Pode parecer coincidência, mas contusão em joelho virou de fato moda. E não apenas entre os profissionais, casos do Alemão do Palmeiras, Nilmar (duas vezes) e muitos outros. Entre os jogadores do Chuteira de Ouro, a “zica” também está solta e já foram vários os times desfalcados no IV Torneio Chuteira de Ouro por problemas no joelho... Aliás, joelho, tornozelo e por aí vai.
A onda foi inaugurada por Lói, do Acidus, que teve uma fratura quase exposta (só não foi exposta porque ele estava de tornozeleira e impediu que o osso ficasse à mostra) no final do III Chuteira. Cirurgia e 5 meses de recuperação (veja matéria nesta edição do Chuteira News). Depois foi a vez de Daniel, do Joga 13, estourar o joelho em amistoso preparatório para o campeonato contra o Roleta Russa em agosto. Segundo as próprias palavras do jogador, “rompi os ligamentos colateral medial cruzado anterior e menisco. Vou ficar de fora pelo menos um ano!”. Daniel sofreu cirurgia em 1o de setembro, quando o Joga 13 estreava no IV Chuteira sendo goleado pelo SNG. A projeção de volta de Daniel a jogar é apenas no VI Chuteira de Ouro.
Enquanto aguarda, Daniel não perde um jogo de seu time e se diz pé quente. “Foi eu sair do time que o rendimento dele caiu. Agora voltei como técnico, já estão rendendo mais. Vou levar o 13 ao caneco esse ano!”, vibra ele, já andando quase que normalmente.
No mesmo Joga 13, o estreante Julian chegou pra jogar contra o Hollanda, pela segunda rodada, e nem teve tempo de jogar. Em lance isolado e sozinho, foi girar o corpo e a perna ficou. Resultado: joelho torcido e outro que teve de entrar na cirurgia. A previsão de afastamento é de pelo menos 6 meses.
Mesma contusão sofreu outro estreante no Chuteira, Felipe Messi, do Só Lance. No segundo jogo do torneio da equipe (primeiro jogo dele), contra o Acidus, Messi seguia na lateral esquerda num lance em que a bola já tinha sido perdida. A perna ficou e o corpo foi. Joelho estourado. E a coisa foi tão séria que até o árbitro comentou com um jogador do Acidus, no momento que ele era atendido, que ouviu o barulho do joelho virando. Messi saiu da partida com muitas dores e teve o diagnóstico na semana seguinte de que precisaria operar.
O time que mais perdeu jogadores por contusão foi o Roleta Russa. Foram 3 até agora. Antes mesmo do campeonato, Rafinha acabou afastado da equipe por contusão no joelho e nem relacionado para o torneio foi, pois a previsão é de uma longa recuperação. Está entregue ao departamento médico por tempo indeterminado. O zagueiro Daniel rompeu ligamentos do tornozelo no jogo contra o Acidus pela quarta rodada. Segundo jogadores, Daniel foi numa dividida com Martins e acabou chutando a sola da chuteira deste, causando o estrago que o afastará do futebol em 2007. Finalmente, fechando a bruxa solta no Roleta, outro zagueiro, Batata, em treino na semana retrasada do time, rompeu 4 ligamentos do joelho e diz adeus ao IV Chuteira.
SNG DISPARA E O RESTO É INDEFINIÇÃO
Em time que está ganhando não se mexe. Para o SNG, esta filosofia não é seguida à risca. Isso porque o time que foi campeão do III Chuteira sofreu modificações no elenco para este IV Chuteira. E, olhando para a tabela, o resultado foi melhor do que antes. “Mudamos alguns jogadores e tivemos a volta do Memé. O SNG está mais forte que antes”, acredita Renê, capitão da equipe.
Em 5 jogos, foram 5 vitórias convincentes da equipe que perdeu apenas 2 jogos em seu histórico no Chuteira de Ouro (11 jogos no III Chuteira mais 5 neste), e foram 2 derrotas – para Fiorella e Bad Boys – quando o time já estava classificado para a fase final no III Chuteira. O retrospecto é excelente e a campanha neste torneio promete ser tão boa ou até melhor que a anterior. Destes 5 jogos, o SNG já enfrentou o Joga 13 e o Roleta Russa, dois times considerados também favoritos ao título. Em ambos, sofreu apenas 2 gols de cada um deles e anotou 7 no 13 e outros 5 no Roleta.
Abaixo do SNG – 6 pontos abaixo, para ser exato – estão 6 equipes empatadas com 9 pontos cada. A definição da classificação se resolve pelo saldo de gols. Acidus, Roleta Russa, Joga 13, Equipe Bróder, Fora de Série e MachuPichu correm atrás do SNG em busca da melhor colocação possível, pois já parece consenso que ultrapassar o SNG ninguém conseguirá mais. “O SNG é um belo time, são favoritos a ser campeões novamente. Mas ainda tem muito jogo, ainda não são campeões”, opina Lele, artilheiro do Joga 13.
