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Notícias de 12/06/2009

COBERTURA DOS JOGOS DAS SEMIFINAIS DO VII CHUTEIRA DE OURO

VII Chuteira de Ouro: Semifinal
Bengalas 3 x 1 The Veras

BENGALAS VIRA E CHEGA À FINAL

Em uma das semifinais do Chuteira de Ouro encontraram-se o favorito Bengalas e uma das surpresas do semestre, o The Veras. Por mais que a maioria do pessoal que acompanha o Chuteira imaginasse uma fácil vitória do time de Bizu – não só pela boa campanha durante toda a competição, mas também pela vitória sobre o póprio Veras por 7 x 4 na primeira fase – assim que a bola rolou foi o Veras que tratou de igualar as coisas, deixando bem claro que caso saísse de campo derrotado, não seria por falta de empenho e de bom futebol.

Mesmo após um início com maior domínio de bola do The Veras, foi o Bengalas quem teve grande chance para abrir o placar. Ritolê fez boa jogada pelo meio e rolou para Luiz Fernando, que mesmo sem marcação chutou mal e por cima do gol de Benga. Pouco depois quem chegou com perigo foi o Veras, e mais uma vez o arremate para o gol acabou não sendo dos melhores. Kinho, apelidado pela galera da torcida de Bob Marley em razoes de seus cabelos cacheados, avançou em velocidade pelo meio e encontrou Victor Petreche de frente para o gol, que chutou fraco e facilitou a defesa de Baki. Ainda nos minutos iniciais de partida o Bengalas tentava controlar o jogo, e mostrar o porquê de ser tido como favorito à vaga na final. Fernando Forte, da intermediária, mandou a bola na trave de Benga. O goleirão, que foi descoberto como sósia do ator Frances Gerard Depardieu, só olhou.

Caminhava a primeira etapa e, assim como passava o tempo de jogo, também o domínio de bola mudava de pés. O Veras tinha maior volume de jogo, mas o Bengalas tinha Ritolê, que já começava a se destacar na partida. Em dois lances de escanteio a defesa do Veras deu bobeira, mas mesmo assim o artilheiro do Chuteira não conseguiu abrir o placar. Se ele errava de um lado, do outro o festival de erros era muito maior. Kinho, o melhor da primeira etapa, mostrava habilidade e muita correria, mas pontaria que é bom nada. O camisa 13 sempre finalizava mal, assim como Petreche e o grandalhão Moura, que sofria dentro da área no meio dos zagueiros do Bengalas. O trio fazia muitas jogadas, várias delas cheia de efeito para impressionar a torcida, mas nada que conseguisse vencer Baki. Na verdade, a maioria das conclusões do Veras ia para fora ou fracas demais.

E nisso o Bengalas cresceu no jogo e passou a mesmo fazer uma pressão sobre seu adversário. O R9 tocou a bola para Luiz Fernando na direita, que cortou o marcador e rolou para Luiz Eric chutar. O arqueiro Benga espalmou e a bola sobrou com Ritolê, que finalizou e teve de ver Benga crescer e fazer uma grande defesa agarrando a pelota sem novo rebote.

Com parcial controle do jogo no final da primeira etapa de partida, o Bengalas ficou muito mais próximo de abrir o placar, mas em compensação cedeu o contragolpe. Pelo lado do campo, João Cláudio disparou para cima de Zequinha e, após usar a cabeça para tirar o adversário da jogada, soltou uma bomba que explodiu no travessão de Baki, por muito pouco o The Veras não abria o placar.

Pouco antes do final do primeiro tempo mais uma vez o Bengalas teve a chance de fazer o gol. Num dos poucos contragolpes que teve no final do período, Ritolê, pegando a defesa adversária desarrumada, inverteu bola para o lado esquerdo. A redonda chegou até Luiz Eric, que dentro da área driblou Benga, mas chutou a bola caprichosamente no poste direito. Parecia que a primeira etapa terminaria com uma igualdade em 0 x 0, no entanto outra vez Kinho apareceu para ser o fator de desequilíbrio para sua equipe. O atacante de dread looks apareceu na área adversária para mandar para o fundo do gol bola vinda da esquerda, e com 1 x 0 colocar o The Veras em vantagem.

