Disputa começa no sábado com sete equipes provindas da divisão bronzeda; Palestrinha quer brilhar novamente e levantar mais um troféu; MachuPichu e Elefantes Indomáveis retornam à Prata após um ano
Quem chegar ao PlayBall para acompanhar a primeira rodada da liga Chuteira de Ouro e olhar para as quadras 6 e 10, normalmente destinadas aos grupos da Série Prata, provavelmente terá uma espécie de miragem ao ver Jorjão marcando seus gols pelo Báguas, observar a categoria de Rafinha Haddad no meio de quadra do Absolutos ou analisar o comportamento do campeão Palestrinha da Catarina. Porém, o torcedor não estará com ilusão de ótica: é que, das vinte equipes que iniciam a luta pelo caneco prateado e por uma vaga na Série Ouro, simplesmente sete delas disputaram a Série Bronze na temporada passada.
O fato insólito tem uma explicação muito simples. A saída de equipes que faziam parte da Ouro/Prata foi acima do esperado para 2013, permitindo que três vagas ficassem sem dono. Para que as lacunas fossem preenchidas, foram promovidos times que terminaram em boas posições na fase geral de classificação na divisão anterior, além dos tradicionais quatro classificados (campeão e vice do torneio, e os líderes finais nos grupos na fase primeira de competição). Assim, por tais critérios, pela ordem, subiram Palestrinha da Catarina, Coringa e Báguas. Como o Coringa foi o líder máximo do seu grupo, a última vaga ficou com o Condor’s – semifinalista do certame. Porém, com as promoções à Ouro de Acidus e Ras Time, e o fim do Real Paulista, Basicus, Só Quem Sabe e Absolutos herdaram as posições restantes.
Com isso, a identificação – pelo menos nos primórdios de semestre – com a Bronze será grande. Mas o futebol dessas equipes já era merecedor de uma divisão mais acirrada. “A Bronze sempre foi prateada pra uns três ou quatro times. Agora, creio que estes times estão onde merecem, inclusive o Só Quem Sabe”, aponta sem nenhum pudor Ricardo Mezadri, líder e camisa 10 do SQS. Ele sabe que para alcançar sucesso na nova divisão será preciso paciência. “O SQS jogará um jogo por vez. Manteve a base, a raça, reforçou bem, vem surpresa boa por aí. A meta é grande, mas com a bola sempre no chão e a cachaça gelada lá fora. Essa Prata vale ouro”, projeta Mezadri.
O Só Quem Sabe caiu em um grupo classificado como enjoado. Afinal, figurará ao lado de É Verdadeee, Inflação, Não Guento Mais, Bufalos, Fora de Série, Absolutos e Báguas no Grupo B. Mais dois times selam o grupo, e ambos estão retornando, de formas distintas, à divisão: Coringa e Elefantes Indomáveis. A primeira chega credenciada pelo vice-campeonato na 5ª edição da Série Bronze. E ainda pelo fato de já ter disputado a Série Prata (6ª edição), no qual fez campanha abaixo do esperado e acabou rebaixado. “Retornamos muito mais fortes que da última vez, focados e com o mesmo objetivo que são as vitórias. Sabemos que com uma boa campanha iremos conseguir o acesso à Ouro”, conscientiza-se Léo Cidrão, goleiro do time. Sereno, ainda comenta a divisão que tem cara de Bronze. “A Série Prata é uma divisão equilibradíssima, jogaremos contra times que conhecemos e também que nos conhecem e isso dessa vez vai se tornar um fator positivo para o Coringa, afinal, estamos mais experientes e com jogadores que já sabem jogar o Chuteira”, acredita Cidrão.
Enquanto isso, a segunda equipe desceu de divisão. O Elefantes jogou a Ouro em 2012, mas volta a um lugar que simpatiza. “Elefantes retorna de cabeça erguida à Prata, não é desmérito cair da Ouro. Voltamos com mais força, garra e união para esta nova batalha. Não mexemos no time, fizemos uma boa pré-temporada e, o mais importante, a confiança voltou”, diz Douglas Latorre, capitão da equipe. “A Prata é gostosa de se jogar, não tem tantos times metidos a profissionais”, completa ele.
Já no Grupo A haverá, sim, times advindos da Série Bronze. Mas também terá um desfile de equipes tradicionais na divisão. Encabeçando o grupo vem o MachuPichu. Campeão da 5ª edição prateada, o time ‘peruano’ quer fazer uma boa temporada e retornar à Ouro. Outra equipe que já sabe os caminhos perigosos da Prata é o The Veras. “A grande dificuldade da Prata é mensurar a força dos adversários. Você não sabe o que esperar de um time que caiu da Ouro, por exemplo. Será que eles vão vir desmotivados e em frangalhos ou vão vir com a faca nos dentes pra recuperar logo o espaço na primeira divisão? E os times que vêm da Bronze, será que vão atropelar e subir direto pra Ouro?”, indaga Pedro de Luna, líder da equipe. Conhecedor da liga, sabe que o Veras terá de se superar se quiser brigar pelo caneco da Prata. “Esperamos por grandes dificuldades, afinal, o sorteio não foi generoso conosco. Mas, modéstia à parte, acho que ele também não foi generoso com quem tiver que nos enfrentar”, analisa o camisa 10 azul grená.
Acompanham MachuPichu e The Veras no Grupo A: TCM, Cabeça Rachada, Elite, Império Celeste, Diabos Negros e o atual campeão da Bronze, Palestrinha da Catarina. Para aferrolhar a turma, prestam-se os derradeiros jogadores que estavam na divisão bronzeada: o Condor’s e a tradicional Fênix, o Basicus. São dois times que sempre almejaram a Prata, por isso, constantemente montaram bons times. Entretanto, na hora decisiva, sempre pecavam. Agora, com a Prata a tiracolo, o momento é de focar no novo compromisso. E Neno, camisa 10 e capitão do Condor’s, não enxerga primazia por ter tanto time provindo da Bronze. “Vantagem? Acredito que não. Claro que, conhecendo alguns times, já dá para saber como devemos nos comportar dentro de quadra. Mas vantagem não vejo nenhuma”, confirma Neno.
Já o capitão do Basicus, Bolas, irradia sua satisfação por retornar às origens prateadas. “Será maravilhoso! Esse é o nosso objetivo desde que caímos para a Bronze. Vínhamos batendo na trave há, pelo menos, dois campeonatos”, relembra o camisa 22. Ele ainda fornece pistas de como será o comportamento da Fênix neste semestre. “Estamos trabalhando muito duro para recuperarmos as peças perdidas e montar um time forte, digno de acesso à Ouro”. Só que para conquistar uma vaga na principal divisão do Chuteira de Ouro, tanto o Basicus como outras oito equipes terão de brecar o atual campeão da Bronze, o Palestrinha da Catarina.
Hiro, dono da meia-cancha do time e manager, também não se ilude com a série antiga. Ele promete um Palestrinha mais focado ainda. “Sabemos muito bem que o nível da Prata é muito diferente do nível da Bronze. A Prata conta com times que, por ocasião, caíram da Ouro e outros que sempre batem na trave pra subir à Ouro”, posiciona-se o camisa 8. Sem pestanejar, Hiro manda o recado aos concorrentes: “O Palestrinha continua unido, forte, focado e querendo muito figurar entre os melhores do grupo”.
Comentários (0)