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É possível evoluir seu time e jogadores com uma boa gestão e pensando na produtividade. São coisas diretamente correlacionadas

Em Preleção # 4 falamos sobre o “Método 4 ÃOS”. Agora, com base nele, vou tratar um pouco sobre técnicas para trabalhar performances de gestão de times, produtividade de jogadores e evolução de times semestre após semestre. Quem sabe você não INOVA o seu planejamento neste semestre.
 
Eu, que trabalho com consultoria em Recursos Humanos (RH) e hoje ouço muito sobre RH Estratégico, seria um peixe fora d’água se eu considerasse o RH como só recurso “humano” e não também financeiro. Outro dia, em um de meus treinamentos, falava sobre as competências “Orientação ao Cliente Interno” e “Orientação a Resultados”. Citei que as pessoas de uma empresa precisam ser tratadas com respeito e ser vistas como produtos para atingir resultados humanos e FINANCEIROS.
 
Depois que falei isso, pensei: “Rodrigo, será que você não está sendo um pouco frio?”. Entre sentimentos de dor e alívio, concluí que eu sou um produto humano que gera resultados financeiros ou, no mínimo, sou um produto humano que precisa dar menos prejuízo, em casa, no trabalho ou no futebol.
 
A seguir, vou falar sobre três exemplos de performances que podem ajudar você e a seu time no decorrer deste semestre, a fim de ter melhores resultados (ou, pelo menos, menor prejuízo).
 
Observação: Antes de iniciar deixo claro que as histórias e dicas citadas aqui deram e dão certo com times que eu tenho contato. O objetivo é compartilhar a minha experiência com todos (times atuais, times a serem desenvolvidos ou líderes de futuras equipes que desejam ingressar no Chuteira). Que tal você também compartilhar dicas de sucesso de seu time? As suas dicas podem ajudar muito uma equipe que passa por um momento delicado ou que está iniciando o seu planejamento.
 
1 – Performance na gestão de times: “A Bola de Bolas”
 
No dia da estreia do Chuteira, sábado 8 de março, o capitão do time que sou fundador e, hoje, técnico, o Basicus, Felipe de Faria, o conhecido BOLAS, me enviou um whatsapp  perguntando se eu queria que comprasse uma nova bola para o time. Rapidamente respondi que sim, mesmo pensando no valor em reais desta bola. Detalhe: nós não compramos uma bola nova a cada mês. Esta é a primeira bola adquirida desde o ano passado, um fruto de reserva financeira no caixa. Esta reserva foi conseguida por causa da performance do time, pautada por boa gestão e processos existentes. A reserva é um fruto de muitas ações:
 
- Reunião de planejamento com a liderança do time, muitas vezes composta por Presidente, Técnico e Capitão da equipe. Assuntos como atual equipe, equipe ideal, esquemas táticos, formações, contratações, investimento em campeonatos, campeonatos a disputar, documentos como regulamento, prioridades do time e metas são assuntos que deverão ser abordados nesta reunião. O tempo ideal é que esta reunião ocorra, no máximo, até 2 meses e meio antes do primeiro jogo oficial.
 
- Preparação técnica do time: amistosos/treinos e/ou participação em outros campeonatos com times de todos os níveis. Amistosos/treinos devem acontecer, no mínimo, 1 vez por semana.
 
- Reajustes após pré-temporada e preparação para o Chuteira: esta é a fase que antecede o início do campeonato, que exige mais velocidade e deve ser tratada em até 15 dias antes do primeiro jogo.
 
- Após o início (que já ocorreu, hein!): A rotina deve seguir com alinhamento de ideias antes e após os jogos. Amistosos/treinos devem continuar acontecendo no decorrer da semana. Estudo de adversários, alinhamento de assuntos entre os líderes e novas possibilidades, como novos reforços, são ações repetitivas que trazem grandes resultados.
 
Mesmo com um exemplo de planejamento, dentre tantos possíveis, não há como prever como o time se sairá no decorrer do campeonato. Porém, uma coisa é certa: um time bem planejado tende a ter mais sucesso do que o montado às pressas e sem treino.
 
Os resultados obtidos após o fechamento de cada semestre serão as evidências para que o time possa se preparar para o próximo “choque” de uma forma mais tranquila ou, se escolher, mais desesperada. As metas alcançadas por um time que trabalha um bom plano motivacional definem, no final de tudo, se a gestão foi bem feita em busca dos resultados e, melhor, se sobrou dinheiro no caixa – quem sabe para a compra de uma nova bola.
 