Com uma postura mais ofensiva o Bengalas voltou para a segunda etapa. A letargia que acomete o time nos primeiros minutos ficaria para trás e o time passaria a jogar ao ritmo de... Ritolê. Logo de início a equipe tentou tocar a bola no campo de ataque, claramente esperando o momento certo para atacar. Após boa bola metida na área, Ritolê dividiu com adversário e ficou no chão. O árbitro mandou seguir o lance, mas a galera do Bengalas, inconformada, reclamou pênalti. Quem também chegou ao ataque com perigo foi o The Veras. A equipe se guardava na defesa, mas numa das subidas ao ataque Kinho disparou na direita e rolou para Nico chutar rente a trave e quase ampliar.

Caso quisesse deixar a quadra classificado para a final do Chuteira de Ouro, o Bengalas não tinha outra alternativa: a única saída era atacar o rival em busca de, pelo menos, o empate. E para isso o Bengalas tem Ritolê, o R9 do Chuteira. Em bola alçada na área, ele apareceu para desviar de cabeça e deixar tudo igual. Pouco depois, aproveitando que o The Veras sentia o golpe e o bom momento do adversário, mais uma vez o MVP do Chuteira de Ouro marcou, agora virando a partida. O atacante recebeu lindo passe e marcou o segundo gol, com direito a soco no ar na comemoração. O Bengalas voltava a ficar em vantagem e tinha em suas mãos a vaga para a final do campeonato.

Com o placar que era mostrado, quem se classificava agora era o Bengalas. Ou seja, para o Veras agora era partir para o tudo ou nada. E o foi o q o time de azul e grená fez, e Kinho, sempre ele, teve a chance deixar tudo igual. Ele recebeu dentro da área, mas Baki fez uma grande defesa e garantiu a vantagem do Bengalas. Ainda buscando o gol de empate, e a conseqüente prorrogação, Luiz Felipe saiu driblando no campo de defesa, deu o drible em Ritolê, mas na seqüência viu o artilheiro do Bengalas tocar na pelota e roubar a bola. Após a roubada feita pelo companheiro, Luiz Fernando dominou a bola e quando entrava na área foi acintosamente derrubado por Luiz Felipe, aquele que tinha perdido a bola. Pênalti marcado! Na bola, o R9, cheio de frieza, matou o jogo e fez seu terceiro gol dele na partida, também o terceiro de seu time.

Vaga mais que assegurada na decisão do Chuteira de Ouro, e, para quem duvidava, Bizu havia dito que ainda tinha gente duvidando do futebol do Ritolê. O matador fez mais três gols, colocou sua equipe na decisão, abocanhou os troféus de MVP e artilheiro e já coloca seu nome na história do torneio. “Só falta o título”, deve pensar o R9.

VII Chuteira de Ouro: Semifinal
Bacana 3 x 2 Fiorella Brasil

BACANA MOSTRA MATURIDADE E FAZ FINAL CONTRA BENGALAS

Começava a cair uma fria noite em São Paulo. Depois de realizar uma oração dentro de quadra, o Fiorella deu seu grito de guerra e já estava pronto para o embate. Do outro lado, o Bacana dos destaques Rômulo e Luisinho também se reuniu e fez o seu ritual para a partida. Tudo pronto, assim que a bola rolasse estaria em jogo uma das vagas para a final do Chuteira de Ouro.

