“Um por todos e todos por um” foi o grito de guerra ouvido pelos jogadores do Melville vindo do lado do Fiorella e que talvez reflita bem a postura do novo campeão do Chuteira de Ouro.
Depois da Equipe Bróder e do SNG conquistarem o bicampeonato, mais um time pode chegar à proeza caso jogue o próximo Chuteira. O Fiorella Brasil fez bonito diante da forte e até ali a única equipe invicta do campeonato, o Melville, e se sagrou campeão com 5 a 3 no placar.
O jogo começou pegado pelos dois lados, tanto que os gritos de “UUUUUUU” (marca registrada do Joga 13) podiam ser ouvidos por Felipe, camisa 20 do Melville, de fora de campo. Dentro, tanto Melville quanto Fiorella tinham tal tática de vibrar a cada bola retirada de sua defesa ou corte no adversário. Além disso, as pancadas firmes na bola a cada rebatida da defesa, em especial Sebastião Alves, ecoavam na quadra.
Até os 8 minutos de jogo os goleiros quase não trabalharam, até que o artilheiro Van Van, camisa 11 do time representante da ótica, após bate-rebate na área, empurrou para as redes, fazendo 1 a 0 no placar. O atacante Felipe, do Melville, além de tentar intimidar os adversários, tentou também fazer o mesmo com o árbitro, que não hesitou em aplicar o cartão amarelo no irritado jogador, aos 16 minutos, obrigando o time a pedir tempo. Em nenhum outro jogo se viu o MVP do V Chuteira tão irritado, que saindo de campo ainda avisou que se o time dele não ganhasse ia ter porrada.
Até que o pedido de tempo adiantou, pois o Melville segurou o Fiorella até os 18 minutos com um jogador a menos. Ironicamente, logo após a volta de Felipe, já mais calmo, Tiago Silva e novamente Van Van ampliaram o placar para 3 a 0: o primeiro com um chute forte do meio de campo que o goleiro aceitou num verdadeiro frango. Ele bateu na bola, que foi lentamente para trás dele até entrar no gol. O segundo de Van Van marca mais uma vez o oportunismo do rápido jogador, aos 20 minutos.
A dúvida ali era saber se o nome POWER adiantaria de alguma coisa para um time que não conseguia jogar, questionado por alguns torcedores que ironizavam se a final já havia começado. Ouviu-se mesmo um coro de jogadores do Joga 13 que falava assim: “Não é mole não, ganhar do 13 para ser vice-campeão”.
Os 3 a 0 deram certa tranqüilidade ao Fiorella, que, além de parar de jogar, parecia ter cansado e morrido em campo, tanto que antes de apitar o fim do primeiro tempo Felipe diminuiu quase em cima da linha após bobeira da zaga.
A vantagem “tranqüila” do Fiorella foi tirada no segundo tempo. O time não voltou bem, ainda desligado, e para compensar, Fonseca, seu goleiro, até então apelidado por um torcedor mirim, de GOLEIRO DO CIRQUE DU SOLEIL (pelas defesas plásticas realizadas até o momento, de dar piruetas e fazer malabarismo nas defesas), resolveu empatar no número de frangos com Marcos Rogério, goleiro do Melville. Ele engoliu um voador no momento que seu time passava por apuros, fazendo com que o time adversário encostasse ainda mais mo placar, com Jose.
O jogo pegou fogo e a torcida de Alemão, Felipe e Maurício, que mostrou ser uma das mais animadas do Chuteira, com bandeirão e tudo, motivou o time de Alphaville/Carapicuíba a empatar o jogo, após falha na saída de bola do zagueiro Rogério Silva. Dimba não quis nem saber quem falhou e marcou aos 14 minutos do segundo tempo o gol de empate, contra um time que não só parecia cansado quanto também perdido. Em compensação, quando levavam a bola para o meio do campo para fazer a reposição, todos os jogadores fizeram questão de ir levantar a cabeça do zagueiro e dar confiança a ele. Solidariedade que não se vê muito em campo.
Além de ceder o empate, o Fiorella viu ainda seu principal atacante, Van Van, torcer o tornozelo e abandonar a partida. Parecia aí que Alemão finalmente, a exemplo do Joga 13, não sofreria com a sina do TRI. Para ele, TRI VICE-CAMPEÃO.
