O passeio do Melville sobre o MachuPichu era esperado. Mas poucos contavam com a velha e tradicional raça peruana para endurecer os jogos quando a partida é de mata-mata. O Melville sentiu isso na pele e sofreu para derrotar por 5 a 4 o time do artilheiro Thiago Branco. Ao fim, depois de uma grande pressão no segundo tempo, o alvinegro de Carapicuíba garantiu sua vaga nas quartas-de-final.
O jogo começou com um MachuPichu respeitando demais o Melville e com sua tática mais que conhecida: time fechadinho para explorar os contra-ataques. O Melville tomava conta do jogo sem se preocupar muito, pois o ataque peruano estava sonolento (Danilo não dormiu a noite toda, pois ficou trabalhando). Sem Felipe a velocidade do ataque do Melville não era das maiores, apesar de Waltinho estar num dia inspirado. Quem que de início parecia desligado era Garo, que errou na saída de bola e viu Marcel quase abrir o placar.
O mesmo Garo começou a mostrar por que foi eleito o melhor do jogo logo em seguida. Seguro na defesa, teve espaço para chegar ao ataque e experimentar de longe num lance e em outro bater de primeira escanteio afastado de cabeça para fora da área. O MachuPichu devolveu com toque de letra de Renato Seckler dentro da área após passe de Thiago Branco. O Melville rebateu com gosto e quase marcou: após confusão na área, Taka fura e a bola bate na trave para ser e4m seguida afastada. Mas o dia era mesmo do Melville, que viu Alemão roubar bola de Rodrigo Dorado e sofrer falta, para cartão amarelo ao defensor.
Com um a menos, o Machu finalmente abriu brecha em sua defesa. Waltinho, aos 11 minutos, chutou de bico no cantinho para vencer Emílio. O gol na abateu os peruanos, que revidaram com o empate aos 13 minutos, quando o mesmo Rodrigo roubou no meio de campo e encontrou Thiago Branco entrando na área para tocar no meio das pernas do goleiro Rafael.
Jogo mais aberto, o Melville foi para cima, sempre com Garo, que até tentou de cobertura e quase marcou um golaço. Mas Henrique não perdoou a espalmada de Emílio em seus pés após chute de Waltinho. Era 2 a 1. Abatidos, não demorou para Henrique retribuir e cruzar para Waltinho completar em cima da linha e fazer o terceiro gol. No minuto seguinte, um lance um tanto confuso e tosco: bola alçada na área, Henrique sobe desengonçado e toca nela para trás, deixando Emílio vendido no lance. O Melville fazia 4 a 1 e praticamente encerrava a fatura.
Mas o MachuPichu foi guerreiro e foi atrás do resultado, tanto que diminuiu ainda no primeiro tempo, novamente com Thiago Branco, desta vez chutando de biquinho da ponta da área. E em 4 a 2 o jogo seguiu para o segundo tempo.
Precisando só atacar, o MachuPichu foi mais valente. Começou a marcar a saída de bola do adversário, coisa que já vinha fazendo desde a metade do primeiro tempo e com isso adiantou o time. Passou a jogar mais avançado e a chegar com mais forca no ataque. O Melville fez seu jogo de sempre quando está em vantagem – segurou a bola, tocava de lado e partia em contra-ataques, sempre orquestrados por Alemão.
O que se viu na etapa final foi um Machu aguerrido, mas sem aquele passe final certo. Thiago Branco tinha de virar junto a Renato Seckler, pois o calor já baqueara alguns jogadores. E foi o mesmo Thiago que diminuiu aos 8 minutos, dando esperanças à nação peruana de que a vitória poderia vir. Forçando na corrida pelas laterais, os ataques do Machu pouco concluíam a gol. Num destes, Thiago Branco mandou na trave; em outro, perdeu gol incrível mandando rente à trave da entrada da área.
Com o jogo controlado e o tempo passando, o Melville tocava e deixava o tempo passar, pois tinha apenas um reserva e o desgaste de atacar poderia ser fatal no final da partida. E assim o jogo seguiu até que Jose fez o quinto do Melville e garantiu a classificação. Com pouco menos de 5 minutos para o fim, foi o balde de água fria que o MachuPichu não queria, mesmo com o forte calor.
Ainda houve tempo de Gustavo Carrer cavar um pênalti, quando Henrique o segurou dentro da área. O lance, contestado pelo Melville, não mudou o panorama do jogo, mesmo com Thiago Branco fazendo seu quarto gol, o quarto do MachuPichu.
Fim de jogo e muita decepção do MachuPichu, que sentiu que jogou de igual contra o poderoso Melville e, com um pouco de sorte e menos falhas de seu setor defensivo, poderia ter até vencido a partida. Ao Melville fica o alerta de que o time não vem mais jogando o mesmo futebol forte do início da competição e que, se fizer esse joguinho burocrático, pode dizer adeus nas quartas contra o Joga 13, que vem babando para cima dos seus carrascos no V Chuteira.
ESTUDIANTES VENCE AURORA NUMA VIRADA INCRÍVEL
Muito se especulava sobre como a equipe do Estudiantes de la Vila se comportaria diante de uma situação adversa em um jogo decisivo. Na partida válida pelas oitavas-de-final do Chuteira, frente ao Aurora, o Estudiantes mostrou que mesmo sendo um time composto por jogadores jovens, a equipe sabe a força que tem, e, o mais importante, sabe reagir.
