Jogo de gigantes em que ninguém apostava num vencedor antecipadamente, Joga 13 e Melville Power chegaram às semifinais com totais méritos. De antemão só se sabia que seria um jogão de bola. E de fato foi.
A partida começou com um Joga 13 mais animado para buscar o gol. Logo com 2 minutos de jogo, Lele experimenta de fora da área, coisa difícil de se ver em se tratando do camisa 9 do 13, e exige elasticidade do goleiro para evitar que ela entrasse no canto à meia altura. Mas o chute de Lele foi seguido pelo troco do Melville, com Felipe chutando rasteiro no canto e forçando Caieras a fazer sua primeira grande defesa das muitas que ele fez no jogo.
E aos poucos o Meville começou a tomar a ofensiva, tomando contra-ataque com Lele na área. Num destes, ele girou e chutou para fora. Enquanto isso, Caieras fazia milagres para impedir que o Melville abrisse o placar, sempre com o perigoso Felipe. Alemão armava as jogadas para Felipe e Juninho, e Caieras defendia o que aparecia. Mas logo o jogo ficou parelho e equilibrado quando Choco, em jogada rápida e individual pela esquerda, mandou um belo chute cruzado praticamente de cima da linha lateral no ângulo inverso do goleiro. Um golaço do camisa 21, que comemorou muito, e abriu o placar.
O gol deu mais força ao Joga 13, que não demorou para fazer o segundo, com Lele após rebote na área. Com 2 a 0 no placar, era o 13 se fechar para esperar o adversário e matar o jogo no contra-ataque. De fato, era usar a arma do Melville contra ele próprio.
Mas antes do fim do primeiro tempo um lance polêmico podia ter ajudado o Melville a encostar se Caieras não tivesse defendido tiro de 9 metros de Felipe após o mesmo pegar com mãos recuo de bola de sua defesa. Houve muita reclamação e indecisão quanto ao que deveria ser feito – uns queriam falta sobre a linha, outros falaram de pênalti – mas o regulamento do Chuteira colocava como tiro de 9 metros. E assim foi feito. Felipe perdeu e pouco depois os árbitros apitaram fim de primeiro tempo.
A tônica do segundo tempo foi de ataque contra defesa, mas com contra-ataques perigosos. Nitidamente os jogadores do Joga 13 estavam cansados e não conseguiam manter a mesma disposição para o ataque como no primeiro tempo. Fora isso, como confirmou Lele ao fim da partida, ele estava jogando no sacrifício, pois seu pé está inchado e com problemas, além de Zóio também estar baleado no joelho. O Joga 13 cansou, parou, o Melville não quis saber, precisava do resultado e foi pra cima.
Choco fazia de tudo que podia e puxava o gás final, mas não conseguia ir muito além. O Melville crescia no jogo, levava perigo a Caieras, que continuava a fazer grandes defesas, com em chutes de Alemão e Felipe. O primeiro fazia as jogadas corretamente, mas pecava nas finalizações – para fora ou chutes fracos que facilitavam ao goleiro.
O 13 levava perigo sempre com Lele, com bolas alçadas para ele na área adversária. Lele teve 3 chances claras de matar o jogo, mas o dia parecia que não era dele. Numa delas, um toque por cima do goleiro ia entrando quando chegou Jose para salvar em cima da linha. Em outra, ele recebeu livre e girou para defesa do goleiro, que saiu providencialmente para abafar na hora do chute. Em compensação, Doce também salvou uma bola de Alemão em cima da linha, evitando que o Melville diminuísse.
Choco ainda buscou forças para uma arrancada final, mas foi parado com falta por Garo, que tomou o único cartão amarelo da partida. Eram 14 minutos de jogo. E quando parecia que o 13 poderia ter 2 minutos para respirar, o destino quis que Doce, que vinha numa partida excepcional, em jogada subseqüente, errasse e perdesse a bola para Felipe, que partiu em direção ao gol e tocou para Dimba chutar cruzado e fazer o primeiro gol do Melville.
O gol nitidamente abateu o Joga 13, que ficou mais nervoso em campo. Um lance de suposto recuo para o goleiro causou indignação a eles, que saíram reclamando muito do lance e queriam o tiro de 9 metros. Os árbitros entenderam que não houve recuo intencional e deixaram o jogo rolar.
O Melville precisava do gol de empate para se classificar para a final. E a pressão foi digna, mas as conclusões estavam aquém das possibilidades do empate. Poucos chutes e muito toque de lado, quase querendo entrar com bola e tudo, faziam a defesa do 13 se sobressair. Quando ela não parava, era Caieras que estava lá.
Em lance de ataque, Doce fica no chão e o tempo vai passando. O 13 pedia fim de jogo, mas o pedido de tempo e duas paralisações (Doce e Choco) fizeram o relógio correr até 29 minutos. A pressão era constante até cerca de 24 minutos, quando o 13 conseguiu respirar com Lele prendendo bola no ataque. Ele e Choco mantiveram a bola lá até que ganhassem o escanteio. E aí veio o erro maior do 13: ao invés de tocar para manter lá, os zagueiros subiram para tentar o cabeceio, desguarnecendo a defesa. Bola cruzada, espirrada, caindo nos pés de Felipe, que puxou pela esquerda do campo rumo ao gol adversário. Pouco além do meio de campo, tocou para a direita, por onde vinha Dimba livre de marcação. Eram quase 28 minutos de jogo quando Dimba chutou para defesa parcial de Caieras. A bola passou por ele fraca e permaneceu no meio da área, quase que esperando o pé heróico de Felipe chegar para empurrar para as redes e decretar o empate, a eliminação do Joga 13 e o passaporte do Melville para a final.
