Re-estreante no VI Chuteira de Ouro, o Tosco precisava de uma injeção de ânimo contra o Fúria, pois vinha de uma derrota contra o forte Bacana, apesar de não ter feito uma apresentação tão ruim. Entretanto, o Fúria também estreara com derrota, para outro novato, o Aurora, e tinha a mesma intenção do Tosco. Ao final, quem se animou foi o Fúria, que teve na goleada por 6 a 0 um fator importante de recuperação de moral.
Mas quem pensa que o placar resume um passeio do Fúria se engana. O que se viu no início de jogo foi completamente diferente do que o resultado final pode fazer crer – o Tosco demonstrou qualidade no toque de bola e desenvoltura de jogo, principalmente com sua dupla de zaga PH e Luci. Sempre chegando à meta adversária, o Tosco demonstrou que sua dificuldade reside na finalização das jogadas, pois chutes no travessão, com pouca força ou “vesgos” sobraram por parte do Tosco.
Pouco depois da metade do primeiro tempo, numa cobrança de escanteio o atacante Renato Feijão abriu o placar a favor do Tosco de cabeça, mas o juiz acabou anulando o gol sob argumentação de que houve falta no lance. Entretanto, nem a mesa anotadora percebeu que o gol não valeu e o placar ficou boa parte do jogo mostrando 1 a 0 a favor do Tosco. Foi só quando, num contra-ataque, o Fúria marcou num belo chute cruzado Thiago Motta, que todos foram descobrir que a até então vitória do Tosco já se transformara em vitória do Fúria. O Tosco comandou a maioria das ações no primeiro tempo, mas quem não faz toma, como diz o ditado, e a equipe de Mikas fez jus ao ditado. E foi no 1 a 0 magro que o primeiro tempo acabou.
Mas o domínio do Tosco acabou junto com o gol do Fúria, pois na volta ao jogo este já jogava com mais desenvoltura e tranqüilidade, bem ao contrário dos jovens do Tosco. A confiança do gol ajudou ao time do Fúria mostrar que também tinha qualidade no toque de bola. Marcos Kbeça, goleiro do Tosco, teve de trabalhar muito na etapa final para evitar gols e gols do Fúria. Mas o gol saiu, com Fábio Souza, e o Tosco desmoronou em campo. Perdeu a cabeça, fez substituições para evitar a queda no ânimo dos jogadores, mas tudo só acentuou a falta de entrosamento e coletividade – todos queriam ajudar a equipe, mas com isso só atrapalharam.
O que era um jogo equilibrado entre equipes parelhas se transformou num grande chocolate, com o goleiro Kbeça salvando a pele do time em diversos lances, mas não impedindo que o mesmo Fábio Souza fizesse o terceiro e Fagner o quarto. O destaque Thiago Motta fechou o placar em 6 a 0 com mais dois gols com extrema facilidade.
O que sobrou para o Tosco em qualidade de toque e visão de jogo faltou na cabeça e no coração de jogar. O Fúria conquistou 3 pontos importantes, já que a tendência do Tosco é crescer o correr da competição, pois o time mostrou que tem capacidade para tanto. Mas certa crise já começa a rondar o Tosco, pois, tal qual no IV Chuteira, se vê com um saldo negativo de gols extremamente alto para recuperar. O que resta ao Tosco é encontrar seu conjunto de jogo e tocar o barco sem desespero, afinal em dois jogos é difícil criar um conjunto. Contra o MSM na próxima rodada terá uma chance de ouro de começar a inverter esse jogo.
Enquanto isso o Fúria mostra que a derrota para o Aurora ficou para trás. Fez seus primeiros pontos na competição e busca aproximar-se dos líderes diante do Acidus, que não vem bem no torneio.
DIABOS MOSTRA ESTABILIDADE E GANHA FACIL DE FORA DE SERIE
Nos primeiros minutos da disputa entre Diabos Laranjas e Fora de Série, a bola praticamente ficou parada no meio de campo. Isso porque, ao brigarem pela posse da mesma, os jogadores acabavam por embolar o jogo. Até o momento em que as equipes conseguiram espaço para jogar, a partida ficou travada, esfriando a empolgação dos que estavam prestigiando o evento.
Quem teve as primeiras chances de atacar efetivamente foi o Fora de Série, que forçava pelo meio com Argentino e Lillo. Este, inclusive, chegou na cara do gol aos 3 minutos e tinha tudo para inaugurar o marcador da disputa, mas acabou chutando muito mal e desperdiçando uma ótima oportunidade. Coube então ao Diabos a missão de marcar o primeiro e injetar algum ânimo na partida. E que golaço! Vava cobrou falta com maestria e encaixou a bola no cantinho do gol adversário.
O Diabos seguiu pressionando pelas laterais do campo, abrindo a defesa adversária, com os velozes Ronei e Argentino, que, embora jogassem de maneira tranqüila, ameaçavam o goleiro Betão constantemente. Já o Fora de Série parecia ter se perdido após o gol. Os meias do time não estavam conseguindo fazer a conexão com o ataque. Cleber, um dos destaques do Diabos na defesa, não facilitava também. Quando a equipe finalmente conseguia chegar à área adversária, Jegue e Rafael Chulapa jogavam fora as chances de gol com chutes sem precisão.
Essa situação complicada obrigou o Fora de Série a pedir tempo para repensar a tática de jogo. Cléber exigiu providências dos jogadores quanto à defesa e reclamou que Garrafa estava jogando muito quieto, o que atrapalhava a comunicação da equipe na hora de armar os contra-ataques. O time parece que entendeu o recado, pois começou a atuar mais em conjunto e vibração. Os zagueiros Jegue e o capitão Rica voltaram também melhores: a dupla passou a cobrir as brechas que outrora estava deixando para os atacantes do rival fazer a festa.
No entanto, isso tudo de nada adiantou. O Diabos estava realmente inspirado naquele dia, mais uma vez. Aos 21, Ronei se enfiou com a cara e a coragem no meio da zaga do FDS, driblou os zagueiros com categoria e, estando na cara do gol, passou para o reestreante Emerson, gêmeo de Everton, completar. Betão nada pode fazer.
O Fora de série não se abalou e continuou firme em suas jogadas. Cadu seguia armando pela lateral esquerda, enquanto Chulapa e Carlão corriam pelo meio de campo em busca de espaço para receber passes e atacar. Já o Diabos explorava a todo momento a velocidade de Emerson: o time ia tocando a bola até que ela chegasse aos pés do jogador. Quando isso acontecia, o camisa 3 disparava pelas laterais cortando quem quer que estivesse em sua frente. Com um ataque desses, o Diabos colocava o goleiro Beto em constante perigo.
O terceiro gol do Diabos veio aos 24 minutos e marcou o final do primeiro tempo. Argentino, de fora da área, aproveitou um buraco na zaga inimiga e arriscou uma bomba. O chute pegou o Fora de Série de surpresa: os zagueiros e o goleiro ficaram boquiabertos vendo a bola rasteira entrar no gol.
O segundo tempo começou quente, com um Fora de Série cheio de raça martelando pelas laterais. O time voltou revigorado do intervalo e passou a incomodar o adversário com chutes altos. Mas os donos do jogo ainda eram os “endiabrados”, que logo trataram de converter essas jogadas em contra-ataques. Em uma deles, Everton, o outro gêmeo, marcou o gol mais bonito da partida. Ele arrancou pela lateral direita e chegou na área do Fora de Série sem zagueiros pela frente. Betão era seu único obstáculo. Para delírio da torcida, o jogador deu um drible bonito no goleiro e, com um toque de leve, cravou o quarto do Diabos.
O placar de 4 a 0 intimou o Fora de Série a atacar, que passou a apertar o cerco para tentar mudar seu quadro negativo. Pressionando, o time conseguiu criar excelentes oportunidades de gol. Mas o nervosismo atrapalhou os atacantes na hora de chutar, sobretudo Chulapa: devido à falta de precisão, o jogador perdeu as melhores chances que o Fora teve no segundo tempo. A equipe só conseguiu marcar o seu gol quando Tonhão mandou, em excelente cobrança de falta, uma bola por cima da barreira.
O gol deu vida e fôlego ao Fora de Série. Apesar da tensão que o contaminava, passou a tocar mais a bola e atacando também com Cleber, recuperado de lesão joelho. Poucos minutos depois, ele marcou seu merecido gol, diminuindo para 4 a 2. Seria uma recuperação milagrosa do Fora de Série?
