Equipe fez o gol logo no início e se defendeu como pôde para garantir sua 3ª final seguida; contra o Fora, a luta pelo tricampeonato
Por Douglas Almasi Santos
Pela terceira vez consecutiva o SNG chega à decisão da Ouro e mantém o sonho do tricampeonato. Com um futebol prático e objetivo, a equipe marcou no início do jogo e se segurou de forma brilhante, minando todas as tentativas de aproximação do ataque do Arouca. “Saí do Acidus e vim pra este time porque aqui posso ser campeão”, relata o craque Ronei, que até agora amarga dois vice-campeonatos. Já o time de Luisinho Alexandre se despede do certame com campanha brilhante – foi o líder do Grupo B e eliminou o Bengalas -, prometendo uma temporada 2011 de muita luta e conquistas, mas sem o próprio Luisinho, que anunciou que se muda para os Estados Unidos estudar e jogar por lá.
O campo estava encharcado por conta da chuva que caíra momentos antes de a bola rolar. A partida começou de forma muito estudada, com poucas oportunidades para a abertura da contagem. Os times pouco se arriscavam, com receio de levar o gol que poderia mudar os rumos do duelo. Dava-se a impressão de que quem fizesse o primeiro gol chegaria à decisão. E a impressão se confirmou. Ronei recebeu na direita e fez linda jogada, aplicou belo drible em seu marcador, avançou para o meio e, de pé esquerdo, acertou o canto direito do goleiro Maurício. SNG em vantagem e muita festa com o camisa 13 do time.
O jogo começou a ficar mais movimentado, com o Arouca visando o empate e o SNG com todo o contra-ataque à disposição. André Varanda recebeu passe, girou e chutou para defesa segura de Sampa. Em jogada de contra-ataque, Felipe Augusto recebeu na esquerda e chutou, Maurício deu rebote, mas Renê pegou muito em baixo da bola e ela subiu. O Arouca respondeu com chute de Luisinho Alexandre, mas Sampa fez bonita defesa e espalmou a escanteio. Quem tratava grande duelo era o zagueiro Vitão e o atacante Renê. O craque do SNG tentava, mas o xerife da zaga do Arouca estava atento, aliviando as jogadas do camisa 11 laranja.
Apesar das tentativas, o duelo ainda era muito truncado, com os times pouco se arriscando. A guerra tática e mental dava a tônica do momento do jogo. Com isso, as defesas se sobressaíam, e um jogador começava a se destacar: Biro. O camisa 7 do SNG desarmava com categoria, e ainda saía jogando com maestria. O último lance da etapa primeira começou de seus pés: ele fez passe até Fabinho, o camisa 8 fez boa trama pelo meio e, de bico, chutou, mas a bola foi fora com muito perigo. E assim a partida foi ao intervalo com vantagem de um gol ao SNG.
Na etapa final o Arouca veio disposto a empatar. Mas, para isso, precisava furar o forte bloqueio – além da experiência – do SNG. Nos primeiros minutos, o Arouca chegou uma vez com Everton Nunes e outra vez com Marquinhos Bohn, que em cobrança de falta levou muito perigo à meta de Sampa. O Arouca detinha mais a posse de bola e esperava o momento certo para atacar. Já o SNG é um time copeiro e usava de sua experiência para acalmar as investidas adversárias, além de ter a seu dispor os contra-ataques. Em um deles, Renê recebeu na área, ficou cara a cara com Maurício e chutou, mas o guarda-metas do Arouca saiu bem debaixo de sua trave e defendeu.
Atrás no placar, ao Arouca não restava mais a não ser atacar. Em trama rápida do time, quando o atacante surgia livre na entrada da área, foi parado no corpo por Renê. Muita reclamação por parte dos atletas do Arouca pedindo cartão amarelo ao camisa 11 do SNG (o que seria justo), mas os árbitros não entenderam dessa forma e não aplicaram o cartão, revoltando os atletas arouquenses. Na cobrança de falta, Marquinhos Bohn chutou e a bola passou muito perto do gol de Sampa. Lançamento na área, Veloz tentou desviar e quase enganou Sampa, que colocou a escanteio.