A corrida pela vice-liderança por enquanto está com o Acidus na frente, com 1 gol de vantagem de saldo em relação ao Roleta Russa – 13 e 12 respectivamente. Mas a coisa pende para o Roleta Russa, pois terá daqui em diante uma seqüência de 3 jogos contra times que estão na parte de baixo da tabela – Bucets, o lanterna, Só Lance e Tosco. O Acidus tem um páreo duríssimo contra Joga 13, seguidos de MachuPichu e o líder SNG. O 13 enfrenta, depois do Acidus, Bucets e Tosco, e pode acompanhar o Roleta nas primeiras posições. O MachuPichu tem o Hollanda pela frente, depois o Acidus e aí a Equipe Bróder. O Fora de Série joga contra o SNG para depois enfrentar o Só Lance e o Hollanda. Ou seja, nas três próximas rodadas, Acidus e MachuPichu têm seqüências apenas com times do primeiro escalão da tabela.
A briga pela segunda posição está acirrada e tem tudo para esquentar a reta final de classificação do IV Chuteira, tal qual foi a do III Chuteira, quando 4 das 6 vagas foram decididas na última rodada da fase classificatória. Isso porque temos um time virtualmente na liderança e mais 6 times em segundo lugar. Por fora vêm correndo Hollanda e Sport Club CBB, com 6 pontos, e Só Lance com outros 3 pontos. Mesmo o Bucets tem chances ainda – é só ganhar 5 dos 5 jogos, já que com 15 pontos as chances de se classificar são quase de 100%. Ou seja, são 7 vagas em aberto para 11 times.
Com quase metade do torneio jogado, só o SNG parece estar garantido na segunda fase. Aos demais, resta muita luta e gols para seguir adiante na briga pelo título do Chuteira de Ouro.
BUCETS ENFRENTA PIOR CRISE DESDE SUA FUNDAÇÃO
Diante dos resultados negativos, há muito que se refletir sobre o time do Bucets. Na entrevista a seguir, o capitão Denys Volpe fala sobre o momento atual do time – “Somos quase um mini-Corinthians” –, sobre o que esperar daqui pra frente e os problemas que afetam o rendimento da equipe. Segundo ele, “todos os times com os quais jogamos têm mais preparo do que a gente. São quase todos magros e nós, todos gordos”.
Chuteira News - A lembrança do futebol do Bucets é a de um time competitivo, vice-campeão do I Chuteira e do I Festival Bola na Rede. O que pode explicar 5 jogos e 5 derrotas da equipe, sendo quatro delas por goleada?
Denys Volpe - Bem, esse ano não é bem o ano do Bucets. Não treinamos nada, não fizemos amistosos com outras equipes e relaxamos. Achamos que sempre íamos ser os melhores e não precisava mudar nada. Aí depois de 5 derrotas em 5 jogos, vimos que temos que nos preparar para o próximo ano.
Mas vocês fizeram amistosos. Contra o Roleta Russa foram vários e o Bucets perdeu todos eles. Isso não era um sinal de que a coisa não andava bem?
Ah, sim... Só que só jogamos contra os roletas e nunca fomos com gente nova. Nunca levamos muito a sério os jogos contra eles.
Por que não?
A gente achava que na hora de jogar pra valer a gente ia jogar igual ou melhor que antes. Sempre tínhamos na cabeça que o Bucets era o grande Bucets. Tanto é que vimos isso no festival em julho [Bucets foi vice-campeão, perdendo do Joga 13 numa final disputadíssima]...
O que mudou no Bucets do vice-campeonato do Festival Bola na Rede, em julho, para o IV Chuteira em setembro?
Perdemos 4 jogadores que ajudaram muito a gente – o Cabeça [eleito MVP do festival], Japonês, Diogo e Alemão... Sem contar que perdemos também o Maurício e o João, que foram para a Itália.
Mas a base continua a mesma – Denys, Tom, Panda, Vitinho, Brandão, Claudinho e Nathan. Esse time-base do Bucets piorou muito ou os demais times que melhoraram?
Essa base piorou muito e também os outros times melhoraram demais... Nosso time-base está todo gordo e não temos mais a mesma garra e vontade. Todos acham ainda que são os melhores jogadores do mundo e não são.
Qual a perspectiva para esse fim de campeonato? Faltando ainda 6 jogos e com chances de classificação, qual a postura do Bucets daqui em diante?