A resposta foi dado pelo Diabos logo em seguida, pois voltou a assumir as rédeas do jogo e, por meio de ágeis tabelas, não deixou o rival jogar mais. Para sepultar de vez as esperanças do Fora, aos 17 minutos, Ronei lançou Lillo para marcar o quinto de seu time e encerrar o placar.
Os minutos finais foram marcados pela expulsão do goleiro Betão, que, nervoso com o resultado amargo da partida, entrou duro em Ronei quando este chegava na sua área com total liberdade para marcar. O árbitro penalizou o arqueiro com um cartão azul, expulsando-o assim do jogo. Beto saiu transtornado de campo, proferindo uma série de palavrões e reclamando demais da arbitragem. O resto do time não reclamou do cartão. Talvez a reclamação de Betão tenha sido a forma dele extravasar a decepção com o time e mais um resultado negativo.
E assim terminou o jogo. De um lado, os endiabrados vibravam junto a seus familiares mais esse passo importante rumo à classificação. Do outro, o Fora de Série demonstrava preocupação não apenas com o resultado negativo, mas também, e principalmente, com o futebol descoordenado que tem apresentado nos últimos jogos e a ausência de Betão da meta do time no jogo contra o SNG.
Quem estava mais feliz com o resultado, contudo, era uma torcedora discreta dos Diabos: a mãe dos gêmeos Everton e Emerson, que ganhou de presente um gol de cada filho!
BACANA VIRA CONTRA UM ACIDUS DESESTRUTURADO
Foram dois tempos distintos, um para cada lado. Cada time aproveitou o bom momento como pode. O Acidus fez por merecer 3 a 1 no primeiro tempo, e no segundo o baque psicológico travou o time e deixou que o Bacana fizesse o que bem entendesse dos camisas marca-texto. Resultado: uma virada mais fácil que roubar pirulito de criança e uma goleada de 7 a 3 que poderia ser muito bem 10, 12 ou 15 se não fossem as intervenções do goleiro Diego. O Acidus mostrou toda sua fragilidade e falta de conjunto no segundo tempo mais desastroso que se viu no Chuteira até agora.
Até que Yanes abrisse o placar, aos 9 minutos, foi um jogo tão quieto que parecia que havia um concerto e não uma partida de futebol em andamento. Ninguém falava, ninguém gritava, ninguém conversava. Apenas o barulho dos toques dos pés na bola e ruídos vindo da quadra ao lado, onde o Kadência dava uma surra no Muleke Piranha. Até o gol poucos lances de gol, apenas tentativas um tanto mal orquestradas por parte do Acidus e chutes de longe sem direção do Bacana. A dividida de Yanes com Lói deixou o zagueiro caído e a bola todinha para o camisa 9 chutar rasteiro e cruzado pelo lado direito para vencer Diego. O Bacana abria o placar.
O gol, ao invés de mexer com o Acidus, só fez aumentar o silêncio. Toques de um lado para outro, sem objetividade, não conseguiam levar perigo ao goleiro Flávio. Mas o Acidus se acendeu quando Robinho matou no peito lançamento em contra-ataque de Diego e mandou forte e rasteiro para empatar a partida. A partir daí o Bacana sentiu o golpe e passou a errar passes, entre a defesa e o ataque. foi assim que, em recuperação no meio de campo, Philip colocou o Acidus em vantagem, driblando o goleiro.
O jogo ficou todo para o Acidus, que viu Rafão sair com tonturas. A pressão na defesa do Bacana ajudou ao Acidus na construção das melhores jogadas, que resultaram em novo gol de Philip, desta vez driblando duas vezes o goleiro. O Bacana, perdido, via o toque de bola do adversário dar resultado. Pouco antes de acabar o primeiro tempo, Philip deu um toque para o meio e deixou Kirk livre para fazer o seu. Ele tirou do goleiro um pouco além do necessário e a bola explodiu no travessão. Aquele que poderia ter sido o quarto gol do Acidus foi o último lance de perigo da equipe. A partir do intervalo, só um time voltaria jogando bola.
O placar adverso fez com que o Bacana, que viu alguns jogadores chegarem atrasados, voltar com uma tática diferente: adiantou a marcação para pressionar no campo adversário. Tal tática, e o excesso de zelo do Acidus, que voltou muito recuado e sem ligação no meio de campo, gerou pane total na equipe amarelo-limão, tanto que em menos de três minutos o Bacana já diminuía com novamente Yanes. O Bacana abria o jogo, jogava pelas laterais e invertia a bola de lado quando próximo da área. A sensação que dava era que o Acidus tinha uma linha de 3 zagueiros dentro da área e uma linha de 3 atacantes na linha do meio de campo – e no meio delas o Bacana fazia o que bem entendia.
E aos 6 minutos veio o empate, com Rômulo escorando cruzamento na ponta da área livre de marcação. O Bacana empatou e o Acidus parou. O pedido de tempo para rever e arrumar a casa apenas piorou a situação do Acidus. Desanimados, diversos jogadores pararam de correr e ficavam assistindo ao toque de bola do Bacana. E se um time não quer jogar, o outro vai lá e faz gols – Rômulo de novo fez o quarto, virando a partida e preparando a goleada.
As investidas do Acidus, raras, não levaram qualquer perigo ao gol de Flávio, que foi mero espectador de seu time. Chutes pra fora ou fracos foram a tônica do que de melhor produziu a equipe no segundo tempo. Já o Bacana aproveitou o mau momento psicológico, de entrega do Acidus, para ampliar. E a coisa foi tão fácil que o zagueiro João Pereira fez dois gols com extrema tranqüilidade. Leonardo Napolitano fez mais um para fechar a conta em 7 gols.
E o placar só não foi mais elástico porque a preguiça e queda do Acidus – como um adversário entregue, de joelhos – contrastava com a habilidade de Diego, que fez ao menos 4 defesas cara a cara com os atacantes adversários. Sem saber aceitar o baque do início do segundo tempo, o Acidus parou de jogar para ver o Bacana jogar. Deu de bandeja o jogo sem ao menos lutar. E ao final era cada um culpando o outro, como se um time não incluísse todos no pacote. Chegou-se ao cumulo de ver jogador que pouco jogou aplaudir a goleada, como que dizendo “bem feito” aos colegas. Enquanto o Acidus não se ver como time, como um grupo com o mesmo objetivo e com “sangue na veia” para correr o necessário e lutar pela vitória, a equipe vai continuar a sofrer com empates ou derrotas. Contra o Bacana foi mais um capítulo dessa mesma história.
Com o Bacana foi a mesma história, só que oposta. A equipe de vinho venceu de novo, mesmo com a ausência de alguns jogadores, o que vem causando muita dor de cabeça para o capitão Marcelo Rocha. Enquanto as vitórias virem, o sino de alerta no Bacana não vai soar. Mas a antena de preocupação de Marcelo estará sempre atenta e martelando. Ele mesmo confirmou ao fim da partida: “Achei que hoje não ia dar pra nós”. Agradeçam aos goleadores da tarde e também ao Acidus e sua já conhecida falta de vontade nas adversidades. Foi uma união fatal e que colocou o Bacana na liderança do Grupo A.
KADÊNCIA NÃO RECONHECE MULEKE PIRANHA
A disputa entre Kadência e Muleke Piranha prometia. Afinal, ambas as equipes tinham goleado na estréia e mediriam forças. Seria a juventude do Piranha contra a experiência tática do Kadência. O resultado foi decepcionante: por mais que a equipe de Salada tenha reagido bem em alguns momentos, o Kadência fez o time de gato e sapato e cravou um placar elástico de 8 a 2, que saiu barato para o Piranha.
Mal a partida começava e as coisas se mostravam ruins para o Piranha. O time começou com um jogador a menos em razão do atraso de vários deles. Para piorar, o meia Douglas, destaque da primeira rodada, não pôde jogar em razão de contusão. O camisa 13 tive de ficar no banco só vendo o show que seu time levou em campo.
E o Kadência logo mostrou a que veio. Valendo-se de toques rápidos e de tabelas inspiradas, o time impunha sua superioridade logo nos primeiros instantes de jogo. No referente ao ataque, parecia que Pedro Henrique, o melhor em campo, tinha passe livre para transitar na área do oponente, uma vez que o jogador arrancava pelas laterais e driblava quem quer que estivesse a sua frente. Tanto isso é verdade que, em menos de um minuto, ele abriu o placar com um forte chute cruzado, marcando um dos gols mais rápidos dessa edição do Chuteira.
