Após perder por 2 x 0 o primeiro tempo, equipe volta com determinação, vê o Coringa perder gols incríveis e conta com as armações de Lukinhas e com os pivôs de Peru para dominar a etapa final e soltar o grito de campeão!

TEXTO Heron Ledon
FOTOS Weinny Eirado
Se, por um lado, o Coringa entrou em campo com a maioria das apostas a seu favor, por outro, o Palestrinha da Catarina queria dar o troco da goleada que sofreu para o oponente por 6 x 3 na fase de grupos. Como de costume, a equipe celeste contou com as jogadas de Rafinha, Farias e Renatinho para mostrar a superioridade técnica e não deixar o adversário ver a cor da bola nos 25 minutos iniciais. Porém, no segundo tempo, o time voltou apático e foi dominado pelo Palestrinha, que retornou com uma postura muito diferente, impondo-se no jogo. Tanto o foi que o trabalho de pivô de Peru deu certo – após tanto insistir no primeiro período – e os jogadores, mesmo com a ausência do artilheiro Guga e do zagueiro Douglas, conseguiram virar um jogo que parecia perdido.

Palestrinha da Catarina: campeão do V Chuteira de Bronze
A maioria das pessoas que acreditavam em uma boa vitória do time azul e branco ficou ainda mais confiante com o início arrasador da equipe. Em um dos primeiros lances do jogo, o zagueirão Daniel Capel recebeu a bola na direita e a mandou forte no canto esquerdo de Régis, que, bem posicionado, pulou bonito para realizar a defesa. Sem diminuir a pressão, a rede foi balançada ainda no segundo minuto, quando Renatinho pegou a redonda na intermediária e a colocou no alto, no mesmo lugar que o seu companheiro havia batido. Desta vez, sem chances para o arqueiro! Seria uma goleada?

Coringa: vice-campeão do V Chuteira de Bronze
Aos gritos e incentivos da torcida, o Coringa não deu trégua. Renatinho seguia muito bem, aproveitando-se da grandeza da quadra 14 e dos consequentes espaços para trocar passes com Farias e Rafinha e chegar com perigo à meta oponente. Enquanto isso, o Palestrinha não se encontrava em campo e, quando tentava as subidas no toque de bola, era bloqueado por uma marcação compacta – com os bons desarmes de Japa Mori pelo corredor direito. Assim, demorou para a equipe encaixar um ataque perigoso, sendo o primeiro com Peru, que tabelou com Hiro próximo ao bico esquerdo da área e concluiu por cima do gol.

Jogo truncado, cheio de trombadas e entradas mais fortes
Nesse ritmo da boa articulação, Siri parou uma rápida jogada do oponente com uma falta dura em Farias, que saiu de campo lesionado. Para substituí-lo, o técnico Éderson colocou Ratão também para trabalhar no meio-campo, sem alterar o esquema tático de seu time. De início, pareceu que os atletas sentiram um pouco a falta do camisa 10, no entanto, conforme os minutos se passaram, Ratão se encaixou nas jogadas e fez aquilo que mais dá tranquilidade a um boleiro: o gol! Ele avançou pelo meio com a gorducha e, livre de marcação, a chutou em grande estilo no ângulo direito de Regis. Indefensável!

Farias, camisa 10 do Coringa, sofreu entrada dura e teve de sair carregado
Com o 2 x 0 contra e o mau futebol apresentado, o Palestrinha pediu tempo para tentar esfriar a empolgação do Coringa e corrigir os erros. Fato é que os ataques do time pouco eram perigosos. Praticamente todos tinham Peru como destino, tentando de todas as formas fazer a parede para quem chegava de trás ou o giro sobre a marcação. Entretanto, além da falta de movimentação de seus companheiros, o que dificultava os passes, o domínio de bola já era complicado devido ao campo e à bola molhados em razão da chuva. Mesmo assim, no final da primeira etapa, o time quase descontou o marcador. Apollo lançou para o centroavante, que desviou de calcanhar e quase surpreendeu o goleiro Léo Cidrão. Depois, Lukinhas roubou a bola no meio-campo, avançou e chutou rasteiro no canto direito; Cidrão espalmou e a pelota ainda subiu ao travessão antes de ir para fora.

Catimba, provocação e reclamação foram ingredientes da grande final
O segundo tempo se iniciou da mesma forma que o primeiro, no entanto, para o lado tricolor da Catarina. Com poucos segundos de reinício, Peru recebeu cruzamento sozinho na área, ajeitou e tocou por cima do gol. A bola foi fora, mas Cidrão saiu de maneira tão estabanada – e imprudente – que acabou por quase aplicar uma voadora em Peru. O árbitro não teve dúvidas: pênalti! Lukinhas deixou o princípio de reclamação adversário de lado e foi para a cobrança, mandando a bola rasteira no canto esquerdo de Cidrão, que pulou e ainda chegou a tocar nela, mas não o suficiente para evitar a diminuição do placar. Lances depois, Peru ainda fez a proteção para Lukinhas, que teve o seu chute espalmado para escanteio. Na cobrança, o pivô testou ao gol, e Cidrão pegou mais uma.

