Neste sábado teremos as semifinais das Divisões Ouro a Aço. Serão 8 partidas envolvendo 16 equipes. Se na Aço teremos confrontos inéditos, não se pode dizer o mesmo das divisões acima. Haverá 4 partidas em que o histórico entrará em quadra juntamente com os atletas. E isso só comentando partidas de playoffs, eliminatórias. Ao leitor desavisado, ou que chegou recentemente, ou mesmo que não tem a memória esticada, falarei um pouco de cada um.
O penta bateu o tri
Na Ouro, não deve haver viva alma que acompanhe o Chuteira que não saiba que Mulekes x Nois Que Soma é o maior jogo da história recente da competição. São os dois maiores campeões, com 8 títulos dourados em quadra – 5 do NQS e 3 do Mulekes. Para a maioria, o Mulekes é o único time capaz de bater de frente com o NQS. Nem o Catado ainda estaria no mesmo pé de igualdade.
A história dos dois começou quando o NQS subiu para a Ouro, na 21ª edição, em 2016. O Mulekes muito bem os recebeu, vencendo na fase de grupos (5 x 2), mas o caneco quem levou foram os aurinegros. E foi assim nos anos seguintes, quando conquistou o tricampeonato, igualou o número de títulos do rival e criou uma dinastia. Na terceira disputa de título, aconteceu o que todos esperavam: uma decisão entre eles! Foi na final do XXIII Chuteira de Ouro, talvez o jogo mais tenso da história da liga, quando empataram em 0 x 0 e o NQS levou o tricampeonato no gol de ouro e evitou o tetra do Mulekes. (
releia a matéria desse jogo aqui).
Tetra que veio ao NQS ante o Condor´s, na edição seguinte, a 24. (Sim, o NQS foi quatro vezes seguido campeão da Ouro) Antes do Condor´s, porém, novo duelo ante o Mulekes, desta vez na fase semifinal. Muita expectativa para o jogo, que acabou frustrando boa parte dos amantes do duelo, já que o Mulekes veio um tanto desacreditado, desfalcado e sem goleiro de ofício, facilitando ainda mais o trabalho do time que ainda viria a ser pentacampeão. (
matéria aqui) Resultado: 4 x 0 e um abalo sísmico nas estruturas psicológicas da mulekada.
No semestre seguinte, quando o penta era o objetivo e assim se tornar o maior vencedor da história do Chuteira (deixando o tetracampeão CAV para trás), a chance de uma nova revanche não veio porque o NQS caiu antes, para o Peneira, que viria a derrotar o Mulekes na final. Em compensação, na 6ª rodada da fase de grupos dessa mesma edição, o Mulekes bateu o NQS por 3 x 2 num jogo que mais parecia um decisão de tão tenso e disputado que foi. (
leia aqui) Ali estava a prova que qualquer confronto entre eles teria a vitória acima de tudo. O Mulekes foi aguerrido e mostrou que podia sim vencer o rival. Depois disso, só agora na semifinal da 27ª edição, já que o NQS ganhou o pentacampeonato na edição 26 sem enfrentar o Mulekes (que caiu nas quartas para o Catado, que chegaria à decisão).
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Assim, após pouco mais de um ano do último encontro, Nois Que Soma e Mulekes voltam a se enfrentar. Era esperado esse confronto para a final, mas o Mulekes tratou de antecipar ao empatar com o rebaixado Zenite na final e ver o Catado ultrapassá-lo na tabela e ficar com a chance de só pegar o pentacampeão na final, numa possível revanche. O momento do Mulekes não é dos piores, mas também não é dos melhores. Trouxe o multicampeão técnico Thiago Dacal e alguns nomes de peso do society, casos de Thithi e Zaidan, que pouco ou mesmo nem jogaram ainda. Estarão em quadra? Notícia boa é a volta de Baiano, recuperado de contusão. Como o psicológico do time irá reagir? Mais importante: e a questão física, já que o NQS é tido com um time fisicamente e taticamente quase perfeito?
