13 de dezembro de 2008, 15h30, PlayBall Pompéia, quadra 4
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GOL DE OURO DE PAULINHO DÁ TÍTULO AO KADÊNCIA
Mesmo não contando com dois times dos mais conhecidos do campeonato, a partida final do VI Chuteira de Ouro entre Estudiantes de la Vila e o Kadência foi digna de uma grande decisão. Houve de tudo no confronto que valeu o título do Chuteira: lindos gols, alternâncias de vantagem no placar, expulsão, cartões amarelos que fizeram a diferença, craque saindo contundido e, o mais importante de tudo, um futebol muito bem jogado que fez com que a partida fosse extremamente empolgante, tanto para quem estava em campo jogando como para quem assistia da arquibancada.
Antes da partida, Paulinho, do Kadência, e Caio, do Estudiantes, os dois principais jogadores de cada equipe (e também do campeonato), estavam totalmente focados na grande decisão. Ambos, que disputavam também o prêmio de MVP do campeonato, afirmaram à reportagem que muito mais do que levar o troféu de melhor jogador, o que eles gostariam era de deixar a quadra no final da partida com o título de campeão. Ainda minutos antes de a bola rolar as duas equipes fizeram o mesmo ritual: abraçaram-se, conversaram e arrumaram os últimos detalhes para o confronto (veja vídeo abaixo). Ao final de tudo isso os jogadores, tanto de Kadência quanto do Estudiantes, deram seus gritos de guerra e foram para a luta.
A bola rolou, e o primeiro chute a gol na decisão foi dado por Julian, que saiu da marcação de Rafa Lorente e bateu do meio da rua por cima do gol. O time de la Vila também mostrou sua força ofensiva nos primeiros movimentos do jogo: Caio cobrou lateral para Rafinha dentro da área, que tentou concluir ao gol mas foi travado pelo zagueiro. Pouco depois o goleiro Renato saiu jogando errado. Rafinha interceptou a bola na intermediária e soltou uma bomba que passou com perigo à direita do gol kadenciano.
Não demorou muito para que as duas equipes balançassem as redes. Pedrinho chutou de fora da área, a bola, que entraria no gol, explodiu nas costas de Paulinho, mas para a sorte do Kadência ela sobrou para Renan dentro da área matar no peito e encher o pé para marcar o primeiro. Todavia, no minuto seguinte, os estudiantes chegaram à igualdade. Nem deu tempo dos kadencianos comemorarem a vantagem. Piero chutou cruzado da direita do ataque, Lorente apareceu livre dentro da área e com um lindo toque de letra por debaixo das pernas de Renato anotou o empate.
O Kadência tentava chegar ao segundo gol, Julian chutou outra vez praticamente do meio campo e obrigou o goleiro Richard a rebater de qualquer maneira. Pedrinho dançou com a bola na frente de Piero, achou um espaço e bateu para o gol. Mais uma vez o arqueiro do Estudiantes foi buscar. Outro lance de perigo, Paulinho recebeu passe longo de Cristiano dentro da área de costas para o gol. Contudo, antes que o craque do Kadência tentasse alguma coisa, o goleiro apareceu nos pés do atacante para travar a bola. Do outro lado, o Estudiantes respondeu com Lorente batendo rasteiro no canto esquerdo, que o goleiro foi buscar.
Embora fizesse uma boa partida, o goleiro do Estudiantes não segurava uma bola. Todos os chutes contra seu gol resultavam em rebatidas. Num escanteio cedido por Richard, Paulinho colocou a bola na área, Cristiano testou firme no chão e o goleiro espalmou outra. Julian não demonstrou confiança no goleiro rival e arriscou mais uma de longe. Richard espalmou do jeito que deu, quase com uma manchete de vôlei.
Eis que chegou a hora de um dos lances polêmicos do jogo. Piero sofreu um sanduíche dos marcadores kadencianos e ao cair no chão colocou a mão na bola e se levantou para seguir na jogada já que não havia sido marcada falta. O árbitro entendeu que não houve falta, mas do camisa 10 do Estudiantes por ter tocado a bola com a mão. Para piorar, puniu o atacante com um cartão amarelo. Os dois minutos que o Kadência ficou com um homem a mais foram suficientes para a equipe anotar dois gols e deixar a primeira etapa com uma boa vantagem. De fora da área, Cristiano enxergou espaço na marcação adversária e bateu uma bola rasteira e cheia de efeito. Richard até chegou nela, mas não conseguiu pegar. Kadência fazia 2 a 1.