Trilou o apito do juiz e quem começou a ditar o ritmo da partida foi o Bacana, fazendo uma eficiente marcação no campo de ataque. A equipe, que veste a mesma cor do Juventus da Mooca, o popular “moleque travesso”, abafava o Fiorella e não deixava o adversário sair para o jogo, já dando mostra da possível travessura que seu capitão Marcelão havia preparado para o campeão do V Chuteira de Ouro. Após lançamento do campo de defesa, Rômulo fez o pivô e ajeitou a pelota de calcanhar para Rato, que chegou batendo de primeira e mandou a bola rente a trave do ótimo goleiro Fábio Fonseca. Contudo, quem chegou primeiro para abrir o placar foi o Fiorella. O capitão do time, Piloto, dominou no meio, fintou Iuri e enxergou uma única frestinha para mandar a bola. Com um belo chute colocou a redonda com perfeição no canto do gol Bacana. O Fiorella saía na frente.

Mesmo perdendo o Bacana não se abateu. Sabia da importância do confronto semifinal e seguiu pressionando o adversário. Nesse momento, quem começou a se destacar foi Fonseca. O camisa 1 do Fiorella e o melhor arqueiro do campeonato realizou boa defesa, em dois tempos, após Vitinho ganhar da marcação e chutar com veneno. Pouco depois o goleirão pegou outra bola, agora uma excepcional defesa, ele voou no ângulo para espalmar difícil bola chutada por Luisinho. No entanto, por mais que Fonseca fizesse o possível para evitar o empate, o Bacana igualou o placar. De tanto insistir o time vinho chegou lá: Rômulo recebeu de costas, girou e acertou um chute fulminante rasteiro no canto do goleiro e deixou tudo igual.

Acreditando na virada o Bacana continuou em cima do rival, e no lance seguinte quase veio o vira-vira. Jorge entrou na área pela ponta direita e tocou para Rômulo, que dominou, fintou o marcador, mas chutou fora a bola da virada. Pouco depois um cartão amarelo mudou o panorama do confronto: Vitinho tentou o drible, perdeu a bola e foi obrigado a cometer falta no jogador do Fiorella. Cartão amarelo para ele e a Fiorella tinha tudo para tentar impor o seu rápido toque de bola e voltar a ficar em vantagem no placar. No entanto, nas poucas chances criadas com um homem a mais, Kiko, goleiro Bacana, apareceu bem e garantiu a igualdade.

Ainda na primeira etapa, já com sete contra sete, o Fiorella quase fez seu segundo gol. Em jogada de velocidade, Piloto tabelou com Sérgio Barros, entrou na área e chutou com muito perigo, quase gol, mas a redonda passou rente a trave adversária. Do outro lado, o Bacana também respondeu à altura, e em duas jogadas no ataque a equipe exigiu outras boas intervenções por parte do arqueiro Fonseca.

Passava o tempo de jogo, já se encaminhava para a segunda etapa e junto com ele vinha, cada vez mais, um frio de lascar para cima de todos os presentes no PlayBall. Aliás, frio não era só o clima na cidade, também era friozinho que se iniciava o segundo tempo do embate. As equipes não encontravam o seu melhor jogo, e a principal jogada dos times, por algum tempo, era o chutão da defesa buscando alguma luz no ataque.

Numa mescla de raça e habilidade o Fiorella encontrou uma ótima oportunidade num jogo que era fraco: Sérgio ganhou a jogada pela meia e enfiou um bolão para Ari, cara a cara com o arqueiro Bruno Guido, que chutou fora a chance de recuperar a vantagem. Contudo, pouco depois foi a vez do Bacana chegar para quebrar o gelo e praticamente se garantir na final. Rômulo desequilibrou a partida, foi importante nos dois gols que a equipe marcou e mostrou o porquê de ser um dos melhores atacantes deste campeonato. Primeiro ele apareceu dentro da área e, após cruzamento, chegou antes do arqueiro para marcar 2 x 1. Na seqüência, aproveitando que o Fiorella sentia o golpe do segundo gol, o predestinado camisa 6 (incrível um atacante querer jogar com a camisa 6, não?) prendeu a bola no ataque, driblou o marcador e rolou a pelota para Luisinho. Sozinho da entrada da área, o gélido matador dos matadores bateu com categoria para anotar o terceiro gol de sua equipe.

