Em todo sorteio sempre é a mesma coisa – um grupo surge como o famigerado “grupo da morte”. O da vez é o que Grupo A, onde se encontram SNG, Bengalas e Mulekes. Será mesmo? Veja o que pensam diversos jogadores
Assim que os tamborins silenciarem, e a escadaria da igreja do Nosso Senhor do Bonfim – localizada em Salvador (BA) – for lavada na quarta-feira de Cinzas, as emoções do XI Chuteira de Ouro estarão na ponta de lança das conversas dos jogadores. A expectativa é muito grande entre todos os envolvidos no certame: jogadores, técnicos, torcedores, organizadores...
No último sábado, dando o pontapé inicial ao torneio, foi realizado o sorteio das equipes que irão compor os grupos A e B da competição – rota obrigatória para o triunfo. Depois de todas as bolinhas serem abertas, e com os times distribuídos nas chaves, os ‘analistas de plantão’ cravaram: o Grupo A é o que pode ser chamado de o ‘grupo da morte’ da vez. Mas será que todos partilham da mesma ideia?
É fato que muitos times de tradição, e outros que fizeram excelentes campanhas em 2010, caíram no grupo A. O atual campeão SNG encabeça o grupo. Memé, um dos destaques do time, diz “concordar em partes” com a aposta dos especialistas no que tange à dificuldade do grupo: “(O Grupo A) Tem times campeões e que já disputaram finais no Chuteira de Ouro. Mas, levando em consideração o nível em que se encontra hoje o campeonato, vejo os dois grupos muito equilibrados”. Já Anibal, comandante do Med Taubaté, time que chegou às quartas de final na última edição – e que também está no Grupo A – é mais contundente: “Acredito que na Ouro só existem times bons, e muitos bons. Concordo, sim, com o ‘grupo da morte’, pois, se analisarmos os times, a tradição e número de campeonatos conquistados, acho que o grupo leva vantagem”, aponta.
Douglas, do Elefantes Indomáveis, outra equipe que compõe o grupo, segue a linha de raciocínio de Anibal: “Consideramos o grupo A como o ‘da morte’, afinal, Bengalas, SNG e Mulekes vêm forte para brigar pelas primeiras posições. Nós vamos jogar para nos classificar”, analisa, sem perder a chance de cutucar um velho parceiro. “Vai ser bom enfrentar o Bengalas com o Cauê jogando por lá. Aposto que ele vai ‘pipocar’ contra nós”.
Conforme as declarações, parece que os jogadores dos times que estão no Grupo A concordam com o equilíbrio. “Pela história de cada time que está na nossa chave, com certeza o grupo está mais difícil”, declara Gará, um dos responsáveis pelo Real Paulista. Ele conclui: “Lembro que no campeonato passado caímos em um grupo teoricamente mais fácil, e o outro grupo estava pegando fogo. Resultado, os times do outro grupo vieram mais preparados e dominaram a segunda fase”.
Quim, que coordena o recém-promovido Arouca Jrs. e que também esta no tão citado grupo, está alheio a essa pecha. “Acho que o Arouca Jrs. está bem focado, e em uma ‘pegada’ forte. O elenco não está se preocupando muito em pegar as equipes mais fortes, ou as mais fracas. Nos preocupamos em vencer os jogos”, ressalta. Juntam-se a estas equipes no grupo A o Estudiantes de La Vila, Bufalos, Fiorella Brasil e Mulekes, além, é claro, do sempre favorito, o mega-campeão Bengalas. “Realmente, é um grupo muito mais forte que o B. Temos equipes como Mulekes, que foi muito bem ano passado, Real Paulista sempre forte, o Arouca Jrs. deve surgir como zebra, e Estudiantes, que sempre está no bloco do meio e complica os jogos. Mas acredito em Bengalas e SNG para passar em primeiro e segundo respectivamente”, declara o MVP – e artilheiro – da última edição da Série Ouro, o craque bengalano Ritolê.