Logo no primeiro lance de ataque, aos 30 segundos, o Aurora abriu o placar com Pena, que dividiu com Caio e Piero e saiu na cara do goleiro e só empurrou para as redes. Na seqüência, antes de brilhar na partida, Rafael Lorente teve seu momento de vilão. Ele se enrolou todo ao tentar sair jogando, perdeu a bola para Caio Cesar e viu Pena de novo enfiar o pé na bola para anotar o segundo do Aurora aos 5 minutos. E não foram precisos mais do que 4 minutos para ele, sempre Pena, mandar para o gol seu terceiro gol, para enorme vibração da torcida do Aurora. Inspirado, Pena entortou Le Raito e, de pé esquerdo, fuzilou com um golaço.
Se a torcida do Aurora era só alegria nesse momento, ela mal sabia o que a esperava dali em diante no jogo. Até aquele momento, o Estudiantes estava irreconhecível, jogava de forma acuada e parecia assustado com o jogo decisivo. Sabiamente o banco da equipe de la Vila pediu tempo após o terceiro gol. Algo deveria ser feito para impedir uma goleada gritante caso a equipe continuasse apática. Do lado do Aurora, alguns jogadores já comemoravam a classificação: Caio Cesar dizia que com três gols no placar a equipe não perderia mais. O único a se mostrar preocupado era Pena, o autor dos mesmos três gols, que disse uma única frase: “3 a 0 é pouco”. De fato foi bem pouco.
No retorno do tempo pedido, o Estudiantes voltou com outra cara e, contando com a vantagem de ter um jogador a mais por dois minutos após cartão tomado por Alex, a equipe foi para cima e passou a pressionar o rival. Aproveitando buraco na marcação, Rafa Lorente acertou belo chute no canto direito de Leo Alemão.
A pressão continuou, agora com 7 contra 7 em campo. Piero dividiu com Alex, ganhou a bola e marcou 3 a 2 aos 18 minutos. Na seqüência, o empate, Piero cobrou escanteio no segundo pau, Rafa Lorente subiu sozinho e marcou o terceiro do Estudiantes, empatando a peleja.
Nesse momento quem estava perdido em campo era o Aurora. Felipe Guimarães fez falta boba no adversário e, revoltado com a marcação, deu um bico na bola. Para que? Para receber seu amarelinho e deixar seu time de novo com um a menos. Mais uma vez o Estudiantes fez uso da vantagem numérica e ainda no primeiro tempo conseguiu a virada. Aos 25 minutos, Pit acertou chute indefensável para o goleiro e fez 4 a 3, números da primeira etapa de partida.
O Estudiantes conquistava uma virada espetacular e para a segunda metade o time voltou ainda mais ligado e, aproveitando o abatimento do rival, rapidamente anotou mais dois gols em menos de 2 minutos. O mesmo Lorente roubou a bola no meio campo, tabelou com Iram e anotou o quinto tento de sua equipe. A seguir, Caio fez jogada na esquerda e cruzou para Pit entrar e tocar para fazer o sexto. Era a morte do Aurora.
Derrubado moralmente em campo, descrente da vitória que lhe escapava por entre os dedos, talvez o ditado que diz que quanto maior a altura maior o tombo tenha sido relembrado. A forte marcação do Estudiantes e a consciente utilização do banco de reservas fizeram a diferença. Sem esforço, os garotos da Vila anotaram mais um. Em contra-ataque puxado sempre por ele, Caio, enfim foi a vez do craque da camisa 5 deixar o seu, o sétimo de sua equipe.
Com uma vantagem de quatro gols depois de estar perdendo por três, o Estudiantes diminuiu seu ímpeto ofensivo, o que deu mais espaços para os aurorenses. Felipe passou por Junior e chutou forte para descontar logo em seguida ao gol de Caio. Com 10 minutos ainda a serem jogados, talvez até desse tempo de reagir, no entanto o nervosismo da equipe era evidente. Maradona recebeu amarelo após chegar chutando Rafa Lorente. Outro exemplo da falta de cabeça do time foi o bate-boca entre Ricardo e Pena por duas vezes: primeiro quando Ricardo tentou chute a gol e depois quando Pena marcou o quinto gol de sua equipe, aos 22 minutos. E assim o jogo chegou a seu fim, com uma vitória incontestável do Estudiantes de virada. Placar final: Estudiantes de la Vila 7 x 5 Aurora.
O Aurora se despediu do Chuteira de Ouro levando uma sensacional virada dentro de campo, enquanto fora sua torcida dava um show de coisas que não se devem fazer quando se torce. Descontentes com a derrota, culparam a arbitragem e xingarem até não poder mais – durante e principalmente depois do jogo. Mais um espetáculo lamentável por parte de uma torcida, o Estudiantes, que tinha poucos e comportados torcedores, comemorou muito com a classificação e já desponta no horizonte como o time de futebol mais bonito do Chuteira, um futebol que se impõe com elegância pela qualidade técnica que pela força e raça. Um futebol das antigas, como diriam os saudosistas. É esse futebol que tem pela frente outro time de toque de bola, o Bacana. Vai ser um confronto imperdível.