Ainda restavam alguns minutos de bola para rolar, e o Fiorella tentava criar, tocava a bola de pé em pé e encarava a boa postura defensiva do Bacana, mas a verdade era que o único campeão do Chuteira presente nas semifinais ia dando adeus à competição. Defendo-se com o coração na chuteira, o Bacana ia garantindo a vaga para sua primeira decisão de Chuteira, uma final inédita diante do Bengalas, fato que também dará um novo campeão. Nos minutos finais o Fiorella ainda conseguiu diminuir a desvantagem. Ari recebeu lançamento do campo de defesa, brigou pela redonda, que sobrou com Van-Van dentro da área. Com uma pancada o atacante descontou para o Fiorella. O placar mostrava Bacana 3 x 2 Fiorella, contudo, na seqüência o árbitro encerrava a partida e garantia uma festa de vinho quente na fria noite paulistana.

COBERTURA DOS JOGOS DO I CHUTEIRA DE PRATA

I Chuteira de Prata: Semifinal
Arouca 4 x 5 Primatas

PRIMATAS SE SUPERA E ELIMINA FAVORITO AROUCA

Dando início à fase semifinal do Chuteira de Prata, Arouca e Primatas entraram em campo para decidir a primeira vaga na grande final, com o Arouca tido como favorito. Mas nem o time do goleiro Maurício havia entrado no clima no jogo quando Orley, que viria a ser o nome do jogo, recebeu passe da esquerda completamente livre de marcação pelo meio e tocou para o fundo do gol. O gol não despertou o Arouca, que, ainda sonolento e sem nenhuma vibração, não percebeu o mesmo Orley livre no mesmo lugar do primeiro gol pedindo a bola. E a coisa andava feia para o Arouca, que via sua defesa quase perder bola para Gui Fenômeno, que avançaria em chance clara de gol.

E o sono bateu forte, tanto que o Primatas ampliou: Simões pegou belo chute de longe e pôs a bola no canto esquerdo do goleiro à meia altura. Logo depois, o Arouca enfim despertou e descontou. Caio recebeu um arremesso lateral livre dentro da área e encheu o pé para marcar o primeiro gol de sua equipe. Na sequência, o Primatas perdeu uma ótima chance de fazer o terceiro de novo com Orley: ele dominou livre pela direita, deu um leve toque na saída do goleiro e a bola bateu caprichosamente na trave direita. Na sobra, a bola ficou na boca do gol até que a defesa chegasse para afastar de qualquer maneira. Era tarde de Orley mesmo, e o pirulão do Primatas quase marcou mais um após passe recebido de dentro da área: a bola foi recuada para ele na entrada da área, mas acabou mandando para fora.

Em compensação, o Arouca já passava a dominar as ações, principalmente com a habilidade do meia Toni, que levava perigo pela ala direita de seu ataque. E o bom toque de bola do Arouca começou a aparecer, com o jogo passando de pé em pé. Numa dessas trocas de passes, Matheus dominou pela direita, chutou e mandou no canto direito de Vitinho, que nada pode fazer para evitar o empate. Até que enfim o Arouca havia despertado.

E se o Arouca despertou em quadra, sua torcida, ruivosa e muitas vezes agressiva do lado de fora, foi ao delírio com o lance mais bonito de todo o Chuteira de Prata. E o autor da pintura, escultura e qualquer forma de arte que queiram chamar foi Toni. Suas jogadas pelas pontas, até então sem muito sucesso, finalmente renderam algo – e que algo. Quase na linha de fundo pelo lado esquerdo do ataque, ele aplicou uma carretilha sensacional em Nando e, não satisfeito, deu um chapéu em outro zagueiro antes de completar para o gol por baixo de Vitinho, que saiu no desespero e não impediu (ainda bem, diriam os torcedores do bom futebol) que uma obra-prima fosse concretizada e assinada no Chuteira de Prata. Não só os aroucanos do lado de fora como todos aplaudiram o jogador, que foi até seus torcedores batendo no peito e gritando “Eu sou foda! Eu sou foda!”. Uma virada em grande estilo.

