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Notícias de 05/12/2008

QUARTAS-DE-FINAL


SNG QUEBRA TABU E VENCE FIORELLA


Apesar do forte sol e do calor que fazia no primeiro horário dos jogos válidos pelas quartas-de-final, Se Não Guenta Por Que Veio? e Fiorella Brasil fizeram uma partida bastante corrida e disputada desde o início. Pouco antes da bola rolar, os jogadores do SNG se abraçaram formando um círculo e passaram alguns minutos discutindo o jogo prestes a começar. Renê foi quem mais falou, acompanhado também por Biro e Allan. Falaram sobre a marcação feita pelo adversário e sobre dar sempre um pouco a mais de empenho para sair com a vitória.

Estava tudo preparado para começar o jogo quando os membros do Fiorella resolveram se reunir para uma última troca de palavras e acertar os últimos detalhes. Com sua equipe já preparada no gramado, o goleiro Sampa, sem perder o costume, aproveitou para reclamar com a Organização do campeonato dizendo que o adversário estava atrasando a partida. Mas logo a bola rolou e no primeiro lance de ataque Memé recebeu passe de Fefe na esquerda e bateu forte por cima do gol. Já na segunda jogada de maior perigo o SNG abriu o placar. Fefe tocou nas costas dos zagueiros e Renê apareceu para desviar para o fundo do gol.

Bem que o Fiorella tentava e até parecia ter o domínio das ações no meio de campo, mas quem era efetivamente mais perigoso ao gol adversário era o SNG. E a equipe chegou ao segundo gol: Memé cobrou escanteio para Renê se antecipar no primeiro pau e desviar antes do goleiro. A bola sobrou limpa para Biro sobre a linha só colocar para dentro do gol.

Tendo anotado o segundo gol, o SNG se postou atrás e passou a se preocupar mais com a marcação, esperando o adversário no campo de defesa. Com a bola no pé o Fiorella melhorou, obrigando Allan a aparecer duas vezes para conter a ameaça do rival. Na primeira ele travou de carrinho chute cruzado de Tiago Silva; em seguida, entrou na frente da bola chutada por Daniel e evitou que ela chegasse ao gol de sua equipe. De tanto insistir o Fiorella chegou ao gol: Jefferson bateu rasteiro falta na direita do ataque, Sérgio Penna se antecipou e desviou para o gol.

No entanto, o tento dos fiorellanos serviu para acordar novamente o SNG. Com uma cavadinha Fefe deu lindo passe para Tejeda na direita do ataque. O camisa 10 rolou para Abelha na marca do pênalti, que furou, mas por sorte a bola ficou com ele, que, mesmo caído, bateu para o gol. Antes que a bola entrasse Renê tocou nela e fez o seu segundo gol na partida, o terceiro de sua equipe no jogo.

Ao final da primeira metade de jogo houve muita vibração por parte do SNG, que sabia da importância de vencer para seguir com o sonho do tricampeonato do Chuteira de Ouro. Para tanto, o Fiorella tinha de ser vencido, coisa que até então o time não sabia como fazer.

Para o segundo tempo as equipes mantiveram o ritmo acelerado da primeira metade de jogo. O Fiorella tentou diminuir com Van-Van, que recebeu a bola do pivô Sérgio Penna e chutou em cima do goleiro. Em seguida Sebastião e Renê bateram cabeças e ficaram no chão. Renê chegou a deixar o campo para se restabelecer, mas logo os dois retornaram a campo. Ainda no início do segundo tempo o Fiorella diminuiu. Rogério Silva anotou gol de fora da área, depois de Penna dividir com Sampa e ela sobrar limpa para ele fazer.

O confronto era bastante intenso e o SNG não se abalou com o gol, pois, em cobrança de falta ensaiada, Abelha recebeu de Tejeda, que, mesmo de costas para o gol, tentou marcar, mas o goleiro fechou o ângulo e segurou a bola. Outra oportunidade do SNG foi com Abelha de novo, que avançou pela direita e bateu para o gol. A pelota desviou em Sebastião e o goleiro Fonseca teve agilidade para ainda tocar nela antes que batesse na trave e fosse pela linha de fundo.

Se o SNG criava, foi o Fiorella quem chegou ao empate. Biro tentou cortar cruzamento feito por Tiago Silva da esquerda do ataque e fez contra. O Fiorella fazia 3 a 3 e o fantasma do tabu assoprava no SNG.

Mas foi justamente nesse momento, em que o Fiorella estava mais vivo do que nunca na partida e jogando mais, que o Se Não Guenta mostrou porque é bicampeão e sempre apontado como um dos favoritos ao caneco. De cabeça, Rene alçou bola na área para Abelha dividir pelo alto com a zaga. A bola sobrou para Biro, que mesmo com o gol contra vinha tendo excelente atuação, acertar belo chute de primeira no canto esquerdo baixo do goleiro. O SNG fazia 4 a 3 e voltava a se classificar para mais uma semifinal do Chuteira.

