FINAL VII TORNEIO CHUTEIRA DE OURO:
20 de junho de 2009
PlayBall Pompéia, quadra 5
Bengalas 2 x 2 Bacana Prorrogação (Gol de Ouro): BENGALAS 1 x 0 BACANA
RITOLÊ, O “MENINO DE OURO”, DÁ TÍTULO INÉDITO AO BENGALAS
TEXTO Renan Lamarck
FOTOS L. F. Fernandes e Guilherme Meireles
Antes de a bola rolar foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem ao falecimento da mãe do jogador Luisinho, do Bacana, no último domingo antes da final. Aliás, a dor estava estampada no rosto dos jogadores e amigos do time vinho da Zona Norte. Por mais clichê que possa soar, a verdade é que só por estarem em campo eles já eram verdadeiros campeões. Luisinho, o maior deles.
Herói Luisinho durante minuto de silêncio: time jogou e lutou em homenagem mãe do jogador
Como diria um famoso cronista esportivo, decisão de campeonato é coisa séria, mais séria ainda quando a disputa pelo troféu envolve dois times que parecem chegar definitivamente ao status de grande dentro do mundo do Chuteira de Ouro. Para começar a partida, do lado esquerdo do campo estava o Bengalas, detentor de melhor campanha que seu adversário, contando também com um dos melhores e mais arrojados goleiros da competição, Baki, e ainda o indiscutível craque do campeonato, Ricardo Toledo, o R9, o Ritolê. Do outro lado da quadra estava o Bacana, uma equipe que sem dúvida surpreendeu muita gente quando despachou o Fiorella Brasil. Contando principalmente com o guerreiro chamado Luisinho, e também seu companheiro de destaque no ataque Rômulo, bem que a equipe tentou vencer – lutou muito, chegou a estar por duas vezes em vantagem no placar durante o tempo regulamentar – mas caiu na prorrogação. E, parecia peça do destino, o VII Chuteira de Ouro não poderia ser decidido de outra forma: gol do artilheiro Ritolê, no gol de ouro, num detalhe e uma fatalidade.
Bengalas: time teve apenas duas derrotas em toda a competição
Após alguns minutos com as duas equipes se estudando e apenas tentando lançamentos da defesa, foi o Bengalas quem chegou primeiro para quase marcar. A equipe conseguiu um lateral pelo lado direito da quadra, Fernando Forte cobrou para Luiz Fernando na intermediária, que dominou no peito e girou batendo, mas o perigoso tiro que ia para o gol explodiu em Ritolê no meio do caminho. Contudo, a redonda sobrou limpa para o artilheiro do Chuteira dentro da área. Era só o R9 empurrar para as redes e abrir o placar da decisão, mas na hora de concluir Ritolê pegou muito mal na bola e chutou para muito alto a excelente oportunidade.
Do outro lado da quadra, pela agremiação do Bacana, quem ia chamando a atenção e roubando os holofotes de Ritolê era o dono da camisa 6, Rômulo. Aliás, valendo-se da máxima do futebol de quem não faz toma, após bola cruzada da esquerda, ele apareceu atrás do zagueiro Zequinha para, com um tapa rasteiro, desviar a bola no segundo pau e colocar o Bacana em vantagem na grande decisão com 7 minutos jogados.
Bacana: time lutou e teve chances de vencer, mas preciosismo nas conclusões e o goleiro Baki impediram a vitória
Acompanhando a partida ao lado da equipe de reportagem do Chuteira News estava a mãe de Ritolê, a senhora Rita. Torcendo muito por seu filho e, obviamente, por todo o Bengalas, a mamãe Ritolê não poupava a arbitragem e soltava diversas pérolas durante a partida. Em um lance em que seu filho tentava proteger a bola e dividia o espaço com o zagueiro Jorge do Bacana, a mamãe não teve dúvidas e soltou: “OH, JUIZ! O QUATRO ESTÁ ENCOXANDO O MEU FILHO!”, arrancando muitas risadas de quem estava presente na arquibancada da quadra 5. Logo depois, para delírio de sua mãe, Ritolê fez linda jogada pela ponta esquerda, deixou o marcador para trás no chão e foi linha de fundo. Antes que a bola saísse pelo fundo da quadra, cruzou para Fernando Forte, que entrava livre de marcação pelo outro lado da área. Quase sem trabalho Forte tocou a bola para o fundo do gol para deixar o jogo empatado em 1 x 1. O Bengalas voltava briga e sua torcida, em maior número que a do adversário, fazia a festa.