JOGA 13 MOSTRA QUE PODE IR LONGE E DESCLASSIFICA BENGALAS
Dos 8 jogos das oitavas-de-final, este era tido como o de maior equilíbrio e de resultado imprevisível. O Joga 13 tinha seu futebol força, mas o Bengalas também era um time de força física. Ambos tinham dois matadores – Lele e Guitolê –, mas o Joga 13 jogava sem Caieras e Rafinha e iria perder o talento de Doce no meio para que tivesse a missão de defender a meta do time. Com a vantagem do empate, o Bengalas tinha a faca e o queijo na mão. Mas só percebeu isso tarde demais, apesar de ter forçado e pressionado o Joga 13 em busca do gol da classificação. Mas não deu e, ao fim, 4 a 3 para o Joga 13 e a classificação para enfrentar o Melville Power.
A partida teve início com um Bengalas muito mais cauteloso do que se esperava. Na verdade, em conversa com a equipe pós-jogo, ficou claro que a tática era jogar defensivamente para explorar os contra-ataques com Guitolê e Ritolê. A postura defensiva do Bengalas podia ter dar certo se o time amarelo aproveitasse as chances que teve de marcar. Logo aos 4 minutos, em bola na área, Doce soca a redonda com esta fora da área, gerando uma falta perigosíssima e o cartão ao jogador-goleiro. A falta muito próxima do gol adversário não foi aproveitada, pois a cobrança explodiu na barreira e se perdeu quando no rebote chutaram para fora. Esta não foi a única falha de Doce que podia ter complicado o time: já de volta do cartão, ele defendeu com as mãos e saiu jogando com os pés. Nova infração do goleiro que foi cobrada erradamente pelo Bengalas, desta vez por Bizu, que acertou a barreira.
Pelo lado do Joga 13, Choco impunha velocidade e era muita bola em Lele, para trabalhar o pivô. Mas o camisa 9, visado, estava muito marcado pela zaga adversária, que logo que o artilheiro recebia uma bola via no mínimo dois chegarem neles. Zequinha foi sua sombra durante todo o jogo e não deixou Lele girar para o bate, sua jogada mortal. E foi com Choco que Robson começou a trabalhar. Pouco antes do fim do primeiro tempo, Robson sai jogando errado e entrega para Lele, que, pela direita, invade a área e dribla o goleiro para fazer, mas este se recupera e salva a pátria bengalana antes que Lele conseguisse equilíbrio para por pra dentro.
O 13 teve mais volume de jogo, tempo de bola nos pés e fez maior pressão no Bengalas, mas as maiores chances de gols do primeiro tempo estiveram nos pés do Bengalas, mais precisamente nos pés de Guitolê. O camisa 17, que despontou com força na artilharia e viu seu brilho se dissipar aos poucos, teve 2 chances incríveis para fazer 2 a 0 e matar o Joga 13 ainda na etapa inicial. E, por incrível que pareça, nas duas vezes algo aconteceu que ele nem acertar o gol conseguiu. Numa investida livre pela esquerda, chutou toscamente, quase de canela, para ver a bola ir bem fora. Em outra, desta vez pela direita, a mesma coisa: um chute torto e fraco que não chegou perto de Doce.
Se Guitolê perdeu gols, Ritolê era pura velocidade e passava no contra-ataque pela defesa do 13, que se adiantava para pressionar o adversário em seu campo, Ritolê teve duas arrancadas que podiam sair gols, mas uma Doce interceptou e outra o jogador adiantou demais, até chegou a tirar Doce da jogada quando este saía fechar o ângulo, mas a bola saiu pela linha de fundo.
Com 0 a 0 o jogo foi para o segundo tempo, período que saíram todos os gols e teve muitas emoções reservadas. Durante toda a primeira etapa e o intervalo, o goleiro Caieras, que se fez de torcedor naquele jogo em razão de estar suspenso, era puro nervos à flor da pele. Passou o jogo todo xingando arbitragem e seus jogadores, amaldiçoando a cada lance errada ou bola perdida, principalmente o camisa 22, Calado. Um enfarte estava por perto quando começou o segundo tempo. Foi o tempo de mais um xingo para Calado antes que este mandasse um chute no ângulo de Robson para explodir a galera que torcia pelo 13. De Caieras, ouviu-se apenas um “Esse é meu menino!”, enquanto o próprio Calado vinha até ele para desabafar o tanto que ouvia até aquele momento.
O 13 abriu o placar com 2 minutos de jogo, mas logo aos 3 Calado de novo fazia o segundo e dava uma ótima vantagem à sua equipe. Em cobrança de lateral, o baixinho cabeceia sem jeito para trás da ponta da área e acaba por encobrir o goleiro. O jogador não viu o gol, só se tocou quando viu os demais correndo até ele comemorando. Alegria geral do 13 e decepção do Bengalas.
A partir daí, o Bengalas passou a forçar mais no ataque. Fernando Forte, forte no desarme, passou a apoiar mais no ataque e passou a levar perigo. Num chute do meio de campo, ele obrigou Doce a pular para a direita e fazer bela defesa. Mas foi numa investida pela direita, quase em contra-ataque, que a bola foi cruzada para o meio da área rasteira para encontrar Bizu livre para tocar para as redes. O jogo era pura tensão, afinal, com 5 minutos de jogo e já 3 gols tinham saído. Tenso mesmo ficou Caieras quando viu Guitolê, no lance seguinte, empatar a partida. O camisa 17 ainda dançou para as bengaletes, enquanto Caieras via o barco do 13 afundar.
