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Notícias de 20/05/2008

KADÊNCIA SE DEFENDE E PASSA POR DIABOS LARANJAS


Jogo de poucos espectadores, Kadência e Diabos Laranjas entraram em campo praticamente completos. Pelo Diabos, apenas duas ausências – Cláudio e Allison – e pelo Kadência o desfalque de Paulinho, o artilheiro da equipe que se machucou há 3 semanas e ficou de técnico na ocasião. Pelo histórico, o Kadência tinha tudo para mandar no jogo e derrotar até com certa folga os diabos de laranja, mas, mesmo com a vitória por 2 a 0, quem comandou as ações da partida foi o Diabos, que se mostrou com enorme vontade e raça nos 50 minutos de jogo.

O começo foi logo de grandes emoções. Quase todos os ataques geravam perigo de gol. Numa delas, Renan Viana cruzou para Ivan pegar muito embaixo da bola e mandar por cima do gol. O Diabos devolveu com Argentino, que interceptou passe e saiu driblando o time do Kadência e só parou em dividida com o goleiro Renato Oliveira, em lance que a pequena mas barulhenta torcida do Diabos pediu pênalti.

O Diabos tinha mais volume de jogo e em menos de 10 minutos já tinha feito o goleiro adversário trabalhar muito. Renato Oliveira espalmava várias bolas, algumas até meio sem jeito, como a que defendeu a bola pra baixo e ela quase entrou no gol. Mas fato é que em seu gol a bola não entrava, diferentemente do que foi quando Renan Viana chutou de cima da linha da área cruzado para vencer o goleiro Denis. O lance: cobrança de lateral para Luiz Eric, que tocou para trás para o chute do camisa 6. O Kadência fazia 1 a 0, começava a construir sua classificação.

O gol não mudou a postura do Diabos, que atacava com vigor, principalmente em arrancadas de Argentino e em toques de Everton e Alam. Leandro Raito, usando a camisa 10 de Batoré, também tentava chutes, mas a forte zaga do Kadência travava todos os chutes. Só não impediu chute de Argentino, que mandou de meia distância para defesa do goleiro e outra bola na trave. Em outro lance, Alam chegou na cara do gol e, na hora do chute, Luiz Eric salvou o que poderia ser o gol de empate. O gol não saía, mas o Diabos dava o contra-ataque ao time azul, que tinha em Che-Che e Leandro os “puxadores”.

E com 1 a 0 o jogo foi para o intervalo. Na volta, as chances de gol, que foram muitas no primeiro tempo, transformaram-se num jogo mais truncado no meio de campo e sem muita organização. Talvez devido ao forte sol que brilhava sobre os jogadores, o ritmo diminuiu e o jogo ficou mais lento. A tônica foi a mesma do primeiro tempo – o Diabos no ataque. Mas a tarde não era mesmo dos diabos, que forçavam o jogo mas as coisas não davam nada certo.

E, ao final, poucos minutos para o fim do jogo, Luiz Eric fez o segundo gol, fechou o placar e selou a classificação do Kadência, que não fez uma grande partida – esteve longe daquele time de toque de bola rápido – mas contou com seu goleiro e a forte defesa para segurar os jovens do Diabos. Final de jogo 2 a 0 e a eliminação do Diabos. Kadência passa para as quartas, quando enfrenta o Joga 13.

BACANA MANTÉM SINA E DETONA PAGALANXE


O jogo foi sem dúvida o que mais movimentou a semana antes do confronto. Isso porque Bacana e Atlético Pagalanxe trouxeram para o Chuteira, mesmo sem planejamento, uma rivalidade antiga. E o receio de Marcelo Rocha antes da última rodada de classificação se concretizou: “Não queria pegar logo de cara o Pagalanxe”, disse ele. Pois bem, pegou logo nas oitavas, pois Bacana passou em 4º colocado e Pagalanxe em 5º do outro grupo. Mas o receio se dissipou quando os bacanas entraram em campo e começaram a ratificar a sina de freguês dos laranjinhas de Bruno Predolin e cia. Ao final, uma redondante goleada de 7 a 2 e a passagem para enfrentar o Melville Power nas quartas-de-final.

Se a promessa era de um grande jogo, o que se viu desde o início foi uma partida um tanto morna e sem grandes chances de gol, em que o equilíbrio marcou as ações das equipes. Pelo lado do Pagalanxe, Yanes e Marcel levavam perigo, mas foi o Bacana que mostrou maior competência ao abrir o placar com Márcio Cardoso. Mas a vantagem durou pouco tempo e, com Marcel, após saída de bola errada de Dhemeur, o Pagalanxe empatou a partida.