Na empolgação por ter chegado igualdade, o Bengalas continuou em cima do rival. Ritolê, que sofria com a marcação cerrada de Jorge e Napolitano, fintou dois adversários pelo meio e arriscou o chute de fora da área. A bola que buscava o ângulo foi providencialmente defendida por Kiko, que voou alto para fazer uma bela defesa e jogar para escanteio.
Após alguns minutos de calmaria, o final da primeira etapa guardou alguma emoção para o bom público que acompanhava a decisão do Chuteira de Ouro. Quem fazia uma excelente partida na marcação era Fábio Leite. O defensor do Bengalas não se cansava de distribuir carrinhos nos meias e atacantes do Bacana, mas sempre limpo, sempre na bola! Contudo, a cada vez que o defensor do Bengalas voava na bola, ouvia-se muitas reclamações por parte da torcida do Bacana em razão do polêmico carrinho. Já na torcida do Bengalas, como de costume, sempre sobrava uma pressãozinha para cima do árbitro em qualquer dividida durante o jogo, principalmente as que envolviam Jorge, o Puyol do Chuteira. O forte zagueirão não tinha vergonha de usar o corpo (e algumas vezes as mãos) para tirar os atacantes adversários da jogada. Ritolê sofreu praticamente o jogo inteiro com ele.
Ritolê sofreu com a marcação cerrada e dura do zagueirão Jorge “Puyol” Pereira: gols saíram em lances de fatalidade e sorte, coisa que todo craque deve ter também
Pouco antes do apito final quase que o Bacana anotou o segundo gol, porém Baki apareceu outra vez para fazer ótima defesa. Vitinho e Leandro tabelaram pela direita, deixaram a marcação de Zequinha para trás, e o primeiro entrou na área mas parou no arrojado Baki, que garantiu a igualdade para o segundo tempo.
Caía a noite em São Paulo, os refletores da PlayBall eram acesos e assim se iniciava a segunda etapa da final. Tudo era importante, uma pequena vacilada, um chute de longe, uma defesa difícil, tudo mesmo poderia definir o inédito campeão do Chuteira de Ouro. Logo no início da etapa complementar o Bengalas teve boa chance para virar o confronto. Após cruzamento na área, Ritolê subiu de cabeça dividindo com os defensores. A bola sobrou com Luiz Fernando, que matou no peito e mandou um lindo chute em direção ao ângulo do Bacana. No entanto, sai goleiro entra goleiro no Bacana, Bruno Guido, mesmo encoberto, voou na bola e fez a primeira de muitas defesas difíceis que faria na partida.
Nos minutos que se seguiram quem teve leve controle sobre a partida foi o Bacana. O time vinho passou a tocar mais a bola e tentava a hora certa para chegar ao gol adversário. Rato arriscou de longe com força, mas Baki pulou no seu canto direito e fez boa intervenção. Pouco depois, Demehur, desaparecido até então, dominou na entrada da área e, mesmo cercado por defensores rivais, chutou rasteiro. E de novo Baki apareceu, agora para fazer a defesa com os pés, a sua especialidade, e mandar a bola para longe.
