Se em 20092010, dois times viraram quatro, em 2019, a conta foi de divisão: quatro times viraram dois. Na verdade, dois e meio. Depois da era da expansão, com times abrindo filiais ou times B, o Chuteira adentrou na era das fusões, com times ‘fechando’ filiais, fundindo-se. O peso do tempo é implacável. Aconteceu isso com dois nomes históricos e de peso: AroucaArouca Jrs. e Roleta Russa Roleta Russa Olímpico.
O
ROLETA RUSSA é uma franquia que surgiu basicamente junto ao Chuteira, em 2006. Desde a 2ª edição o time disputa o torneio, já tendo passado por Ouro, Prata e Bronze. Quando da criação da Série Prata, em 2009, nasceu também o Roleta Russa Olímpico, voltado para os jovens que acompanhavam a equipe principal. Os meninos cresceram – hoje os remanescentes estão beirando ou já adentraram a casa dos 30 anos –, assim como o time, que em determinado momento superou a equipe dita principal (nomenclatura interna usada entre os Roletas) e se consolidou na Série Ouro. Desceu uma vez, voltou campeão. Marcou sua estrela como o melhor time dentre os Roletas, numa época em que havia o time Principal (hoje na Bronze), o próprio Olímpico (hoje na Prata) e o Clássico (extinto ao fim de 2017, quando caiu para a Bronze). No auge, foram 3 Roletas a desfilar aos sábados no Chuteira. Hoje, podemos considerar um e meio.
2018 foi um ano muito ruim aos Roletas. Se 2017 terminou com o acesso do Roletão à Prata, no ano seguinte o time voltou à Bronze e ali permaneceu, tendo ficado na 7ª posição, aquela que não classifica nem cai, na última edição. O mau momento coincidiu com o do Roleta Olímpico, que teve no primeiro semestre seu último bom suspiro, quando ficou em 4º lugar no Grupo A e chegou às quartas de final (caindo nos shoot outs para o Fora de Série). Para o segundo semestre, viu o principal nome do time, Kuminha, deixar o Roleta e ir para o Mulekes respirar novos ares. Mais: o técnico Vadão anunciou que era seu semestre de despedida. A aposentadoria bateu a sua porta e ele pouco esteve presente. O manager Pina viu uma debandada de jogadores, obrigando-o a montar um grupo de última hora, que não primou pelo alto nível técnico. Somou 9 pontos em 9 jogos e acabou caindo para a Prata junto ao Real Madruga. Era o ocaso de um ano muito ruim.
Para 2019 a coisa prometia: Kuminha retornou à velha casa. Uma limpa foi feita no grupo do Olímpico e a decisão maior da franquia foi tomada: a fusão no Olímpico com jogadores d de peso do Roletão. Vieram nada menos que 7 jogadores (Denis, Alemão, Cenoura, Rafão, Murilinho, Bahia e Volt). O Roleta Russa era para ser fechado, mas o manda-chuva russo Baru bateu o pé e juntou um grupo de veteranos para se divertir na Bronze. A diversão tem custado caro: 4 derrotas e 1 empate, apenas 5 gols marcados e 42 gols sofridos (pior ataque e pior defesa), jogadores chegando e saindo, várias contusões, dificuldades para ter um time competitivo em quadra e muita, mas muita dor de cabeça. Certo é que o time está praticamente rebaixado à Série Aço, e ainda não se sabe como será para a próxima temporada.
No Olímpico a coisa não está muito diferente. Após 6 rodadas no Grupo B da Prata, o time consta na zona de rebaixamento, no Z-2, com 5 pontos em 18 disputados! Venceu apenas uma vez (o lanterna Spartacus), tendo empatado duas (Absolutos e Invictus) e perdido três (Lokomtiv, Vikings e Império Celeste). Entra em quadra neste sábado para uma decisão ante o Imperial (6 pontos): ou ganha e joga a vida diante do Ras Time na próxima rodada, podendo até mesmo se classificar, ou amargará outro rebaixamento, que pode ser letal à moral da franquia.