Porém, tal força declarada por parte de atletas do grupo A é rechaçada pelos jogadores do grupo B. “Não concordo (que o Grupo B é mais fraco). Atualmente, todos os times do Chuteira têm elenco de nível elevado, tanto é que o fato de permanecerem na Ouro prova isso”, acredita Gege, um dos diretores do Roleta Russa, time que estará no grupo. Vitão, xerife da zaga do Arouca, apóia o pensamento do colega de Roleta. “Eu não concordo com ‘grupo da morte’ para o A. O fato é que temos – e ninguém pode dizer o contrário – três dos quatro semifinalistas do X Chuteira de Ouro no Grupo B (Arouca, Só Resenha e Fora de Série). Acho um grupo muito difícil e bem equilibrado. O Chuteira já mostrou que, a cada campeonato, um time novo se destaca”, acredita o zagueiro.
Outro que não quer nem ouvir falar em ‘grupo B mais fraco’ é Vitinho. O líder do Só Resenha é taxativo: “Podem apontar fora das quadras. Porém, dentro das quatro linhas, creio que isso não existe. Dentre os vinte times da Ouro, em qualquer combinação, ambos os grupos seriam fortes. Não existe jogo nem time fácil. Sabemos das dificuldades que é jogar o Chuteira a cada rodada. Por isso é um campeonato que está crescendo a cada semestre em números e também em qualidade”. Louiz, do Acidus, fala como gente grande e enaltece o equilíbrio entre os grupos. "Não acho o Grupo B mais fraco. Citando como exemplo semestre passado, em que o Joga 13, badalado e um dos favoritos, caiu em um grupo mais ‘fácil’ do que o outro, teve um final um tanto quanto triste. Nós mesmos perdemos para o MED sendo favoritos, em um jogo que poderia ser fácil pela nossa campanha, porém, perdemos".
Rômulo, grande nome do Bacana põe panos frios na polêmica. "Na minha opinião, não tem essa de grupo mais forte ou grupo mais fraco. Semestre passado, temos exemplos de times que não estavam tão cotados assim para ir muito longe e foram até as finais. Equipe que quer ser campeã não tem que se importar muito com o grupo, pois mais pra frente irá enfrentar os times do outro grupo também", exalta ele. O Fúria, time que escapou do rebaixamento na última rodada, estará na chave B. E Sucão, manager do time, dá seu pitaco no tempero: "O Grupo A pode ser considerado ligeiramente mais forte, mas o Grupo B tem 3 times que foram semifinalistas do último torneio. Na Ouro não tem jogo fácil, tem 5 times de cada lado que poderão chegar tranquilamente".
O atual vice-campeão Fora de Série está na luta pela classificação no Grupo B. Faz companhia a ele o The Veras, time querido entre os envolvidos com o Chuteira, além dos caçulas de divisão Red Devils (atual campeão da Prata) e SPQSF. O homem-gol do SPQSF, o artilheiro Jaja, aponta: "Futebol é uma coisa fantástica justamente porque se torna difícil fazer previsões precisas. Todos falam que nosso grupo é o mais fraco, assim como muitas vezes vejo gente falando que um determinado time não ganhará de outro. Portanto, antes do Chuteira começar, todos podem dizer o que quiserem, mas acho que devemos esperar um pouco para ter esse conceito de grupo fraco".
Todavia, o ‘diabo vermelho’ do Devils, João Lucas, destoa do discurso de seus colegas de grupo. "Devo concordar que o Grupo A possui três equipes favoritas ao título (SNG, Bengalas e Mulekes). Não bastasse isso, o grupo é composto por times que são sempre ‘encardidos’ (Estudiantes, Fiorella e Med Taubaté). Já o Grupo B, algumas questões ficam no ar. Será que Fora de Série e Só Resenha repetirão a bela campanha do semestre passado? Roleta Russa, Fúria e Bacana repetirão o futebol mediano do Chuteira passado, quando brigaram para não cair? Red Devils e SPQSF são times competitivos à Série Ouro?", desafia.
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