A partir daí, o Fiorella foi de maneira completamente desordenada ao ataque. A principal jogada era o chutão tentando buscar Penna dentro da área. Já o SNG teve nos contra-ataques sua arma para matar a partida. Tejeda fez boa jogada na ponta esquerda e tocou para Memé chutar e ver o goleiro Fonseca fazer ótima defesa.

Nos instantes finais o SNG se postou na defesa e conteve as investidas do rival, que não conseguiu fazer uma efetiva pressão no goleiro Sampa. Ao apito final do árbitro, numa das melhores partidas do campeonato, os jogadores do Se Não Guenta comemoraram muito a classificação para as semifinais e queda do tabu de nunca ter vencido o Fiorella.

JOGA 13 JOGA MUITO E TIRA FAVORITO MELVILLE


As equipes do Joga 13 e do Melville fizeram mais uma grande partida válida pelas quartas-de-final da competição, como era esperado. Um jogo aberto, em que o Joga 13 largou com boa vantagem no começo e viu seu adversário lutar bastante pela virada, valorizando ainda mais a classificação às semifinais.

Antes da partida alguns jogadores do 13 cumprimentaram seus rivais e amigos do Se Não Guenta, que acabavam de passar às semifinais. As equipes não escondiam de ninguém que gostariam de se enfrentar nessa que seria uma inédita decisão. Para tanto, o 13 tinha de vencer e ainda vencer nas semifinais.

No primeiro round até uma possível final com o SNG, o 13 mostrou serviço. Mas quem assustou primeiro foi o Melville, que, invicto na competição, entrou em campo com uma formação diferente da habitual. Saíram Mauricio e Henrique para a entrada de Washington e Juninho. Com isso, o time que jogou 12 jogos e empatou 2 e venceu 10 mudava sua forma de jogar: 2 zagueiros de ofício e 4 homens de frente. Aquele time defensivo com saída mortal para o contra-ataque dava lugar a um mais ofensivo. A razão da mudança? Só o Melville sabe.

E o time superofensivo do Melville quase deu certo no primeiro lance do jogo. Mas, assim que a bola rolou o goleiro do 13 mostrou porque sua equipe passaria de qualquer maneira para a próxima fase do campeonato. Logo no primeiro lance o goleiro do Joga 13 fez, sem dúvidas, a mais linda e difícil defesa do campeonato. Alemão recebeu na velocidade e, sem marcação dentro da área, fintou Caieras (o gol era uma certeza), só que quando chutou pro gol, o atacante viu o goleiro do 13 aparecer sabe-se lá de onde, visto que ele estava praticamente batido no chão, e espalmar a bola. Uma defesa sensacional que deu ânimo total ao time.

Contudo, Caieras não parou por aí. Em seguida a defesa deu bobeira e o arqueiro realizou outra defesa difícil. Washington costurou a defesa adversária, saiu na cara do goleiro que se jogou nos pés do atacante para pegar a bola.

Depois dos lances de perigo do adversário, quem passou a pressionar foi o 13. Lele dominou entre os zagueiros e tocou para Calado, da direita do ataque, bater para defesa do goleiro Rafael, que desviou a bola e ainda a viu bater no travessão. Mais uma jogada de ataque: da intermediária Doce bateu para o gol, o goleiro espalmou para frente, Calado chegou batendo de primeira mas a bola desviou no zagueiro Garo e saiu pela linha de fundo.

Porém, de tanto insistir o primeiro gol do 13 saiu: Lele, cabeceando para trás de costas, apareceu antes dos zagueiros para abrir o placar, após Rodrigo cruzar de trás do meio da quadra.

Na seqüência o Melville teve duas oportunidades para empatar. Na cobrança ensaiada de falta sofrida por Washington, Juninho rolou para Alemão chutar perigosamente à direita do gol. Outro lance de perigo foi o de Juninho dentro da área. Ele tentou concluir ao gol de dentro da área mas foi travado pelo capitão Rodrigo, no contra ataque do Joga 13, Juninho cometeu falta e recebeu amarelo. Aproveitando-se do jogador a mais o 13 conseguiu anotar o segundo. Rafael espalmou chute de Doce, mas a bola sobrou para Lele anotar mais um.

Nos minutos finais da primeira etapa o jogo ficou ainda mais corrido. As duas equipes tiveram chances de chegar ao gol, mas dessa vez foi a trave que impediu a alteração no placar. Lele fez o pivô para Calado chegar batendo. Mais uma vez o goleiro deu um leve toque na bola, o suficiente para desviá-la e pegar na trave. Pelo lado do Melville, Alemão passou por Liminha, rolou para Juninho que, mesmo marcado por Guma, tentou o tiro. A bola pegou na trave esquerda de Caieras e saiu.