Os minutos finais foram emocionantes, com o Arouca martelando enquanto o SNG fazia seu tradicional ferrolho, não deixando passar nada. Marquinhos Bohn teve a última chance do Arouca, quando recebeu e chutou forte, mas Sampa, atento, desviou e salvou o SNG. No fim, em cobrança de lateral, Vairo pegou um belo voleio e obrigou Mauricio a fazer linda defesa. Mas não havia tempo para mais nada, e a festa e a vaga na decisão era do SNG: 1 x 0 e muita comemoração dos atletas.
O SNG encara mais uma final pela frente, e no seu caminho terá o surpreendente Fora de Série. “O jogo vai ser no dia do meu aniversário. E (o título) dessa vez terá que ser na marra”, fala sorrindo o craque Renê. Já Ronei não espera moleza na decisão: “Agora é descansar. Depois é pensar na decisão, e daí, partir pra cima deles. Mas não será fácil, pois o Fora é bom pra caramba”.
X CHUTEIRA DE OURO: SEMIFINAL
Só Resenha 1 (0) x (1) 1 Fora de Série
FORA VENCE CLÁSSICO ANTE O RESENHA COM GOL DE OURO
Jogo foi muito truncado e terminou empatado no tempo regulamentar. Na prorrogação, o Fora fez jogada sensacional em 20 segundos que lhe rendeu o gol da classificação
Por Douglas Almasi Santos
No clássico que agora vale Ouro, prevaleceu a boa campanha até o momento - além da experiência dos atletas do time mais surpreendente desta edição do certame: o Fora de Série. O time venceu o Só Resenha com um gol de ouro e, de quebra, manteve a escrita de jamais ter perdido para o adversário. O jogo foi truncado, porém, teve no lance da classificação do Fora o momento de maior êxtase. “Hoje eu enxergo o Fora como um time de verdade”, revela o goleiro Casari, que foi mero espectador do duelo. O Resenha, valente, deixa uma ótima impressão de um time que soube o que é o espírito do Chuteira de Ouro.
Quem esperava uma semifinal cheia de alternativa já percebeu, pelo início truncado, que o jogo seria muito nervoso. E os times ainda ressentiam-se de atletas importantes para cada elenco: Cris Nicolas estava suspenso e desfalcava o Resenha, ao passo que Clebão, por questões particulares, ausentou-se do Fora para esta “decisão”, além do contundido Casari. Os times começaram o embate de forma tímida. Poucos lances eram criados. Na primeira chance, Rafael Rezende cobrou falta, Tucano saltou e desviou, a bola acertou o travessão e saiu a escanteio.
Em seguida, mesmo com os ataques ainda frios, o placar foi aberto. E foi preciso um zagueiro: Rica foi conduzindo a bola sem marcação e da intermediária arriscou o chute. A bola desviou e entrou. Gol do capitão Rica e muita comemoração do Fora. Com a abertura do marcador, quem resolveu aparecer foi o Resenha, que nada havia feito até aquele momento. Yuri, da entrada da área, chutou colocado para defesa de Urbano. O guarda-metas do Fora tinha a dura missão de substituir Casari, lesionado no braço. Coincidência ou não, na partida entre as duas equipes na fase de classificação, Casari não pôde jogar e Urbano o substituiu.
Mas o goleiro do Fora não evitou o empate do Resenha: Bruno arriscou o chute de rara felicidade da intermediária e saiu para o abraço. Com o placar igualado, a partida novamente voltou a ficar truncada. Em até certos lances, o jogo ficou aquém de dois times semifinalistas da Ouro, tanto que na torcida havia muitas reclamações do nível do futebol, especialmente do pessoal do NGM, acostumado a grandes exibições.
