O antigo Real Vuvuzelas cede lugar ao Absolutos, respaldado pelo misticismo que, às vezes, ganha jogo. Pelo menos é o que afirma aqueles que creem neste mundo fora do plano material
Por Douglas Almasi Santos
Numerologia, tarô, búzios, reiki. Estes, entre outros, são elementos do universo místico – que o brasileiro gosta de evocar quando deseja pedir algo para si. Todavia, são elementos, também, alheios ao mundo futebolístico – longe da esfera dos jogadores que compõem o Chuteira de Ouro. Certo? Enganou-se quem concordou com a frase, pois uma equipe – dentre as 64 que abrilhantam as 3 divisões – pegou carona no misticismo para espantar a má fase e as inúmeras contusões: quando a bola rolar na Série Bronze, dia 25 deste mês, não teremos mais as cornetas do Real Vuvuzelas soando, e, sim, o Absolutos, novo nome da equipe de Rafa Alencar e cia.

“O maior motivo que nos levou à mudança de nome foi tirar a ‘zica’ de derrotas e das contusões em massa, que desfalcavam nosso time. Tínhamos uma boa equipe, mas, às vezes, algo do ‘além’ impedia a vitória”, afirma o arqueiro do Absolutos, Demétrius. De fato, as contusões perseguem o time desde sua criação, logo após a Copa do Mundo de 2010. Para se ter ideia, 3 jogadores do plantel passaram por séria cirurgia – média de um atleta lesionado gravemente por semestre. Junto a isto, unem-se outras contusões, como a de dois jogadores logo na segunda rodada do III Chuteira de Bronze. “O time parecia de vidro
(risos). Mas vou falar que tinha alguma ‘zica’, sim! Eu nunca tinha me machucado em um lance bobo. E eu sofri uma lesão rara no menisco, que só com cirurgia arruma. O mesmo aconteceu com outros jogadores”, conta, incrédulo, Rafa Alencar, criador do Vuvuzelas.
O agora Absolutos ingressou no mundo Chuteira logo na primeira edição da Bronze, mas realizou campanha tímida, sem muitas pretensões. Para as duas edições de 2011, Rafa Alencar foi atrás de reforços, a fim de realizar campanha digna de acesso às divisões acima. Contudo, as inúmeras contusões acabaram limando as possibilidades de tentar concretizar o planejamento. E, para 2012, a solução foi recorrer à numerologia. “Tudo é válido na hora do pensamento positivo e das vitórias”, acredita Demétrius, que explica a mudança não só do nome do time. “Minha mãe, que trabalha com a parte esotérica, aconselhou-nos a utilizar esse nome dentre outros sugeridos. Isso conta também à mudança das cores: ao invés de verde-limão e preto, usaremos branco, azul e amarelo. Vamos ver agora o que acontece. Esperamos que absolutamente tudo certo”, finaliza o guarda-metas.
O novo nome da equipe não foi muito difícil de ser definido: como a maioria dos jogadores do time gosta de sair em plena sexta-feira à noite, acabou-se extraindo a nova alcunha da bebida preferida dos jogadores, a vodca. Demétrius explica o processo de escolha: “Estávamos em busca de um novo nome. Nos últimos jogos da temporada passada passamos a gritar ‘água no chopp’ como grito, e deu um resultado melhor que ‘vuvuzelas’. Então, este foi o seguimento”, esclarece entre risos o goleiro, que vai adiante: “Como bons ‘baladeiros’, pelo menos alguns do time, encontramos algo que remetesse à união de todos e à alegria. Então, nada melhor que a própria Vodka Absolut. Daí, ‘aportuguesamos’ para Absolutos Futebol Clube”.
Detectadas as questões que impediam o time de crescer e brigar por classificações, a ordem é partir para dias melhores. “Tenho certeza que estaremos na luta para subir à Série Prata. Se for com título, então, melhor ainda”, atesta Rafa Alencar. “Estamos começando tarde nossa preparação, mas o elenco formado é pra disputar a primeira posição do grupo que viermos a cair. Agora, só falta o entrosamento”, desafia Rafa Alencar. O elenco é praticamente o mesmo daquele que iniciou o III Chuteira de Bronze, acrescentado de quatro reforços de bom nível. E, ainda, terá os retornos dos contundidos – inclusive do próprio Rafa Alencar, que está em processo final de recuperação.
Entretanto, a ‘principal’ contratação do Absolutos para esta temporada foi a de uma quadra mensal. “Acho que time recém-formado, se não treinar, não consegue fazer boa campanha”, crê Rafa. Com um novo nome, novas cores no uniforme e um elenco mais reforçado e entrosado, o agora Absolutos quer reencontrar um adversário em especial: “Fizemos jogos emocionantes, como a virada em cima do Irado´s
(5 x 4, válido pela segunda rodada do III Chuteira de Bronze), mas a derrota mais dolorida foi para o Mercenários
(4 x 7, válido pela terceira rodada), pois estávamos invictos até então e o time parou de jogar de repente. Acabamos dominados em campo, após estarmos vencendo. Esse jogo merece uma revanche. Após esta partida, o time começou a cair e ‘virou outro time’, explica Rafa Alencar.
Com o sorteio amanhã, o agora Absolutos vai saber se a revanche poderá ocorrer já na fase de classificação e, quem sabe, testar o poder da numerologia.
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