E um jogo que era do Primatas inverteu-se completamente e passou a ser todo do Arouca, que quase marcou mais um em cobrança de falta pela esquerda cobrada por Marquinhos que explodiu na trave esquerda. Mas nada como ter Orley no time para as horas de aperto. Depois da pressão do Arouca e o baque do golaço, o Primatas se encolheu e só voltou a jogar com tranqüilidade quando o camisa 11 empatou a partida após escorar cobrança de escanteio na entrada da área no canto direito de Maurício, que nem esboçou reação.

Quando a primeira etapa chegou ao fim, ficou a expectativa de mais 25 minutos de intensa emoção. E foi mesmo. O primeiro lance de perigo foi do Arouca, com o Leozinho, que recebeu pela direita e tocou de primeira para linda defesa de Vitinho, que espalmou e evitou mais um gol. O Primatas teve duas boas chances, primeiro com Mineiro, que perdeu um gol incrível ao mandar à esquerda do gol de frente para Vitinho. Pelo outro lado, Rafinha recebeu na direita, chutou e não desperdiçou, decretando mais uma virada na partida e a classificação para a final nas mãos do Primatas. Mesmo assim, durante o segundo tempo, o Arouca fez uma ótima partida, mas o goleiro do Primatas salvou a equipe mais de uma vez.

Caio, que já havia marcado seu gol, pediu a bola pela esquerda no ataque, recebeu, chutou rasteiro e dessa vez não deu para Vitinho, que teve de se contentar em bsucar a bola no fundo do gol e ver o empate novamente no placar do mesário, desta vez apontando 4 x 4. E o Arouca quase marcou mais um logo depois, mas desta vez Vitinho salvou: o goleiro deu tapa na bola após cruzamento de Mineiro. No rebote, a bola ia ficar para um aroucano só empurrar para as redes, mas o goleiro deu um carrinho antes que a bola chegasse nele, afastando o perigo. Foi a defesa do jogo, pois, após perder esta chance, não demorou para – sim, ele mesmo, Orley – mostrar que era o nome do jogo predestinado a decidir: ele chutou da direita e marcou o quinto do Primatas.

Porém, se o jogo estava marcado pela emoção, também ficou marcado por muita confusão nos minutos finais, quando os ânimos começaram a se exaltar. E o cartão azul que Rafinha levou após, em lance bobo no ataque levantar o braço e acertar seu marcador, demonstrou bem isso. Mas a bagunça começou mesmo após um pedido de tempo. Vitão se preparava para fazer um arremesso lateral pela direita do seu ataque quando Orley passou por trás dele e disse algo no seu ouvido. A reação do camisa 2 do Arouca foi inesperada: ele arremessou a bola na cabeça de Orley, que, a la Rivaldo, desabou e ficou no chão. Aí começou o bate boca e a briga, que piorou após Vitão passar por Orley no chão e cuspir nele. Foi uma correria enorme dentro de campo com um início de pancadaria que não passou de uma confusão. Por sorte, o árbitro acabou a partida instantes depois, e com este resultado apertado de 5 x 4, o Primatas chegou à grande final do Chuteira de Prata.

Na verdade, a confusão mesmo aconteceu após o apito final, quando a torcida do Arouca invadiu o campo para querer pegar os jogadores do Primatas, numa reação deprimente e intempestiva que será julgada e punida pela Organização. No meio de tanta falta de sensibilidade por parte do Arouca, que perdeu jogando bola, só a voz solitária e sensata do goleiro Maurício em pedir para pararem e que deveriam saber perder deve ser lembrada e exaltada.

Foi um jogo muito disputado, com muitas chances para os dois lados, mas o talento de Orley e do ótimo goleiro Vitinho fizeram diferença. E o líder da primeira fase, o Arouca, favorito à final, estava fora do campeonato. Assim como o outro favorito na partida seguinte, o Roleta Russa, também diria adeus. A lamentar apenas a ausência de Rafinha, MVP do torneio ao lado de seu colega Gui, da grande final após o cartão azul que tomou nos minutos finais. A ele, restará ver seu time das arquibancadas encarar o Treinadores do Braz.