O MP, que já havia começado apático, ficou ainda mais atordoado com o gol relâmpago que levou. O capitão Salada bem que tentou armar jogadas pelas laterais junto a Thiago e Fezão. Todavia, o camisa 11 parecia um marionete mambembe de tão deslocado e desajeitado que estava: o jogador errava passes simples a todo instante e aparentava estar à deriva no meio de campo. As poucas oportunidades de gol que o time teve caíram por terra graças ao talento do goleiro Renato Oliveira, indiscutivelmente um dos grandes destaques da partida.
O Kadência não perdoou uma dessas investidas do Piranha. Num belo contra-ataque, após defender um chute a gol da equipe rival, o goleiro Renato lançou a bola para Luiz Eric, que, tabelando com Paulinho, deixou Pedro Henrique na cara do gol. O matador não bobeou e, após dominar a bola, colocou-a para descansar no cantinho da rede, aos 11 minutos.
Para tentar manter a posse de bola, o Piranha passou a priorizar as jogadas conjuntas e as tabelas rápidas, já que as jogadas individuais eram interceptadas facilmente pelo Kadência, um time que prima pela velocidade. Dessa maneira, o MP conseguiu segurar o jogo por alguns minutos e abriu caminho para arriscar alguns chutes a gol, todos prontamente defendidos por Renato. O Kadência, por sua vez, permaneceu na defensiva, aproveitando as oportunidades de contra-ataque que surgiam, tal qual uma serpente à espreita pronta para o bote.
Em um desses contra-ataques, o Kadência conseguiu um escanteio. Pedro Henrique bateu com categoria, a bola fez uma curva impressionante, enganando o goleiro Guaraná, que foi para o lado contrário da trajetória da redonda. Paulinho, oportunista, no lugar certo e na hora certa, pegou a bola em cheio no ar e a chutou com força bem no meio do gol adversário. Na tentativa de impedir o gol, Robson tentou cortar mas foi em vão. Era o terceiro do Kadência.
Após o gol, o Piranha pediu tempo. A equipe precisava repensar tanto seu ataque quanto sua defesa, uma vez que ambos não estavam oferecendo o menor desafio ao Kadência. Robson e Danilo Alves passaram a atacar pelo meio, recebendo bolas de Thiago e de Salada. Com essa estratégia, o Piranha até conseguiu chegar algumas vezes na área inimiga, mas, devido à competência da zaga adversária, sobretudo de Luiz Eric, o time não conseguia finalizar nenhuma de suas jogadas.
O Kadência não se impressionou com as mudanças na ofensiva do oponente e continuou a marcar gols. Quando o relógio apontava 20 minutos de jogo, Pedro Henrique, assistido por Luiz Eric, arrancou pela lateral direita e cruzou para Cássio Bagatim completar para as redes. Em seguida, Guaraná, que já estava irritado com as sucessivas falhas da sua defesa, ficou ainda mais nervoso após o golaço de falta de Ivan Rodrigues. O goleiro até que se saiu bem no jogo. Contudo, como o resto do time não colaborou, a goleada foi inevitável.
No último minuto do primeiro tempo enfim o MP conseguiu diminuir o placar ao marcar seu primeiro gol. Auxiliado por Robson, Danilo Alves chegou na área do Kadência e, com um chute alto, acabou com a invencibilidade do goleirão Renato Oliveira. Surgia aí um lampejo de esperança do qual a equipe do Piranha poderia extrair forças para o segundo tempo. Até ali o placar marcava 5 a 1.
E foi o que o MP fez. A equipe começou a etapa final com gás total, correndo muito e tentando a todo custo abrir espaço no meio de campo para que Danilo e Robson pudessem armar jogadas. O Kadência, ao contrário, parecia satisfeito com os gols que fizera no primeiro tempo: o time se fechou na defesa, com destaque para Luiz Eric e Cristiano, e relaxou um pouco no ataque, trabalhando mais com o toque de bola para segurar e deixar o tempo passar. Vez ou outra, o time contra-atacava pelas laterais, explorando ao máximo a velocidade e o entrosamento da dupla Pedro Henrique e Paulinho, que só não foi perfeita em campo porque perdeu algumas excelentes oportunidades de gol.
Mas a dupla chegou muito próxima da perfeição! Tanto isso é verdade que, após Paulinho marcar seu segundo gol na partida, o sexto da Kadência, ele auxiliou seu parceiro naquele que foi o gol mais bonito: com um toque preciso de letra, Paulinho passou para Pedro Henrique chutar e fazer a bola passar no meio das pernas de Guaraná.
Por mais que estivesse levando uma surra, o MP não desistia e atacava constantemente. A zaga do Kadência começou a cansar, deixando brechas para que Leandro Segala, Thiago e Robson começassem a incomodar mais o goleiro Renato. Todavia, o arqueiro não deu trégua e pegou muitas bolas. Só não conseguiu agarrar chute que Leandro mandou aos 11 minutos.
Um último gol de Pedro Henrique, o quarto dele no jogo, selaria a goleada, mostrando ao time do Piranha que ele ainda precisa comer muito feijão com arroz para peitar o novo líder do Grupo B, como também outros times veteranos do Chuteira. O Piranha pagou pelo atraso de seus jogadores e pela ausência de outros, principalmente Douglas e do sumido gêmeo Diogo.
JOGA 13 TOMA PASSEIO DE ESTUDIANTES
A garotada do Estudiantes realmente não está para brincadeira. Na estréia, a equipe apresentou um futebol cheio de técnica e energia ao bater com tranqüilidade o tradicional Fora de Série. Essa semana, o time fez mais uma vítima entre os veteranos: um desfalcado Joga 13, que, sem nenhum jogador no banco, além das ausências de Choco e Guma, não pôde fazer muito contra os passes bem ensaiados e o veloz ataque do adversário.
O duelo começou disputado e a todo vapor. Ambas as equipes brigavam com raça pela posse de bola e tentavam abrir espaço por meio de toques rápidos. Todavia, tanto a zaga do Joga 13 quanto a do Estudiantes estavam afiadíssimas, o que deixava o jogo emparelhado no meio de campo. Sem Choco, coube a Rodrigo, capitão do 13, armar as melhores jogadas no início da partida, assistindo seus companheiros com lançamentos e chutando sem medo para o gol. Graças a um de seus passes, Maurício rompeu a muralha inimiga e estreou o marcador com um chute rasteiro no cantinho da rede, aos 5 minutos.
O gol teve efeito reverso sobre os jogadores do Estudiantes, que, ao invés de se intimidarem, cresceram na partida e assumiram o controle das ações. Leandro Raito, ex-Diabos Laranjas, e Peter passaram a ser um incômodo constante para o goleiro Caieras, uma vez que a zaga do 13, embora eficiente, não conseguia deter as velozes investidas pelas laterais que a dupla realizava. Não bastasse isso, Piero e Caio, além das puxadas para o ataque do zagueiro Junior, articulavam jogadas perigosas pelo meio, completando dessa forma a tremenda força ofensiva da equipe.
A princípio, o Joga 13 estava agüentando bravamente os ataques do oponente. Contudo, a pressão exercida pelo Estudiantes era tanta que a defesa do 13 logo foi desarmada. Aos 16 minutos, aproveitando o escanteio cobrado com maestria por Piero, Junior empatou o jogo com um golaço de cabeça. Esse gol parece que estimulou o time a trabalhar com cruzamentos seguidos de cabeçadas. Entretanto, o time do 13 tinha um trunfo: Caieras, que, apesar de ter sido alvo de chacotas devido à derrota de seu time, frustrou o adversário com excelentes defesas dessas jogadas aéreas.
A virada do Estudiantes veio logo em seguida, aos 20 minutos. Iram recebeu passe de Caio, girou e mandou uma bomba cruzada. Caieras prontamente saltou na direção da bola e tentou desviá-la com um toque, mas, para a infelicidade do arqueiro, a redonda deslizou em suas mãos, caindo devagar no gramado e ultrapassando por pouco a tênue linha que separa a vitória da derrota.
O Joga 13 foi obrigado a pedir tempo após Caio marcar um golaço bem ao seu estilo – cortou para dentro na corrida e mandou um foguete que Caieras não viu por onde entrou. Era o terceiro do Estudiantes. Entre as broncas que Doce dava no time, era possível ouvir as reclamações de um time indignado com o fato do rival jogar com tranqüilidade quando com a bola nos pés. A equipe voltou furiosa para o campo e começou a pressionar com chutes de longa distância. Entretanto, as maiores chances de gol que o 13 teve nesse final de primeiro tempo foram em duas cobranças de falta de Rodrigo, que pararam nas mãos do goleiro Richard.