A “bola de Bolas” é uma simbologia de uma conquista alcançada em uma etapa bem avançada de uma boa gestão e de resultados obtidos por meio do esforço e desempenho de um time que hoje pode investir em algo porque alcançou uma meta maior, um sonho.
 
Certamente a performance na gestão de time só evoluiu.
 
2 – Performance na produtividade de jogadores: “O pivô de laboratório”
 
Para eu vender algo e em determinada quantidade é necessário eu saber o quanto tenho desta mercadoria em meu estoque.
 
Aproveitando a frase acima, eis a primeira pergunta:
 
Como andam os seus jogadores? Pergunta vaga esta, não? Você pode me responder: “Andam devagar ou andam de tênis”. Pois é, respostas vagas para perguntas vagas.
 
De qual mercadoria estamos falando aqui?
 
Volto à pergunta: “Como andam seus jogadores?”. Vamos adicionar algo nesta pergunta: “Como andam seus jogadores no quesito marcação de gols?”. Opa! Agora o negócio fica divertido, matemático, assertivo e produtivo.
 
Agora sim, sei de qual mercadoria estamos falando: GOLS!
 
Conversando com um jogador de outro time (não vou revelar nome do jogador, time e nem dados reais, senão nossa tese pode ir por água abaixo) defini uma meta individual com ele, de ele marcar mais gols do que ele marcou no Chuteira passado, ou seja, melhorar a sua produtividade considerando números. Mas quais?
 
A primeira promessa dele foi: “Vou marcar mais gols neste Chuteira, marquei 3 no passado.”
 
Pensando que este jogador marcou 3 gols em 3 meses, talvez seja um jogador sem qualidade. Aliás, a média ficou em 1 gol por mês, considerando jogos oficiais.
 
Pensando em melhoria de performance, se ele marcar quatro gols neste semestre, já melhorou a sua média, mas continuará sendo um jogador sem qualidade. Será mesmo? Para crer, pesquisei resultados de um time para comparar números com ótimos times do Chuteira, que marcam mais de 60 gols na primeira fase (9 jogos), ou seja, média de mais de 6 por jogo. Verifiquei que 65 a 70% dos gols são marcados pelo ataque, ou seja, 39 a 42 gols e, desses gols, 7 gols são marcados pelo pivô, sem considerar outros da mesma posição. Só um pivô.
 
Com estes dados posso pensar que o nosso “pivô de laboratório” está no nível mediano.
 
Não satisfeito com o dado “gols por jogo”, resolvi adicionar a métrica TEMPO DE JOGO. E faz muita diferença.
 
Conversando com este pivô, vi que ele jogou, em média, 10 minutos por jogo. Agora temos os dados: 3 gols – 9 jogos – 10 minutos por jogo – 90 minutos no total.
 
Chegamos à conclusão que ele marca, então, 1 gol a cada 30 minutos. Pronto! Agora temos o ponto inicial e precisamos chegar ao ponto desejado (meta).
 
A proposta de nova meta que ouvi deste jogador foi: “Vou dobrar a minha média de gols, ou seja, marcar 6 gols neste Chuteira, 1 gol a cada 15 minutos”.
 
Olha só, com 6 gols neste Chuteira, sem comparar o tempo médio de pivôs que marcam 7 gols por campeonato, o nosso “pivô de laboratório” já chegará bem perto da média de bons pivôs, jogando apenas 20% do tempo de um jogo. Isso se chama EXPANDIR A CONSCIÊNCIA sobre algo que você é capaz e pode produzir.
 
Bom, meta na mão, a partir daí é ficar com a percepção bem aguçada, torcer para que o jogador alcance suas metas e fazer observações pertinentes para ajudá-lo em sua melhoria de performance.
 
Conclusão da conversa:
 
- Com o controle de dados de seus jogadores é mais fácil definir novos objetivos para cada jogador;
 
- Com médias gerais do campeonato, você pode atribuir uma nota ao seu jogador, ou um nível (iniciante, médio e avançado; ou médio, bom, ótimo; ou ainda a desenvolver, “no ponto” e SUPIMPA);
 
- Definindo níveis, o próprio jogador lança desafios a si mesmo e, desta forma, sabe bem do que é capaz, aonde deseja chegar e o que precisa fazer para chegar lá. Quantas vezes lidamos com jogadores que acham que jogam menos tempo do que deveriam ou se consideram com mais qualidade do que os outros sem produzir nada? Conhece algum jogador assim?
 
- Definindo metas de produtividade, fica muito mais fácil para se definir escalações e posicionamentos, sem ficar pensando muito se vai magoar um ou outro porque escolheu assim ou assado. Além disso, cada um saberá o que precisa produzir a mais e, com o passar do tempo, o histórico de um jogador será formado, promovendo comparações de performances e definições de novas metas.
 