A partida caminhava nesse passo, equilibrada, porém com um pequeno domínio do Bacana, já que a estrela Ritolê cismava em não brilhar e devido troca constante de jogadores no Bengalas. Inclusive Ritolê ficou bom tempo no banco de reservas. A verdade era que se esperava algo a mais do Bengalas. Quando Simões saía para o jogo no campo de defesa, Yanes fez dura falta por trás no adversário e recebeu o cartão amarelo. Eis que o Bengalas respirou e se lançou ao ataque. Todavia encontrou uma ótima postura defensiva do rival, tendo criado apenas uma chance para marcar. Com um homem a mais o time amarelo-negro tocou a bola, até a pelota chegar na ponta esquerda com Luiz Fernando, que dominou e mais uma vez olhou para o gol adversário com aquela cara de “vou meter uma bicuda”! Não deu outra, ele armou o chute e soltou uma pancada em direção ao gol. E de novo Guido pulou e espalmou a redonda pela linha de fundo.
Já com sete contra sete, enquanto Ritolê continuava sumido e anulado pela marcação de Jorge e Napolitano, foi a vez e a hora de Rômulo brilhar. O atacante recebeu no ataque, pedalou para cima de Fábio Leite, deixando o zagueiro desconcertado no lance, entrou como quis na área do Bengalas, ficou de frente para o goleiro Baki, tocou tranqüilo no canto esquerdo e correu para festejar com seus companheiros (no primeiro gol, ele saiu correndo o campo todo para dedicar a Renê o gol prometido antes da partida). O Bacana fazia 2 x 1, deixando o PlayBall mais roxo naquele momento. Alguns apressados já gritavam da arquibancada “É campeão”.
O gol só fez bem ao Bacana, que viu Rômulo infernizar a vida de Fábio Leite outra vez, desta vez o habilidoso camisa 6 parou a bola na ponta esquerda, esperou o bote do defensor e aplicou um belo rolinho para cima dele, mas Baki garantiu o companheiro.
O desespero abatia o time do Bengalas, que teve Thiaguinho dando uma rasteira em Canzian quando o jogo estava parado. Para sua sorte, a arbitragem deixou-o impune e o jogo seguiu. Contudo, após ficar alguns minutinhos no banco, quem sabe para respirar um pouco e retornar como novo para o embate, Ritolê voltou quadra exatamente no lugar de seu primo e por vezes parceiro de ataque Bizu. O encontro dos dois na lateral do campo no momento da substituição talvez tenha sido o responsável pela virada do Bengalas. Ritolê chamava o nome de Bizu do lado de fora enquanto aguardava ansioso para voltar a campo. A essa altura o tempo voava e a cada novo segundo que o relógio marcava o troféu ficava mais longe do Bengalas. Ele deve ter gelado quando Rômulo saiu em disparada no contra-ataque, em mais um buraco deixado pela defesa amarela, e, talvez por preciosismo, chutou de longe rente ao ângulo ao invés de seguir livre até a área de Baki.
Enfim Bizu chegou lateral da quadra para ser substituído. Os dois jogadores se cumprimentaram rápido e Ritolê já ia entrando na correria para o jogo. No entanto, nesse exato momento, um braço grudou no outro. Era Bizu quem segurava seu primo e companheiro, não deixando ele entrar em quadra. Ele virou e gritou para Ritolê: “JOGA BOLA, CARALHO!”. Ainda sendo seguro pelo braço,o sereno camisa 9 apenas respondeu educadamente: “Então me solta”. O recado estava dado pelo capitão do Bengalas e, como será visto na seqüência, parece que o R9 entendeu muito bem.
Ritolê reclamou muito com a arbitragem, mas quando resolveu jogar decidiu o título
Mesmo com um jogador a menos, após enfim Thiaguinho tomar o cartão que tanto quis durante todo o segundo tempo, que estava visivelmente nervoso por ver o Bengalas quase sem ação perdendo o caneco, tomar cartão amarelo e prejudicar demais a sua equipe no final de partida. Mas nem a bobagem do colega com o amarelo impediu que enfim a estrela de Ritolê brilhasse pela última vez no Chuteira de Ouro. O R9 do Chuteira empatou o jogo praticamente no último lance da partida. No meio de toda defesa do Bacana havia um homem de amarelo e preto, mesmo meio desajeitado, quase deitado no chão, o veloz atacante apareceu dentro da área e mandou a bola para as redes. Pronto, o Bengalas empatava a partida em 2 x 2, Ritolê jogava um balde de água fria nos adversários e na torcida do Bacana e salvava o time da derrota e dava equipe a chance do título na prorrogação com gol de ouro.