O segundo tempo começou marcado pela represália do Joga 13 sobre o Estudiantes. Por muito pouco Lele não marcou. Mas o novato Well, aos 3 minutos, arrancou pela lateral e cruzou para Rafael Lorente fazer o quarto do Estudiantes diante de um Caieras que permaneceu estático no lance.
A partir desse momento, o Joga 13 perdeu o pouco controle de jogo que ainda lhe restava. As poucas vezes em que o time conseguiu chegar à área do rival foram desperdiçadas por ações descoordenadas de Calado, Bruninho e Lele. O artilheira não era nem sombra do que já se viu dele em campo. Na grande maioria dessas jogadas, ele acabava ficando sempre sozinho e nada podia fazer contra a ágil defesa do time adversário. Para piorar a situação, aos 10 minutos, Rodrigo levou um cartão amarelo, o que deu livre acesso a Piero atacar. O único zagueiro do 13 ficava fora e teve de ver o camisa 10 do Estudiantes marcar não apenas um, mas dois gols! Dois gols em menos de um minuto!
A tempestade que desabou logo em seguida, ao invés de esfriar os ânimos, deu força à amargura de uns e coloriu a alegria de outros. Ao mesmo tempo em que os garotos do Estudiantes vibravam com o anúncio de uma segunda goleada em vista, os integrantes do Joga 13 demonstravam sinais de profunda irritação e decepção. O mau humor do time piorou após o terceiro gol de Piero: um chute cruzado no canto esquerdo que deixou Caieras novamente estático. Era o sétimo do Estudiantes.
Logo em seguida, aos 17 minutos, Rafinha fechou com chave de ouro a brilhante atuação do Estudiantes ao pegar um rebote e cravar um golaço de carrinho. Mesmo sentindo o gosto da derrota inevitável, o 13 não desistiu e conseguiu diminuir o placar. Lele finalmente teve espaço e marcou o seu gol: ele recebeu, driblou Junior e mandou uma bomba rasteira. Desta vez foi o goleiro Richard que permaneceu estático. Em seguida, Bruninho aproveitou um lançamento de Calado e marcou um golaço de cobertura. Foram os últimos suspiros do 13, que, mesmo com desfalques irreparáveis, lutou bravamente ao longo de toda a partida e foi um oponente de respeito. Só que nada páreo para um contagiante Estudiantes, que com a volta de Caio no meio de campo mostra que tem total condições de lutar pelo título.
Entretanto, um incidente manchou a bela disputa: minutos antes de seu time marcar o último gol do jogo, Doce, que atacava de técnico, abandonou o campo revoltado. Segundo jogadores do Estudiantes, Doce ameaçou bater em Bruninho por conta de supostos deboches que esse último teria feito ao longo da partida. A intenção agressiva do técnico foi confirmada no final do jogo, quando o capitão Rodrigo e Caieras o apoiaram e iniciaram uma discussão acalorada com Piero e o pivô da discussão, Bruninho (só pra variar). Após muito empurra-empurra e uma bola arremessada com força em direção aos jogadores do Estudiantes, o espetáculo lamentável felizmente terminou. Dentro de campo, espetáculo do Estudiantes; fora de campo, do Joga 13.
A última coisa que se ouviu foi uma voz anônima vinda da arquibancada, que, em tom de chacota, gritava: “Sem Caieras foi 6 a 2. Com Caieras acabou 8 a 3. Melhor jogar sem goleiro então!”. Os adversários não perdoaram o 13, nem o comentário de Caieras no site quanto às razões da derrota no primeiro jogo.
ERICH MACHUCA E FIORELLA VIRA PRA CIMA DO PAGALANXE
O azar anda rondando o time do Atlético Pagalanxe, como já se viu em matéria na seção Últimas Notícias. Em outra partida atípica, com lesões e falta de jogadores, o time laranja se esforçou muito, jogou melhor que o campeão Fiorella, mas não conseguiu evitar a derrota por 5 a 3.
Jogando com apenas um reserva cada equipe, o jogo começou fulminante em favor do Pagalanxe. Nem deu tempo do árbitro soprar o apito e este já tinha aberto o placar com o habilidoso Daniel. Assustados com o começo, o Fiorella se retraiu e só chegava com perigo em chutes de longe, defendidos pelo goleiro Erich. Mais uma vez notou-se a ausência do artilheiro Van-Van, restando a Tiago Silva e Jefferson as jogadas ofensivas.
Atrás no placar, o Fiorella tinha de sair para o jogo e com isso dava espaço para os contra-ataques. Em um desses contra-ataques, Simões aproveitou e ampliou o placar. A torcida do lado de fora vibrava com o resultado, pois, além de estar vencendo, o time do Pagalanxe jogava melhor que o Fiorella. Porém, novamente o time sofreu um golpe de azar: Pedro, o único zagueiro do time na partida, se machucou e não teve mais condições de voltar ao jogo. Novamente o time passou a jogar sem reservas, assim como na primeira partida, onde por pouco não venceu o time do Atlético Osasquense. Com os sete em campo, os jogadores tiveram que se desdobrar em campo para que o cansaço não fizesse com que uma derrota acontecesse.
O primeiro tempo continuou e Erich já era o grande destaque da equipe, defendendo tudo que vinha em sua direção, assegurando a vitória parcial por 2 a 0 frente aos atuais campeões do torneio.
no segundo tempo, o Fiorella parecia querer descontar o gol rápido que sofreu no primeiro tempo e, logo nos primeiros minutos, em uma jogada boba da zaga do time do Pagalanxe, a bola foi rolada no meio da área para que Kleberson, livre de qualquer marcação, descontasse para o Fiorella. Com o gol, o Fiorella cresceu no jogo, passando de chutes de longe a jogadas mais próximas à área do goleiro Erich. E foi assim que, pela segunda vez, o time do Pagalanxe sofreu um golpe de azar: Erich, ao tentar tirar a bola do pé do jogador do Fiorella, se machucou feio nas costas. Sem condições de continuar e sem reservas à disposição, sobrou para o capitão Bruno se fazer de goleiro no time.
Ironia do destino, como precisava de uma camisa de número igual à sua e diferente do uniforme laranja, foi correndo até o alambrado e pediu ao seu maior desafeto, Yanes, do Bacana, a camisa de número 9 emprestada. Em um lance de puro fair play, o compreensivo Yanes emprestou a camisa vinho para Bruno, que foi para o gol tentar segurar a vantagem que o Pagalanxe havia conquistado. Como o Pagalanxe só estava com 6 jogadores, sobrou pro zagueiro Pedro, que já estava descalço e sem chuteira, voltar a campo para fazer número.
O esforço do time parecia estar dando certo, mas em um contra-ataque puxado pelo zagueiro Sebastião Alvez, o primeiro chute a gol do Fiorella entrou. Sem cacoete de goleiro, Bruno nem viu passar a bomba. E assim ocorreu também o terceiro gol do Fiorella: um chute de fora da área de Jefferson Firmino, qua ainda desviou na mão de Bruno, mas bateu na trave e entrou.
O Pagalanxe lamentava muito o azar. Jogava melhor, mas viu seus principais jogadores se machucarem. O time, totalmente reformulado do campeonato passado, continuava brigador e não desistiu. Tanto que, numa investida, Daniel voltou a marcar e deixar o placar novamente igual, para delírio de Erich, Yanes e capitão Bacana Marcelo fora de campo. O grito de "ainda dá" prevalecia entre os jogadores do time laranja, mas o grito se calou em uma saída errada do “goleiro” Bruno, que acabou entregando o quarto gol para o Fiorella e a virada definitiva. O quinto gol não demorou a sair e foi conseqüência do desanimo que abateu os laranjinhas, marcado por Jefferson.
Para o Fiorella, uma vitória que caiu do céu numa tarde em que nem metade do time compareceu para o jogo. O campeão se mantém com uma campanha 100%, mas dá nítidas mostras que não é nem sombra do time que eliminou SNG e Melville no passado. Ao Pagalanxe, resta a certeza de que, mesmo com muitos problemas e uma zica danada, a equipe vem melhor que a no campeonato passado. Só os resultados que não apareceram ainda.
