Bode pode surpreender


Como todos já devem estar cansados de saber, o vitorioso Nóis Que Soma está com certeza entre os mais cotados para o acesso direto à Série Ouro, além de ser um franco favorito para levar o caneco. Este favoritismo se deve muito às espetaculares campanhas nas edições do Chuteira 5, Aço e Bronze – quando saiu campeão nas três ocasiões. Somadas, a equipe aurinegra tem a incrível marca de 31 vitórias, 2 derrotas e nenhum empate em seu currículo.
 
Mas há um porém nesses números. Apesar da grandiosidade da equipe em colecionar um número minúsculo de derrotas, uma dessas derrocadas quase custou o acesso direto à Bronze em 2014, quando perdeu logo de cara para o Toque Me Voy, equipe com a qual disputou ponto a ponto a liderança do grupo até o final da primeira fase. O Toque escorregou diante do La Coruja, que lutava para não cair, e aí o NQS riu à toa. Já na Bronze, semestre passado, além da derrota para o Cachorro Velho, o time perdeu mais três pontos de forma polêmica, depois de uma confusão entre o comandante Bollito e a arbitragem no fim da partida, o que fez com que o Leões do Brás ficasse com a ponta. Aí o NQS garantiu o acesso sendo campeão.
 
Entretanto, os números jogam a favor da equipe, pois o que mais conta na primeira fase é a regularidade – e isso o time tem de sobra, com média de uma derrota apenas. Ajuda muito nisso o fato de, analisando o sorteio dos grupos, o time ter caído num grupo mais “maleável”, se podemos dizer assim. Em seu caminho, teoricamente as pedras em seus sapatos podem ser Cachorro Velho e Leões do Brás.
 
Um outro ponto forte que torna o NQS franco favorito é seu elenco. Após uma reformulação entre a Aço e a Bronze, para esta temporada a equipe manteve a base e repatriou um dos seus craques, Felipinho. O camisa 10 está de volta após passagem mais que apagada nos “galácticos” do CAV. Sua passagem pelo atual campeão chegou a ser tão silenciosa que ele não chegou nem a disputar os jogos finais do Chuteira de Ouro – nem medalha de campeão pegou. Se lá não sobrava espaço, sabemos que dentro do NQS ele é peça fundamental, sempre com um poder de desequilíbrio a qualquer minuto, sem contar o entrosamento com seus companheiros Paulinho e Luiz Fernando no meio de campo.
 
Outro candidato a incomodar no Grupo A é o Leões do Brás, principalmente após a campanha do semestre passado na fase classificatória, quando conseguiu o acesso antecipado com 7 vitórias e um empate em 9 jogos. Porém, a impressão que ficou foi de um time com rendimento em queda, já que os tropeços vieram na reta final, quando a pressão aumentou sobre os jogadores. Empate, derrota e eliminação para o Divino nas quartas de final. A equipe tem de esquecer essas partidas e recomeçar. Para isso, tem a volta do artilheiro Berga, ausente desde contusão no ligamento do joelho no fim do ano passado.
 
O ponto forte do Leões do Brás certamente é a velocidade e habilidade de seus alas, Luan e Thiaguinho. No ataque, a equipe certamente estará bem servida. Daniel, o goleador do time, foi o vice artilheiro da Bronze, ficando atrás somente do mito Lele. E foi por pouco, hein! Por apenas cinco gols. Muitos podem achar que tal número é uma vantagem considerável. Mas para esses craques, isso é liquidado em uma partida.
 
Apesar de tudo isso, não será nada fácil este semestre para o Leões, que debuta na Prata e praticamente jogará com times que nunca enfrentou antes. Não tem jogo fácil, já que vejo todos os times num nível similar de competitividade, com exceção do Nóis Que Soma, um pouco acima.
 
No Grupo B, o Bode terá de suar muito para alcançar o acesso à Ouro. Isso porque caiu no que podemos afirmar ser o mais complicado entre as quatro divisões. Ali temos times de grande tradição no Chuteira, como Zenite, Mercenários e Med Taubaté, além de times que sempre incomodam – casos de The Veras, Divino e Só Quem Sabe. Consideravelmente, é  o grupo da “morte”. Qualquer tropeço pode ser crucial para subir ou descer na tabela.
 
Para subir, o Bode terá de ser mais organizado nos momentos decisivos. Assim como o Leões, o time também caiu e muito de rendimento na reta final da Bronze, culminando em mais uma eliminação para o Nóis Que Soma e extensão da freguesia. A partida derradeira (semifinal) foi um retrato claro dessa desorganização: em certos momentos, o pivô Júlio aparecia jogando na ala, enquanto o zagueiro Carlão ocupou seu espaço no pivô.
 
Tudo isso pode ter um único motivo: a falta de elenco. Sempre jogando com dois, máximo três jogadores no banco, isso dificulta muito uma mudança de planos no decorrer do jogo. Para não passar pela mesma dificuldade do semestre anterior, o Bode foi atrás de reforços: Gustavo, ex-Cacilds, Rômulo, ex-Bacana, Yuri e Cauê, ambos ex-jogadores do Bacaninha. Com eles, o Bode mostra que não veio para ser coadjuvante.
 
No mesmo Grupo B está o Divino, o patinho feio da Bronze passada, que chegou até à final sem muita fé da maioria. As dificuldades ao vice-campeão serão maiores que as do Bode, já que uma marca do time é justamente a falta de regularidade (grandes vitórias seguidas de grandes derrotas, por exemplo). A equipe sempre peca em perder pontos em jogos consideráveis fáceis, como foi no semestre passado no empate ante o Séloco. Porém, o time comandado pelo capitão Lenarduci demonstrou em que pode crescer na hora decisiva, jogando sempre com a casinha fechada, e apostando todas as suas fichas na individualidade de Dany e Douglinhas lá na frente. Agora eles terão o pivô Joelson como referência no ataque. Resta ver se essa combinação dará certo.
 
As demais equipes que subiram correm por fora. Cachorro Velho e Só Quem Sabe retornam à Prata após bate e volta na Bronze. Os times podem até ficar bravos comigo, mas a questão é que o Cachorro Velho não demonstrou um futebol convincente durante o semestre passado, apenas em uma partida especifica contra o NQS, surpreendendo o time aurinegro. E o SQS terá de passar pelo grupo onde se tem mais adversários com chances de chegar à primeira colocação na fase classificatória. Por conta disso, vejo chances consideravelmente mínimas para acesso antecipado. O Cachorro radicalizou na mudança de elenco e vem com muitas caras novas. A se conhecer. O Só Quem Sabe é basicamente o mesmo time, aguerrido, de chegada.
 
Podemos falar de cada time e apontar favoritos e tudo mais, mas de certo mesmo, só que tudo isso não passa de apenas um esboço sobre o que pode acontecer na Prata. A história se escreve por si com a bola rolando.
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