I Chuteira de Prata: Semifinal
Roleta Russa 1 x 2 Treinadores do Braz

TREINADORES DO BRAZ ELIMINA ROLETA RUSSA NA PRORROGAÇÃO

Para decidir quem seria o outro finalista ao lado do Primatas no último jogo desta edição do Chuteira de Prata, Roleta Russa e Treinadores do Braz entraram em campo na quadra 5. A primeira chance de gol na partida veio após uma bola rebatida na área do Roleta, mas que o TdB não soube aproveitar. Com a maioria de reservas em quadra, o Roleta Russa parece ter optado por uma postura defensiva, o que logo virou um domínio completo de jogo por parte do Treinadores, que não demorou para exigir de Tavinho defesas milagrosas e muita sorte – a contar as bolas na trave que o time sofreu. E Índio abriu o festival de chances para o Treinadores ao perder oportunidade incrível em que recebeu na cara de Tavinho. Este fez a defesa ao sair do gol.

Outro que experimentou foi Binho, que em chute da direita fez a bola explodir no travessão e pingar na linha do gol antes que tirassem ela de lá. Como se pode imaginar, o Treinadores jogava muito melhor no início da partida, mas quando o RR chegou, levou muito perigo: Nação chutou de longe e quase marcou um golaço, mas Criança deu uma ponte espetacular e desviou a bola, que ainda tocou na trave. A partir daí, o ritmo de jogo das duas equipes diminuiu muito, mas o Treinadores seguiu pressionando o Roleta e fazendo o nome do zagueiro Ranalli. Já no final da primeira etapa, Índio recebeu pela direita e chutou, mas o goleiro pegou bem novamente. Os primeiros 25 minutos terminaram com um 0 x 0 que não dizia o que tinha sido o jogo. O Treinadores impôs seu jogo e nem com a entrada dos titulares do Roleta tinham perdido o controle da partida. O grande nome havia sido até então Tavinho, que com seu tamanho todo era praticamente um muro postado embaixo das traves do Roleta.

Na volta para o segundo tempo, o Roleta enfim parece ter acordado. Logo nos minutos iniciais a bola foi chutada de longe e passou perto do gol do Treinadores. Instantes depois, Rick pegou uma bola rebatida por todos os lados dentro da área e abriu o placar, para delírio da galera do Roletinha que comparecia na arquibancada e fazia muita festa.

A festa com o gol de Rick poderia ser dobrado caso o atacante tivesse anotado a ótima chance após contra-ataque de sua equipe. Ele demorou para chutar ou tocar a bola quando já estava em chance clara de gol. O gol foi um balde de água fria no Treinadores, que mantinha a superioridade em campo mas por buscar mais o ataque se abria para o rápido contra-ataque Roleta. A segurança até então – e principalmente a partir do gol sofrido – foi e seria Juba, o pirulão camisa 8 que não deixava nada passar por ele. A partir do momento que o TdB tinha de ir atrás do gol, ele foi o xerifão, o homem a cuidar da casa enquanto os demais corriam atrás do prejuízo.

E não demorou para o Treinadores conquistar o gol de empate, que saiu com o experiente e sempre bem posicionado artilheiro Peruca. Ele recebeu na esquerda e avançou para tocar na saída de Tavinho, que desta vez nada pode fazer.

O empate era um resultado que pouco interessava, afinal de contas, a prorrogação seria o destino caso mantivesse o 1 x 1. E isso deixou o jogo claramente mais aberto e tenso, principalmente tenso já que um gol ali seria fatal para as pretensões de classificação do outro time. E talvez isso tenha atrapalhado Nação quando perdeu um gol ao tentar por cobertura. Não era a hora de tentar um lance bonito! E o goleiro do Roleta também mostrou serviço ao evitar um golaço der Binho, que passou bem pela defesa pelo setor direito e chutou forte para que Tavinho espalmasse. Logo depois, o mesmo goleiro fez uma outra grande defesa e salvou seu time novamente. Tavinho já era o herói do Roleta caso a classificação viesse, mas outro nome surgiu no horizonte – Carlos Criança. Ele fez verdadeiros milagres nos minutos finais, quando o Roleta resolveu fazer um abafa sobre o Treinadores, coisa que até então não tinha feito.