EM JOGO TUMULTUADO, AURORA FAZ 10 NO OSASQUENSE
Parece que a tempestade que desabou sobre o Playball carregava algum tipo de maldição ou continha algum tipo de substância nociva ao espírito esportivo, uma vez que houve discussões fervorosas em todas as partidas que ocorreram sob a chuva. Alguns desses desentendimentos, inclusive, foram seguidos de forte bate-boca entre os jogadores. Claro que essa hipótese não passa de uma brincadeira surreal. Contudo, não deixa de ser curioso o fato de que os jogos Joga 13 x Estudiantes, Mellville x Equipe Bróder e Aurora x Atlético Osasquense, todos regados pela mãe natureza, foram repletos de polêmica.
Divagações a parte, a disputa entre os novatos Aurora e Atlético Osasquense tinha tudo para ser um grande atrativo aos espectadores, pois ambas as equipes jogam um futebol rápido e ofensivo. Entretanto, após um jogo emocionante, ficou claro que o Aurora é muito mais do que raça e agressividade: o time possui técnica apurada, toque de bola preciso e atacantes que realmente sabem marcar gols. Com todos esses atributos, é fácil entender o porquê da equipe ter goleado com facilidade o Atlético Osasquense, que, embora seja um bom time, ainda tem muito o que melhorar, principalmente no quesito defensivo.
Os dois times começaram devagar, armando jogadas pelo meio e tocando bastante a bola. Mas não demorou para o futebol enérgico do Aurora transparecer, já que Wellington bombardeou o gol adversário na primeira oportunidade que teve, abrindo o placar aos 4 minutos. E isso era só o começo, pois menos de 3 minutos depois o ágil camisa 7 marcaria seu segundo gol, de cobertura, e passaria a dar muito trabalho para a equipe do Atlético.
O jogo prosseguiu emparelhado no meio de campo. Os jogadores de ambos os times disputavam ferozmente a bola. Aos poucos, o nó foi desatando e cada um começou a atacar à sua maneira: o Atlético partiu pelas laterais, com Rogério Tizil e Paulinho, enquanto o Aurora tentava costurar pelo centro com tabelas entre Thiago Maradona e Wellington.
O Osasquense percebeu rápido que os jogadores do Aurora eram mestres em roubar a bola e armar velozes contra-ataques. Por conta disso, passou a trabalhar com passes mais longos e cruzamentos para matar a zaga. Contudo, mesmo valendo-se dessa estratégia, a equipe viu suas chances de ataque serem rapidamente frustradas pelos defensores. E quando o Atlético conseguia vencer a defesa e chutar para o gol, o goleiro Léo Alemão estava lá para assegurar que nada entraria em sua rede.
O Atlético não se abateu e continuou pressionando o rival com jogadas aéreas e chutes a gol. As chances do time cresceram quando Gustavo Vecchi entrou na partida, pois o jogador, além de driblar muito bem, tinha uma sintonia tremenda com o craque Paulinho. A dupla passou a articular jogadas das mais variadas formas e seguiu martelando a defesa do oponente. Em um desses lances, Paulinho tocou da lateral para Tizil, que disparou no meio de campo e lançou para Gustavo diminuir com um chute cruzado. No lance seguinte, foi a vez de Paulinho deixar o dele, empatando o jogo.
Tudo indicava que o jogo voltaria ao equilíbrio. Todavia, o Aurora não se conformou e começou a forçar a barra, atacando pelo centro com tabelas precisas entre Pena, Wellington e Maradona. Mas foi Tiago Zé que marcou o terceiro do time, um golaço de falta, aos 22 minutos.
Após o gol, o Osasquense pediu tempo. Por mais que a equipe estivesse se saindo bem e marcando gols, seu ataque ainda não estava coordenado. O intervalinho aparentemente fez bem para o time, já que Bill entrou com tudo e, na primeira oportunidade que teve, poucos segundos antes do final do primeiro tempo, cravou o gol de empate.
Quem observou com cuidado a atuação do Aurora no segundo tempo provavelmente chegou à conclusão de que a equipe se conteve no primeiro. O time voltou renovado do intervalo e tomou o controle do jogo, não deixando espaço para o Osasquense trabalhar e marcando um gol atrás do outro. Maradona foi quem começou a onda de gols, uma vez que marcou dois logo nos 3 primeiros minutos, ambos por meio de chutes rasteiros que desarmaram a zaga inimiga.
Mas o artilheiro do time foi Wellington que, Aos 3 minutos, aproveitou preciso lançamento de Pena, chapelou o goleiro Dudu e marcou o gol mais bonito da partida. Em seguida, aos 4 minutos, o mesmo Wellington tabelou com Pena e, passando pela zaga, chutou forte e marcou o sétimo do Aurora. Ao todo foram 4 gols do jogador, que, ao lado de seus companheiros Maradona e Pena, ficou entre os melhores da partida.
O Osasquense só conseguiu reagir depois de levar o oitavo do Aurora, marcado de fora da área por Pena. Isso aos 7 minutos – atenção, foram 5 gols em 7 minutos. Nervoso, o time partiu para cima e conseguiu diminuir com o gol de Guiné.
Após esse gol, o jogo foi tomado por uma confusão generalizada que quase acabou em pancadaria. O esquentado Paulinho e Gustavo Vecchi, do Osasquense, se estranharam com Pena, do Aurora. Para esfriar os ânimos dos jogadores, o árbitro amarelou os três. Essa atitude, no entanto, só fez com que as coisas piorassem. Wellington e Maradona, do Aurora, entraram na confusão e passaram a peitar Paulinho. Os árbitros não tiveram escolha e aplicaram cartão azul nos três, eliminando-os da disputa. Revoltado, Paulinho saiu de campo xingando o árbitro e dizendo que era ele que merecia ser limado do jogo. Resultado: cartão vermelho para o craque do Atlético Osasquense e fim da briga.
O duelo seguiu com ambas as equipes atuando temporariamente com 5 jogadores cada. Nesse tempo de desfalque, o Aurora marcou seu nono gol: Julio Sergio tocou para Tiago Zé, que completou de carrinho. Em seguida, o Atlético diminuiu com novo gol de Bill.
A partir daí, o jogo se manteve morno e só esquentou quando Caio Cesar marcou o décimo do Aurora. Após o lance, o juiz apitou, encerrando a partida. Graças à goleada, o Aurora agora é um dos líderes do campeonato e uma das maiores ameaças aos adversários do Grupo B, que já começam a olhar com outros olhos para o novato. Para azar do Aurora e sorte do MachuPichu, o craque Wellington e Maradona estão suspensos.
SNG JOGA PRO GASTO E VENCE UM BASICUS GUERREIRO
Horas antes da partida, Renê (SNG) e R. Barath (Basicus) conversavam sobre o confronto do fim da tarde de sábado entre as duas equipes (vide vídeo abaixo). René falou que seria um bom jogo, já Barath dissera que um tabu seria quebrado. Ambos estavam corretos. Ponto para Renê sobre o bom jogo e ponto para Barath, que poderia falar qualquer coisa para convencer que o tabu fora quebrado mesmo – como a primeira vez que SNG e Basicus se enfrentavam ou que o Basicus não ficaria dois jogos seguidos sem marcar um único gol (perdeu na estréia por 6 a 0 do Kadência). Na verdade, o maior desejo de Barath era alcançar a primeira vitória oficial, o que não veio a acontecer desta vez, mas valeu pela descontração pré-jogo.
Em campo, o placar de 7 a 3 que deu a vitória ao SNG contra a equipe rosa (que desta vez jogou de azul) não resumiu o que realmente aconteceu em campo: o Basicus deu muito trabalho ao bicampeão do Chuteira. Outra certeza que fica do jogo é que Renê foi decisivo no primeiro tempo, não dando muito trabalho ao goleiro Goku, mas sim aos defensores do Basicus, que, logo aos 2 minutos, deixaram o matador do SNG girar em cima de 3 deles e marcar o primeiro do SNG.
Não demorou muito para Renê ampliar, aos 4 minutos, após rebote. Renê até pareceu Goku, pois fez uma jogada plástica, digna de um ninja (ninja é como o goleiro japonês é chamado pelos companheiros), e, com um chute giratório (?!?!) colocou a bola no ângulo direto do goleiro, que ficou esperando o combate efetivo de sua defesa, que não aconteceu. Era o 2 a 0 fulminante de Renê e do SNG.
Atrás no placar, o Basicus resolveu partir para o jogo depois dos cinco minutos de pressão doadversário. E não demorou para marcar seu primeiro gol na competição, com o atacante/zagueiro/meia/goleiro Paulinho Ventura, o mais versátil atacante do Basicus. Ele aproveitou cobrança de escanteio e cabeceou no canto direito de Sampa, diminuindo para 2 a 1.