Agora a partida seria decidida em gol de ouro, ou seja, quem marcasse o primeiro gol em 10 minutos a serem disputados sagrar-se-ia o grande campeão do Chuteira de Ouro. A sorte estava lançada e a tensão estava no ar. Mais do que nunca qualquer erro poderia definir o campeão. Todos os jogadores demonstravam em seus corpos o cansaço, e em seus olhos o medo de errar. Contudo, pela direita do campo Fábio Leite meteu um bolão para Simões do outro lado do campo. Era a grande chance do Bengalas ficar com o título, afinal a defesa adversária marcava errado, mas mesmo cara a cara com o goleiro, Simões chutou fora a chance de entrar para a história da final.
Pouco depois foi a vez do Bacana assustar. Por duas vezes o time roxo chegou com muito perigo, e por alguns centímetros, ou pela força do vento, a equipe não ficou com o troféu. Depois de boa troca de passes no ataque, Demehur dominou na intermediária e de frente para o gol resolveu arriscar. O chute foi forte e cheio de veneno, tanto que deixou Baki sem reação, mas quis o destino que a bola triscasse no travessão antes de sair. Logo depois, em outra chegada ao ataque por parte do Bacana, o habilidoso Rômulo apareceu na ponta direita e também tentou se consagrar. Um tiro quase fulminante para os Bengalas, mas a bola outra vez tocou no travessão e saiu.
Rômulo jogou muito na final e podia ter decidido o título caso acertasse uma das várias chances que teve: nesta acima, bola que ia no ângulo é defendido por Baki e ainda bateria na trave
A verdade era que se o título ficasse com o Bacana, sem nenhuma dúvida, estaria em boas mãos. No entanto, o VII Chuteira de Ouro não poderia terminar de outra maneira, se não com um gol de seu artilheiro e MVP: Ritolê. E numa fatalidade que costuma cobrar caro de quem erra. O Bacana tentava sair jogando, mas a equipe roxa se confundiu na defesa e tocou a bola errado. Sempre oportunista e ligado no jogo, o R9 do Bengalas foi mais esperto e fez a pressão em Canzian, que chutou errado, em cima do matador. A bola bateu no pé de Ritolê e foi de mancinho para o fundo do gol. Um gol bastante inusitado que fez com que explodisse em festa a família Toledo e os amigos do Bengalas na arquibancada!
Já campeão, capitão Bizu “rouba” a taça das mãos de R. Barath observado pelos demais jogadores e torcedores, como o torcedor símbolo bengalano na reta final Wellington (com a camisa 10, de costas)
O título não poderia ser decidido de outro jeito, tinha de ser ele, Ritolê, o menino de ouro do Bengalas e da D. Rita,o autor do gol de ouro que colocaria um fim em mais um Chuteira de Ouro. Após a festa e provocações desnecessárias de jogadores do Bengalas, que preferiram provocar e discutir do que comemorar, aos adversários, enfim Bizu recebeu a taça de R. Barath e a levantou com gosto. Afinal, ele é mais um dos poucos que têm a sorte de levantá-la e se tornar um campeão do Chuteira de Ouro!
FINAL I TORNEIO CHUTEIRA DE PRATA:
20 de junho de 2009
PlayBall Pompéia, quadra 5
PRIMATAS 5 x 3 TREINADORES DO BRAZ
PRIMATAS DECIDE NO FIM E LEVA PRIMEIRO TÍTULO DA SÉRIE PRATA
Vitinho levanta a taça: Primatas campeão com MVP, MVG e um dos artilheiros
TEXTO Guilherme Meireles
FOTOS Guilherme Meireles e L. F. Fernandes
Após mais de três meses de competição entre doze equipes inscritas, o Chuteira de Prata finalmente saberia quem seria o grande campeão na tarde do sábado dia 20 de junho. Em campo, Treinadores do Braz e Primatas, terceiro e quarto colocados respectivamente na primeira fase. Favorito na partida? Bom, para começar, poucos acreditavam em uma final sem Arouca e/ou Roleta Russa. Portanto, para a emoção das torcidas que lotaram a arquibancada da quadra 5, a primeira edição do Chuteira de Prata chegou a seu último jogo sem dar a mínima idéia de quem seria a melhor equipe.