O jogo ficou mais pegado, com discussões com árbitros e entre jogadores. O Bengalas cresceu no jogo, como era de se supor, e teve a chance de matar a partida. Em jogada pela esquerda de Guitolê, que roubou no meio de campo e partiu para a linha de fundo, a bola sobrou mais do que livre para Fernando Forte, quase em cima da linha, sem Doce no gol. Era só tocar e ir para o abraço, mas o camisa 2 mandou para fora para olhares incrédulos de todos os jogadores e torcedores presentes. E para fora também foi a classificação do Bengalas, pois, numa cobrança de falta do meio da rua, Rodrigo mandou um torpedo teleguiado para balançar as redes. O 13 voltava a respirar.
Ainda restavam 15 minutos de jogo. Era tempo suficiente para o Bengalas ir atrás do empate. Mas o time passou a abusar de faltas tolas no meio de campo. E isso propiciou mais uma delas para batida direta de Rodrigo. Resultado que, aos 14 minutos, ele mandou outro teleguiado – daqueles que só explodem quando encontram o alvo, e o alvo era nada menos que o gol do Bengalas. E não teve Robson que defendesse e o Joga 13 fazia 4 a 2. Parecia que enfim o 13 resolvia a partida.
O Bengalas desanimou, o 13 parou o jogo com tempo para acertar a casa e descansar. Seriam mais 10 minutos de pressão do adversário para poder confirmar a vaga nas quartas. E o Bengalas foi para cima, mais na base da raça e vontade que da técnica e habilidade. Agora era a vez de o 13 mostrar sua força defensiva ao se fechar bem. O Bengalas não chegava na área de Doce e sobrou chutes de fora, que Doce resolvia com tranqüilidade. Com o cartão amarelo de Maurício viu-se uma luz no fim do túnel. Essa luz pareceu maior quando Leandro Alves diminuiu aos 23 minutos. faltava um gol para o Bengalas seguir na competição. E o gol não saiu. O apito final do árbitro soou e o 13 comemorou.
Ao fim do jogo, o Bengalas sentia que podia ter vencido e se classificado, mas o respeito demais ao adversário prejudicou a equipe. Muitos acharam que o Bengalas tremeu ao optar por uma tática excessivamente defensiva no primeiro tempo. A vitória do 13, apesar de muito festejada, mostra que o time é um dos favoritos ao título, assim como o Melville, adversário das quartas-de-final. mas é bom lembrar que o Sr. Pancada resolveu o jogo para seu time em duas cobranças de falta. Sem elas, muito provavelmente quem teria comemorado seria outro time que não o 13.
SNG ATROPELA SEM DÓ THE VERAS
Querendo se precaver diante de qualquer surpresa, o SNG veio às oitavas-de-final disposto a liquidar os novatos do The Veras de qualquer maneira e fazer valer sua tradição no torneio para passar à fase seguinte. O time azul-grená, por sua vez, apostava em seu futebol raçudo para surpreender os favoritos, embora contasse com cinco significativos desfalques, que comprometeram seriamente sua força defensiva. Pelo SNG, apenas Abelha suspenso e o time titular todo em campo. Além disso, um Renê cheio de fome e vontade que havia confessado durante a semana para a reportagem que a partir das oitavas-de-final o verdadeiro Renê estaria em campo para ser artilheiro e MVP. De fato, ele cumpriu com o que prometeu: acabou com o jogo e inspirou o seguinte comentário do capitão adversário Pedro: “Parafraseando o mala do Cristiano Ronaldo, daria para dar o 1º, o 2º e o 3º MVP para o Renê nessa partida tranquilamente. Ele jogou muito”.
E o começo foi fulminante e decisivo para os rumos do confronto. Nem bem soou o apito inicial e as redes do The Veras já foram balançadas duas vezes, o que quebrou completamente a estratégia traçada pelos azuis-grená. Memé, sempre bem colocado, tratou de anotar os dois tentos em menos de 2 minutos de jogo e deixou Benga a ver navios. Num deles, após cobrança de escanteio de cabeça. No outro, na preparada de Renê para o bate do camisa 9. E o que se viu dali em diante foi um duelo um tanto desigual e morno. O SNG, esbanjando entrosamento e superioridade tática, dominava todas as ações da partida e não tardou para abrir 5 a 0 ainda no primeiro tempo, com o artilheiro Renê jogando muito e marcando 2 gols. O quinto foi anotado por Fabinho, que voltou a aparecer depois de umas rodadas de sumiço. Assim, sem o Veras ver a bola e sem nenhum perigo para o goleiro Sampa, encerrou-se a primeira etapa da partida.
No segundo tempo, com o jogo já decidido, o SNG segurou mais o freio e poupou o Veras de uma goleada histórica. Não que o time bicampeão não tenha forçado os gols, mas com uma vantagem dessas no placar é natural que o time toque mais a bola que force a todo custo no ataque e também porque Benga mostrou por que é dos melhores goleiros da competição. “Não é puxação de saco, mas tenho toda a certeza do mundo ao afirmar que, se não fosse o Benga, teria sido uns 15 a 1, tamanho o massacre que foi esse jogo”, relatou Pedro de Luna ao final do jogo.