O Estudiantes se descuidou outra vez, e sofreu outro gol. Renan roubou a bola no meio, arrancou com Paulinho em contra-ataque dois contra um. O artilheiro puxou a marcação, deixando seu companheiro livre para avançar até a área e tocar na saída do goleiro para anotar 3 a 1.
Ainda no primeiro tempo o Estudiantes tentou diminuir, Caio teve boa oportunidade em cobrança de falta ensaiada, mas chutou prensado na marcação. Pouco depois, dois jogadores no banco do Kadência tomaram cartão amarelo por estarem sem camisa. Na verdade, eles estavam trocando de camisa para que Xe-Xe pudesse jogar. Dentro de campo, o Kadência tomou outro cartão: Renan tomou um amarelo após cometer falta no adversário. Na cobrança da falta, Lorente rolou para Lê Raito chutar com perigo no último lance do primeiro tempo.
Durante o intervalo os jogadores do Estudiantes se reuniram mais uma vez e Piero pediu para todo mundo correr mais e, quando estivesse cansado, que pedisse para sair. De fato os estudiantes já haviam apresentado durante o campeonato um futebol melhor do que esse frente ao Kadência. Já com a bola rolando no segundo tempo, não demorou nada para o Estudiantes chegar ao segundo gol. Com um a mais, a equipe tocou a bola, Caio lançou Rafinha na direita, que achou Rafa Vasques livre dentro da área. O robusto jogador do Estudiantes só teve o trabalho de colocar no fundo do gol. 3 a 2 no placar e o Estudiantes também aproveitava a vantagem numérica.
Já com sete contra sete na quadra, o jogo ficou mais morno e as duas equipes tocavam a bola. O time de la Vila queria chegar ao empate, mas sabia que tomar outro gol àquela altura da partida poderia ser fatal. Quem assustou foi o Kadência: Paulinho livre dentro da área tentou desviar a bola de voleio lançamento feito por Cássio, mas a bola foi facilmente defendida pelo arqueiro. Enquanto o Kadência assustava de um lado, o Estudiantes chegava ao empate do outro. Rafinha recebeu lateral cobrado por Peter de frente para o gol e, no meio dos adversários, ele acertou um lindo chute de primeira e empatou. Festa dos jogadores e da torcida do Estudiantes, que fazia bastante barulho.
Tendo chegado à igualdade, o Estudiantes se animou ainda mais e partiu em busca da virada. Junior arriscou de longe e o goleiro Renato espalmou para escanteio. A partida ficou quente quando Julian e Peter dividiram duro na ponta esquerda do ataque estudantense. Eles se empurraram, foram para o chão e sobrou pé em um e pé no outro. Julian saiu enraivecido e reclamando muit – chegou a chamar o adversário de mau caráter. O bate-boca rendeu aos dois o cartão amarelo.
O jogo ficava dramático e, mesmo no seis contra seis em campo, a equipe de la Vila seguiu pressionando. De cabeça Raito colocou na área para Junior, também de cabeça, mandar para o gol, para segura defesa de Renato. Mas a pressão valeu a virada para o jovem time do Estudiantes. Rafinha, que foi o grande destaque individual da final, passou pelos marcadores e chutou. O goleiro fez grande defesa, mas no rebote Lorente marcou 4 a 3.
Quando parecia que o Estudiantes sairia de campo com a taça, mais uma vez um cartão mudou a história da decisão. Pedrinho tentou dar um rolinho em Lorente, que chegou duro por baixo e com cotovelo. Alguns viram cotovelada, outros viram um braço sobrando que bateu em Pedrinho, mas certo é que o árbitro não hesitou em sacar o cartão azul para o jogador do Estudiantes. Perder Lorente naquela altura seria um grande prejuízo, mas a coisa ficou pior quando o camisa 18 não aceitou o cartão e passou a reclamar muito. Seus companheiros até tentaram tira-lo de campo para não receber o vermelho, mas quando ele mostrou o dedo do meio e falou algumas palavras de baixo calão, não havia mais nada a ser feito – cartão vermelho a ele e o Estudiantes jogaria os 10 minutos finais de jogo com um a menos.