A partir daí, o Atlético Pagalanxe cresceu na partida e começou a dominá-la. Mas tal domínio não era convertido em vantagem numérica, com erros de finalização que lhe custariam caro. Em compensação, o Bacana, cuja marca é a frieza e habilidade de seus atacantes, especialmente Dhemeur e Rômulo, não costuma perder muitos gols. Erich até que segurou por um tempo, mas não conseguiu evitar o gol de Dhemeur, se redimindo da falha anterior. Em cobrança de falta, um leve desvio na barreira acabou com as chances do goleiro e a bola ainda bateu na trave antes de balançar as redes.

O gol mexeu com os laranjas, que, bem ao seu estilo, partiram para cima em busca do empate sem muita organização. Resultado: 3 a 1 ainda antes do fim do primeiro tempo. As coisas começavam a se complicar para o Pagalanxe, coisa que se materializou em gols quando começou o segundo tempo.

O intervalo não fez bem ao Pagalanxe. Aliás, o placar adverso colocou no Pagalanxe um peso – talvez decorrente de um retrospecto negativo da equipe diante do Bacana – que os jogadores não conseguiram segurar. Yanes e Simões mantiveram a pegada do início ao fim, mas o desespero transformou o Pagalanxe em uma presa fácil dos bacanas, que se deram ao luxo de ver o zagueiro João Pereira entrar apenas no segundo tempo pois estava vendo o jogo do Corinthians.

E no contra-ataque o Bacana ampliou. Dhemeur fez o quarto, enquanto Bruno Predolin conseguiu diminuir para o Pagalanxe após rebote do goleiro de chute dele próprio. Quando parecia que este podia complicar o jogo do Bacana, Leonardo Napolitano fez o quinto gol. Já derrotados psicologicamente, os laranjas ainda viram o mesmo Napolitano fazer mais dois gols e matar a partida em 7 a 2. Entre um gol e outro, o Bacana se deu a outro luxo – sacou o bom goleiro Roberto Leme e colocou Audê para estrear no Chuteira. Audê, camisa 49, é um dos três goleiros da equipe.

O jogo terminou em tom de cordialidade, com o Pagalanxe reconhecendo a superioridade do adversário e cumprimentando todos. O Pagalanxe diz adeus ao V Chuteira e começa a pensar no próximo, enquanto o Bacana já tem em mente o Melville e deve quebrar a cabeça durante a semana de folga do feriado para descobrir um meio de bater o único time invicto da competição.

SÓ LANCE PÕE TREINADORES NA RODA EM GOLEADA


Jogo cheio de incógnitas em que os gigantes do Treinadores do Braz encaravam os rápidos e pequenos do Só Lance. Se antes da partida as opiniões se dividiam quanto a quem ganharia, ao fim dela o que se viu foi um Treinadores prostado ao talento de Philip e Ronei, enquanto fora da quadra torcedores e jogadores de outros times gritavam “olé” a cada toque do Só Lance.

Com 5 minutos de jogo já se via que o Treinadores não estava num bom dia. O time não conseguia tocar 3 passes e os gigantes da frente não conseguiam nada além que correr. Foram 25 minutos de jogo do Treinadores que suas peças-chaves – Piruca, Juba e Gafanhoto – foram anuladas, não apenas pelos adversários mas também por erros de passe que dificultavam qualquer ação mais efetiva ofensiva.

Entretanto, o Só Lance chegou inspirado, com um jogo envolvente e rápido. Aos 7 minutos, após Gafanhoto tomar cartão amarelo, Márcio abriu o placar. Aos 10, após Rogério levar amarelo e deixar o Treinadores com 2 jogadores a menos, foi a vez de Felipe Vitta ampliar e aos 12 Philip fez o terceiro. Metade do primeiro tempo e o placar indicava 3 a 0 para o Só Lance. E o pior: com extrema facilidade. O futebol-força do Treinadores não foi imposto em nenhum momento. Na bola ou no corpo, o Só Lance levava clara vantagem, que era expressa pelo placar.

Ao fim do primeiro tempo, falta quase sobre a linha da área contra o Só Lance. Piruca acerta um belíssimo chute no ângulo que a bola fica presa na rede enroscada com a trave de trás. O Treinadores diminuía e levava para o segundo tempo alguma esperança de virar o jogo. Mas na etapa final o Só Lance manteve a mesma postura ofensiva e aproveitou os contra-ataques. Com 4 minutos, Ronei dispara pela esquerda e faz o quarto gol. A festa começava a se montar definitivamente.