Primatas: sem Rafinha, suspenso (no meio, de shorts jeans), superação e tática foram a receita para ser campeão
A torcida do Primatas estava em maior número, mas a do Treinadores também marcou presença. Os dois torcedores mais fanáticos do lado azul e branco eram o sobrinho do zagueiro André Meraio e o irmão do goleiro Criança. Perguntado sobre quanto seria o jogo, este apostou num 3 x 0 para sua equipe e foi alem – “Meu irmão vai pegar um pênalti”. Entretanto, Criança não pegou pênalti – nem teve oportunidade para tanto – mas fez grandes defesas quando exigido, mas quem brilhou mesmo foi Vitinho, goleiro menos vazado e MVG do torneio.
Treinadores do Braz: vice-campeonato coroa campanha de volta ao Chuteira de Ouro
Os árbitros deram início ao jogo, que começou com uma marcação pesada e forte por parte do Treinadores, fazendo valer sua superioridade na força física já que é um time de jogadores veteranos comparado com um Primatas recheado de garotos (com exceção do “veterano” Feliz). O Primatas tinha um adendo de desvantagem: não tinha Rafinha, suspenso, e seu banco era composto por apenas dois jogadores. O cansaço jogaria contra o Primatas?
Se jogaria contra, o Primatas tratou de deixá-lo para o fim, pois desde o apito inicial que o time postou-se na defensiva, em seu campo, esperando o adversário. A aposta parecia clara: contra-ataques rápidos para cima da grandalhona defesa do Treinadores. Mas a tática parecia que daria errada quando, de tanto marcar e apertar o adversário, o TdB inaugurou o placar com Peruca, que recebeu linda assistência de Índio, levantando com categoria a bola, e mandou de primeira a bola no ângulo direito de Vitinho, que ainda se esticou como pôde mas não conseguiu alcançar. Renê, o velho artilheiro, da arquibancada se resumiu a repetir 3 vezes: “Que golaço”.
Instantes depois, a mesma dupla quase marcou o segundo gol só que com papéis inversos desta vez: Peruca dominou na esquerda e cruzou para Índio que vinha fechando na boca do gol com o goleiro quase vencido no lance. O camisa 9 do Treinadores deu um carrinho para tentar desviar a bola, mas não alcançou e a bola atravessou a área e saiu.
A impressão que ficava era de que o Treinadores engoliria o Primatas, que em alguns momentos demonstrava nervosismo. Mas o TdB arrefeceu e o Primatas começou a se arriscar no ataque. Gus chutou forte de fora da área e obrigou Criança a fazer uma defesa extraordinária, dando um leve toque na bola quando ela já estava entrando no ângulo. Este lance em especial mostrou que a defesa do Treinadores jogava de maneira inteligente, não deixando o adversário penetrar muito em seu campo e assim levar perigo ao gol. A solução encontrada pelo Primatas foi chutar de longe. E de tanto arriscar de fora da área, uma hora deu certo: Guerrero empatou a partida em chute rasteiro de longe no canto esquerdo do goleiro, que foi atrapalhado por ter muita gente no meio do caminho. Coisas do futebol.
Enquanto o placar apontava 1 x 1, o jogo ficou um tanto chato, com as duas equipes criando menos chances. Chato, porém leal, o que as poucas faltas no decorrer da partida demonstram. Quando questionado antes do jogo sobre a expectativa de apitar uma final, um dos árbitros afirmou já estar com medo. Claro que ele não disse com essas palavras educadas. Mas, durante o primeiro tempo, o mesário comemorou as poucas faltas que estavam sendo marcadas. O que o mesário não falou, mas deve ter pensado, é que todos esperavam um jogo conturbado por se tratar do Primatas, um dos times que mais se envolveu em polêmica durante o torneio, e o Treinadores, que chegou a ser apelidado durante a competição de Encrenqueiros do Braz. O fato é que na final as duas equipes estavam se portando bem até então.