Pelo lado do
AROUCA, a fusão também foi motivada por razões ruins: o rebaixamento do Arouca Jrs. da Ouro após mil e um anos na divisão de elite. O empate na rodada final ante o Primatas, em novembro passado, decretou a queda e extinção da equipe. Ventilava-se essa fusão há algum tempo, e com a renovação que vivia o Aroucão, com Netto assumindo o time, a coisa ficou solta no ar. Ninguém quer ser devorado, não é mesmo? Mas chegou a hora e, com a saída dos principais expoentes do Arouca campeão da 12ª edição da Ouro , foi a melhor solução, afirmam os que ficaram.
Desde o ano passado já vinha sendo testada a fusão, em outros torneios disputados pelo Arouca. Netto confirma que a união deu uma liga boa. Com ele morando fora de São Paulo, foi natural a junção também no Chuteira, com Nelsinho assumindo junto a ele a gestão. Assim, o Arouca virou um meio a meio, sem tirar nem por. Saca só quem veio do Juniores: Brunão, Nelsinho, Allan, Odone, Luan, Deboche, Heitor, Arthur e Cleitinho. Do Arouca ficaram: Arthur Fon, Netto, Cesinha, Mota, Coala, Marinho, Vitinho, Dhani, França e Vina.
“O time foi bem dentro e fora da quadra, que é o mais importante”, explica Netto, frisando algo essencial em qualquer união. Após 6 jogos, o Arouca venceu três (Fora de Série, Primatas e Zenite) e perdeu outros três (Mulekes e Catado, ambos compreensíveis, e SPQSF). Soma 9 pontos e está no G-6, na 6ª posição, mas ainda não garantiu sua classificação. Falta jogar com Condor´s, Abre o Olho e Guaxupé. Não terá vida fácil.
Uma coisa que vem chamando a atenção nos jogos do Arouca é como em vários deles os remanescentes de uma equipe comparecem mais que da outra. Na goleada sobre o Zenite, na rodada passada, apenas estiveram presentes França e Vitinho, oriundos do Aroucão. Na estreia, um time contado e também com maioria dos juniores. Na derrota ao SPQSF, maioria do Aroucão. Nelsinho aponta que é mera coincidência, que não existe nenhum tipo de rodízio ou intriga entre os jogadores, corroborando o que falou Netto. O que parece haver, de fato, é um maior comprometimento da galera que veio do Arouca Jrs. Vontade pesa, não?
A questão de relacionamento é um ponto que Pina, capitão e hoje manager do Roleta Olímpico, também coloca. Segundo ele, os jogadores já se conheciam, tendo treinado juntos no passado, e a maioria, se não é amigão, carrega uma identidade forte com o escudo do Roleta. “Identidade e qualidade”, diz ele.
Tal como o Arouca, o Roleta já vinha discutindo internamente a possibilidade da fusão. O estopim foram as campanhas pífias no semestre passado. Entretanto, ele pontua: “Não foi só uma questão de necessidade, mas sim de melhor caminho para as duas equipes”.
Melhor caminho é o segredo para qualquer coisa que se faça, mas como saber qual o melhor caminho a se trilhar? Aroucas e Roletas, após anos caminhando paralelamente entre matriz e filial – se é que podemos chamar assim –, sendo rivais até em vários momentos, juntaram os trapos como forma de sobrevivência. E querem fazer bonito. O Roleta Olímpico não anda colhendo resultados muito promissores, após 6 rodadas; o Arouca já vinha de testes – e resultados positivos – “Um vice roubado e uma semifinal”, lembra Nelsinho – que podem render ainda este semestre. Se não este, no próximo. Mas o que é resultado positivo? Não depende do ponto de vista de quem analisa, do propósito estipulado?
Já ao Roleta Russa, no qual tudo começou aos russos, lá em 2006, como definir qual o melhor caminho em 2019? Se muitos foram para o Olímpico, como fica quem permaneceu e como fica quem chega? Como motivar um grupo a disputar para não perder de muito? A Série Aço é um destino certo, tudo indica, mas será o melhor caminho? Aliás, o Roleta jogará? O Roleta fechará suas portas após 13 anos de história no Chuteira? O Olímpico visitará a Bronze? Como reconstruir uma franquia que despencou no último ano? A fusão foi um primeiro passo. Qual será o próximo?
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