Após o intervalo o confronto entre Joga 13 e Melville seguiu disputado como nos minutos finais da primeira etapa. Pouco depois do goleiro Rafael pegar plástico voleio executado por Calado, foi a vez de Rodrigo marcar o seu gol. O zagueiro cobrou falta, a bola passou no meio da barreira e com o goleiro vendido foi morrer no fundo do gol, 3 a 0. O Melville não deixou que o gol abatesse a equipe e, dois minutos depois, fez seu primeiro gol na partida. Felipe cobrou falta ensaiada com Alemão, que sem marcação, de primeira, descontou. O gol mantinha acesa a esperança do Melville de ainda se encontrar na partida e chegar a virar o jogo. Para incompreensão de muitos, o capitão Mauricio Miranda não saiu do banco um minuto sequer. Outrora titulares, ele e Henrique esquentaram o banco o tempo todo, com Henrique entrando alguns minutos. Já o capitão não suou o uniforme.

Quando parecia que a equipe reagiria, eis que mais um cartão amarelo mexeu com o panorama da partida. Washington recebeu o cartão depois de cometer falta em Doce. Com um a mais, o 13 anotou com tranqüilidade o quarto gol. Guma rolou para Doce chutar, o goleiro espalmou para frente de novo, a bola voltou para o mesmo Doce que, com o goleiro caído, só tocou no canto oposto para marcar. Na comemoração, Doce imitou o palmeirense Valdivia na semifinal do Paulistão de 2008 e saiu fazendo o chororô e o sinal de acabou com as mãos para barulhenta torcida – majoritariamente feminina – do Melville.

Mas se enganou quem pensou que o Melville jogaria a toalha. Com Rodrigo fora de campo depois de passar mal, coube a Kbral fechar a zaga ao lado de Guma. E foi ele que salvou o 13 quando, na entrada da área, fez falta providencial em Alemao. A infração rendeu a ele o cartão amarelo, e agora quem tinha um a mais por dois minutos era o Melville.

A vantagem numérica quase caiu por água abaixo quando, em jogada envolvente, Guma tocou para Bruninho, que deixou de lado com Doce. De frente para o gol, ele pegou muito mal na bola e mandou por cima do gol. Os “meninos” de Carapicuíba não aproveitaram a vantagem de ter um jogador a mais para descontar, contudo no sete contra sete a equipe descontou e assustou o 13. Juninho descontou com chute de longe: a bola pegou no travessão e pingou rente a linha do gol, gerando dúvidas quanto se foi dentro ou fora. O árbitro não teve dúvidas e validou o gol. Lançando-se ao ataque de qualquer jeito, na marra a equipe conseguiu chegar ao terceiro gol. Alemão deixou Doce e Carlitos para trás e, na saída do goleiro, fez 4 a 3.

O Joga 13, que teve o placar na mão por quase todo o jogo, via no finalzinho a chance de perder a classificação, já que o Melville jogava pelo empate. Todavia, uma falta desnecessária de Washington deu a oportunidade para o 13 matar o jogo. O jogador tocou a mão na bola, e nesse momento a equipe estourou o limite de faltas. Na batida do tiro de 9 metros, Rodrigo soltou uma bomba que explodiu no travessão, voltou nas costas do goleiro e morreu no fundo do gol. Um lance de muita sorte decretava o 5 a 3 para o 13 e dava números finais na partida.

Ao apito do arbitro, muita festa e vibração do 13, que comemorava a passagem paras as semifinais e a quebra do tabu de não vencer o Melville. Mais: a vingança de eliminar o time de Alemão e Felipe, carrasco da equipe no torneio passado.

ESTUDIANTES SEGURA RESULTADO E ELIMINA BACANA


A equipe sensação do atual Chuteira, o Estudiantes de La Vila, mostrou mais uma vez um futebol de resultado. No jogo válido pelas quartas-de-final frente ao Bacana, a equipe soube abrir boa vantagem no primeiro tempo, quando o adversário não estava com suas principais peças (pra variar, atrasadas), e, mesmo sofrendo forte pressão ao final, saiu de campo com a vitória suada e a vaga para as semifinais.

Foi de maneira rápida e eficiente que Peter abriu o placar com lindo gol. O camisa 13 arrancou pela esquerda, deixando a marcação para trás, e de canhota bateu cruzado para marcar. Em seguida saiu outro, agora após cruzamento perfeito de Caio quase da linha de fundo do lado esquerdo do ataque. Piero roubou a bola e jogou com Caio na esquerda. O camisa 5 cruzou milimetricamente na cabeça de Rafinha, que com uma testada firme no contrapé do goleiro anotou o segundo de sua equipe. Isso em menos de 10 minutos.

O Bacana não conseguia chegar ao ataque com força suficiente para tentar o gol. Yanes, isolado, não via a bola chegar. O meio, perdido, não sabia o que fazer com a bola. Os lances que levaram algum perigo foram duas bolas tranqüilas em que o goleiro do Estudiantes quase se complicou sozinho. Era amplo e visível o domínio do time dos meninos da Vila, tanto que a equipe anotou mais um aos 16 minutos. Rafa Lorente deu lindo drible em Jorjão, tocou para Caio que bateu ao gol. O goleiro espalmou e, no rebote, Rafinha de novo marcou com muita paz e alegria.