As coisas pioraram para o Treinadores quando Piruca tomou amarelo aos 5 minutos após confusão no meio de campo. Claramente nervoso, tanto que indicou para as pessoas que estavam fora assistindo ao jogo o sinal de roubalheira com as mãos, aquele mesmo que todos jogadores fazem quando se sentem injustiçados, voltou ao jogo depois de cumprir o tempo fora. E voltou para ser expulso e acabar de vez com o Treinadores, pois o Só Lance já tinha feito o quinto com Felipe Vitta. Em jogada na lateral defensiva, o árbitro marcou reversão numa cobrança do Treinadores e Piruca se irritou, xingou e chutou a bola com raiva. O resultado foi o cartão vermelho e sua equipe com um a menos.

E, mesmo com um a menos, o Treinadores fez o segundo, com Gafanhoto, mas se pensavam que podiam pensar em reação, Ronei tratou de acabar de vez com qualquer esboço ao, 30 segundo depois, sapecar o sexto gol em nova jogada de velocidade do jogador, que comemorou muito com a equipe.

Placar praticamente decidido, foi a hora do show de Philip começar. Ele fez o sétimo gol com facilidade aos 18 minutos e, aos 21 minutos, o gol mais bonito do V Chuteira para muitos: Philip recebeu pela direita, cortou o zagueiro para dentro, adiantando a bola para dentro da área. O goleiro Criança, que entrou no lugar de João havia pouco tempo, saiu para interceptar a bola e tinha nítida vantagem de espaço para Philip. Entretanto, num lance extremamente rápido e de extrema plasticidade, Philip estica a perna, gira o corpo sobre a bola e sai do goleiro com a bola nos pés, goleiro no chão e gol liberado para ele se consagrar. Uma jogada sensacional que fechou o placar do Só Lance em 8 gols e teve aplausos de pé de todos os que estavam assistindo à partida.

Derrotado, ouvindo a torcida gritar “olé” e sem condições e ânimo, o Treinadores ainda marcou o terceiro, com Rogério, para depois, com o apito dos árbitros, esboçar uma confusão com Ronei. Mas a iniciativa era isolada e os demais treinadores logo trataram de acalmar o briguento.

Com o 8 a 3, o Só Lance passa de fase e enfrenta o SNG, mesmo time que o eliminou torneio passado. A vitória certamente dá moral para um time cambaleante, mas que sempre chega. Para o Treinadores, sobrou a eliminação e a espera pelo VI Chuteira de Ouro. Ao final do jogo, João e Juba comentaram que a derrota foi justíssima e reconheceram que não souberam jogar contra o Só Lance. “Tomamos até ‘olé’. Fomos humilhados. Não dá pra explicar muito”, disseram eles, sem perder o espírito esportivo que marca o Chuteira. Ficaram até o final da rodada, sem receios de ouvir gracejos de adversários ou fugir da vergonha do vexame. Afinal, vencer não é tudo na vida. Saber reconhecer uma derrota é uma vitória tão grande quanto dentro de campo.

MACHUPICHU, DO IMPERADOR RICCI, DESPACHA ROLETA RUSSA


Era a última partida da primeira rodada de “mata-mata”, ou, como Grillo chamaria em comentário no site, dos jogos de “rabeira”, guardava a emoção que faltou aos demais jogos. Além de emoção, um equilíbrio impressionante não visto também anteriormente, visto que todos os outros jogos foram definidos com mais de dois gols de diferença e sem alternações no placar. Quem ficou para assistir certamente não se arrependeu. Roleta Russa e MachuPichu reeditaram o jogo classificatório do III Chuteira, tanto em emoção e equilíbrio quanto no placar – novo 4 a 3 para os peruanos num jogo de superação e raça empolgantes. O MachuPichu colocou a última bala no tambor do Roleta.

Antes do jogo, previsão de uma partida de opostos. Um time em ascensão contra um time em decadência, que tinha perdido os últimos 4 jogos. A lógica colocava o Roleta Russa como franco favorito para enfrentar o Fiorella nas quartas-de-final. Mas a lógica foi feita para ser quebrada. O MachuPichu cumpriu com seu “dever”.

