18 estrelas. Assim pode ser classificado o goleiro do Roleta Russa Olímpico, Marcelo Casari. MVG absoluto da II edição do Chuteira de Prata, o experiente jogador é uma espécie de Matusalém entre o povo Roletinha.
Por sua liderança dentro de campo e sua história de vida (como o leitor pode conferir abaixo), Casari é um dos grandes personagens do Chuteira do último ano. Confira abaixo a excelente entrevista concedida pelo goleirão ao repórter Luiz Felipe Fernandes, na qual ele abre o jogo sobre seu passado, presente e futuro, dentro e fora dos gramados:

Ao lado de Baru, Casari é o homem forte do Roleta (nos dois sentidos)
Conte um pouco mais sobre você: nome, idade, profissão, que time torce etc.?
Marcelo Casari, 34 anos, prof. de Ed. Física, atuo na área de academias. Sou
personal trainer e instrutor de musculação, estudo Engenharia Civil. São-paulino, mas há muito deixei o fanatismo de lado, hoje gosto mais de zuar com os corintianos do que outra coisa. Quando criança, sempre andava com pessoal mais velho e mesmo tendo um pouco de habilidade, ficava muito difícil jogar entre os grandes. Então me mandavam para o gol. Acabei gostando e jogando em vários times, sempre salão. Por três anos seguidos fui o melhor goleiro da escola, numa época em que a bola tinha que pingar antes do meio da quadra e o goleiro não podia sair da área nem com os pés
(risos). Por cinco anos, fui o goleiro titular do time da escola e participei de três copas Dan-Ups. Um amigo me levou para fazer um teste no Banespa, onde acabei jogando por dois anos. De lá, fui para o Bordon (na época, a maior equipe de salão de Osasco), mas aí a condição financeira de minha família falou mais alto e tive que abandonar o que gostava para trabalhar e levar dinheiro para casa.
E sua história no Campeonato? Como chegou ao mundo do Chuteira? Ao Roleta, Roleta Olímpico? Passagem pelo Joga 13?
Tudo começou através da academia onde trabalho. Nesta mesma academia eu conheci o Rodrigo do Joga 13 (time que não existia até então) e jogávamos juntos no sítio de um amigo. Um dia ele me convidou para jogar um campeonato, que estava em sua segunda edição, por um time recém formado de um tal de Baru. Se não me engano era a primeira formação do Roleta, ainda com camisa preta e contendo Batata, Daniel, Folha, Baru, Piraju etc. Não fomos muito bem e ainda acabei arrumando briga com um cara do outro time que chamei de gordinho e ele ficou louco
(André, do extinto Pioneer United, outro nômade do Chuteira que abandonou os gramados). Pena que não me lembro quem era. Após este campeonato eu não recebi mais convites pra participar do Roleta. Pudera, né, o goleiro da época era o Matrix
(risos). O Rodrigo me chamou para fazer parte de um time que ele e seu irmão estavam montando (Joga 13) e aceitei com prazer, mas eu não podia comparecer em todos os jogos, pois trabalhava aos sábados. Foi aí que, inesperadamente – mas só para mim
(risos) – o goleiro Goku apareceu e no primeiro jogo fiquei decepcionado com a atitude do time, pois eu só fiquei sabendo que iria ficar no banco quando o time já estava em quadra, e eu era o único que não sabia da noticia. Fiquei tão chateado que achei melhor sair do elenco antes mesmo de entrar. No fim de 2008, o Baru me ligou chamando para jogar uma partida pelo Roleta Russa, pois seus goleiros Matrix e Luiz estavam machucados e Tavinho não poderia ir. Joguei e fui ficando até hoje. Na pré-temporada de 2009, eu dividia a posição no time principal ao lado de Tavinho, e Guaraná já estava no Olímpico. Aí surgiu a idéia de ficar como técnico do principal e jogar pelo Olímpico, pois o Principal estava precisando de um comandante e o pessoal gostou de mim nesta posição. E desde o início do ano venho jogando com os meninos.
Qual o momento mais emocionante que você viveu no Chuteira de Ouro? E o mais complicado?
Na verdade, os dois momentos foram pelo Chuteira de Prata. Um momento inesquecível foi ter participado da vitória do “Roletão” sobre o Locomotiva no I Chuteira de Prata (5 x 1) e a vitória sobre o É Verdadeee (4 x 2) jogando pelo Olímpico no último torneio. O mais complicado foi no primeiro semestre pelo Olímpico. O Luiz (Louiz, hoje no Acidus), além de ser um bom goleiro, é muito amigo do pessoal e eu joguei mais por insistência do Baru do que pela vontade dos meninos e isso me pressionou muito, pois eu já entrava em quadra pensando “não posso errar” e aí é que os erros aconteciam. Eu nem cometi tantos erros assim, mas era difícil engolir as conversinhas por “trás” me criticando e elogiando o Luiz, mais pela amizade do que pelo desempenho em quadra. Cheguei a me retirar e deixar só ele tomando conta do gol, mas por inúmeros motivos acabei voltando e quem acabou deixando o Roleta foi o Luiz.