Do duelo de um ano atrás, o NQS só não tem Andreas, o que é uma perda e tanto. Em compensação, já deu a letra que virá completo para o jogo e conta com o fundador Bollito no banco de reservas. Tem Kaique (ex-Torce Contra) para fazer gols, mas este mais faltou do que jogou. Fará diferença ou a aposta é mesmo na “decisividade” de Tuco, no cérebro de Luiz, no toque refinado de PV ou na força da marcação de Beleti?
Alguém lembra daquele 7 x 0?
A Prata vê um duelo em que
INVICTUS ou
REAL MADRUGA estará na grande final da Prata. O Madruga já chegou lá duas vezes – ganhou uma (Camaro, 16ª edição) e perdeu outra (Bengalas, 11ª edição). Para quem é supersticioso, a semifinal do título conquistado ante o Camaro foi contra o mesmo Invictus! E o resultado não poderia ter sido melhor: nada menos que 7 x 0! É isso mesmo! O Madruga meteu 7 x 0 no Invictus numa semifinal de Prata! (
relembre aquele jogo clicando aqui)
Claro que os tempos são outros, os times mudaram e evoluíram, especialmente o Invictus, que desceu pra Bronze, fez um estágio de desenvolvimento e voltou com o vice-campeonato! Na primeira Prata, já está de volta a uma semifinal e com um time afiado e muito capaz de ser finalista. Quem sabe repetir a final da Bronze passada ante o Baixada? Para ser dourado, só a vitória interessa, já que o Vikings, que encara o Baixada e está garantido na Série Ouro mesmo perdendo por ter a melhor campanha dentro os 3 semifinalistas que não venceram o grupo (Madruga ou Invictus vence e sobe; o derrotado ficaria atrás do Vikings por ter feito campanha pior). Ao Madruga, seria voltar à elite pela quarta vez, após seu terceiro rebaixamento no fim do ano passado (é o time que mais oscila entre Ouro e Prata). Ao Invictus, seria a coroação de um trabalho de mais de 5 anos (iniciado em quadra em 2014) junto ao técnico Leandro Dias, sob o comando na gestão de Moacyr Jr..
A palavra de ordem na temporada de Madruga e Invictus é consistência. Fizeram boas primeiras fases, mas foram melhor ainda quando ativaram o modo mata-mata. Ambos têm na defesa seu pilar de sustentação. O Invictus, por exemplo, sofreu 17 gols na 1ª fase, só ficando atrás da defesa do Império Celeste (16 gols sofridos). Já o Madruga não sofreu gols nas duas partidas de mata-mata! Bateu Absolutos (2 x 0), com goleiro improvisado, e em seguida o Império Celeste (1 x 0).
Certo é que nenhum dos times deve se expor e ir pra cima do rival. O Madruga já avisou que joga com o regulamento debaixo do braço. Time matreiro, fez isso ante o Império, marcando nos primeiros minutos e depois só segurando, e deu certo. Nem o MVP Guedes conseguiu furar a retranca. O Invictus parou a máquina StarFucks, que na fase de grupos havia perdido uma única partida. Quem vai marcar primeiro, parece ser a pergunta decisiva para o desfecho dourado.
Fama de Vascão
Ainda na Prata, apesar de o
BAIXADA DE MUNIQUE já se tornar rival de vários times em sua escalada desde o Chuteira 5, é o adversário deste sábado que o acompanha degrau a degrau. O
VIKINGS, uma espécie de primo pobre do Baixada, um time tão bom quanto o Baixada mas sem o markerting da galera de Santos (time sem grife, diriam alguns), sempre está chegando – a diferença é que não ganha título.
O Vikings foi vice na II Copa Estrelato, quando apanhou do Maraca (0 x 4,
leia aqui). Foi vice na Aço, quando apanhou do Baixada (3 x 6, 11ª edição –
leia a matéria aqui). Ao menos na Bronze não foi vice – caiu mesmo foi na semifinal, ante o mesmo Baixada, desta vez por 4 x 1 (
matéria aqui). O rótulo de vice incomoda o Vikings, já assumiu o goleiro Bolanho, um dos poucos remanescentes a disputar os três jogos acima citados. Time fadado a sempre ser vice era o Bacana – o time e a filial (Bacana e Bacaninha) conquistaram 6 vice-campeonatos antes de levantar uma taça de campeão no Chuteira. Mas levantou. E isso pode ser motivador ao Vikings.