Mas o jogo não seria definido fora de campo e antes da partida, mas um bom observador sabe “ler” as feições expressas por rostos que não conseguem esconder sentimentos. E isso ficou claro para muitos quando viram o contraste entre a preparação dos goleiros da noite: o pequeno Emílio, cabelos ao vento e barbudo, um verdadeiro revolucionário dos anos 60, e o grande Luiz Eduardo, já bem avantajado no porte físico com as idas à academia. Entretanto, seus rostos não negavam o que viria a seguir. Emílio foi recebido pela torcida e estava sorridente e feliz; Luiz Eduardo chegou calado, sorrateiro, mas, como de costume, não deixou de pedir atenção para si. “E aí, Lucas, veio me ver jogar?”, perguntou ele para o amigo que estava nas arquibancadas. “Só vim para isso, Luiz”, respondeu o outro. E Luiz sentou, ficou ali, mais ouvidos que palavras – o oposto do que geralmente faz – até ir se concentrar com sua equipe. E com poucas palavras e nenhum sorriso o goleiro do Roleta foi a campo. Era mais um jogo, era o jogo, era o seu jogo. Era mostrar que ele podia ser de fato o substituto à altura de Matrix, mostrar que podia salvar o Roleta como o colega camisa 1 fez durante diversas partidas. Com tal peso, ou não, vai saber, Luiz Eduardo entrou em campo. Diferente do normal seu comportamento, diferente do normal o jogo (afinal, era mata-mata), diferente do normal também seu futebol. Em compensação, o mesmo resultado para o Roleta – a eliminação no mata-mata.

O jogo começou já com noite no PlayBall. A quadra um tanto escura não favorecia a visão dos atletas, que começaram em ritmo forte. Pelo lado do MachuPichu, a ausência de Tebas colocou Marcel em campo. Com Emílio, a forte zaga com Rodrigo e Taka, o meio com Marcel e Gustavo Carrer, e na frente Danilo e Ricci. Com esse time o MachuPichu passou a ter a ofensiva sobre o Roleta, que começava com Nação no banco e os irmãos Bob e Caju como titulares.

Apesar de tomar a iniciativa mais perigosa, o Roleta Russa marcou primeiro. Muito marcado, Kuminha passou a buscar o jogo no meio de campo para fugir da marcação de Taka. Até então bem contido, Kuma, de pé esquerdo, viu Bob livre na linha da área e tocou para ele marcar o primeiro gol do jogo. Após cobrança de escanteio, Taka subiu livre no meio da zaga de cabeça para colocar a bola no ângulo e fazer explodir de vez a raça peruana em campo. Luiz Eduardo, no meio do gol, só pode mover a cabeça para ver a bola entrar.

O MachuPichu se empolgou e, poucos minutos depois, Taka intercepta passe na defesa e parte para o ataque. Ele vai driblando, cortando, ninguém do Roleta dá o bote final e, num corte final na zaga, fica de frente para o gol e manda um belo chute reto e certeiro. A bola foi muito próxima de Luiz Eduardo, mas este manteve-se pregado ao chão e nem esboçou reação de ir na bola. Era a virada do Machu.

Com o placar a favor, o ataque do MachuPichu passou a se movimentar mais e a aparecer. Danilo, nas poucas vezes que pegou na bola, impunha mobilidade e distribuía dribles, como o rolinho aplicado em Baru, uma de suas principais vítimas, vide as demais partidas entre as equipes. Outro que mostrou habilidade de sobra foi Ricci. Mais cheio que os demais jogadores, o camisa 17 mostrou que pode estar mais pesado mas a habilidade continua a mesma. E a vítima preferencial de Ricci no jogo foi também Baru. Primeiro um drible na lateral esquerda sobre a linha do meio de campo em que o zagueiro ficou no chão, depois um chapéu na outra ponta, na lateral direita. Ricci demonstrava que vontade e habilidade naquela partida poderiam fazer a diferença.

Mas Baru não levou apenas dribles não. Cortou diversas bolas ao lado de Pina, o melhor da defesa Roleta, e até se aventurou ao ataque. Numa delas, um chute para fora sem perigo, mas na segunda tentativa, em arrancada pela esquerda, avançou e chutou com veneno para bela defesa de Emílio, que desviou o mínimo para fazer a redonda passar rente à trave direita e ir para escanteio.

Mas a grande esperança do Roleta, o até agora MVP do V Chuteira Kuminha, não conseguia dar seus dribles e ganhar na velocidade. Quando não era Taka, era Marcel, que mostrou tremenda raça e velocidade para travar e cortas investidas do jogador. O Roleta colocou Martins em campo, buscando aquela referência no ataque da qual sentia falta.