Bem, a gente vai para cima. Vamos mudar umas peças na hora do jogo e o time-base não vai ser mais o mesmo... Vamos ver se Lele, Michel e Napão se entrosam, vamos apostar neles.
Próximo jogo é dia 20 de outubro, contra o Roleta Russa. O que esperar desse jogo já que vocês vinham jogando sempre contra eles e tomando goleadas?
Vai ser diferente de todos os outros jogos. Vamos pra cima deles e vamos com os nossos melhores jogadores... Eu não acho o time do Roleta um timaço... Eles têm o Bruno, que é o cara... Mas já ficou provado que quando pega um time mais forte, com mais conjunto, o Bruno não resolve. O problema disso tudo é que nosso time não está entrosado com essas peças novas.
Considera esse momento apenas uma má fase ou há de fato uma crise no time do bucets?
É má fase, esse ano todo. Não tivemos organização. Fomos uma espécie de mini-Corinthians. Aliás, no Bucets todos os jogadores são corinthianos.
Quando vão resolver a questão do uniforme?
Isso é também reflexo da falta de organização...
Acredita ainda em classificação?
Sim, sempre né!! Pelo que vejo na tabela, o 7o e 8o lugares estão em aberto... Se a gente jogar sério, sem brigar entre si, dá para classificar. Penso em ganhar todos os jogos, só perdendo para o Se Não Guenta.
O SNG é o melhor time pelo que você viu até agora?
Sim. Eles têm organização, são amigos e estão há 10 anos juntos.
Como pensar em ganhar de Roleta e Joga 13, por exemplo, se perderam mesmo para o time do Tosco e Só Lance, os dois times logo acima de vocês na tabela?
Estamos com o time renovado, com peças novas. Alguns dos que sempre foram titulares vão sentar no banco e dar lugar para os que estão melhores. Contra Tosco e Só Lance a gente estava muito desfalcado...
Como lidar com boatos de que o time gosta muito da noite e isso atrapalha o futebol? Fora boatos de que as esposas estão boicotando o futebol de sábado...
Isso é um grande problema... As noites de sexta atrapalham todos nós. Alguns fumam demais, outros ficam bêbados e chegam na maior ressaca... E sempre estamos jogando num calor de 40 graus. Todos os times com os quais jogamos têm mais preparo do que a gente. São quase todos magros e nós, todos gordos.
O problema do Bucets, então, seria excesso de peso?
80% sim e 20% falta de vontade.
MENOS DE 5 MESES DEPOIS DA CONTUSÃO, LÓI VOLTA A JOGAR
Parecia inacreditável, e muitos jogadores do Chuteira que assistiram ao jogo entre Acidus e Roleta Russa ficaram apreensivos quando viram Lói, no final do segundo tempo, entrar em campo. Era a primeira vez que ele jogava desde a séria contusão no tornozelo em 5 de maio que o afastou do III Chuteira e o levou a uma cirurgia para religar os ligamentos do tornozelo. Naquele final de jogo, em que o Acidus perdeu por 5 a 2, Lói retornou aos gramados, pois não agüentou ver seu time atacar e sofrer contra-ataques do adversário.
Jogou cerca de 5 minutos contra o Roleta, mas contra o Fora de Série, na rodada seguinte, já chegou a jogar quase 15 minutos. “Não tenho condições ainda de jogar um jogo todo, mas aos poucos estou recuperando a forma física. Espero em dezembro estar jogando pelo menos 35 minutos”, confessa ele.
De 5 de maio a 29 de setembro, foram menos de 5 meses de recuperação para uma contusão que muitos o viam jogando apenas ano que vem. “Já sofri uma cirurgia igual a dele. Fiquei quase 8 meses parado e fiquei quase 2 anos sem pisar numa quadra por medo de voltar. Ele parece que superou o medo e isso é o fator mais importante nessas horas”, revela Lele, do Joga 13. Diante do retorno de Lói, que ele considera loucura, Lele ficou apreensivo do lado de fora do jogo do Acidus vendo o companheiro chutar e desarmar. “Fiquei superfeliz com a volta dele, mas ainda acho prematuro ele jogar um campeonato pegado como é o do Chuteira”.
Lói sabe que é prematuro e que talvez mais umas 3 semanas de fisioterapia e fortalecimento seriam importantes, mas a vontade de ajudar sua equipe foi maior. Lói sempre esteve presente nos jogos do Acidus quando a contusão permitiu e, no campeonato, mesmo não podendo jogar, era o primeiro a chegar – muitas vezes antes mesmo da Organização – e o penúltimo a ir embora – só antes da Organização.
Decidido que era hora de voltar, esperamos que Lói possa fazer um bom campeonato dentro do possível para um retorno de contusão e que seu exemplo sirva para os demais contundidos trabalharem para voltar o quanto antes.
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