Pênalti para o Palestrinha e Lukinhas converte: quase deu para Léo Cidrão
Definitivamente não parecia ser o mesmo jogo do primeiro tempo. O Coringa estava acuado e não conseguia pôr a bola no chão, e, agora, era o Palestrinha quem pressionava. Inclusive, a jogada ineficiente do período inicial passou a funcionar e ser a principal arma da equipe: o pivô de Peru. E foi justamente dessa forma que o camisa 8 igualou o resultado parcial do embate. Amaral cobrou lateral para ele, que matou no peito, virou rapidamente e fuzilou no alto, sem chances para o arqueiro. Bobeada da defesa celeste ao permitir que o atacante fizesse a mesma jogada durante toda a partida. Mérito a ele ao fazê-la muito bem, substituindo o goleador Guga e ajudando a sua equipe a reagir no duelo.

No segundo tempo, a bola chegou a Peru, que, no trabalho de pivô, fez o segundo gol do Palestrinha
O empate fez com que o Coringa acordasse para o confronto, mesmo que um pouco abalado, ou surpreso, com o ocorrido. Assim, os jogadores voltaram aos poucos a trabalhar a bola e a buscar o gol como na etapa inicial. Rafinha fez boa jogada pela esquerda e limpou para Renatinho, que invadiu a área, mas bateu muito fraco em cima de Régis. Em seguida, um lance quase inacreditável aconteceu: ao menos três rebotes perdidos pelo ataque celeste – e isso cum jogador a menos decorrente de amarelo bobo para Gui. Capel deu um chute rasteiro sem força e o arqueiro se atrapalhou ao tentar encaixar a redonda. Então, os jogadores do Coringa, entre eles Rafinha e Japa, deram uma sequência de conclusões espirradas e, após mais algumas defesas parciais, Régis, enfim, conseguiu afastar o perigo de gol.

A bola chegou a Lucas Barbosa, que tocou por baixo de Cidrão para...

sair comemorando o gol que decidiria o título em favor do time da Catarina
Depois dessa chuva de chances desperdiçadas, Rafinha teve talvez a última oportunidade clara de gol ao mandar uma bomba pela esquerda e ver o goleirão defendê-la no reflexo. E, então, novamente o Palestrinha partiu ao ataque com a determinação de um campeão. Hiro, em cobrança de falta, cruzou no segundo pau para Peru, que cabeceou nas redes pelo lado de fora. Minutos depois, o time armou um rápido contra golpe e Peru pisou para Lukinhas, porém ele foi travado na hora do arremate. Por fim, ainda na pressão, a virada surgiu. Aos 21 minutos, com a defesa desarrumada, a bola cruzou a área até chegar a Lucas Barbosa, que tocou rasteiro, com tranquilidade, na saída de Léo Cidrão para sacramentar o título inédito do Palestrinha! O Coringa ainda tentou nos minutos restantes, mas o abalo tinha sido grande e o time foi incapaz de chegar ao empate.

Ao apito final do árbitro, sobrou apenas ao Palestrinha comemorar o título em sua primeira participação no Chuteira

Triste pela derrota, Rafinha tentou explicar a fatal queda de rendimento da equipe durante a partida: “Nosso time apagou depois do empate. Nós cansamos, começamos a discutir, perdemos muitos gols – o goleiro pegou muito ali. O time deles também é muito bom”, relata o vice-campeão.
Com certeza, superação e união foram as palavras-chave dessa conquista do Palestrinha, como avalia o treinador Éderson. “Nós temos limitações e hoje quase perdemos. Porém, também temos muita garra e determinação! Esse grupo de amigos, montado pelo Hiro, é muito bom: é um timão!”.

Enquanto o goleiro Regis era só alegria com seu sobrinho...

…Pi era a cara da frustração do Coringa com o vice-campeonato
Além da vitória, há um destaque especial para Lukinhas, que acabou como o artilheiro do V Chuteira de Bronze, com 23 gols, e o MVP ao lado de Renatinho, do Coringa. E não para por aí: “Vamos corrigir nossos erros, pois perdemos para o DPGamos e para o próprio Coringa na fase de grupos e vamos nos reforçar com 2 ou 3 jogadores. Nosso objetivo é ir para a Ouro!”, projeta o “professor” do Palestrinha.

Das mãos de Barath, Hiro recebeu a taça de campeão

Mauricio, capitão do Coringa, recebeu de um sorridente Douglas o troféu de vice-campeão do Chuteira de Bronze
Ficha Técnica: Final do V Chuteira de Bronze
15 de dezembro de 2012 – quadra 14
Palestrinha da Catarina 3 x 2 Coringa
Gols: Renatinho e Ratão (C); Lukinhas, Peru e Lucas Barbosa (PC)
Cartão amarelo: Renatinho, Gui e Japa Mori (C); Amaral (PC)
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