Ia terminando o primeiro tempo e o placar indicava elásticos 3 a 0 para o Estudiantes, para desespero do capitão Marcelão, que cedeu seu shorts para o colega Jorjão jogar e ficou de bermudão no banco de reservas a assistir, descrente e calado, o chocolate que seu time vinha tomando.

Contudo ainda no primeiro tempo o Bacana mostrou poder de reação. O time vinho acordou com a chegada de Vitinho e Demehur e passou a jogar com mais vigor. O vigor era tanto que Jorjão levantou vários adversários durante a partida e inacreditavelmente saiu sem sequer tomar um amarelinho. Nervoso com as gracinhas e provocações de Piero, quase que ambos foram expulsos pela arbitragem. Aos 22 minutos, Rômulo roubou a bola de Caio no meio, avançou pela direita e bateu cruzado para diminuir para 3 a 1.

O gol deu ainda mais motivação para a equipe, que foi para cima do adversário. Canzian quase anotou um golaço, ao chutar de peito de pé quase do meio da quadra. A bola explodiu no travessão e saiu. Por pouco o Estudiantes, que dominou toda a primeira etapa, não ia para o intervalo apenas com a vantagem mínima.

Sem dúvida alguma a partida melhorou no segundo tempo, quando o Bacana passou a jogar de igual para igual com o Estudiantes. Os bacanas tiveram a chance de descontar com Demehur. Ele recebeu de Rômulo e, de frente para o goleiro, errou o alvo. Como quem não faz toma, os jovens de La Vila anotaram o quarto. Piero acertou belo chute cruzado da esquerda do ataque e ampliou.

Mesmo com uma boa vantagem no placar, o Estudiantes deixou que o jogo ficasse pegado e quase viu sua vantagem ir embora. Iuri, do Bacana, recebeu amarelo por fazer falta em Caio. Na batida cheia de efeito, o camisa 5 quase marcou. Na seqüência dois jogadores de La Vila também receberam cartão amarelo, Rafa Lorente e Rafinha deram a vantagem de um homem a mais para o adversário. Sem perder tempo o Bacana descontou, Demehur diminuiu a vantagem estudiantense para dois gols novamente. Ainda com um a mais, o Bacana seguiu a pressão, Rômulo bateu cruzado da esquerda e Vitinho desviou de cabeça quase em cima da linha. Era o 4 a 3, faltava um golzinho para o Bacana ir além das quartas-de-final.

E nos 5 minutos finais de jogo o confronto pegou fogo. De um lado, o Bacana pressionava, do outro, o Estudiantes fazia cera, retardava o jogo e tentava cavar faltas, visto que o limite de faltas do Bacana já haviam se esgotado. E a tática deu certo: quando os bacanas estouraram o limite de faltas, Rafa Lorente foi para a cobrança do tiro de 9 metros. Ele bateu à meia altura e o goleiro pegou. A resposta do Bacana foi imediata e, desta vez quem mostrou destreza foi o goleiro Richard, que salvou linda cabeçada de João. No rebote, chute encontrou o corpo de Well e de outros numa seqüencia milagrosa do setor defensivo do Estudiantes. Caio ainda teve uma chance espalmada pelo goleiro para, na seqüência, o árbitro terminar a partida.

Enquanto o Estudiantes comemorava muito, o Bacana foi saindo de campo. Restou apenas o capitão Marcelão, que permaneceu sentado no banco de reservas. Viu o Acidus entrar e começar a bater bola para seu jogo. Ainda houve tempo de um papo com o amigo Lucas do Acidus, que acabou por consolar o amigo. Marcelão era a imagem de um time que sabia ser possível chegar, mas que de novo não chegou.

Assim, com um futebol rápido e envolvente, o Estudiantes impôs a primeira derrota para o Bacana no Chuteira de Ouro. Ironicamente, tal qual o joga 13 ao invicto Melville. Os dois melhores times da fase de classificação caiam nas quartas. O entrosamento de Caio, Piero e Rafa Lorente fez a diferença nesse jogo decisivo. A surpresa de outrora começa a pintar como favorito ao título. Segura os novos meninos da Vila.

COM NOVO EMPATE, KADÊNCIA CHEGA ÀS SEMIFINAIS


Acidus e Kadência se enfrentaram no último jogo válido pelas quartas-de-final para decidir quem jogaria contra o Joga 13 nas semifinais. A partida foi marcada por um Acidus mal no primeiro, que chegou a sofrer três gols de desvantagem, e por uma boa reação nos minutos finais do segundo tempo, que valeu a igualdade no placar.

O Kadência começou com tudo e logo no início Bruno Alóia abriu o placar. Paulinho cobrou escanteio, Renan desviou para o gol, obrigando o goleiro Diego a fazer uma espetacular defesa no canto direito baixo da meta, mas no rebote Bruno encheu o pé para fazer 1 a 0.

Na seqüência o Acidus foi ao ataque com Robinho e Philip, e chegou a assustar o goleiro Renato. Barata enfiou bola para Philip dentro da área, que bateu em cima do goleiro e desperdiçou boa chance. Robinho apareceu na ponta e serviu Rafão, que se aventurou no ataque e obrigou Renato a fazer uma linda defesa à queima-roupa.