Antes, durante e depois: torcida do Primatas não parou um minuto de buzinar, torcer e soltar a fumaça vermelha de apoio aos jogadores
Quando a partida ganhou ritmo outra vez, o Primatas começou a mudar de postura. A defesa do Treinadores não parecia mais a mesma – até porque saía mais para o jogo e deixava espaços para o contra-ataque, principalmente pelas laterais, por onde Orley e Gus tentavam as jogadas – e assim o Primatas conseguiu chegar mais perto do gol e parar de chutar tanto de fora da área. Desse modo veio a virada, com Nando, que recebeu passe majestoso de Orley da esquerda virando o jogo por onde corria livre, sem marcação alguma, Nando. Ele teve calma para matar, avançar e tocar no canto esquerdo de Criança.
O Primatas quase ampliou com Feliz: ele chutou da entrada da área pelo meio e o goleiro só acompanhou a bola que passou muito próximo trave esquerda. Quem começou a parecer nervoso a esta altura do jogo foi o Treinadores do Braz: Leandro entrou em campo e não conseguiu acertar quase nada! Além disso, o time perdeu uma chance clara de empatar a partida após Gafanhoto cruzar da esquerda deixando Peruca na cara do goleiro. Mas o atleta do Treinadores perdeu um gol que ele não costuma perder, dando um voleio na cara do gol e mandando muito longe. Logo depois, a segundos de encerrar o primeiro tempo, o mesmo camisa 10 recebeu livre na esquerda e tocou para o gol na saída de Vitinho, que aceitou por debaixo das pernas e permitiu o empate no minuto final.
Na volta para a segunda etapa, o Treinadores se mostrou bem superior no começo, parando apenas nas ótimas defesas do goleiro do Primatas, que se transformou num paredão: primeiro em chute da esquerda de Binho, depois após Peruca avançar pela esquerda e chutar para ver o camisa 1 espalmar de forma extraordinária. Mas a única bola que Vitinho não pegou foi chute fraco e rasteiro de Binho, após este costurar a defesa do Primatas toda pelo lado direito de seu ataque. Ele cortou para o meio chutou no canto direito do goleiro, que nada pôde fazer. Mas o goleiro do Primatas continou sendo o nome do segundo tempo: Juba bateu de longe uma falta e lá estava ele para espalmar mais uma vez. Em seguida, o menino de esparadrapo na orelha para proteger o brinco salvou novamente sua equipe, desta vez com o pé. A impressão que deu é que o goleiro do Primatas passou o intervalo pensando em como responder dentro de campo aos que o chamaram de frangueiro no lance do segundo gol do Treinadores.
Porém, o Primatas não estava morto e teve de sair para o jogo em busca do empate. Guerrero avançou pela esquerda, mas na hora do cruzamento a defesa do TdB travou bem a jogada. A partir daí, o Treinadores cometeu o mesmo erro da primeira etapa: de uma hora para outra começou a demonstrar cansaço, deixando o Primatas crescer na partida. Em cobrança de falta na direita do ataque, Nando chutou e empatou o jogo. Um novo nome surgia na partida. E ele seria o grande nome do jogo ao lado de Vitinho.
Nando, o nome do jogo: camisa 12 do Primatas vibra muito ao empatar o jogo em 3 x 3, no que seria o segundo de seus 3 gols na grande final
Quem está lendo esta matéria provavelmente se surpreendeu porque o nome do jogador mais “badalado” do Primatas não havia aparecido até então: Orley, além do belo passe para Nando virar o jogo na primeira etapa, de fato não fazia uma boa final, até porque o Treinadores deu atenção especial a ele depois que ele acabou com o Arouca nas semifinais. Mas se Orley não jogava muito bem, ele não deixou de se envolver em polêmicas, como ao ficar caído com as mãos no rosto afirmando que teria levado um soco do recém entrado Anderson, que parece ter entrado só para isso (afinal, foi a confusão se formar que todos do Treinadores, especialmente o goleiro Criança, mandaram ele deixar o campo). Segundo o jogador do Treinadores, o do Primatas teria levantado o cotovelo intencionalmente para atingi-lo e o revide foi a solução. Portanto, se Orley não era o nome do jogo, era o nome mais xingado por parte da torcida do Treinadores, que não perdoou e pegou no pé dele o resto da partida.
