Existem times de tamanho brio que podem flertar com o rebaixamento, mas nunca cair. Este parece ser o caso do The Veras, time que vem mal das pernas desde o ano passado e, de novo, chega na rodada final diante de uma decisão – não a do título, mas valendo vaga direta na divisão inferior. Se no semestre passado o time escapou de cair para a Prata ao vencer o Fora de Série, derrubando o time de Rica e Clebão, no atual a situação é a mesma, só muda o adversário – no caso, o velho conhecido Bacana.
A campanha é a pior que o The Veras, desde meados de 2008 no Chuteira, já fez. Após 8 partidas, foram 6 derrotas, um empate e uma vitória, o que deixa o time com 4 pontos e na lanterna, posição que praticamente passou os últimos dois meses. Isso coloca o Veras como time saco de pancada? Longe disso. “Perdemos 6 jogos no último minuto É desatenção, azar, mérito do adversário, sei lá”, aponta Pedro De Luna, capitão e manager da equipe.
Entretanto, quem pensa que o ambiente no Veras é dos piores se engana. Pelo contrário, para o jogo final do semestre, o time está mais do que confiante e crente na continuação na série máxima do Chuteira. A goleada de 5 x 1sobre o Bufalos fez renascer as esperanças verenses e, a partir das 17h30 deste sábado, Pedro promete um jogão de arrepiar, com altas pitadas de dramaticidade, como tem sido todo fim de campeonato do The Veras. E o final dessa história, é possível prever? Ainda não, mas o mesmo camisa 10 dá a deixa: “Na reta final, a sorte sempre sorri pra gente. Vamos rumo a mais um milagre”.
Confira abaixo entrevista com Pedro De Luna sobre o atual momento do time e o que esperar para a partida mais importante da história da agremiação até então.
Como explicar o Veras em tal situação, de novo?
É uma somatória de fatores. Tivemos mais desfalques e imprevistos com jogadores nesse campeonato do que em todos os sete anteriores que disputamos. Além disso, não há como negar que o nível da Ouro está cada vez mais alto. Como diria Galvão, o sábio, "não tem mais bobo no futebol, amigo". Mas vamos ser francos: como o próprio Caio Fleischmann (manager do CAV, em comentário neste site) falou, o The Veras jogou pau a pau com todo mundo. Perdemos 6 jogos no último minuto. Não há time que aguente...
Há 2 semestres vocês vêm lutando para não cair. Acha que o Veras está virando time de Série Prata?
Claro que não. Existem muitos times no Chuteira que sobrevivem da ordem, da regularidade, das vitórias, da frequência. Deles, você sempre sabe o que esperar, e são coisas boas. Do The Veras não. Nós vivemos do caos. Das dificuldades, do improvável, da superação. Esse é o DNA do nosso time, sempre foi. Mas nosso histórico prova que somos um time cascudo e surpreendente, quando chega na hora H. Estamos sempre brigando por alguma coisa. Ou, no caso dos dois últimos campeonatos, contra alguma coisa.
Como explica uma queda tão brusca de rendimento? De semifinalista a briga por rebaixamento.
Na Ouro, a coisa está cada vez mais acirrada. Detalhes mínimos definem o seu lugar. No campeonato passado, em 5 dos nossos 9 jogos, o goleiro adversário saiu como MVG da rodada. Sei lá se os deuses do futebol estavam zuando com o The Veras, mas foi isso que aconteceu. E no fim, heroicamente nos salvamos. Agora, como eu disse, perdemos 6 jogos no último minuto. Seis jogos! É desatenção, azar, mérito do adversário, sei lá. Mas na reta final, a sorte sempre sorri pra gente. Vamos rumo a mais um milagre.
O Veras teve a “final” contra o Fora de Série semestre passado e se safou. Com gol seu, aliás. Agora quando esquentou, o Veras tira forças para sobreviver. O Veras é time de "decisão"?
Sim. Pode-se dizer isso. Na hora que o sangue ferve, o The Veras cresce. Jogador gosta de jogo grande e difícil. Não somos profissionais – ainda bem – mas essas horas são o mais próximo disso que chegamos. E tudo isso sem ter que ficar concentrados. (risos)
O Veras tem mais sangue frio? Por que o time se safa sempre no fim? Qual o segredo?
Temos um elenco muito homogêneo. Alguns nomes, como Vitinho e João, são mais conhecidos, mas o nível entre todos é realmente parelho, e entre nós, temos um trato: "Se você não tá no seu dia, corre em dobro pelo cara que está no dia dele". Não tem segredo, a não ser um time de 12 caras que são realmente muito amigos. Meu maior orgulho é ver isso. Podemos até cair para a Prata, continuaremos ali juntos e jogando com o mesmo prazer de sempre.
Já que tocamos nesse assunto, como foi fazer aquele gol? Dormiu naquela noite?
Cara, aquele gol foi um momento mágico. Antes do jogo, eu falei pra mim mesmo: "Vou arriscar de tudo quanto é lugar". E realmente, antes do gol, eu tinha tentado uns 4 ou 5 chutes bons que não entraram. Aí abriu aquela brecha, eu vi o goleiro deles adiantado e arrisquei uma curva na bola. Foi sem dúvidas meu grande momento pelo The Veras, ajudando o time que eu amo a escapar do que seria seu pior capítulo. Obviamente que eu demorei pra dormir aquela noite. Meus pais, quando viram o vídeo, ficaram até emocionados (risos). Foi muito legal.
Vocês já derrubaram o Acidus, há um ano, e em seguida o Fora de Série. Dois times que caíram em confronto final com vocês. Chegou a vez dos amigos do Bacana?
Pois é, será que estamos ganhando a fama de carrascos? Curioso isso. Não temos nenhum prazer especial nisso, apesar das brincadeiras. Gosto muito do Marcelão (técnico e manager do Bacana), que é nosso amigo e ficou de me passar aquela dieta (risos), mas agora é vida ou morte. Sempre fomos fregueses do Bacana, isso me preocupa. Mas, por outro lado, como eu disse, o The Veras vive do caos. Nessas horas, a gente joga à vontade e se dá bem. Vamos ver. Vai ser um jogaço, aconteça o que acontecer.
Acredita que o Bacana vir da confusão diante do Jeremias que lhe tirou 4 pontos e alguns jogadores ajuda vcs nessa hora?
Claro, isso é incontestável. É um fato. Eu gostaria de não precisar me valer disso, mas o que eu posso fazer?
Psicologicamente não pode atrapalhar? Por exemplo, o Veras olha o Bacana sem três jogadores, meio capenga em campo, e acha que vai ser fácil...
Não. Nosso momento é de confiança, mas não existe como um time na nossa situação entrar de salto alto. Estávamos com a corda no pescoço e a vitória sobre o Bufalos só serviu pra afrouxar um pouquinho. O fato de ter sido uma goleada, coisa atípica na trajetória do The Veras, não pode encobrir que ainda estamos numa situação complicadíssima. O Bacana pode e deve vir com tudo, mas nós vamos com mais gás ainda. Não temos outra saída.
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