Garo e Jose não deixavam passar mais nada na defesa do Melville quando o Fiorella passou a buscar a vitória. Mas, enquanto o Melville levava mais perigo no ataque, eis que o destaque do jogo, o herói da partida e MVP da mesma, Sebastião Alves, ou Tião, como é chamado por todos do Fiorella, mandou um torpedo de antes do meio de campo que seguia rumo às mãos do goleiro. Parecia até teleguiado, mas a trajetória foi levemente quebrada pelo aguerrido zagueiro que não estava deixando passar mais nada. Tanto não queria que a bola passasse que não hesitou em colocar o pé na bola, na tentativa de defender a sua meta. Garo, o leão da defesa, acabou por desviar ali aquele torpedo, que explodiu em seus pés e foi redirecionada para o fundo das redes da meta melvillense. O goleiro nada pôde fazer. Eram pouco mais de 20 minutos do segundo tempo.
Após o gol, parecia que o tempo não passava, mas, para sorte do Fiorella, o torpedo provocou o nervosismo geral no time adversário, que tanto lutou para conseguir o milagroso empate. E o desespero pelo empate fez com que o Melville se expusesse à sua maior arma – o contra-ataque. E coube a Sérgio Penna selar o destino campeão do Fiorella ao pintar uma obra de arte marcando um dos gols mais belos das diversas edições do Chuteira. Ele recebeu como um legítimo pivô e mal a bola chegou já virou rapidamente para mandar um sem pulo que encobriu o goleiro e foi morrer no ângulo do goleiro, que desta vez não levou um frango, mas viu a coruja reclamar e o Melville Power afundar de vez.
Estava aí decretado o novo campeão depois de um ano de supremacia SNG. O time inteiro do Fiorella festejou com familiares e amigos, que invadiram a quadra, com direito à famosa comemoração do jogo de boliche e, sim, o momento mais emocionante e arrepiante, ao finalizar a união e vitória com um PAI NOSSO, no meio do campo, provando que não basta somente jogar, mas também ter confiança e fé.
Parabéns ao Fiorella e lógico, ao Melville, que fizeram uma final digna de ser marcada com um ponto de motivação para os próximos torneios, para os próximos campeões, bicampeões ou mesmo tricampeões.
Uma coisa é certa, com óculos ou sem, o Fiorella enxergou bem o caminho que trilhou e mereceu o título. Não só pelo belo futebol apresentado e pela experiência do elenco, mas principalmente por uma das grandes virtudes de um time verdadeiramente campeão – a união e a fé. Destas duas coisas o Fiorella também foi certamente o campeão.
SNG E JOGA 13 FAZEM “JOGO DE COMPADRE” PELO 3º LUGAR
A disputa pelo 3º lugar na quinta edição do Chuteira de Ouro sem dúvida seria marcada pela quebra de um tabu. Ou o SNG tiraria o 3º lugar consecutivo do adversário (Joga 13 foi 3º colocado nas duas últimas edições) ou o Joga 13 enfim venceria o rival – (4 derrotas em 4 jogos). Com o empate em 3 a 3, levando o jogo para o gol de ouro, nenhum dos tabus caíram, pois o placar que vale é o do tempo regulamentar.
Em um primeiro tempo sem uma única falta, estava revelado um confronto sem muitas ambições, decepcionando talvez o zagueiro Totó, que comentou antes da partida: “SNG e Joga 13 nunca jogam para perder e é quase impossível que o jogo não seja pegado!”.
Engano de Totó. O que se viu foi o jogo mais amistoso de toda a história do Chuteira, marcado por um duelo que pelo menos poderia ter deixado a torcida na expectativa, pois em campo ainda havia a esperada disputa pela artilharia, novamente protagonizada por Renê e Lele, nomes do jogo, o primeiro pela nítida atitude de não querer mais fazer gols, e o segundo marcado pelo próprio Renê na maior parte do tempo jogado.
O jogo começou frio e terminou morno, com um Joga 13 chutando mais que o SNG. O primeiro gol saiu logo no primeiro minuto de jogo e foi do 13, com Calado, número 22, com um chute de fora da área, no cantinho de Messi, que nem se mexeu.
Memé empatou aos 5 minutos e Biro, meio de campo do SNG, virou a partida aos 8. Quem pensou que o jogo pegaria fogo a partir da virada do SNG, novamente se enganou. Lele, sempre ele, marcou dois gols seguidos, aos 12 e aos 16, fechando o placar do primeiro tempo em 3 a 2 e empatando em número de gols com o até então artilheiro do campeonato e maior do toda a história do Chuteira, Renê.
Detalhe que no momento que Lele fez o seu segundo gol, Renê pedia substituição pelo goleiro Sampa, que estava louco por jogar na linha, enquanto o camisa 11 estava sedento pela água milagrosa, ironicamente feita de CEVADA, nome tão honrado pelo adversário. Nem a torcida de seus familiares conseguiu manter Renê em campo.