Apesar de não brilhar como na semifinal, Orley não deixou de ser polêmico: provocação lhe rendeu um sopapo do adversário que o levou ao chão
O jogo começou a ficar nervoso pelas duas partes, pois o jogo já ia chegando reta final e qualquer gol tinha peso de gol de ouro. Com certeza teria ficado mais nervoso ainda caso a taça que brilhava sobre a mesa do mesário tivesse se despedaçado após quase levar uma bolada. Em campo, a partida passou um período de poucas chances, nitidamente resultado da preocupação dos times em não se expor e dar o contra-ataque ao adversário. O jogo ficou preso no meio de campo.
E eis que o Primatas, ainda se defendendo mais, conseguiu um escanteio. E num momento que o Treinadores estava martelando atrás do gol da vitória. No arremate da cobrança, surge o pé de Gui Fenômeno para acertar um belo chute que pareceu desviar no meio do caminho e enganar o goleiro. O fato é que a bola entrou e o Primatas, com quase 22 minutos jogados no segundo tempo, conseguia o quarto gol e ficava muito próximo do título.
Gui Fenômeno carrega taça de campeão: gol decisivo aos 22 minutos do segundo tempo saiu de seus pés, o que lhe rendeu uma estrela e o troféu de MVP da competição
A partir daí, era tudo ou nada para o Treinadores, que foi para cima com tudo para tentar o empate e levar o jogo para a prorrogação. E no que o time atacava, o Primatas devolvia com um contra-ataque. Nando ainda teve a chance de fazer o quinto quando ganhou de dois adversários, entrou na área pela esquerda mas acabou chutando esquerda do gol. Porém, aos 25 minutos, o Treinadores vacilou novamente ao persistir no erro de deixar Nando livre, que pegou mais um contra-ataque com muita liberdade pela esquerda. Ele não teve trabalho de correr, invadir a área da mesma maneira que tinha feito há pouco, mas desta vez teve mais calma para tocar no canto e marcar o quinto gol do Primatas, fechando o placar em 5 x 3 e decidindo quem era o dono do título.
Já rolavam os acréscimos e a torcida do Primatas já esboçava a comemoração com fumaça vermelha, buzinaço e gritaria, coisa que só aumentou com o soar do apito do árbitro encerrando a primeira edição do Chuteira de Prata.
Sob o sol do quase inverno paulistano, Daniel, manager da Série Prata, entrega taça ao capitão Vitinho
Parte da torcida entrou na quadra para comemorar com os atletas e o gramado foi tomado por muita festa e emoção. Os jogadores não paravam de lembrar dos que duvidavam do Primatas. E, todos sabem, não eram poucos até porque a equipe fez uma campanha regular na primeira fase com cinco vitórias, dois empates e três derrotas. Enquanto isso, os jogadores do Treinadores do Braz estavam muito tristes e abatidos, com muitos a chorar em campo. Criança e Juba eram os mais desolados e foram confortados pelo capitão João Lucas.
Após passar por cirurgia no joelho ao romper ligamento na 3ª rodada, Nelsinho esteve na final para apoiar seu time, nos bons e nos maus momentos, como ao consolar o goleiro Criança depois da derrota
A partir de setembro, Primatas e Treinadores, campeão e vice do I Chuteira de Prata, estarão disputando o título do Chuteira de Ouro com as equipes mais tradicionais do Chuteira. E, a contar as provocações do Primatas, o time já chega com panca de mala e falador, coisa que terão de comprovar em campo. O Roleta Russa parece que já ganhou um rival altura no quesito antipatia e torcida contrária.
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