Vencer ou perder, nada acontece por acaso. Por trás de uma campanha vitoriosa pode se esconder muita observação e planejamento. É preciso saber enxergar o detalhe...
Na nossa última “preleção”, tratei de Missão – Jornada, Visão – Objetivo e Valores – Aquilo que é importante para mim, para nós, para um time. Certamente muita gente já está pensando na próxima temporada, em um monte de “re”. Replanejar, Reencontrar, Reprojetar, Re... Re... Re.
Certamente menos gente só está pensando no Re... Repetir a melhor atuação feita em um jogo no decorrer da fase de classificação, ou no mata-mata, ou quem sabe Realizar a melhor partida até agora. As semifinais do Chuteira estão aí e eu não podia deixar de me inspirar em outras semis, a do TUF (The Ultimate Fighter), realizadas nesse último domingo, quando vi William Patolino detonar o possível desafeto (ofendeu o mestre Minotauro – procure no google) dos brasileiros, Viscardi Andrade. Enquanto assistia a socos e pontapés, só duas palavras me vinham à mente: ANTES e DEPOIS.
ANTES das lutas, ouvi depoimentos dos lutadores e me surpreendi com suas escolhas. Dana White, presidente do UFC, perguntou para cada um dos semifinalistas qual lutador eles gostariam de encarar na luta anterior à final, sugerindo que seria a luta mais fácil. Para minha surpresa, Patolino escolheu Viscardi e vice-versa. Destaco os dois lutadores até agora simplesmente por considerá-los os melhores do programa até o momento, luta digna de uma final, sabe um CAV x ZENITE ou SNG x MY BALLS? Ou vice-versa? Voltando ao TUF, a escolha só reforçou o desejo dos técnicos das equipes, Minotauro e Verdum, que foram questionados por White antes dos lutadores. Eu também votaria nessa luta como a que eu mais queria ver.
Vamos à luta... Depois de dois assaltos e meio, Patolino decretou nocaute técnico e Viscardi se despediu da final, a ser realizada no dia em que oito semifinalistas das quatro divisões do Chuteira também darão adeus ao duelo pelo título deste primeiro semestre.
Ainda no TUF, a estratégia também contou muito. Patolino falou que detonaria (e detonou) Viscardi indo para cima e amedrontando-o, jogando-o nas grades. Já Viscardi disse que Patolino não se mexia muito e seria alvo fácil de sua movimentação.
O DEPOIS, aliás, parte dele já contei, Patolino ganhou e disputará o sonhado título da segunda edição do TUF contra um (acreditem) argentino, nosso maior símbolo de rivalidade no futebol. Pois é, o simpático (verdade) lutador Santiago Ponzinibbio ganhou por decisão unânime após três rounds. O adversário Leo Santos chorou e lamentou. Só que a vida é assim, já dizia Joseph Climber, uma caixinha de surpresas. Não é que o argentino quebrou a mão e teve que ceder a vaga para o antes perdedor Leo Santos? Choro de alegria?
Escrevi sobre TUF, comentei sobre Chuteira e a proposta da coluna PRELEÇÃO é criar discussões sobre comportamento humano, competências e técnicas para desenvolvimento de lideranças, correto? Eu vivo estudando esses temas e sei que há técnicas elaboradas, artigos com textos de reflexão, as fontes são psicológicas, filosóficas ou neurológicas, mas na hora H, nos momentos decisivos há um fator que coloca em xeque muitas teorias comportamentais e é chamado de DETALHE. Ele é percebido, ou ANTES, ou DEPOIS, na maioria das vezes vem com uma frustração (justificativa). Curioso que O ANTES e O DEPOIS são dois fatores que percorrem um campeonato lado a lado. Iniciam longe e terminam bem pertinho. Comum comentar ou ouvir alguém comentar depois de perder, por exemplo, um jogo de semifinal: “Chegamos tão perto!” ou “O que faltou?” ou ainda “Perdemos por um detalhe!”. Como eu comentei anteriormente, o DETALHE está entre O ANTES e O DEPOIS.
Tivemos feriado, tempo para descansar e para pensar no que fazer neste sábado, quando chegar a hora do jogo. Se você é jogador, técnico ou torcedor e seu time está na semifinal, considere sim a estratégia, os talentos individuais, a ascensão ou regularidade de sua equipe durante o campeonato, mas não se esqueça do DETALHE. Lembre-se da marcação individual, lembre-se da perna mais usada por aquele atacante que “cai” pela direita ou se o goleiro tem facilidade por cima ou por baixo. Leia um pouco sobre os MVPs ou MVGs, veja o saldo de gols do adversário, veja a sequência de vitórias, atente-se... ao(s) DETALHES.
Se transportarmos esse texto para algumas verdades da vida, podemos afirmar que:
Profissionalmente, em uma negociação de milhões, o DETALHE pode fazer a grande diferença.
No TUF, o detalhe define uma sábia escolha de lutar contra aquele adversário que fora mais estudado durante o programa.
No Chuteira, o detalhe definirá o grande finalista e, quem sabe, o grande campeão, da Aço à Ouro.
E, lógico, não se esqueça que, para perceber o DETALHE, é necessário se mexer, ter ATITUDE POSITIVA.
Pense nela ANTES, DURANTE e DEPOIS do seu jogo no sábado.
Aplique-a GANHANDO ou PERDENDO. Estaremos juntos.
Obs: Enquanto eu termino este texto, o Miami Heat detonava o Indiana Pacers para avançar à final da NBA, quando encara o San Antonio Spurs (atenção: primeira partida hoje à noite). Antes do jogo derradeiro, foram outros 6, com 3 vitórias para cada lado, decididas majoritariamente no DETALHE. Qual o detalhe que fez o Miami avançar e o Indiana soçobrar?
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