Segundo tempo e o tão esperado duelo começava, mas de uma maneira inédita, prometida, mas inédita. Renê virou zagueiro e o seu alvo era justamente aquele que podia superá-lo na artilharia, o matador Lele. Cenas de teatro tomaram parte do aguardado espetáculo, com direito a pontapés do zagueiro improvisado e de rolamentos no chão do camisa 9 do 13. Além do duelo de rolinhos, sem sucesso, a torcida pôde ver dois jogadores que mais pareciam cachorros no cio, um se esfregando no chão e outro caindo por cima, um verdadeiro show de carinhos.
Aos 13 minutos do 2º tempo, Renê conseguiu a proeza de cometer a primeira falta do jogo, logo após a jogada mais bonita do jogo, feita por Tejeda, este sim interessado em ganhar, que cruzou da direita na cabeça de Biro para empatar. Um golaço.
Aos 15 minutos mais uma promessa de emoção, pênalti para o Joga 13. A torcida pediu Lele, o 13 queria Lele, mas quem bateu foi Calado depois de Lele amarelar para a cobrança. E Calado “calou” a torcida que aguardava mais um gol do 13 ao bater no meio de gol em cima do goleiro Messi, que defendeu com os pés.
O jogo seguia tão sonolento que algumas cenas de não-torcedores foram percebidas. Por exemplo: um deles estava ouvindo seu ipod sem se preocupar com o que acontecia, outros estavam acompanhando o jogo que acontecia na quadra de trás, mais um comentou que os dois times nem eram tão bons assim como se dizia e até a possibilidade de Renê e Lele acabarem o campeonato como artilheiros foi cogitada.
Polêmica, só Caieras, goleiro do 13, foi capaz de realizar, enquanto dizia que estava faltando seriedade para os jogadores do próprio time. Dizia é modo de falar, pois Caieras berrava seriedade e bronca, primeiro em Guma depois de Rafinha. Aliás, reclamação do goleiro que jogou com o dedinho da mão mais torto que galho da caatinga nordestina. E de fato ele estava certo, pois a falta de vontade marcou vários dos jogadores, tanto do 13 quanto do SNG.
Mesmo assim, o jogo de compadre ficou nitidamente explícito até que Tejeda pusesse fogo no jogo ao tentar o gol a todo custo. Finalmente alguém jogava como homem. Com ele vieram Biro e Memé, forçando o Joga 13 a se preocupar mais. E os zagueiros seguraram a onda até o término da partida, que ficou mesmo no 3 a 3.
Um dos torcedores até pediu pênaltis direto, mas a torcida tinha que assistir, obrigatoriamente, ao desejado “Gol de Ouro”. Renê queria o empate para não derrubar nenhum dos tabus que podiam cair na partida. Ele queria pênaltis direto, mas a regra manda pra prorrogação, e foi isso o que aconteceu.
Logo aos 2 minutos da prorrogação, Lele resolve fazer o que todos cobravam dele, mas não vinha fazendo em razão de acerto com Renê antes da partida em dividir a artilharia. Marmelada que Lele acabou por descumprir em razão da pressão de sua equipe para jogar sério. Resultado: Renê quis ficar marcando Lele, não fez gol e acabou levando o seu terceiro na partida, 31º no torneio e encerrar a disputa. Lele, de cabeça após cobrança de escanteio, manteve o tabu de nunca ter perdido uma disputa pela medalha de bronze. Ouro, além do gol, foi a estrela que Lele recebeu como MVP da partida.
Já pelo lado de Renê, mais uma vez cumpriu uma promessa, pois havia comentado que naquele jogo economizaria dois troféus com o seu nome no Chuteira, e conseguiu – perdeu de artilheiro por um acordo ingênuo (afinal, Lele quebrou e ficou com o troféu) de quem não queria jogar e o SNG perdeu na prorrogação para o Joga 13. Como no Chuteira o que vale é o resultado nos 50 minutos, oficialmente a partida acabou empatada, com vitória na prrorogação, o que mantém o SNG sem perder para o Joga 13. Ao final, Renê conseguiu o que queria – manter os 2 tabus de pé.
Apesar de ter sido um jogo de amigos, lamenta-se a pouca vontade e a postura de alguns em desmerecer a disputa de 3º lugar, desdenhando o torneio e mostrando que apenas enquanto o título está aberto jogam pra valer. Se por acaso forem desclassificados antes do final da fase de classificação, esses jogadores optariam por dar WO? Se sim, a moral em criticar Bucets está perdida, pois desdenhar uma disputa de medalha de bronze está no mesmo nível.
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