Desespero do Joga 13. Frustração. Pela terceira vez seguida o 13 ficava nas semifinais, desta vez com um empate (o Melville tinha a vantagem do empate por ter sido primeiro do seu grupo). O Melville salvava-se no final e chegava à final, mostrando que o time sabe jogar e tem tudo para ser campeão.
Logo após o gol de empate, Juninho do Melville comemorou com provocação aos jogadores do 13. Choco e Caieras ficaram loucos da vida e queriam partir para a briga, que de fato quase aconteceu após o apito final se não fosse a intervenção de quase todos os presentes – jogadores do Melville e jogadores de outros times presentes. A situação ficou complicada, pois o 13 não aceitou a provocação – e, claro, a eliminação no minuto final. Indignados e arrasados, o Joga 13 deixou o sábado 7 de junho amargando mais um torneio frustrado.
FIORELLA FAZ HISTÓRIA ELIMINANDO SNG
Munido de amplo favoritismo para a partida, o SNG entrou em campo com o que tinha de melhor para logo de cara tentar o melhor resultado. Em compensação, o Fiorella chegava cheio de vontade e determinação para simplesmente parar o forte ataque do bicampeão, tanto que houve até reza de um Pai Nosso antes do início do jogo. A missão coube a todos os jogadores, que cumpriram com rigor a ordem do dia – não deixar o SNG jogar.
O jogo começou mais pegado do que se previa, com Renê já fazendo falta dura em menos de 3 minutos. Allan fez outra logo em seguida, mostrando que as coisas não iam muito bem para o bicampeão. Para piorar, o meio de campo com Tejeda e Biro não faziam sua função e a bola era, na maioria das vezes, rifada do goleiro Sampa para Renê no ataque se virar. O matador dava sinais que de algo estava errado quando, recebeu de costas pela direita, cortou para dentro e de frente pro gol quase em cima da linha da área, errou o timing e acertou a orelha da bola, fazendo ela quase sair pela lateral. Do lado de fora, a torcida não perdoou o autor de 28 gols na competição.
O Fiorella, ao contrário, tinha um trabalho defensivo muito forte e certeiro e saídas de contra-ataque perigosas. Tiago Silva e Tigues levavam o time ao ataque, enquanto Van-Van estava bem marcado. Tigues era o que mais chutava ao gol, quase fazendo aos 5 minutos.
As jogadas por cima de ligação direta goleiro-ataque eram quase todas interceptadas por Sebastião Alves, camisa 13, que, alto, tinha enorme impulsão para impedir que a bola passasse por ele. E o jogo muito vigoroso e pegado do Fiorella rendeu à equipe a oitava falta e um tiro de 9 metros contra ao fim do primeiro tempo. Era a chance de o SNG abrir o placar num jogo de poucas chances de gol. Mas o capitão Allan sentiu o peso e chutou para fora, perto da trave direita do goleiro Fonseca.
Renê ainda teve outro erro bizarro, indigno do futebol que apresentou até hoje, errando chute fácil, quase uma furada, antes que o jogo fosse para o intervalo. O segundo tempo começou na mesma toada, sem muitas chances de ambos os lados. O SNG jogava pelo empate e isso fez com que o Fiorella saísse mais para o jogo. Mas foi num contra-ataque que Fábio Silva saiu livre na frente de Sampa e chutou para abrir o marcador. O gol mexeu com o SNG e fazia com que o time saísse em busca do gol de empate. Sair para o jogo é sinônimo de abrir a guarda. E foi aí que o Fiorella fez o segundo gol, dando a impressão que a classificação estava assegurada.
Precisando fazer 2 gols, o SNG aplicou a sua tática de goleiro linha, saindo Sampa e entrando Vairo no gol. O camisa 2 tentaria dar ao time um jogador a mais para tocar a bola e tentar pressionar o adversário. E o SNG foi pra cima e esbarrava no goleiro Fonseca ou na forte defesa do Fiorella. Na primeira bola de Renê dentro da área, ele conseguiu, já caído ao chão, chutar de virada e colocar a bola no canto esquerdo rasteiro do goleiro. O SNG diminuía faltando pouco mais de 10 minutos para o fim do jogo.
A pressão passou a ser maior ainda, era um gol que separava o time laranja e preto da terceira final consecutiva. Mas a necessidade de ir pra cima possibilitou o contra-ataque mortal do Fiorella, que fez 3 a 1 com Van-Van escorando cruzamento quase em cima da linha. O artilheiro, até então apagado na partida, deixava sua marca e praticamente matava as chances de virada do SNG.
O desespero bateu no SNG, que não conseguia fazer seu meio de campo funcionar. Mesmo assim, o SNG foi valente e tentou diminuir, sem se entregar. Em cobrança de falta próxima à área, Pimenta chuta rasteiro para encontra Renê do lado da trave esquerda e empurrar pras redes. O SNG fazia outro, outro de Renê, mas o tempo era curto demais para um terceiro. Em contra-ataque do Fiorella, a fila deixada pra trás pelo atacante rubro só foi parada por Chileno, que chegou chutando bola, pernas e levantando o adversário a um passo da área. O cartão vermelho foi a única solução para a falta e o SNG ficava com um jogador a menos.
E com um a menos o jogo acabou e o SNG, pela primeira vez na história do Chuteira, conhecia a derrota num mata-mata e a conseqüente eliminação. Para quem esperava uma final entre SNG e Joga 13, vai ter te se contentar com os dois times disputando o 3º lugar. A grande final tem Melville Power e Fiorella Brasil, 1º e 2º colocados do Grupo B. E ainda tinha gente que falava que o Grupo B era mais fácil que o A...
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