Mesmo com os rápidos jogadores que tem no meio para frente, o Acidus não conseguia impor o seu jogo e fazia uma primeira etapa bastante apática, principalmente no setor defensivo, que cometeu diversas falhas. Paulinho, que não tinha nada a ver com isso, tirou de Lói dentro da área e bateu de esquerda para defesa segura de Diego. Pouco depois, o próprio Paulinho recebeu cartão amarelo, deixando sua equipe com um a menos por dois minutos, mas o Acidus não conseguiu transpor o sistema defensivo do rival e aproveitar a vantagem momentânea para mexer no placar.

Ainda no primeiro tempo o Kadência aumentou a vantagem. Aos 16 minutos, Paulinho prendeu a bola na ponta esquerda, esperou a passagem de Pedrinho nas costas da defesa e enfiou um bolão na área para o camisa 10, que, de frente para o goleiro, não perdoou e fez 2 a 0. O terceiro saiu logo em seguida, após bonito lance de Paulinho. De maneira muito bonita, ele dominou bola lançada, cortou o zagueiro e de calcanhar colocou a bola para Bruno acertar bonito chute. A redonda ainda tocou no travessão antes de entrar no gol de Diego.

Foi a deixa para o Acidus pedir tempo e arrumar a bagunça que era o time naqueles quase 20 minutos de jogo. O time voltou mas a coisa continuou igual. Era toque de um para outro mas nada de adentrar a área adversária ou experimentar o arremate de fora. Com suas principais peças apagadas, eram presa fácil para a forte marcação do Kadência. Robinho exagerava nas firulas e não ganhava uma bola sequer. Ricco, o único que chutava de fora, não conseguia espaço para o arremate.

Mas mesmo fazendo um primeiro tempo bastante apagado a equipe chegou a diminuir a desvantagem. Ricco recebeu na direita e acertou belo tiro no canto oposto, sem chances para o arqueiro Renato. Todavia, o gol pouco mexeu no panorama da partida, pois imediatamente os kadencianos fizeram outro. Pedrinho cobrou lateral, a zaga adversária parou e Paulinho se antecipou a Marquinhos para pegar de primeira um chute tão estranho quanto fatal. Diego nem se mexeu e viu a bola rolar lentamente no cantinho do gol. E em 4 a 1 acabou o nó tático do Kadência no Acidus no primeiro tempo.

Iniciou-se o segundo tempo e Kirk apareceu para fazer uma boa jogada. Ele recebeu na esquerda, fintou o marcador com um toque de leve e bateu para a defesa do goleiro. Na seqüência, um lance do qual os jogadores do Acidus reclamaram muito com a arbitragem: a marcação de um pênalti de Rafão em Paulinho quando este adentrava a área. Daí foi a vez do goleiro com o maior número de estrelas do MVG começar a brilhar no confronto. Paulinho na batida e o goleiro voou bem no canto direito alto e foi buscar a bola. Ela ainda tocou no travessão e foi para escanteio. Uma defesaça. “Ele acertou o canto que eu ia bater”, lamentou-se Paulinho no fim do jogo.

O gol, como não podia deixar de ser, acendeu o Acidus, que viu um jogo perdido caso fizesse o 5 a 1 mudar de figura. A importantíssima intervenção do goleiro valeu à equipe ânimo novo para buscar o resultado. E a perseguição começou em seguida, quando Robinho marcou bonito gol de calcanhar após Marquinhos ganhar dividida com o adversário dentro da área. Pouco depois, Bruno fez falta dura em Barata e levou cartão amarelo. Na cobrança de falta, quase na ponta da área, o goleiro Diego encheu o pé direito e fez um belo gol. O Acidus encostava em 4 a 3.

De forma relâmpago, o Acidus, que havia jogado de forma apática o primeiro tempo, acordou para o jogo. Mais cansados, o Kadência já não conseguir marcar com tamanha determinação a velocidade dos atacantes adversários e cederam o empate aos 14 minutos, num gol meio sem querer de Philip. A equipe chegou tocando a bola e, antes que ela fosse para Philip dentro da área, o zagueiro Ivan apareceu e deu um bico nela. Por sorte do Acidus a bola bateu em Philip e enganou o goleiro. Era o empate.

Mesmo empatando a partida quem se classificaria à semifinal era a equipe do Kadência por ter melhor campanha na primeira fase. E a tarefa da equipe verde-limão voltou a ficar mais difícil quando Paulinho, no contra-ataque, tocou para Bruno, que passou por Kirk e, num chute cruzado, fez o quinto gol, para alívio do time.