O experiente centroavante Renê certamente causou pesadelos em seu marcador, Flama, e mostrou-se em grande forma, tanto na conclusão quanto na preparação de jogadas, tendo terminado o jogo com impressionantes 4 gols,outros 2 deles marcados no início do segundo tempo, aos 3 minutos e outro aos 15. O goleiro Benga, um dos destaques do Veras na competição, nada pôde fazer para parar o bombardeio à sua meta. Sua equipe se mostrou passiva em campo e, apesar de ter corrido muito, cometeu erros primários de marcação que permitiram a construção de um placar elástico e inesperado para um jogo de tanta importância.
Nem mesmo o belo gol de Nico, em chute colocado de fora da área, foi capaz de salvar a honra do The Veras e animar a jovem equipe, que se mostrou abalada o tempo todo. O SNG, que não tinha nada com isso, sobrava em campo e usou o segundo tempo da partida como um treino de luxo para o aguardado duelo com os atuais campeões do Fiorella. E o time laranja estava realmente inspirado: até tabelinhas dentro da área adversária conseguiu fazer. No fim, o placar mostrava 8 a 1 e era fiel ao que foi o jogo: um tranqüilo passeio no parque do SNG, com Memé fechando a goleada aos 19 minutos. Jogo decidido, adversário mastigado e digerido, era esperar passar o tempo para ver os demais jogos e comemorar.
Na saída do gramado, o semblante dos atletas do The Veras era de profunda decepção, já que a equipe tinha feito um belo papel até ali. O capitão Pedro tentou resumir o sentimento do grupo e, com algum esforço, mostrar o lado bom da goleada sofrida: "Tomamos uma aula aqui hoje. Os desfalques não são desculpa para nada. Mas se engana quem pensa que nos abateremos", prometeu, cabisbaixo. A idéia é agora preparar o time para o ano que vem, quando o Veras deixa de ser um novato para ser de fato um time do Chuteira. Já pelo lado dos vencedores, o clima de comemoração mas de total prudência, pois logo em seguida o Fiorella mandou uma goleada na Equipe Bróder e se qualificou a jogar contra o SNG. A prudência é totalmente compreensível. Afinal, como resumiu Renê: “Somos fregueses de um único time, e esse time é o Fiorella. Foram 2 jogos e 2 derrotas. Vai ser dureza esse jogo”. De fato será, pois moleza igual a que encontraram contra o Veras dificilmente se repetirá.
CAMPEÃO FIORELLA MANDA PARA CASA O BICAMPEÃO EQUIPE BRÓDER
Bróder e Fiorella protagonizaram uma partida em que o medo de perder era maior do que a vontade de ganhar. Entretanto, os dois campeões, com o rolar do jogo, o Fiorella, que jogou de colete pois ambos uniformes eram vermelhos, se mostrou superior a uma perdida e, inexplicavelmente, desanimada EB. Com isso tranqüilamente o Fiorella construiu a vantagem de 4 a 1 e garantiu a vaga nas quartas-de-final.
A partida começou nervosa, com muitos erros de ambos os lados. Embolado no meio campo, era raro que um time acertasse mais de quatro passes seguidos. Até que o Broder conseguiu: Mutssa brigou pela bola no ataque e rolou para Marcelinho chegar batendo. Na hora do chute apareceu Sebastião Alves, que voltou à equipe depois de longo afastamento, e travou a boa oportunidade.
O Fiorella também teve sua chance e, ao contrário do rival, não desperdiçou. Jefferson Firmino ganhou de Soneca na corrida, driblou o goleiro Macaco e marcou 1 a 0. E não era mesmo a tarde do zagueiro Soneca, pois logo em seguida, aos 11 minutos, Fábio Alencar arriscou chute de longe, a bola desviou nele e enganou o goleiro. A bola foi morrer no fundo das redes.
Nessa hora a EB sentiu o impacto pelos dois tentos sofridos e, por mais que o goleiro Macaco e os jogadores do banco cobrassem mais ânimo e empenho do time, era evidente que o time estava abalado. Estar perdendo por 2 a 0 para o Fiorella era um placar consideravelmente complicado de se reverter.
Para piorar a situação a EB, nas vezes em que o time conseguiu chegar ao ataque, o goleiro Fábio Fonseca se destacou com sensacionais defesas. Um exemplo de efetiva participação do goleiro na partida foi quando ele buscou no cantinho chute rasteiro de Werner. Suas defesas acrobatas chamaram a atenção da torcida e justificam o apelido de goleiro do Cirque Du Soleil que deram a ele.
Se a defesa menos vazada do campeonato continuava imbatível, o ataque do Fiorella resolveu sepultar a EB. Aos 20 minutos, Sérgio Penna roubou a bola de Vitão e tocou para Tiago Silva que, com um toquinho de leve, encobriu Macaco. Soneca ainda tentou evitar o golaço, mas não chegou a tempo. Nesse momento, a EB estava arrasada em campo, sem dúvida muito aquém de seu verdadeiro futebol, apresentado em outras partidas.
Para o segundo tempo os jogadores da EB conversaram a fim de buscar uma reação. Durante o intervalo o goleiro lembrou seus parceiros de que era possível conquistar uma virada. Contudo, o que se viu por parte do time alvirrubro na etapa complementar foi uma disposição tática totalmente ineficiente e Mutssa completamente isolado na frente.
No segundo tempo, o Fiorella já voltou com intuito de administrar a vantagem de três gols e, nas vezes que foi ameaçado pelo ataque da EB, seu goleiro fez boas novas intervenções e garantiu o resultado, como em chute de Gabriel Borges a queima-roupa de dentro da área e na falta em que Vitinho cobrou após zagueiro Ricardo Tavano receber amarelo. Aliás, o cartão recebido pelo jogador nem fez diferença, pois mesmo com um a mais a EB não conseguiu realizar uma efetiva pressão no rival.
