Na atual intertemporada, desistências e extinção de várias equipes deram uma segunda chance a Acidus, Ras, Basicus, Só Quem Sabe e Absolutos subirem de divisão. Isso mostra que uma boa campanha, mesmo não completamente vitoriosa, pode ser compensada
As ascensões de Só Quem Sabe e Basicus para a Série Prata neste início de temporada do Chuteira de Ouro não chegou a surpreender. Afinal, foram duas equipes que batalharam na edição V da Série Bronze, e só não alcançaram a vaga na divisão acima por caprichos que só o futebol oferece. Mas a principal lição a ser tirada do momento é: uma boa campanha, mesmo que os objetivos máximos não sejam alcançados, sempre pode reverberar em bons lucros em um futuro não tão distante.
Sempre que uma equipe encara o desafio de um campeonato, metas são traçadas desde os primórdios da competição disputada. Os interesses são diversos: ser campeão, se classificar entre os melhores ou mesmo permanecer na divisão vigente. A maioria dos times foca a taça, mesmo havendo consciência de o elenco não ser dos mais fortes. Tratando-se de equipes que montam elenco potente e que conseguem aliar isso à força mental, geralmente elas são recompensadas ao término de suas campanhas. Porém, com tantas boas agremiações disputando as divisões do Chuteira de Ouro, sempre haverá alguma força de fora da festa final. Daí a necessidade dos times de fazer o máximo quando estão dentro e fora de quadra – neste último caso, trabalhando nos bastidores para manter o equilíbrio da equipe.
Tomando como exemplo o semestre passado, na Série Ouro, o Fiorella mostrou grande futebol, mas caiu nas semifinais ante o CAV. Na Série Prata, Ras e Acidus bateram na trave e, por pouco, não se tornaram dourados no fim de 2012. Na Série Bronze, SQS e Basicus pararam nas quartas de final e, por pouco, não subiram. Só que, quando se trata de um campeonato amador, desistências podem ocorrer. Seja por falta de dinheiro, de planejamento ou até por falta de interesse por parte de jogadores em assumir um compromisso tão complicado que é o de servir ao seu time. A deserção faz parte do universo futebolístico amador, mas, quem resiste, deve sempre ficar atento.
A notícia da extinção do Real Paulista e a saída do Joga 13 fez abrir duas vagas na Série Prata. Com dois passaportes excedentes à Prata e as quatro equipes semifinalistas do torneio passado já classificadas à série, a solução natural foi promover as duas equipes. Boas campanhas, a bola batendo na trave, mas no rebote elas anotaram o gol e estão na Prata, sonho antigo de ambas as agremiações.
Nessa história, quem acabou se dando mal foi o agora extinto DPGamos. Aqui, Dani Fischer e cia. perderam excelente oportunidade de estarem na divisão que tanto desejavam. Folclórico, o DPGamos tinha um fascínio em retornar à Série Prata. Para isso, montou uma equipe competitiva no segundo semestre de 2012 e liderou sua chave até a última rodada. Mas o fatídico jogo ante o Os Mostarda, no dia 10 de novembro daquele ano, destruiu os sonhos dos irmãos Dani e Denão Fischer. Descontrolados por terem encontrado dificuldades diante de um time já rebaixado, o elenco inteiro depositou sua raiva nos árbitros e tiveram, além de jogadores suspensos por mau comportamento, perda de pontos por conta de invasão de quadra de terceiros – algo inadmissível dentro do Chuteira de Ouro.
A classificação real do DP seria a segunda colocação, o que daria a chance do time de encarar o TNT – rival, teoricamente, mais fraco – numa oitavas de final. Mas, com a perda de pontos, caiu para a quarta posição e teve de enfrentar o perigoso e experiente Bacaninha. Remendado, sucumbiu nas oitavas de final por 2 x 1. A eliminação foi dolorida, mas poderia ter sido menos complexa pois, agora, o Bacaninha tomou o lugar do DP e disputou contra o Absolutos uma terceira vaga na Série Prata (saída do Rabeloska da Ouro na reta final). Ou menos complexa a eliminação porque, sem perder a cabeça e vencendo o TNT, estariam na Prata automaticamente. A atitude impensada naquele fatídico 10 de novembro de 2012 minou as pretensões do DP. Mais ainda: arruinou o próprio time.
Quem também fez boa campanha, não levou antes, mas faturou agora, foram Ras Time e Acidus. Também voltados à divisão acima da que se encontravam, ambos os times morreram nas quartas de final. Desesperaram-se? Não. A chateação de ontem virou alegria hoje. Com a desistência do Rabeloska, duas vagas se abriram na Série Ouro, e Ras e Acidus foram contemplados. Aqui houve a prova de que, no futebol, ganhar ou perder faz parte do espetáculo. Se souber perder hoje, amanhã a vitória virá, e será muito mais prazerosa. Se os jogadores do DP, bem como sua torcida, tivessem em seu pensamento que amanhã é sempre outro dia, o sonho planejado teria dado certo.
Fazer uma boa campanha é também manter a cabeça fria e reclamar o menos possível com os árbitros. Encarar o TNT, no caso do DP, não seria tarefa fácil, tratando-se de um mata-mata. Mas, com a força demonstrada durante o certame, o extinto time dificilmente perderia a vaga à equipe de Chicão e figuraria entre os oito melhores times da Bronze. Poderia até perder do Basicus (equipe que fatalmente seria adversária do DP em um hipotético jogo de quartas de final), porém, as desistências neste início de temporada colocariam a ex-equipe de Zeca na Prata. Não estará lá porque jogaram na latrina um projeto todo montado para ser prateado.
Equipes que não alcançaram o título ou o vice-campeonato normalmente são taxados de fracassados – pelo menos na temporada jogada. Mas não é bem por aí. O torcedor do São Paulo comemorou seu terceiro título da Copa Libertadores da América (2005) graças a um terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 2004. Mesmo não alcançando o caneco e nem o segundo lugar, o Tricolor fez boa campanha que o catapultou à competição continental. Igual ao que fizeram Basicus, SQS e agora Absolutos (que venceu o Bacaninha no confronto valendo a terceira vaga), novos membros da Prata graças à boa jornada no torneio passado. Ou igual a Ras Time e Acidus, recém-promovidos à Ouro. Fazer uma boa campanha e não levar é dolorido, mas a paciência e perseverança devem ser levadas em consideração. Não se trata de valorizar a derrota, mas, sim, perceber que até no lixão nasce flor – como cantaram os Racionais Mc s.
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