Com ainda 7 minutos para serem jogados, o Acidus foi para cima. Quando Philip foi derrubado dentro da área pelo goleiro Renato ao tentar matar a bola de costas para o gol, todo mundo ouviu a pancada, viu o pênalti claríssimo, esperou o apito do árbitro e... nada. O árbitro viu o lance e não deu pênalti, para indignação de todos os jogadores, torcedores e até nuvens que passavam por cima da quadra. A equipe amarelo-limão era visivelmente prejudicada por um erro crasso de arbitragem. Caso o penal tivesse sido marcado possivelmente a história da partida fosse outra.

A não marcação do pênalti abalou o Acidus, que deu uma diminuída no seu ritmo e ainda teve um cartão azul para Barata, que fez falta feia em Paulinho para parar jogada de contra-ataque ao perder a bola no meio. Mas mesmo com um a menos o Acidus empatou novamente, agora com um gol contra muito esquisito marcado por Bruno, que sem explicação, chutou contra seu gol de frente da área ao tentar tirar bola de Kirk.

Mas a reação da equipe parou por aí, e 5 a 5 foi placar final da partida, para alívio do Kadência, que estava já exausto de correr atrás do adversário. “Mais dois minutos e perdíamos o jogo”, sentenciou Paulinho ao fim do jogo. Se o Kadência comemora, o Acidus, eliminado, caiu de pé, lutando e com uma reclamação de um pênalti inacreditavelmente não marcado. Ninguém presente ousou dizer que não foi pênalti. “Foi o pênalti mais pênalti que eu já vi no Chuteira. E não foi marcado”. Essa foi a frase que os jogadores do Acidus mais ouviram ao sair de campo dos amigos dos demais times.

SEMIFINAIS


ESTUDIANTES FAZ HISTÓRIA E ELIMINA SNG NO GOL DE OURO


Estudiantes de La Vila x Se Não Guenta Por Que Veio?: uma aula de futebol. Eis o que pode ser dito deste que foi certamente o jogo mais empolgante e eletrizante da atual competição. As duas equipes que se confrontavam na semifinal, apesar de terem em comum um futebol bem jogado, apresentavam dentro de campo situações bem opostas. De um lado, o bicho-papão do Chuteira, o SNG, com o experiente atacante Renê no comando da equipe. Do outro lado, a juventude do Estudiantes, bem representada pelo polivalente camisa 5 Caio. As duas equipes se dedicaram ao máximo e fizeram de tudo para levar a vaga para a grande decisão: lutaram pela vitória desde o primeiro minuto até o último segundo, literalmente.

Começou a partida e na primeira real oportunidade de gol o SNG quase marcou. Depois de escanteio cobrado, Tejeda desviou de cabeça e por pouco não abriu o placar. Mais uma boa chance do Se Não Guenta: Renê, de calcanhar, deixou Biro na cara do gol. O goleiro Richard foi bem no lance e se atirou nos pés do forte jogador para fazer a defesa.

Mas não foi só SNG que deu no início. O Estudiantes também mostrou que não estava ali à toa e que brigaria muito pela classificação. Caio, sempre ele, saiu da marcação de Biro e obrigou Sampa a fazer a primeira de uma série de ótimas defesas que viria a fazer na partida.

Entretanto, diferentemente do jogo de classificação, em que o SNG venceu por 3 a 0 nos dois minutos finais de jogo, os gols não demoraram a sair. Com maior fôlego inicial, o SNG continuou na pressão. Renê roubou de Caio no meio, entortou Leandro Raito – na única vez que o camisa 8 perdeu um lance – e chutou para o gol de fora da área (coisa rara em se tratando de Renê). O goleiro se enrolou todo, como parece ser praxe para Richard, mas conseguiu evitar o gol. Mas no lance seguinte, aos 8 minutos, o goleiro nada pode fazer. Renê fez bem o pivô e, com um toque de letra, enfiou um bolão para Memé, dentro da área, abrir o placar.

Contudo, a vantagem não durou muito tempo. Piero teve ótima chance defendida por Sampa no ângulo após lindo passe de Caio entre os marcadores. Na seqüência, o Estudiantes empatou. Rafa Lorente recebeu de Piero da direita e, mesmo marcado por dois, cortou para dentro e acertou um chute forte e rasteiro no gol para igualar a partida. Sampa nem esboçou pular na bola.

Valendo-se da maior experiência de seus jogadores, o SNG conseguiu seguia melhor no jogo. Allan, que voltou mais comportado e jogando bola, apareceu para arriscar de longe e obrigou o goleiro a colocar para escanteio. Na cobrança, Renê apareceu bem dentro da área e acertou bola no travessão. A bola ainda pingou quase em cima da linha antes da zaga afastar. E se o goleiro defendeu o primeiro chute de Allan, o segundo ele não segurou. A bola foi a meia altura no canto direito de Richard, que ainda pulou mas não alcançou. Um belo chute da intermediaria.

A defesa do Estudiantes parecia num mau dia e deu bobeira novamente. E o Se Não Guenta anotou mais um. Após lateral cobrado, Tejeda matou no peito dentro da área e soltou uma bomba indefensável. Aos 22 minutos, o placar indicava 3 a 1 para o SNG, e uma certeza na torcida que colocava o SNG na final.

