Quando se trata do Primatas, grande parte do público do Chuteira associará a imagem da equipe a de alguns moleques marrentos que chegaram agora ao Chuteira e já se acham os tais. Pois bem, muito dessa “fama” do Primatas vem de um jogador campeão em polêmica – Orley.
O garoto, em apenas um semestre de Chuteira, já tem um amplo histórico de provocações, discussões e, por que não?, confusões. Afinal, quem não se lembra da bola sendo arremessada contra seu rosto na semifinal contra o Arouca após ele falar sabe-se lá o quê no pé do ouvido de um adversário? Ou então do sopapo que levou no meio do jogo contra o Treinadores?
Muito se fala, inclusive, que os alvos, campeões da 1ª edição da Série Prata, já lutam com forças pelo título de “equipe mais odiada” da competição, prestes a desbancar o Roleta Russa. Aliás, Roleta Russa que é o alvo principal de Orley na entrevista. Não escapou nenhum dos dois Roletas. “Ô timinho de mala, viu!”, aponta ele.
Leia entrevista abaixo com o camisa 11 do Primatas, destaque do time na campanha vitoriosa na Série Prata e uma das esperanças para o recém-iniciado Chuteira de Ouro. Nela ele fala sobre adversários, o rótulo de polêmico e expectativas para o atual torneio.
Como está sua vida agora que você mora na praia? A mudança está influenciando de alguma forma sua participação no Primatas?
Estou morando com meus avós na Praia Grande. Claro, sempre acaba mudando no contato diário com as pessoas, família, mas com o time em si não tem influenciado muito. Pois subo todos os fins de semana para os jogos e mantenho contato com meus colegas de equipe via MSN, Orkut...
Fale um pouco sobre o título dos Primatas no semestre passado. A que você atribui o seu time ter superado todas as expectativas e ter se sagrado campeão?
Eu atribuo ao fato de jogarmos sempre com muita raça e humildade. De não pararmos de acreditar nunca, mesmo quando caímos de rendimento na fase classificatória, que foi o mais difícil de tudo. Começamos muito bem, depois acabamos perdendo alguns jogos, empatando outros, no fim das contas, nos classificamos em 4° lugar. Nas quartas, pegamos o Roletinha. Já tínhamos enfrentado eles duas semanas antes num jogo tenso que acabou empatado em 3 x 3. Pensávamos mesmo que seria um jogo difícil. Mas que nada! Foi o jogo mais fácil que tivemos no Chuteira de Prata. Passamos sem dificuldades. Já na semi, tivemos de novo o Arouca, e aí sim era certeza de um jogo bem mais complicado. Na ‘Batalha do 1° de Maio’, dia do meu aniversário, aliás, o Guerrero tomou um soco de um jogador de aliança e foi expulso. Como não podia deixar de ser, foi um jogo tenso, disputado até o último segundo, tanto que o zagueirão deles arremessou a bola contra mim sem eu ter dito nada demais. No fim das contas, vencemos por 5 x 4. Já na final, mais uma revanche de um jogo tenso na classificação. Naquele jogo um jogador deles xingou nossa equipe de merda. Fizemos um duelo digno de uma final, jogamos muita bola e nos sagramos campeões. Vai, Primatas! Ufa! (risos).
Como é fazer parte da equipe que é considerada por muitos “a mais odiada do Chuteira”? Por que a existência deste rótulo?
Assim, eu não sei por que o nosso time é o "mais odiado". Sinceramente, não sei se é porque fomos campeões e os caras ficam com raiva que brincamos com isso. Ou talvez quando ganhávamos, a gente brincava com isso. O Roleta a gente sabe por que as pessoas odeiam – ô timinho de mala viu! –, mas não é por títulos que não gostam deles não, pois eles não têm! (risos). Mesmo assim falam demais, quando eles ganharem alguma coisa eles poderão falar alguma coisa!
Você é tido como uma figura bastante polêmica dentro do universo do Chuteira. Você se considera provocador? E, seja sincero, o que você falou no ouvido do zagueirão do Arouca para ele arremessar a bola contra você daquela maneira?
(Risos) Você quer saber o que eu disse ou o que ele entendeu? Eu não fiz nada demais, apenas caminhei em direção a ele quando estava indo para o centro do gramado para entrar em campo e disse ‘E aí, firmezinha?’. Ele entendeu ‘E aí, timinho!’ e se invocou, jogando a bola na minha cara e depois cuspindo em mim. Foi isso que aconteceu. Quanto a ser provocador, acredito que isso faça parte do jogo. Nunca desmereci ninguém, é apenas um modo de apimentar os jogos e tentar desestabilizar os adversários.
Você se considera caçado em campo? Quem são os maiores ‘açougueiros’ que você já enfrentou?
Não sei se a palavra seria caçado. Sempre tem um jogador ou outro que entra mais pesado, mas jamais com deslealdade, como o próprio zagueiro do Arouca ou o Foguinho, por exemplo. Por outro lado, sempre acabo ouvindo coisas como “Quebra o Orley”, “Pega o 11”, mas isso é provocação dos rivais.
Vamos falar um pouco dos adversários. Qual o time você considera o mais fácil e o mais difícil de enfrentar?
Mais difícil Arouca, mais fácil Roletinha.
Como estão as perspectivas para os Primatas na série Ouro? Como está o time novo com as entradas e saídas de jogadores?
É muito legal estar na Série Ouro e poder enfrentar o pessoal mais conhecido do campeonato. Estamos com muita vontade, perdemos dois jogadores apenas, o Celso e o Feliz. Por outro lado, entraram alguns outros que provaram serem muito capazes de ajudar nossa equipe. Vamos lutar com a raça de sempre para conseguir a classificação e o título!
Para fechar, fale um pouco mais sobre você. Alguma consideração final?
Ah, sou um cara alegre, humilde e simpático! Jogo sempre com muita determinação e não tiro o pé, talvez isso também irrite alguns rivais. Sempre gostei de jogar bola, agora, jogo quase todos os dias aqui na areia com os caiçaras. Torço para o São Paulo 6-3-3. E vamo, Primatas!
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