Vou torcer para que este jogador tenha estoque positivo no semestre que vem. Vocês terão surpresas em alguma de nossas colunas Preleção. Aguardem!
 
Vamos ao último exemplo...
 
Performance na evolução de times semestre após semestre: “Motivação = Motivo + Ação”.
 
Voltamos ao planejamento com foco em resultados do Basicus.  No decorrer destes anos, semestre após semestre, procuramos colocar planos motivacionais como premiações individuais para destaques do time por semestre (MVP, MVG, participação na seleção do campeonato) e também metas por performance coletiva, como investimento em inscrição para acessos na divisão de cima ou quando o time atingisse uma melhor meta comparada ao ano anterior. Por exemplo, chegou às oitavas no primeiro semestre de 2010, então a nova meta é quartas em 2011.
 
Para esta performance, vou mostrar-lhes uma linha do tempo da equipe, desde os primórdios, considerando que o Basicus foi inaugurado em 31 de janeiro de 2008:
 
- Fundação e campanha na Série Ouro com 1 empate (E) e 10 derrotas (D) no 1º semestre de 2008;
 
- Campanha de 1 E e 8 D no 2º semestre de 2008; rebaixamento para a Prata;
 
- Campanhas pífias até o 1º semestre de 2010; rebaixamento para a Bronze;
 
- Desclassificação nas oitavas para Canhedo Beppu no 2º semestre de 2010;
 
- Desclassificação nas oitavas para CAV no 1º semestre de 2011;
 
- Campanha duvidosa no 2º semestre de 2011;
 
- 5ª colocação geral da Bronze e melhor defesa no 1º semestre de 2012;
 
- 5ª colocação geral da Bronze e melhor defesa de todas as divisões no 2º semestre de 2012. Acesso para a Prata após desistência de Rabeloska;
 
- Campanha pífia. Time quase foi rebaixado novamente (definição na última rodada) para a Bronze no 1º semestre de 2013;
 
- Desclassificação nas semifinais para Condor’s no 2º semestre de 2013; acesso à Ouro;
 
Percebam que em 5 anos o time passou por momentos de evolução misturados com momentos de desespero. A coincidência aqui é que, de tudo que me lembro, como fundador do time e um dos líderes desta equipe, os momentos mais delicados aconteceram quando as pessoas (eu incluído) não estavam possibilitadas de dedicar mais tempo, atenção, energia e amor para fazer uma boa gestão, verificar o desenvolvimento de jogadores e dar importância no “aonde” o time poderia chegar.
 
Felizmente – depois de tantas aventuras – o Basicus pôde estrear (mesmo perdendo todas até agora) na principal divisão do Chuteira neste primeiro semestre de 2014. Se deseja ter sucesso? Certeza!
 
A mensagem final desta Preleção é:
 
Se você fundou um time e ama a estrutura que existe hoje, pense no esforço que foi feito para que você e seus companheiros chegassem até aqui. Pense em quantas pessoas passaram pela sua vida para que você tivesse um time dos seus sonhos. Pense como foi a escolha da cor e do modelo do uniforme e de cada peça que hoje faz parte deste conjunto. Pense no investimento de tempo, ligações de telefone, caronas que você fez até hoje, e quantas vezes fez, e quantas para uma pessoa só porque ela é importante para o time, importante para você. Pense em quantas vezes ganhou, empatou e perdeu. Ganhar, perder e empatar são possibilidades e não estão sob nosso controle. Desejo que você nunca perca a vontade de “tocar” o seu, ou os seus times, sem deixar de pensar que pessoas são recursos humanos que geram, para você e para o grupo, recursos financeiros e precisam, sim, no mundo em que vivemos, de desenvolvimento e melhoria de performance. Sinto, senhores, qualidade está sim atrelada à quantidade. Isso sim está sob o seu controle ou daqueles que você nomeou líderes de seu time.
 
Quem sabe você já terá novos resultados até a próxima rodada?
 
Planeje bem como analisar estas performances e até a próxima!
Comentários (2)
mar 31, 2014

Parabéns pelo texto Barath, muito bom! Acredito que planejamento, comprometimento de todos e prazer de estar lá todos os sábados, são pontos fundamentais para o sucesso da equipe.

abr 01, 2014

Pode fazer o seguinte, coloca a zaga da Mulekes , coloca o meio do Mulekes e o ataque também...pronto!!!hahahahahahha Ótimo coluna Barath, abraços e vai ROSINHA!!