Estreando com 20 times, a nova divisão do Chuteira traz novas caras e velhos conhecidos, todos correndo atrás da Bronze
O sonho de quem disputava o Festival As Quatro Estações era chegar na Bronze. A partir deste semestre, tal objetivo pertence às 20 equipes que disputarão a 1ª edição da nova divisão do Chuteira, a Série Aço, que terá início neste sábado, juntamente com as demais 3 divisões.
Logo de cara, a Aço estreia com um grande recorde: o de número de equipes que inauguram uma divisão. Em 2006, quando o Chuteira de Ouro iniciou suas atividades, eram apenas 5 participantes. Na primeira edição da Prata, em 2009, foram 12 times. Quando a Bronze foi aberta em 2010, 10 equipes jogaram. Agora, na nova divisão caçula do Chuteira, como já dito anteriormente, serão 20.
Entre eles, apenas 3 veteranos. Os Mostarda, que caiu na última edição da Bronze, será a única equipe que disputou o Chuteira em 2012, já que o Toque Me Voy conseguiu voltar à Bronze devido a um problema com o DPGamos/Exilados (vide abaixo). Apesar desta estatística, outros dois conhecidos retornam. Um deles é o tricampeão Bengalas, que promete uma postura diferente da que resultou na exclusão do time em 2011. O outro veterano é o Voando Baixo, que, após dois anos de ausência, conseguiu reunir forças para voltar a campo.
Portanto, a maioria das equipes é novata, apesar de a quase totalidade delas já ter disputado as últimas edições do Festival das Estações. Serão 17 times “estreando” no Chuteira, mas algumas delas carregam no nome algo de familiar. Adentrando a moda de segundo time lançada pelo Roleta Russa em 2007, Fúria Futebol Moleque e Di Primeira Expresso formam uma espécie de segundo time de Fúria e Di Primeira, que jogam atualmente a Série Ouro. As duas “filiais” chegam para dar espaço aos jogadores que não tiveram tantas oportunidades na equipe tida como principal e também para resgatar antigos companheiros, como bem explica o manager do Di Primeira, Simon. “Tínhamos um elenco relativamente grande e conforme comentávamos com amigos sobre o time, foi surgindo interesse de alguns outros vários colegas”, lembra ele. Além dos amigos, “o Expressinho terá 2 jogadores do elenco do Di Primeira do ano passado, além de outros 5 que já jogaram em anos anteriores”, adianta Simon.
Buscando também retornar às origens, o Real Paulista Classic viria para ser o segundo time do campeão do XI Chuteira de Ouro. Pois bem, ‘viria’. Com o fim do Real Paulista principal, Gará, presidente e um dos fundadores da nova equipe, ficou sem ‘irmão’, mas não sem jogar. Uma conversa com os amigos do time original já havia formado a nova/antiga equipe, que, segundo ele, tem uma mentalidade um pouco diferente do Real que acabou. “Vamos levar o campeonato um pouco mais de boa, afinal o ‘real’ intuito do time volta a ser de estarmos juntos entre amigos nos finais de semana, para nos divertirmos”, afirma Gará, que ressalta que já não tinha mais relação com o Real Paulista antigo. Por fim, ele completa: “Já esquentamos muito a cabeça durante a semana e não queremos mais problemas nos finais de semana”.
Outro estreante também tem relação com outra equipe. É o caso do Futsamba, que, no coração de Quim, um dos managers, é o terceiro time do Arouca. Contudo, ele brinca: “Só no meu coração”, já que a história da união do futebol e samba vem dos tempos de escola e não tem, segundo ele, muita relação com o campeão do XIII Chuteira de Ouro. “Claro que muitos ali são amigos, mas quando é dentro de quadra tem até rivalidade. O Futsamba ganhou há pouco tempo um amistoso do Arouca que está engasgado até hoje no Vitão (capitão do Arouca)”, cutuca o manager que vai permanecer como jogador do Arouca Jrs. Apesar de não jogar ao lado dos amigos Thesko, André, Gabriel e Neve, Quim adianta: “Sei que o time que está ali dentro vai dar muito trabalho”.