Mas o Estudiantes, munido talvez da raça argentina do time no qual se inspirou, foi valente e seguiu para o ataque. Até então Caio tentava as jogadas com Piero e Rafa Lorente, mas a tônica era o lançamento por cima, que era sempre interceptado pela zaga. Num deles, Memé jogou contra o patrimônio e por muito pouco não faz um belo gol contra. A bola ainda bateu no travessão antes de ir para fora. Na seqüência, segundos antes de acabar o primeiro tempo, os jovens de La Vila chegaram ao gol que mudou totalmente o espírito da equipe. De cabeça, Junior escorou com precisão cruzamento de Caio, fez 3 a 2 e colocou ainda mais fogo no segundo tempo de partida.

Ainda mais alucinante que a primeira metade, foi a segunda etapa do jogo. Logo que a bola rolou o Estudiantes empatou o confronto com um golaço de Leandro Raito. Caio rolou falta ensaiada para o camisa 8 acertar uma bomba, que ainda explodiu no travessão, bateu dentro do gol e saiu. O SNG ainda ensaiou uma reclamação de que a bola não tinha entrado, mas o gol foi anotado. Em menos de um minuto o Estudiantes já empatava.

Com o sol esquentando a cabeça dos jogadores, o Estudiantes manteve o ritmo frenético e de pressão e menos de dois minutos depois de empatar chegou ao gol da virada. Em troca de passes envolvente, Caio enfiou a bola para Rafa Vasques, que, com muita frieza e um tanto estabanado devido a seu porte físico avantajado, tocou pro gol quase dividindo com Sampa.

Talvez fosse cedo para perceber, mas o SNG veio para o segundo tempo com a proposta de se defender. Em 4 minutos tal esquema ruiu e o time teve de ir atrás do gol de empate. De rato o SNG passou a gato e foi tentar encurralar o Estudiantes. Em lance de ataque, falta para o SNG e Fefe e Caio se estranham e trocam olhares mais agressivos. A dupla de árbitros amarelou os dois. Melhor para o SNG que viu Biro subir no segundo andar para testar para baixo cruzamento de escanteio de Tejeda e empatar o jogo novamente. E sai um gol sai logo outro, uma nova virada de placar. Grillo, que enfim apareceu neste Chuteira, fez o que sabe fazer de melhor – cobrar lateral na área – e lançou no segundo pau. Ferro, um dos destaques defensivos do Estudiantes, estava na bola mas não acreditou que alguém pudesse chegar nela. Enganou-se: o baixinho Fefe, talvez menor que Ferro, chegou ali para cabecear e decretar a virada no placar. O SNG fazia 5 a 4.

Já um tanto desgastados fisicamente, o SNG voltou a jogar recuado, deixando o Estudiantes trabalhar a bola na intermediária. Os lançamentos não adiantavam mais e chegou a hora do desespero. Caio passou a chamar a responsabilidade e tentar jogar sozinho para decidir. E ele bem que tentou – não foram uma, nem duas, nem três. Ao menos quatro vezes ele saiu pela esquerda avançando pela linha lateral e cortando para dentro para o arremate. Mas aquela manhã de domingo parecia não ser dele, pois os chutes saiam por cima ou rentes à trave. Tamanha foi a insistência de Caio em querer decidir sozinho que o capitão do time ouviu muitas reclamações de seus companheiros. Isso talvez tenha feito ele parar com a sua jogada tradicional e a confiar nos colegas.

Dito e feito. O tempo passava, o SNG segurava o resultado e o Estudiantes pressionava. Sampa fez mais duas grandes defesas em chutes de Piero e Lorente. O relógio já chegava a 25 minutos quando, no último lance do jogo, lateral foi jogado para dentro da área para tira-la de lá. Passou por Renê, passou por Sampa, mas não passou por Rafa Lorente, que chegou para empatar a partida numa explosão de alegria, de um lado, e decepção de outro. A tática defensiva do SNG ruía novamente.

O Estudiantes fez o gol e pediu tempo, que foi computado. No reínicio do jogo, o fim da partida. O SNG não classificara por questão de segundos. E o jogo seria decidido na prorrogação, com gol de ouro, ou pênaltis.

Recompostos, volta a contar o relógio para enfim os times decidirem quem faria a grande final. Com muita tensão e expectativa no ar, afinal, quem fizesse venceria o confronto, o receio de sofrer gols parecia maior que fazer. Entretanto, o gol não demorou a sair. Bem que Renê tentou ao bater de longe bola trabalhada por Tejeda, mas o chute não foi muito perigoso e o goleiro segurou. Contudo, uma partida tão boa não poderia ter terminado de outra maneira que não com um golaço. E em se tratando de golaço e de decisão, não podia ser outro que não Caio a colocar o Estudiantes na final e a calar a intensa torcida do SNG que foi prestigiar a partida. O lance foi similar a todos aqueles que ele perdeu no final do segundo tempo. Bola na esquerda, trabalho no pé esquerdo, corte para dentro e chute com o pé direito. Se das outras vezes ele mandou forte e para fora, desta vez ele mudou o estilo: chute colocado com a parte de dentro do pé. Um chute primoroso que foi morrer no ângulo de Sampa, que esboçou ir na bola mas percebeu que não tinha chances. O goleirão ficou a ver a bola estufar a rede e descer até o chão abraçada nela, cheia de marra. Enquanto os jogadores do SNG se lamentavam e arqueavam, Caio abria o sorriso, comemorando com o sinal de acabou. Ainda teve fôlego de tirar a camisa, rodar no ar diante da torcida adversário e receber os abraços dos companheiros finalistas. Alegria pura dos meninos da Vila Leopoldina, que roubaram a classificação do SNG literalmente no último minuto.