Com o jogo aberto, foi a vez de um craque do Chuteira resolver aparecer e chamar o jogo para si. Foi assim que Bruno, o camisa 13 do Roleta, passou a jogar praticamente sozinho em jogadas individuais buscando espaço para a batida ao gol, sua especialidade. Entretanto, seu pé esquerdo parece que foi para o jogo pouco calibrado, pois seus chutes iam para todos os lados, menos em direção ao gol. É certo que muitos passaram com perigo, como cobrança de falta de frente da área ou chute quando ele cortou para o meio, mas sem dúvida o dia não era de Bruno, craque que decidiu tantos jogos para o Roleta e artilheiro do Chuteira de Prata.

Se pelo Roleta sua peça-chave estava numa má jornada, do outro parecia que havia um pacto de bom futebol. Todo jogador do Treinadores que entrava dava conta do recado. Juba liderava as atuações, enquanto até o pesado Índio dava um trabalho danado para a defesa Roleta nos contra-ataques, especialmente para Baru, que não conseguia segurar o grandalhão treinador. E nisso o Treinadores voltou a assustar o Roleta, com Binho recebendo livre dentro da área cara a cara com Tavinho. Mas faltou categoria para o meia, que chutou a bola muito longe. Aliás, se não tivesse grade, a bola sairia da quadra sem dúvida. Por criar muito mais chances que o adversário, o Treinadores do Braz jogava muito melhor. Porém, a última chance dos cinqüenta minutos normais do jogo foi do Roleta que também perdeu um gol na cara em chute da direita de Bruno. Antes dele, em bola chutada Criança fez um milagre que nem ele viu ao chutarem e ele desviar com os pés para fora, passando tirando tinta da trave direita de seu gol.

Fim de jogo e início da prorrogação após muita especulação de que seria gol de ouro ou não. Consultado, Daniel, manager da Prata, confirmou que seriam 10 minutos corridos e sem gol de ouro. E assim os times voltaram a campo para decidir a vaga na final. Depois de tantas Logo no início, Índio voltou a campo a pedidos de Renê, que gritava do lado de fora que ele faria o gol que classificaria a equipe. E foi ele mesmo que, num contra-ataque fulminante, colocou o Roleta contra a parede ao receber pela esquerda, invadir a área e tocar para o gol por baixo do grandalhão Tavinho. Era o segundo gol de sua equipe. O Treinadores punha um pé na final.

Instantes depois Binho cruzou pela direita e quase que seu companheiro alcança ao dar um carrinho. Na verdade, ele chegou mas tocou para fora. O Roleta partiu no desespero em busca do gol de empate, mas a tensão e pressão parecem ter atrapalhado. A defesa do Treinadores, um verdadeiro paredão, não deixava nada passar, e Criança fazia das suas quando era exigido. Bruno ainda buscou decidir, como se espera de um jogador de tal quilate, mas a bola teimava em procurar o arame do muro e não as redes. E nisso os 10 minutos se passaram até que o árbitro apitasse final de partida, o que foi apenas o início de uma grande comemoração do Treinadores e decepção do favorito Roleta, que mais uma vez caía num mata-mata do Chuteira. Ao menos desta vez com a vaga na Ouro garantida. “Ohhhhh, o Treinador voltou, o Treinador voltou”, era o slogan do time do Braz que não é do Brás.

De certa forma, a vitória do Treinadores foi uma espécie de “zebra” se se levar em conta a campanha realizada pelas duas equipes na primeira fase: o Roleta Russa teve 22 pontos contra 18 do Treinadores. Alguns dirão que a arrogância demonstrada por membros do elenco do Roleta foi por água abaixo. O fato é que pelo placar de 2 x 1, o TdB está na final contra o Primatas, outro azarão que mostrou seu valor na partida anterior a esta.
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