Enquanto muitas equipes buscaram retomar o passado, o Exilados quer esquecer o que acontecia no antigo DPGamos. O time surgiu após a tumultuada última rodada da primeira fase do semestre passado, quando o DP perdeu 4 pontos na tabela e deixou de lutar pela Prata com a confusão promovida pelo manager Daniel Fischer e alguns jogadores. O descontentamento com a desorganização resultou numa rompimento. “Reuni-me com algumas lideranças que também se opunham a quem comandava o time e decidimos nos exilar do DP”, conta Zeca, capitão e administrador da nova equipe. Segundo ele, o problema era antigo. “Não foi a primeira vez que tínhamos tudo pra subir e deixamos escapar por falta de compromisso e respeito de alguns jogadores”, completa.
O Exilados iria estrear na Bronze, já que os “rebelados” haviam combinado que assumiriam o comando do time dos irmãos Fischer, juntamente com a dívida que o DP havia deixado. Mas uma última reviravolta provocada por Daniel fez com que o time vermelho e preto fosse fechado, já que o antigo dono não quis permitir a mudança de comando a um “exilado”. Com isso, o Exilados foi o primeiro “rebaixado” de divisão, já que, na prática, o time teve que se inscrever para participar da divisão inferior, o que chateou Zeca. “Fiquei chateado. O Daniel só tinha a ganhar com isso, pois eu iria arcar com todas as dívidas pendentes do DP. Mas sem problemas, ele tinha esse direito e minha obrigação é obedecer às decisões da Organização”, lamenta o manager.
Entretanto, isso não desacreditou Zeca, que tem no time a maior parte do extinto DP. “Temos um excelente elenco, mas sou realista: a tarefa não será nada fácil. Tem bons time na Aço. O principal, para ter sucesso, é uma boa estrutura, bons jogadores, focar na mentalidade do grupo e cobrar muito empenho e organização. Essa é a minha proposta”, afirma o novo manager.
Sem tantas confusões como o ‘caso DP-Exilados’, o Morada Choque estreia na Aço também assistindo a uma saída de equipe: a do tradicional Joga 13. O maior artilheiro da história do Chuteira e agora ex-Joga 13 em razão da saída da equipe por dívida, Lele, é quem capitaneia o Morada, que jogou alguns taças no decorrer de 2012. No elenco, ninguém da ex-equipe, mas sim alguns amigos com quem ele jogava futsal. Entretanto, foi por causa dos jogos do finado Joga 13 que a equipe decidiu entrar no torneio. “Eu jogava pelo 13 em paralelo e alguns dos moleques do Morada vinham me ver jogar. Eles acabaram gostando do campeonato e decidiram entrar no Chuteira”, conta Lele. E o artilheiro promete não perdoar na nova série: “Não importa a divisão, né!? Temos que tentar fazer o máximo de gols possíveis”, conta o rival histórico de Renê na artilharia dos campeonatos.
Outras equipes também possuem suas histórias, mas muitas delas nascem a partir de jogadores que já estavam vinculados a alguma equipe do Chuteira. Entre elas, Abusados, onde o manager é oriundo do Zenite, Rodrigo Santana; Família EDL, cujo fundador advém do Mercenários, Renato, e tem como técnico o atacante Orley (Arouca); Futeloucos, comandado por Bruno, do Cachorro Velho; Kansado, fundados por Caio Labate, que até o ano passado era jogador do Absolutos; e Lodetti, uma das novas forças do Chuteira e que tem no elenco Toretta e Lodetti (ex-Jeremias e Mercenários) e Camillinho (ex-Jeremias).
Serão 20 equipes a (re)iniciar uma trajetória no Chuteira, numa nova divisão, almejando quem sabe um dia chegar à divisão de elite do Chuteira. A Aço vai começar.
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