A modificação do Roleta deu certo. Se Martins não resolveu fazendo o gol, ajudou a atrapalhar a bagunça na área após cobrança de falta a favor do Roleta que a bola ficou rondando a frente do gol. Na indecisão e saída de Emílio, Bob empatou o jogo. Martins comemorou muito, principalmente contra a torcida que apoiava o Machu fora de campo. E o gol de empate fez soar o apito dos árbitros indicando intervalo de jogo. O MachuPichu, jogando e marcando melhor, saía com o empate no último minuto da etapa inicial.

No intervalo as duas equipes fizeram questão de se reunir novamente, gritar seus respectivos nomes, mostrando que ninguém estava ali para desistir, e que esse jogo só seria decidido no final. O segundo tempo iniciava e com um MachuPichu mais cansado, tanto que o Roleta passou a dominar a partida. Kuminha finalmente mostrava a que veio e chamava a bola pra si, mas certamente nunca havia sido marcado com tanta vontade. Quando passava por um, logo vinha outro, quando passava do outro, vinha o um ou ainda um terceiro. Fato é que Kuminha mostrava muita habilidade, mas não conseguia ser decisivo. O MachuPichu não deixava.

E com os atacantes muito marcados, coube a Gegê, que entrara bem na partida, dando mais vibração ao time dentro de campo, jogar uma ducha de água fria nos peruanos. Em belo chute cruzado da esquerda do campo, ele colocava o Roleta em vantagem, dando a impressão que ali a partida seria decidida já que a equipe jogava pelo empate. Mas quem assistia percebia que o time de vinho estava numa tarde especial, jogando como nunca havia jogado nesse V Chuteira. Praticamente no lance seguinte, Ricci, o “imperador” peruano, recebeu na área e girou rápido, mandando a bola no canto do mais uma vez estático goleiro Luiz Eduardo. Novo empate e sobrevida ao MachuPichu no jogo.

O empate classificava o Roleta, mas, inexplicavelmente, foi justamente o Roleta que passou a jogar com certo desespero atrás do gol. Bruno, voltando da contusão depois de um mês afastado, tentava das suas jogadas no ataque, mas de efetivo nada conseguia. O MachuPichu se encolheu e viu o Roleta crescer. Kuminha, Bob, Nação e Bruno viram a estrela do goleiro Emílio brilhar, seja com defesas de ponta de dedo, seja com a sorte de bolas baterem na trave ou saírem raspando. Ao invés de esperar o MachuPichu em seu campo, o Roleta subia ao ataque com tudo, apresava reposições de bola e carregava em si certo nervosismo. O MachuPichu jogava do jeito que gostava, defendendo-se e mandando bolas para Ricci resolver. E o imperador peruano deu trabalho para a zaga Roleta. Se não fosse Pina, Ricci teria marcado certamente mais dois gols. Numa delas, após se livrar do zagueiro, foi o pé de Pina que chegou providencialmente para cortar chute de dentro da área do camisa 17.

E o custo de perder gols veio aos 25 minutos. Era a hora do sonho Roleta de vencer um jogo de mata-mata acabar. Marcel, em partida excepcional, recebeu no meio campo e lançou Danilo. Este, mesmo franzino, ganhou no corpo do zagueiro, virou e, em vez de chutar ao gol, tocou para Thiago Branco, que vinha pela direita acompanhando a jogada. Branco, predestinado, no lugar certo e na hora certa, deu um leve toque de chapa no canto oposto do goleiro. Luiz Eduardo, estático, apenas viu a bola entrar e morrer no fundo das redes para explosão de alegria dos peruanos e da torcida, que contava com Mikas, amigo do MachuPichu, comandante do Tosco e ex-companheiro de Kuminha e Luiz Eduardo.

Foi o gol da vitória da raça, da vibração, da garra e da habilidade de jogadores de fato decisivos. Taka e Ricci demoliram o Roleta. Foi a melhor atuação dos dois num jogo do Chuteira. Ricci ainda fez falta no ataque com direito a cartão amarelo para passar o tempo. Tempo que não teve, pois logo o apito final soou e o MachuPichu comemorou diante da decepção, mais uma vez, do Roleta. Luiz Eduardo despencou no chão, incrédulo, e por lá ficou, estático, por uns 5 minutos. O azarão do Chuteira estava na próxima fase, e o amarelão do Chuteira ficava no quase novamente, pela terceira vez.
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