No duelo desta Prata, valendo vaga na decisão, o Vikings é um time bem diferente daquele do passado. Como bem analisou o repórter setorista da Prata, Murillo Magaroti, o Vikings é o time que mais mostrou evolução no semestre, tem um comando técnico de qualidade (Cadú) e jogadores de técnica acima da média – a revelação Trivelato é apenas um deles. Enfim, além de uma forte reformulação, o que faz com que a maioria ali nunca tenha enfrentado o Baixada ou tenha o sentimento de ser vice duas vezes. Portanto, se podemos assim dizer, é a melhor versão do Vikings para encarar e quem sabe vencer o Baixada de Munique!
Freguesia
Na Bronze, outro duelo que vem polarizando os torneios que disputam há um ano. Desde seu retorno ao universo Chuteira, em 2018,
BACANA e
FUTSAMBA decidiram títulos. Foi assim no Chuteira 5 (9ª edição –
leia matéria clicando aqui) e foi assim na Aço (12ª –
leia aqui). Ambos chegaram à final e em ambas oportunidades o Bacana triunfou, exorcizando o fantasma de vice que tanto o atormentou e passando para o lado contrário a pecha!
A freguesia do Futsamba em relação ao Bacana é tamanha que internamente o grupo se zoa com isso. Mesmo o time feminino já “sacaneou” o masculino quando se trata de vencer (ou perder?) uma final. A auto brincadeira é sadia, pois suspostamente diminui o peso negativo da não-vitória, mas nem de longe quer dizer que aceitam passivamente a derrota. Certo é que Gabs, Orley, Zé e cia. estão mordidos e querem, de toda maneira, descontar o placar e ir à desforra. Até o momento, o Bacana segue invicto desde sua volta ao Chuteira – conquistou o Chuteira 5 e a Aço sem perder um jogo sequer – e continua assim. Chegou a hora?
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Apesar de ainda invicto e ter subido na fase de grupos com sobras, o Bacana não vem de grandes atuações. Parece dependente de Romulo no ataque e Gabrielzinho na criação, ainda mais com a perda de Thom no meio da temporada. Cauezinho não mostrou a que veio até o momento, e o Pimenta que se verá em quadra nunca se sabe se é o contundido ou não. O que parece certo é que Marcelão vai focar seu jogo na defesa, apostando na solidez de um setor que erra muito quando pode (a ponto de ter sido apelidado por Delivery Bacana) e é praticamente impecável quando precisa. Caco voltou a ser importante, Matheus é uma rocha, Moita sempre dá conta do recado e é certo que Fê Loko, muito ausente no semestre, vai pro jogo com seu estilo motivacional ao extremo. Outro ponto que pode pesar, para o bem ou para o mal: os times irmãos, o Bacana Master e o Rachão, fizeram campanhas pífias no Chuteira Master e Copa Estrelato respectivamente e acabaram eliminados precocemente. Resta ao Bacana “salvar” o semestre, é questão de honra.
Ao Futsamba, que na fase de grupos perdeu para o líder Camelo e o 3º colocado IMZT, resta confiar na força dos números: melhor ataque e melhor defesa da competição. Se o ataque pode ser questionado perante o 14 x 0 aplicado no Roleta Russa, o mesmo não se pode dizer da defesa. Ferrugem faz semestre muito positivo, sendo destaque no Futsamba e no master do NQS; Orley assumiu a posição de homem de meio, mais preocupado com a defesa, e vem sendo importante, em jogadas por cima e por baixo. Caio Cunha definitivamente esqueceu o Zenite e voltou a ser um jogador regular. Além disso, as chegadas de Pagode e Pó deram consistência ao meio de campo, mesmo eles não aparecendo muito os olhos dos analistas. No ataque, Zé é matador e já tem 17 gols, podendo ser artilheiro isolado caso marque uma vez no sábado. Ademais, o quarteto Zé-Cahé-Jorge Melki-Maguila se afinou ainda mais e é responsável por 64% dos gols do time (34 de um total de 53 gols).
Serão 4 jogos empolgantes entre times que já se conhecem e têm histórico. Qual o leitor assistir não perderá viagem.
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