Antes do término da partida ainda saíram mais dois gols, um para cada lado. Jefferson Firmino disparou pela esquerda, tabelou com 3 e anotou outro belo gol. De pênalti o Bróder chegou ao gol de honra, já nos acréscimos. O árbitro marcou a infração após a bola tocar na mão de Tigues dentro da área. Na batida, Mutssa acertou o canto direito alto do goleiro, que ainda chegou a tocar na bola mas não evitou o gol. Placar final: Fiorella Brasil 4 x 1 Equipe Bróder.
Em uma fraca partida por parte da EB, o Fiorella fez sua parte. Venceu com propriedade e se classificou à próxima fase do Chuteira de Ouro. A bicampeã EB tenta o tricampeonato semestre que vem, enquanto a atual campeã, a Fiorella, busca o bi justamente enfrentando o bicampeão SNG. Eis mais um jogo que cairá um campeão.
KADÊNCIA EMPATA NO FIM E ESPANTA ZEBRA
Antes da partida, tudo indicava que o franco favorito a vencer era a equipe do Kadência, que apresentava em seu currículo oito vitórias e apenas uma derrota no campeonato, enquanto o Atlético Pagalanxe, com uma campanha bem mais modesta e cheias de altos e baixos, chegava ao confronto como o azarão. Mas foi só a bola rolar que ficou evidente que o Kadência, sabendo de seu favoritismo e quase sem reservas, sentiu a pressão, tanto que a equipe mal conseguia passar do meio campo nos primeiros minutos de partida.
Se já estava mal ficou ainda pior quando Max Batata deu um gol de presente para o adversário. Ao sair jogando, ele entregou a bola nos pés de Nardelli, que com um toque na saída do goleiro Renato abriu o placar aos 6 minutos.
As duas equipes estavam com mais medo de perder do que com vontade de ganhar. Mais uma vez, ao tentar sair jogando, quase que Batata deu outro gol ao rival. Ele tropeçou na bola dentro da área, mas antes que algum jogador do Atlético chegasse para colocar para dentro, um companheiro de zaga chegou dando um bico para afastar o perigo.
Em seguida, duas bolas na trave assustaram os goleiros, uma de cada lado. Primeiro foi Rodolfo do Pagalanxe que acertou o travessão de Renato em chute da intermediária. Na seqüência, Pedrinho foi à linha de fundo pela esquerda e cruzou para trás, onde chegava Julian para soltar uma bomba que também explodiu no travessão.
Ainda na primeira etapa o Atlético chegou ao segundo gol. Pedro Velardo emendou de primeira bola vinda da direita do ataque e fez. Pouco antes do final da primeira metade, o Kadência achou um gol. Paulinho, que estava sumido em campo, irreconhecível se comparado a outras partidas, apareceu de cabeça dentro da área e diminuiu para 2 a 1. Paulinho vem se mostrando um grande fazedor de gols de cabeça e de rebote. Praticamente seus últimos 10 gols foram assim.
Com o placar apresentado até aquele momento, o favorito Kadência ia dando adeus à competição. Era preciso no mínimo o empate. E no segundo tempo a equipe bem que tentou, mas não conseguia exercer uma real pressão no adversário. Paulinho, em lance de frente para o gol, e Renan, de dentro da área, desperdiçaram boas chances. E a coisa ia muito mal para o Kadência, tanto que quem chegou mais uma vez ao gol foi o Pagalanxe. Julio Cruz deu um voleio do bico da área para fazer o terceiro. Um golaço.
Depois do gol e desvantagem de 2 gols, ao Kadência só teve uma única opção: ir para cima do adversário. Com isso, o jogo ficou aberto e cheio de alternativas. E a mudança de postura surtiu logo efeito, tanto que, 2 minutos depois de tomar o terceiro, aos 13 minutos, o Kadência diminuiu com Julian. Após escanteio cobrado, nenhum defensor afastou e o camisa 6 mandou para as redes.
Ainda atrás de um gol, o Kadência se abriu e o Pagalanxe passou a explorar os contra-ataques, como no que Simões chutou rasteiro para ver a bola caprichosamente bater no pé da trave e ir para as mãos do goleiro. Contudo, quem chegou ao gol foram os kadencianos. Foi o gol de empate e o gol que voltava a classificar o Kadência para a próxima fase. Em jogada rápida, Renan lançou Pedrinho nas costas da zaga, que driblou o arqueiro e empatou o confronto.
Agora o jogo se invertia. Era o Pagalanxe que tinha de ir para cima atrás do resultado. E o Atlético foi com tudo para cima do adversário, buscando o gol salvador. De cabeça Julio Cruz teve boa chance, mas Renato fez excelente intervenção. Mas pouco depois o arqueiro não conseguiu evitar o gol de Simões, que chutou cruzado e colocado no canto oposto de Renato para colocar os laranjas de novo em vantagem. Com 3 minutos para acabar o jogo, era questão de tocar a bola e fazer parar o tempo.