Entretanto, a expressão “pegou na veia” se fez verdade instantes depois, com chute de Mario, que acertou um belo chute de fora da área, deixando o SNG novamente com 2 gols de vantagem. Havia rolado apenas 10 minutos de jogo e quatro gols já tinham saído. E o SNG não queria saber de relaxar. No minuto seguinte, em cobrança de falta – um tanto duvidosa – contra a meta do time azul, Memé encontrou uma velha amiga, a coruja, fazendo ela deixar o canto para a bola entrar e o placar marcar 4 a 1.
Se a defesa do Basicus nada fazia, resolveu completar o desastre do primeiro tempo atrapalhando Goku, que viu o torpedo de Biro partir praticamente do meio do campo e explodir dentro do gol. Primeiro tempo chegava ao fim com um show do SNG e tranqüilidade para começar o intervalo.
O Basicus teve duas estréias, Eder (chamado de Bahia), marcador e criador nada tranqüilo para um bom baiano, e Fernando, o menino prodígio de 16 anos e, quem sabe, o parceiro que Cavalera estava aguardando tanto para criar, atacar e tabelar no meio de campo do time rosa.
Se Cavalera pediu, deu certo. O segundo tempo foi de domínio completo do Basicus, que viu o SNG pedir tempo técnico por não conseguir segurar o ataque adversário. Se a defesa não agüentava as investidas de Cavalera, Fernando e Rodrigo Imperatore, quem salvou foi o goleiro Messi, que entrou no início do segundo tempo no lugar de Sampa e defendeu bolas extraordinárias, três delas à queima-roupa, após chutes de Rodrigo Imperatore, que não marcou desta vez, mas deu muito trabalho aos defensores do SNG.
Mas logo aos quatro minutos, jogada de Cavalera rendeu a Saulo um cruzamento em que só teve o trabalho de empurrar a bola para o gol quase em cima da linha. 6 a 2. Mas parece que quando a bola não é para entrar, não entra a favor e favorece totalmente o adversário. Assim, em jogada de escanteio, parecida e realizada no festival Bola na Rede pelo time Projeto Tóquio, no qual Renê faz parte, o SNG aumentou novamente. A bola foi alçada no segundo pau e ajeitada para o meio da área do Basicus, que, mais uma vez falhou feio nas jogadas defensivas de escanteios. Abelha recebeu e só empurrou, fazendo 6 a 2 para o SNG.
Aos 5minutos, Biro recebeu em contra-ataque linda bola ajeitada de cabeça para o arremate. O gol foi construído em 3 passes - aliás, 4, já que o pé de Ladeira, xerifão do Basicus, desviou a bola e a fez morrer no canto de Goku. Sem tempo de respirar, o Basicus devolveu com o novato Fernando, que recebeu na ponta direita e mandou um canhão no canto de Messi, novamente diminuindo para o Basicus e deixando o placar em 7 x 3, aos 8 minutos.
A partir daí, o que se viu foi o que fora descrito logo acima. Messi brilhou e definiu o jogo, após diversas tentativas do ataque adversário. O SNG acabou recuado e tomando grande pressão do Basicus, que cansou de perder gols.
Ao final, a derrota por 7 a 3, mesmo sendo uma derrota, traz um alento ao Basicus, já que parece que o maior problema da equipe – notadamente o ataque – começa a se encontrar. Ataque e defesa saíram de campo animados com as novas contratações feitas pelo jogador-técnico R. Barath, que vieram por indicações de Harada (Bahia) e Paulinho (Fernando).
Ao final, Barath confirmou comentários de muitos jogadores, como Saulo, o mais empolgado de todos: “Confesso que fiquei em dúvida sobre contratar mais jogadores, mas hoje fiquei feliz com o time e declaro que o plantel está fechado. Temos que melhorar um monte de coisas, estamos longe do ideal, mas isso só prova que temos e devemos executar mais trabalho, conversar mais, ter disciplina, tanto tática quando emocional, fatores que faltam para que um time seja um grande time”.
BENGALAS VENCE MACHUPICHU COM BENCAO DA CHUVA
Por não se conhecerem – afinal, era a primeira vez que se enfrentavam – talvez o jogo tenha tido panoramas tão diferentes nos dois tempos jogados. No primeiro tempo, os peruanos dominaram; no segundo, veio a virada do Bengalas.
A partida marcava a estréia do matador Ricci no VI Chuteira, voltando de contusão no tornozelo. A idéia era, depois de perder para o Fiorella, recuperar-se com a readoção do velho e bom estilo de jogo peruano que vem se tornando a marca registrada do time – a marcação meia quadra, chamando o adversário pra cima e apostando nos contra-ataques. De fato, essa foi a característica do time no primeiro tempo. Mas a retranca não foi totalmente bem feita, pois o Bengalas marcou com Bizu. A partir daí, o jogo passou a ser muito equilibrado, com ambas as equipes saindo para o jogo. E quando o MachuPichu resolverabdicar da retranca chegou ao gol adversário. Primeiro empatou o jogo com Danilo, que concluiu após bela tabela de Ricci e Renato. Em seguida, foi a vez de Thiago Branco entrar e, em seu primeiro toque, virar o jogo a favor de seu time.
Perdendo, o Bengalas começou a tomar a iniciativa das jogadas ofensivas, mantendo a posse de bola mas sem conseguir reverter com gols o domínio. E foi numa grande bobeada da defesa do MachuPichu, coisa rara de se ver, que o Bengalas empatou. Taka recuou para Gustavo Carrer, que deu um chutão que bateu em Giu esobroi pra ele fazer o gol.
Com o jogo empatado, o MachuPichu resolveu colocar em campo o primeiro camisa 9 de sua equipe – desde a fundação do time, há mais de dois anos, que ninguém ostenta o numero 9 nas costas – Bruno, que entrou no lugar de Ricci. A mudança surtiu efeito e o time passou a atacar com velocidade. E foi justamente ele que, em tabela com Thiago branco, colocou o MachuPichu `a frente do placar novamente. Pouco depois, o mesmo Bruno, em bonita jogada, cruzou para Renato só escorar no canto do goleiro e fechar o placar do primeiro tempo em 4 a 2.
Se o primeiro tempo foi de superioridade peruana, o segundo foi totalmente o oposto. O Bengalas veio ligado e parecia abençoado pela chuva que começava a cair no PlayBall. Ela começou fraca, garoa fina, mas de repente engrossou e foram cerca de 15 minutos de chuva torrencial. O time amarelo mostrou por que houve tantos comentários a respeito da possível longa vida da equipe no campeonato: marcou 6 gols em 25 minutos e virou uma partida para 8 a 5.
No segundo tempo, o MachuPichu tratou de tentar segurar o placar. A chuva fazia a bola correr demais e o time não acertava uma bola de contra-ataque. E o Bengalas cresceu em campo, acuou o MachuPichu que viu seu goleiro Emilio fazer grandes defesas, tanto pelo alto quanto pelo chão. Mas uma hora a casa ruiu e a virada começou com Guitole, que marcou dois gols, e o zagueiro Nando.
O Bengalas abusava das bolas cruzadas na área e com isso acabou por furar o bloqueio do MachuPichu. Fernando Forte marcou o sexto e coube ao oportunista Bizu fechar a conta em 8 a 4 com dois gols praticamente embaixo da trave. Thiago Branco ainda descontou, mas era demais pedir uma reação para a equipe peruana.
Ao fim da partida, o Bengalas chegava a 6 pontos e, mesmo sem grandes atuações, vem correspondendo `as expectativas colocadas em cima da equipe. Foi possível ouvir Guitole questionar alguns torcedores do lado de fora sobre a atuação do time e “criticas” recebidas após a vitoria apertada contra o MSM (venceu mas não convenceu): “ E agora, convencemos?”. Quanto ao MachuPichu, mais uma derrota, contra outro adversário forte. Resta saber qual será o comportamento do time contra o Aurora no próximo final de semana.
MELVILLE PÕE EQUIPE BRODER NA RODA
O jogo era muito esperado, pois era mais que conhecido o desejo de vingança do Melville contra a Equipe Bróder após a eliminação nas semi no II Chuteira. Depois daquele jogo, o primeiro entre as equipes, o Melville não jogou a terceira e a quarta edições, sendo que na quinta, quando resolveram voltar, foi a vez do Broder não jogar. No último sábado, pela segunda rodada do VI Chuteira, cercado de expectativas, o confronto aconteceu depois de uma forte chuva que caiu no PlayBall. O jogo? Bom, a palavra baile é pouco para resumir o que se viu em quadra por parte do Melville diante de um perdido Broder.