Lapa fez boa jogada ao Fora, passou entre dois marcadores e chutou cruzado, mas a bola foi fora. Depois, Bruno, ao Resenha, recebeu na entrada da área e chutou, mas dessa vez a bola subiu. Após contra-ataque, Lapa foi acionado e chutou, mas Tucano estava atento e defendeu. No fim da primeira etapa, o Resenha foi um pouco melhor e quase chegou. Primeiro com Dhani, que chutou para fora. Depois, Rafael avançou e arriscou, mas a bola saiu. E Yuri, após receber lançamento, soltou o pé, mas Urbano, no susto, colocou a escanteio.
O Fora ainda tentou com PH, mas Tucano espalmou a escanteio. Intervalo de um jogo equilibrado e duro, mas tudo na esfera do futebol. Na segunda etapa o equilíbrio predominava. Porém, ninguém ficou atrás tentando apenas se defender. Contra-ataque rápido do Fora, a zaga resenhista cochilou, Lapa surgiu livre na cara de Tucano, mas chutou por cima boa chance. A resposta do Resenha veio com Darian, em cobrança de falta, mas a bola foi fora. Zóio fez a jogada pela direita e tocou a Argentino, o zagueiro apareceu de frente pro gol, mas Tucano foi mais esperto e salvou o Resenha. Rica quase se complicou: ele tentou sair jogando, mas passou errado, Fabrício chutou de primeira, porém, a bola foi pra fora. gol perdido incrível.
Enquanto isso, o Fora ia cometendo faltas, o que animava o Resenha. O lance mais bonito da partida foi do Fora, e de Tucano também: Zóio arriscou o chute da intermediária e Tucano espalmou, no rebote, PH chutou à queima-roupa para defesa sensacional do arqueiro, e, no novo rebote, Zóio chutou para mais uma intervenção espetacular.
O Resenha respondeu com Dhani: aproveitando-se de um escanteio, ele desviou para defesa de Urbano. Os goleiros ainda fariam bonito no fim da fase regulamentar: Tucano salvaria o Resenha defendendo chute forte de Rafael Rezende, e Urbano faria linda ponte para salvar tentativa de Darian, após cobrança de falta. Aliás, tratava- se da sétima falta coletiva do Fora, e era nisso que o Resenha se escorava. A tática resenhista para a prorrogação seria a de tomar a bola, partir ao contra-ataque e cavar uma falta que lhe valeria o tiro de 9 metros. Foi assim que o time conquistou muitas vitórias dentro do Chuteira. Mas, dessa vez, o feitiço virou contra o feiticeiro.
Começo da prorrogação com a saída do Fora. A bola foi aberta à esquerda e a marcação dupla fez abrir um buraco no meio de quadra onde se encontrava Cachaça. O camisa 16 dominou e, da intermediária, arriscou o chute, um tiro certeiro que morreu no canto esquerdo de Tucano. Gol de ouro e muita comemoração do Fora de Série. A jogada foi muito rápida. No relógio dos árbitros, o tento foi marcado aos 20 segundos da prorrogação. Classificação suada e merecida ao Fora. “A intenção de início era a de permanecer na Ouro. Fomos ganhando e assim passamos a acreditar. É uma surpresa até para gente”, relata Orley.
O Fora de Série chega à sua primeira decisão na Ouro e terá, na grande final, o SNG. “Acho merecido. O Fora não tem estrelas. No começo da competição, falei com o Rica se tinha outro goleiro, pois não gostava de alguns caras que estavam no time. Ele disse que não havia ninguém. E como não sou de deixar ninguém na mão, decidi continuar. Esses atletas do qual não gostava saíram, e hoje o Fora é uma equipe, e mereceu chegar”, desabafa o goleiro Casari, que irá sofrer do lado de fora na decisão do próximo sábado.
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