No entanto, quis o destino que a classificação fosse mesmo do Kadência. Na seqüência ao gol sofrido, Renan mandou para a área num cruzamento da defesa procurando sempre ele, Paulinho. Na bola estavam Paulinho, um defensor e o goleiro Erich saiu de modo destrambelhado. É o típico lance para matar qualquer goleiro, pois se alguém toca mata o goleiro, se não toca também mata. E foi isso o que aconteceu: Erich tentou sair na bola, mas quando Paulinho subiu ele se atrapalhou e a bola foi dengosa morrer nas redes sem tocar em ninguém dentro da área. Muita vibração por parte dos jogadores do Kadência, que viam ali a classificação com um gol achado no minuto final.
E em 4 a 4 o jogo acabou, classificando o Kadência, que, mesmo não apresentando o bom futebol da primeira fase, chega às quartas-de-final. Do lado do Atlético Pagalanxe, era visível a frustração com o resultado final da partida, pois o time de Bruno Corneta jogou bem, surpreendeu o adversário e quase desbancou o bicho papão Kadência. Uma equipe que passou por vários momentos turbulentos e se superou em campo deu adeus à competição junto a seus amigos de The Veras e MachuPichu.
BACANA GOLEIA NO SEGUNDO TEMPO PIRANHA
Mais uma vez o Muleke Piranha decepcionou quem esperava uma grande apresentação da equipe. Bem que os mulekes tentaram vencer o jogo: fizeram um bom primeiro tempo, um dos melhores 25 minutos da equipe nos últimos jogos. No entanto, a equipe sucumbiu no segundo tempo e viu o bem equilibrado time do Bacana impor seu ritmo e uma goleada nos minutos finais da partida e chegar às quartas-de-final com panca de favorito.
O jogo começou como tem de ser uma decisão, ou seja, muito corrido e brigado no meio de campo. Pelo Bacana Napolitano avançou pela esquerda, passou pelos zagueiros e, quase da linha de fundo e sem ângulo, bateu e acertou a trave de Guaraná. Do lado do Piranha, Fabio Donato chutou fora depois de uma envolvente troca de passes entre Thiago e Salada.
Meio sem querer o Bacana anotou o primeiro gol da partida. Em bola cruzada da esquerda, após bate-rebate na área, Yanes, oportunista, colocou para dentro do gol. Contudo, não demorou para que o Piranha igualasse o placar. Salada, o melhor piranhense em campo, recebeu na direita no bico da área e acertou um chute de peito de pé no ângulo adversário. Golaço.
O Piranha estava fazendo uma ótima partida do meio para frente, sem dúvida fazia valer as tantas fichas apostadas em seus bons jogadores nos bastidores do Chuteira, mas ainda restava saber se eles continuariam com o bom futebol ou se em algum momento se perderiam em campo. Ainda no primeiro tempo dois fatos atrapalharam os planos dos mulekes, o gêmeo Thiago, que fazia ótima partida no meio campo, sentiu dores na coxa e teve que deixar o campo. Outro foi a lambança que a defesa fez, que resultou no segundo gol do Bacana. Portuga se precipitou ao tentar afastar a bola de sua área. Ele deu um chutão que acertou o traseiro de seu companheiro e foi morrer no fundo do gol. Um lance digno de comédia pastelão. A primeira metade de partida terminava com o placar de 2 a 1 para o bacanas.
Mesmo após a falha bizarra de seu sistema defensivo, o Piranha veio para o segundo tempo determinado a reagir. Salada acertou a trave ao concluir ótima troca de passes de sua equipe. Logo em seguida, Guaraná empatou a partida novamente numa cobrança de falta perfeita, no ângulo esquerdo do goleiro Audie.
Tendo sofrido o segundo gol o Bacana percebeu o melhor momento do adversário e pediu tempo para colocar a cabeça no lugar. Do outro lado da quadra os jogadores do Piranha também conversaram, se uniram numa roda e deram o grito de guerra. Parecia que voltariam com tudo.
Mas o Bacana percebeu que o excesso de trocas de jogadores prejudicou o rendimento e decidiu voltar com o que tinha de melhor disponível. E isso envolvia trazer Luisinho na armação, com Rômulo e Yanes no ataque. Vitinho e Demehur revezavam na chegada ao ataque para chutar ao gol.
E foi essa tática do capitão peso pesado Marcelão que rendeu a goleada. Claro que o ânimo dos mulekes veio abaixo quando, aos 7 minutos, eles sofreram o terceiro gol. O defensor Jorge Pereira,que jogava sem a ajuda de seu irmão João Florinda, fora de São Paulo em competição de tranca, apareceu de surpresa no ataque e, na saída do goleiro, fez 3 a 2. Menos de dois minutos depois veio o quarto, com Napolitano chutando de longe e acertando o canto direito baixo de Guaraná.
A partir daí, o Muleke Piranha se perdeu na partida, enquanto o Bacana soube mandar no segundo tempo e aplicar uma goleada nos minutos finais. Aos 10minutos, Luisinho recebeu sem marcação na esquerda do ataque e chutou para fazer seu primeiro gol no Chuteira e calar a boca dos críticos de seu futebol, que reclamam dele não fazer gols e estar atrás mesmo do capitão Marcelão, autor já de 3 gols no torneio. O Piranha já estava derrotado e completamente desestruturado em campo, tanto que Fezão fez dura falta em Demehur depois deste fazer uma graça com a bola e foi amarelado.