E no último campeonato, qual sua avaliação no gol do Roleta Russa Olímpico? Achou justa a sua nomeação como MVG absoluto? Qual seu melhor jogo em sua opinião?
O “Roletinha” ainda é um time limitado e talvez por isso o volume de bolas à minha meta seja tão alto, facilitando as minhas boas atuações. Como disse anteriormente, sempre fui jogador de salão e ainda estou me adaptando ao campo. Já melhorei muito, mas ainda acho que posso dar um pouquinho mais. Quanto ao MVG, achei justo. Apesar de discordar de algumas pontuações, nas quais fui o primeiro MVG. Acho que um bom goleiro não pode só saber defender, mas tem que saber lançar bem a bola, posicionar bem a barreira e, sobretudo, orientar a equipe. Deixando a modéstia de lado, acho que fui o melhor da Prata nestes quesitos. Quanto ao melhor jogo existe uma contradição: o pessoal do Olímpico achou que foi contra o É Verdadeee, mas, na minha opinião, acho que joguei melhor contra o Ras Time, pois com a chuva o jogo estava muito difícil e, além de defender muitas bolas importantíssimas no finzinho da partida, ainda fiz um lançamento com os pés da minha área em que o Folha só desviou para dentro do gol. Também gostei muito da minha atuação contra o Real Paulista, naquele dia era pra termos levado uma lavada de dar dó.
E como treinador do Roletão, o que tem a dizer sobre a campanha da equipe?
Sofro muito!
(risos). Individualmente é, sem dúvidas, um dos melhores times do Chuteira. É difícil outras equipes terem jogadores como Brunão, Gegê, Salada, Edélcio, Fernando, Guaraná etc. Mas ainda é um time que falta um pouco de pegada. Pode ter certeza que, com a qualidade que temos, quando conseguirmos a raça do Joga 13, por exemplo, estaremos brigando pelas cabeças. Eu gosto muito de ser técnico do Principal, pois, além de amigos, encontrei lá respeito verdadeiro. Isso é raro nos times por aí.
Como é jogar no Olímpico, ou seja, ser o mais velho entre uma turma de jovens jogadores?
É muito bom! Sinto-me um “paizão” deles e ai de quem agredi-los!
(risos). Ao lado do Baru, sinto a responsabilidade de conduzi-los e de lhes mostrar os caminhos certos. São ótimos meninos, e digo de caráter, na sua maioria ainda com coração puro. Como disse a mãe do Baru a ele: ‘É uma questão de plumagem’
(risos).
Fale um pouco mais sobre a classificação suada no último jogo (É Verdadeee, vitória por 4 x 2). Foi um desses momentos emocionantes?
A maioria dos integrantes do Roleta Olímpico e Principal não gostam muito da minha posição perante os adversários. Na minha vida sempre fui muito honesto e realista e assim sou também nas quadras. Apesar de nunca jogar pensando em perder, sei reconhecer a superioridade do adversário quando há e mesmo não tendo falado nada a ninguém eu achava que iríamos perder. Cheguei até a sugerir um esquema tático diferente ao Baru, que aceitou prontamente. Quando vi os meninos, sem exceção, correndo com garra e determinação, o meu jogo particular já estava ganho ali, mas quando o árbitro apitou e vi o placar a nosso favor foi glorioso. Muito emocionante mesmo!
O Roleta tem fama de ser uma "grande família". Qual sua opinião sobre isso?
Concordo em todos os sentidos. Comecei a fazer parte de verdade do Roleta quando enfrentava uma fase muito difícil em minha vida. Eu estava saindo de um relacionamento de 8 anos onde eu depositava todas as minhas esperanças e metas para o futuro, cheguei até a tentar suicídio e por Deus nada aconteceu. Fui recebido de braços abertos e, o mais importante, de coração aberto por todos. A diferença entre o Roleta e os outros times é que mesmo que o time fique em último lugar de todas as competições que participar, a união entre nós continuará inabalada. Aqui uns se preocupam com os outros. Além do site temos um grupo de emails onde podemos nos comunicar com todos, expor idéias, criticar, elogiar, brincar, até vídeo pornô rola de montão
(risos). E isso tudo se dá por um único motivo. Uma vez ouvi o Baru dizer: “O critério principal para entrar aqui não é a habilidade, mas o caráter”. Pessoas que não se enquadram se excluem naturalmente. Já joguei em inúmeros times e nunca me senti tão bem como aqui. O Roleta não é um time de amigos, é um time de irmãos. Roleta não é um time, é realmente uma família.
Quais são seus planos para o futuro? Renovou com o Olímpico para temporada 2010?
É obvio que todos gostam de ganhar títulos e, pelo Olímpico, acho que isso ainda está um pouco longe de acontecer. Mas por aqui ganhamos algo muito além disso: ganhamos o prazer de estar juntos, ganhamos a amizade, a cumplicidade... Isso eu não troco por troféu algum. Respondi?
(risos)
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