A expulsão foi o chamado para o Kadência ir com tudo em busca do empate. E o gol não demorou a sair: Cássio fez ótima jogada pela linha de fundo pelo lado direito, entrou na área e, quase sem ângulo, empatou novamente o confronto. Sem dúvida a expulsão de Lorente prejudicava muito o Estudiantes, mas mesmo assim a equipe seguiu lutando. Caio passou por Renan e, de longe, soltou uma bomba perigosa, mas o arqueiro foi bem e defendeu. Nesse momento o Estudiantes era pura raça. Prova disso foi a maneira como o incansável Lê Raito, chamado pelos colegas de Maldonado, vibrou depois de travar investida de Cássio pela direita. Mesmo com um jogador a mais o Kadência não conseguiu chegar ao gol da vitória nos minutos finais de partida, e com a igualdade no placar o confronto seria decidido na prorrogação.
Morte súbita, ou gol de ouro, quem marcasse primeiro se sagraria o grande campeão do VI Chuteira de Ouro. Com seu homem a mais o Kadência tomou o controle da bola, a equipe tocava de pé em pé mas demonstrava receio de se expor aos contra-golpes do rival. Caio, que já estava visivelmente exausto, avançou pela esquerda e sofreu dura falta. O árbitro marcou a infração, mas não mostrou cartão ao jogador adversário. O capitão do Estudiantes ficou no chão por uns bons 3 minutos até que se levantou e saiu de campo mancando e sentindo muitas dores. O craque do time estava fora nos minutos finais da partida. Na cobrança da falta, Junior bateu com perigo à direita do gol. Pura tensão no ar, pois qualquer lance poderia definir o campeão.
Por mais que o Estudiantes tenha lutado, e mesmo com um a menos tenha encarado seu adversário de igual para igual, o gol do título não poderia ter saído de outra forma. Paulinho, o artilheiro da competição, que não fez nada durante o jogo a não ser furar bolas e perder boas chances, mostrou por que é o matador que é e apareceu exatamente na hora certa para decidir o campeonato. Cássio sofreu falta no campo de ataque. Na cobrança, Paulinho recebeu na esquerda do ataque, tabelou com Pedrinho e, de dentro da área, chutou forte e no alto, sem chances para o goleiro (veja gol relâmpago no vídeo abaixo). A bola tocou no travessão, dentro do gol rente a linha e saiu. Alguns jogadores do Estudiantes até foram reclamar com o árbitro, mas não adiantava mais – a bola realmente havia cruzado a linha e os jogadores do Kadência já gritavam “é campeão”!
Enquanto o Kadência comemorava, os jogadores do Estudiantes foram para cima da arbitragem reclamar dos lances de cartão amarelo e da expulsão. A amarga derrota pesava naquele momento, pois para eles o árbitro tinha decidido o jogo. Ânimos contidos, enfim o Kadência recebeu a taça de campeão (vídeo acima). Fora de campo, Caio fazia gelo na perna, descrente da derrota quando o gosto doce do título esteve tão próximo dele.
Após 3 meses de competição e 147 jogos jogados, dos 24 times que começaram apenas um levantou a taça. E esse time foi o Kadência, que se sagrou campeão com uma bela campanha. Foram 15 jogos do time liderado por Paulinho e Cássio, com 9 vitórias, 4 empates e apenas uma derrota – justamente para o Estudiantes na fase de classificação. No mata-mata, dois empates que o classificaram graças à melhor campanha na primeira fase (2º melhor time do Grupo B), uma goleada e um empate na final com vitória do gol de ouro. “Aos trancos e barrancos, o Azarão chegou!”, gritava Paulinho na comemoração do título, lembrando do apelido que ele mesmo deu ao seu time. Resta ver se, ano que vem, quando o Kadência não for mais azarão, como se comportará a equipe.
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