Trocando passes, o Bacana chegava como queria no ataque e teve tempo ainda para anotar mais três gols, com Demehur duas vezes e Yanes fechando o plcar. O gol de Yanes mostrou bem a força da equipe: de pé em pé, a redonda chegou ao camisa 9, que, com um toquinho sobre Amauri que entrara no lugar de Guaraná, deu números finais ao confronto.
O Bacana mostra sua força no toque de bola e tem pela frente justamente um time cheio de marra e técnica, o Estudiantes. Um confronto altamente técnico que o time que errar menos deverá chegar às semifinais. Ao Piranha, resta pensar para a temporada 2009.
DIABOS VEM COM JOGADOR A MENOS E DÁ TRABALHO PARA O ACIDUS
O jogo era muito esperado e um dos que mais prometiam equilíbrio das oitavas. Os jogadores do Diabos, especialmente o capitão Juba, prometeu um grande jogo a semana toda. Para decepção de todos, o Diabos chegou para o jogo com um jogador a menos. Lillo, disseram os presentes, preferiu ir para a praia a jogar a decisão; Argentino já estava com viagem marcada e era conhecido desfalque, e Juba, o mais animado durante a semana, teve uma morte na família no dia e não teve condições de ir. O jogo que outrora prometia muito virou um jogo de caça e rato, típico jogo de futebol que o Acidus não consegue jogar. Resultado: um jogo feio, um Acidus desmotivado e nada vibrante, um Diabos guerreiro que segurou o time amarelo-limão até quase a metade do segundo tempo, mas sucumbiu ao final e viu o jogo acabar antes do tempo regulamentar por falta de jogadores.
Mesmo ouvindo as palavras de Barata chamando por raça e vontade, o Acidus parecia sonolento, como sempre joga quando o adversário parece já derrotado em campo – leia-se, quando joga com um a menos. O time não vibrou em um lance sequer, nem quando abriu 3 a 0 em menos de 8 minutos ouviu-se comemorações. Barata, com a ajuda da zaga, Philip e Rafão, de cabeça, deram a vantagem ao Acidus para o time começar a relaxar.
Sem vontade, com exceção de Barata, que corria como louco, o Acidus errou passes com Lói, errou posicionamento com Rafão, errou ao subir quase todo mundo ao ataque e deixar espaço para o perigoso Ronei contra-atacar. Num destes, apesar de a defesa ter se recomposto, Ronei mandou um canudo cruzado da direita que bateu na trave de dentro do gol de Diego, que só teve tempo de olhar e ver a bola entrar. O gol irritou o Acidus, que não mudou seu jeito de jogar e continuou a perder gols, exagerar nos toques na frente da área e a querer dar toques de letra ao invés de mandar para as redes. O preciosismo de Philip rendeu até discussão no intervalo entre os jogadores. Por incrível que possa parecer, Robinho era a peça mais sóbria do ataque limão, com seus dribles dando certo e ele arrematando para gol. Em 3 delas, Porps saiu bem e impediu o gol do camisa 10.
Por não fazer e jogar com certa displicência, Ronei castigou o Acidus de novo com outro gol, diminuindo para 3 a 2 e tornando o placar um tanto arriscado para uma equipe que jogava com um a mais o jogo todo. Foi a deixa para um pedido de tempo e muita discussão entre os acidianos. O time voltou pouca coisa melhor, mas ao menos a defesa se arrumou e parou de querer subir toda hora.
No segundo tempo, era questão do Diabos cansar para o Acidus deslanchar. Mas não foi assim que aconteceu, pois o jogo continuou equilibrado. Barata fez jogada individual pela esquerda, cortando para dentro, e mandou um chute rasteiro no cantinho. Porps ainda tocou na bola, mas não impediu o 4 a 2. Não deu tempo de respirar, pois Jão diminuiu três minutos depois, mantendo o jogo em aberto e criando expectativas em todos. O Acidus voltou com seu trio de maior toque de bola para campo e Ricco encontrou Philip livre dentro da área para driblar Porps e fazer seu 19º gol na competição e o quinto do Acidus.
Ali parecia que o jogo estava decidido, mas o Acidus fez questão de dar emoção ao dobro para o mesmo. Jão marcou mais um livre de cabeça, após cobrança de escanteio. Foi o último suspiro do Diabos, que já morto em campo e cansado de correr atrás, com tentativas individuais de chegar ao ataque de Ronei e Emerson, acabou sucumbindo e o Acidus marcou mais 3, com Robinho, Pedrinho e de novo Barata. Porps fez ótimas defesas, como uma cara-a-cara com Barata e outras saídas no pé de Robinho.
O jogo seguia tranqüilo até que, aos 18 minutos, o zagueirão Vavá fez falta em Kirk por trás e levou amarelo. Ficou discutindo e tomou o azul. Reclamou mais, xingou e tomou o vermelho. O Diabos ficava com 2 jogadores a menos, o limite para continuar o jogo. No lance seguinte, Porps sai da área para cortar lançamento com a mão e tomar também o cartão amarelo. Com apenas 3 jogadores na linha, na mesma hora os árbitros encerraram o jogo, evitando que o placar fosse mais elástico e pondo fim a um jogo que prometia muito e não rendeu quase nada.
Mal ou bem, o Acidus passou de fase e agora encara o Kadência, num jogo de dois times que não jogaram nada nas oitavas e ficaram devendo. O Diabos já pensa em reformulação total, com troca inclusive do nome do time para a temporada 2009.
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