O jogo começou e o Melville tomava a iniciativa das ações. Para variar, Alemão era soberano no meio, sendo o articulador das jogadas. Felipe, o artilheiro, caía hora pela esquerda ora pela direita, confundindo a zaga broderiana. E não foi preciso mais de 5 minutos para que Alemão desse um toque sensacional e deixasse Felipe na cara do gol. Por pouco o gol não saiu. Mas no minuto seguinte o mesmo Alemão tocou para Henrique marcar o primeiro do jogo e iniciar o show.
O gol saiu e o Broder não conseguia chegar na meta de Taxa, que estava lá apenas para cobrar tiros de meta. Chutes toscos, bolas longas perdidas, a EB não se encontrava em campo, enquanto no banco de reservas Lapa, a estrela do time, assistia a tudo passivamente e sem a camisa do time. Por que Lapa não jogou? Segundo ele, por uma contusão. Mas a torcida parece que descobriu a verdade – não jogou para poder falar que ele não perdeu de novo para o Melville (para quem não lembra, Lapa jogou com o Basicus no torneio passado e o jogou acabou empatado). Além de Lapa, outra figura carimbada da equipe, este do lado de fora da quadra, era Toledo, cada vez mais magro (o que acentuou o tamanho de sua cabeça), que torcia e usava sua velha tática terrorista de xingar, azucrinar e aporrinha a arbitragem, esteja ela certa ou errada. E Toledo gritou, xingou, se esgoelou pelo seu time, mas em menos de 3 minutos do primeiro gol foi Alemão de novo que tirou dois jogadores do Broder da jogada com um drible de corpo sobrenatural e deixou Felipe na cara do goleiro Macaco, que conseguiu antecipar e fechar o ângulo para o atacante.
Mas no lance seguinte Felipe não perdoou. Alemão recebeu, deu um passo a frente e praticamente sem visão meteu uma bola fantástica no meio de 3 marcadores da EB. Felipe teve calma para matar e tocar na saída de Macaco e fazer 2 a 0. O Broder parecia morto em campo tal a incapacidade de chegar ao gol adversário. O gramado molhado dificultava ainda mais as ações ofensivas, pois a bola sempre corria demais. Mutssa, Edu e cia. se esforçavam, mas o campo era curto ou aparecia um pé de Garo, Jose, Henry e até mesmo do esforçado capitão Mauricio, para travar ou cortar a bola.
O Melville passou a cozinhar o jogo e a tocar mais a bola, sem nenhuma pressa de chegar ao gol adversário. O Broder tinha que tomar a iniciativa do ataque, restava ao Melville se defender, o que não era nada complicado, e partir para o contra-ataque. E as tabelas entre Alemão e Felipe, principalmente pela esquerda, rendiam boas oportunidades de gol. Campo molhado, bola escorregadia, Felipe não marcou mais porque o goleiro estava sempre esperto e saía rapidamente do gol para abafar. E foi só 2 a 0 que acabou o primeiro tempo.
No segundo tempo as coisas pioraram para o Broder. Tentando fazer gol de qualquer jeito, o time se tornou presa fácil. Jose logo marcou o terceiro gol, seguido de outros dois gols de Felipe, todos em suas características de velocidade e habilidade, sempre respaldado por Alemão. Era 5 a 0 e o Broder lutava, lutava, mas não conseguia o gol que já seria o de honra da equipe. Na metade do segundo tempo, Taxa deu lugar ao goleiro Rafael.
E o Broder tentou e chegou a gol do Melville. Mas Rafael estava lá para garantir, inclusive com defesas espetaculares, como uma bola alçada na área do lateral que ele buscou no canto inferior esquerdo tal qual um gato. Chutes e bolas rebatidas na área não tinham endereço no gol do Melville e já pairava no ar um que de “hoje não vai entrar mesmo e não tem jeito”.
Ao mesmo tempo que o Melville ia marcando, o Broder ia perdendo a cabeça e reclamava demais com a arbitragem. A EB, para variar, e Toledo, do lado de fora, gritavam querendo apitar a partida. E em muitas vezes, talvez por dó da surra que estavam levando, a arbitragem deu uma mão a eles. Chegou ao cúmulo de dar dois cartões amarelos para o Melville, deixando a equipe com apenas 4 jogadores na linha, sendo um dos cartões inteiramente injustificável.
Para piorar a fraca arbitragem, no último gol, de Valtinho, Felipe comemorou mirando o banco do Broder e falando alguma coisa que se fala quando se faz um gol e quer desabafar. A EB perdeu a esportiva e partiu pra cima querendo confusão. O goleiro Macaco chegou até Felipe e deu um baita empurrão no jogador e aí a turma do separa-empurra chegou e o lance foi pacificado. A arbitragem amarelou Felipe e nada fez com Macaco, dando uma idéia de impunidade que indignou os torcedores e o Melville.
Mas o jogo estava no fim e as coisas eram todas a favor do Melville. O Broder ainda foi valente, mesmo capenga foi pra cima e num lance pela esquerda Marcelinho mandou de bico no canto oposto do goleiro para fazer o gol de honra. Final de jogo com 6 a 1, alma lavada do Melville, para intensa alegria do capitão Mauricio Miranda, que tirou o fantasma do Broder da cabeça com uma atuação praticamente perfeita de sua equipe, que segue desta vez mais confiante rumo ao título. Ao Broder, já começa a reluzir a luz no fim do túnel – a luz da chuteira de prata, que parece ser o destino da equipe caso não venha a reagir depressa.
MSM PAGA ERROS DE FINALIZAÇÃO COM DERROTA NO FIM
Com sentimentos distintos, MSM e The Veras entraram em campo pela 2ª rodada do VI Chuteira de Ouro, no último sábado. A equipe parceira do Boca Juniors procurava se recuperar da derrota na estréia para o Bengalas, enquanto os novatos do The Veras estavam visivelmente empolgados após o suado empate diante do Acidus.
Os capitães Bruno Costa e Pedro DeLuna mal haviam tirado cara-ou-coroa quando, num chute certeiro de longa distância, Kadson abriu o marcador para o MSM. Posteriormente, o goleiro Benga confessou que a má iluminação daquele trecho da quadra contribuiu para que o gol relâmpago acontecesse.
O The Veras, entretanto, não se mostrou intimidado pelo placar desfavorável e diante da maior experiência do adversário, conseguindo dominar boa parte do primeiro tempo. O centroavante Moura, em dois rápidos giros de corpo, assustou o goleiro Caio e o obrigou a trabalhar. O predomínio do Veras, no entanto, raramente se traduzia em jogadas mais agudas, quanto mais em gols. Claramente o time sentia falta de jogadas individuais para fugir da excelente marcação do MSM. E foi justamente numa demonstração de talento do meia Deco que o The Veras chegou ao empate. Encurralado na linha de fundo, o camisa 4, com um drible seco, se livrou de dois marcadores ao mesmo tempo, finalizando forte e sem chances para Caio.
O gol pareceu acirrar os ânimos dentro de campo e o bom futebol deu lugar às entradas mais ríspidas, pra não dizer violentas. A permissividade da arbitragem fez com que os habilidosos meias Japa e Kadson, por exemplo, fossem caçados em campo sem que seus perseguidores fossem punidos. Teve até cotovelada e braço sobrando na cara diante de uma arbitragem omissa e que já havia pecado no confronto anterior entre EB e Melville.
Para o segundo tempo, a situação recrudesceu e a temperatura em campo continuou a subir, sempre sob o olhar afável da arbitragem. O MSM jogava melhor e tinha amplo domínio no meio de campo quando, irritado após mais uma falta não marcada, o camisa 19 do The Veras, Luiz Felipe, deu uma entrada dura no adversário e levou o cartão amarelo, desfalcando sua equipe por 2 minutos. E foi nesse momento adverso que um dos nomes do jogo começou a brilhar: o zagueiro Cucio fez incontáveis desarmes e armou contra-ataques perigosos para o Veras. Alguns minutos depois, foi a vez do volante Danilo dar uma entrada forte em um atleta do MSM e esquentar o banco de reservas. Nesse período, curiosamente, as melhores chances de gol foram da equipe que jogava com um homem a menos, em dois chutes de longe do capitão Pedro. O MSM não conseguia fazer a superioridade numérica ser convertida em domínio de jogo.
Aos poucos, o MSM percebia que aquele não era seu dia. Após ficar com um homem a mais em duas oportunidades, a equipe assistiu seu capitão Bruno Costa receber um cartão amarelo e desfalcar a equipe momentaneamente. O tempo ia passando e as equipes, movidas pela necessidade da vitória, lançavam-se ao ataque. E a ânsia pelo gol por parte do Veras, meio suicida, gerou ao MSM as duas maiores chances de gol na partida. Por duas vezes Luciano avançou em contra-ataque e ficou sozinho diante do goleiro Benga. Para infortúnio do MSM e agradecimentos aos céus, o goleiro defendeu uma e na segunda não fez mais do que ficar parado – Luciano chutou em cima dele.
Diante da pressão, o The Veras sentiu que também deveria apostar suas fichas no ataque. Deco, em um lance de raça e persistência, dividiu com os zagueiros do MSM e recuperou a bola, finalizando em seguida. O chute, fraco, não levaria perigo ao bom goleiro Caio, se não fosse o desvio fatal do defensor. A bola, então, entrou mansa e decretou a vitória da equipe azul-grená: 2x1.
“Foi um jogo de mais transpiração do que inspiração”, reconheceu o capitão Pedro, para em seguida concluir: “mas uma vitória dessas serve como lição, além de dar um embalo significativo à equipe”. Bruno, capitão do MSM, estava desolado no fim do jogo e lamentou: “Poderíamos e deveríamos ter matado a partida”. O fato é que agora, o MSM tem de juntar os cacos para enfrentar o Tosco, enquanto o motivado e jovem time do The Veras desafia o Fiorella, atual campeão do torneio.
GIRO SP ENCURRALA ROLETA E CONQUISTA EMPATE
Parece que os estreantes são a grande ameaça dessa edição do Chuteira. Times como Bengalas, Estudiantes e Aurora têm surpreendido e provado a cada jogo que não entraram no torneio para servir de saco de pancada para os veteranos. É só dar uma olhada nos últimos placares dessas equipes para confirmar essa afirmação.
O último jogo da segunda etapa revelou mais uma equipe que pode vir a dar trabalho para os peixes grandes: o Giro SP, que, jogando com muita raça e atacando de maneira quase que suicida, conquistou o empate com o poderoso Roleta Russa. Vale destacar que este estava com um grande desfalque, pois jogou sem o craque Kuminha. Contudo, ainda era o Roleta, e o Giro mostrou que a força de vontade e a coragem podem ser atributos fundamentais para desarmar equipes taticamente superiores.
A partida começou morna, com ambos as equipes tocando a bola devagar, como se estivessem se estudando. O Roleta não ficou assim por muito tempo e logo partiu para o ataque, operando pelo meio de campo e arriscando alguns chutes a gol. Em uma das investidas do time, a Giro acabou por dar a ele a chance de cobrar uma falta. A oportunidade não foi desperdiçada por Brian, que chutou bem no meio da barreira e marcou o primeiro do Roleta, em menos de um minuto!
A Giro acordou com o susto e começou a atacar forte pelas laterais com arrancadas e passes velozes de Flávio e de Paulo Alemão. Mas a zaga do Roleta, cujos destaques eram Martins e o experiente Baru, logo tratou de barrar a dupla. Na tentativa de contornar a situação, os atacantes da Giro passaram a trabalhar com tabelas, usando e abusando da conexão com os meio-campistas.
A racional equipe do Roleta se fechou na defesa e passou a explorar os contra-ataques para reverter a pressão. A tática funcionou e permitiu que Foguinho, aos 8 minutos, marcasse o segundo do time. Ele aproveitou passe de Brian, principal força ofensiva do Roleta na partida, e chutou rasteiro para vencer o goleiro Wecton.
Com situação favorável, o Roleta se soltou mais e passou a atacar com maior freqüência. Chegou mais vezes ao ataque, mas o zagueiro Flávio segurava a onda lá atrás e impediu que o Roleta ampliasse. Mas ele nada pode fazer quando Bob recebeu cobrança de lateral, virou com tranqüilidade e sem marcação para fazer 3 a 0.
Parecia que a Giro tomaria outra goleada. Mas a jovem equipe, inflada por um Batata no banco de reservas espumando, não se intimidou e conseguiu abrir uma brecha na defesa do rival, graças a uma seqüência de tabelas bem executadas por Jefferson e Alemão. A jogada possibilitou que João marcasse o primeiro gol da Giro, dando moral aos integrantes do time para buscarem o placar.
Todavia, por mais que a Giro atacasse duramente, o controle do jogo ainda estava nas mãos (ou nos pés) do Roleta. Esse quadro foi concretizado com um golaço de Foguinho aos 19 minutos. Do lado direito do goleiro, a bola viajou com velocidade e precisão para morrer no ângulo do goleiro Wecton. Para se ter idéia da bola, ela explodiu na trave dentro do gol e espirrou pra fora. Teve gente que achou que tinha sido travessão de tão perfeita que foi (foi tamanho golaço que foi o primeiro gol no Chuteira em que não se pode dizer que a rede balançou, pois não mexeu nada dela).
Revoltado por se deixar levar mais um gol de falta, a Giro virou um verdadeiro rolo compressor e assim permaneceu até o final da partida, tomando conta quase que exclusivamente da posse de bola e ameaçando o goleiro Luiz Eduardo a todo instante. A substituição de Wecton por Guilherme Magoo, logo após o quarto gol e depois do goleiro perder as estribeiras e xingar os adversários, também rendeu ótimos resultados, uma vez que esse último não sofreu gols até o final do jogo. Se não exclusivamente por suas qualidades, Guilherme mostrou que é um talismã da equipe.
Todas essas mudanças obrigaram o Roleta a pedir tempo. O time, que a esta altura já estava acuado, precisava recuperar a integridade de sua defesa. Caso contrário, acabaria cedendo. A equipe do capitão Baru voltou a se fechar na defesa e conseguiu segurar bem as investidas do oponente nos minutos finais do primeiro tempo.
No segundo tempo, contudo, a coisa foi bem diferente. A pressão da Giro foi tamanha que a defesa do Roleta não agüentou. Mal o jogo havia recomeçado e Flávio subiu ao ataque e chutou forte. O goleiro Luiz Eduardo saltou certinho na bola e a espalmou para longe. Mas não tão longe que não houvesse um pé da Giro para dominar no ar sepultar a redonda no gol adversário. Alemão diminuía com pouco mais de um minuto do segundo tempo.
E a mesma coisa se viu o tempo todo. O time da Giro girando pra cima do Roleta com João e Douglas infernizando com toques rápidos e dribles desconcertantes. O Roleta, por sua vez, parece que passou à tática do “segurar o placar a todo custo”, tocando bastante a bola e travando-a na retaguarda. Porém, a estratégia do time caiu por terra no momento em que Martins, peça importantíssima na defesa, levou cartão amarelo. Isso possibilitou que Douglas adentrasse a área rival e marcasse o terceiro da Giro, acuando ainda mais os jogadores do Roleta.
Pressão total e o Roleta já era presa fácil ao Giro. Com o bombardeio sobre Luiz Eduardo, o Roleta, uma equipe reconhecidamente tática, tinha como única tática tirar a bola da defesa. A volta de Martins ajudou na coordenação da nova tática, pois ele era a única voz que gritava e mandava marcar aqui, ali. Os demais estavam preocupados demais para parar e deixar de correr atrás dos “moleques” da Giro.
E o gol de empate poderia ter saído bem antes que aos 24 minutos se o time não fosse tão incompetente na reposição de bola de lateral. E coube ao menino Douglas, estreante na equipe, a glória de dar a seu time o primeiro ponto no Chuteira. Ele veio do meio de campo e driblou um, driblou dois, driblou três e saiu na cara de Luiz Eduardo. O goleirão, que a cada dia que passa fica mais forte, saiu desesperado e tomou um gol pelo meio das pernas. A torcida não perdoou e aproveitou para tirar uma com Luiz, notadamente um homem (na verdade, menino ainda, apenas 17 anos) que tem estrela e faz questão de exibi-la a todos quando tem chance.
Final de jogo. Giro 4 x 4 Roleta Russa. Talvez o resultado fosse diferente se o Roleta tivesse Kuminha. Mas verdade seja dita: não se pode tirar o mérito da Giro pela excelente partida e de seu técnico Batata, que incentivou seus jogadores ao longo de toda o jogo e os ajudou a superar seus limites.
Comentários (0)