O SNG cai novamente numa semifinal. O Estudiantes, comendo pelas beiradas, longe dos holofotes, repleto de união, amizade e um jogador fora de série, chega à final do Chuteira de Ouro derrubando nada menos que o bicampeão. Os meninos da Vila estão prestes a fazer história no Chuteira.

KADÊNCIA PASSEIA CONTRA UM JOGA 13 IRRECONHECÍVEL


Decepção, essa é a palavra que melhor define o Joga 13 na partida da semifinal contra o Kadência. Depois do atropelo que fizeram com o Melville, esperava-se nada menos que uma rajada de balas do 13 para chegar à sonhada final. Pois quem esperava isso viu que o Joga 13 parece ser mesmo time de semifinal: jogou de forma apática, sem vibração alguma, cheio de sono e sem nenhuma vontade de ganhar o jogo. Deixou-se dominar pelo rival, que soube virar o jogo, administrar a vantagem e impor uma goleada no até então favorito Joga 13.

A partida começou muito morna, com as duas equipes errando passes no meio, o que não permitia que a bola ameaçasse os arqueiros. Paulinho recebeu de Pedrinho, chapelou Guma mas não conseguiu concluir para o gol. Já do lado do 13, Choco, o único jogador que demonstrava maior vontade de vencer na sua equipe, abriu o placar com um bonito gol aos 8 minutos. Ele arrancou na esquerda, deixou a marcação para trás e soltou uma bomba de pé canhoto. A bola tocou o travessão e entrou sem chances para o goleiro. Esse foi o futebol do 13 no jogo. A partir dali, dos 8 minutos do primeiro tempo, teve início o passeio do Kadência.

A partir daí, o que se imaginava era que o 13 passaria a atuar no contra-ataque, enquanto o Kadência seria obrigado a sair para o jogo. E foi exatamente o que aconteceu, mas o 13 só sabe jogar com Lele, e se o camisa 9 não está num bom dia, adeus 13. A equipe de amarelo fez sua parte e foi para cima do rival. Paulinho recebeu de Pedrinho sem marcação e, na cara do goleiro, errou o alvo ao tentar acertar o ângulo. Mas aos 14 minutos o gol saiu. Paulinho fez o pivô e com a parte externa do pé deixou a bola para Luiz Eric, sozinho dentro da área, empatar o confronto.

Por se tratar de uma decisão, era evidente que a partida estava muito calma, mas o 13 ainda tentou deixar a primeira etapa em vantagem. Lele tentou marcar de bicicleta mas foi bem travado pelo Ivan. Lele, que pouco apareceu no primeiro tempo, fez o pivô, girou no marcador, teve a chance de bater mas deixou a bola com Calado, que mesmo de frente para o gol acabou isolando. As jogadas que deram certo no dia anterior contra o Melville não estavam dando certo.

Se o primeiro tempo foi muito parado e com poucas chances de gol, a etapa final se tornou o pesadelo da turma do 13. A equipe simplesmente parou de jogar o pouco futebol que jogou na etapa inicial. Pareciam dormir em campo, o rosto de Doce dizia isso. Para se ter idéia, não se ouviu a voz do goleiro Caieras. Pasmem, ele não xingou, não esbravejou e nem chamou a atenção do time. O 13 parecia se derreter em campo. O resultado? Nada mais poderia ser que não uma sonora goleada do Kadência, que foi construindo o placar aos poucos, fazendo um gol atrás de outro com extrema facilidade.

Em erro de marcação do Joga 13, Doce deixou Paulinho livre dentro da área. Cássio cruzou e o artilheiro desviou desviou de primeira para anotar a virada de sua equipe. Antes do barco amarelo e preto afundar de vez, de dentro da área Lele tentou marcar de cabeça. Ele subiu sozinho e testou firme, mas a bola passou à direita do gol. Se o 13 não fez, o Kadência, que não perde chance criada, não perdoou. Mais uma vez se aproveitando da desatenção do adversário , Pedrinho foi até a linha de fundo e cruzou para trás. Paulinho, sempre ele o artilheiro do Chuteira e grande destaque da partida, apareceu entre os zagueiros na marca do pênalti e conferiu o 3 a 1. Era uma vez um Joga 13.

Choco era o único que parecia inconformado com a derrota da forma que estava se delineando. Ele pedia raça a seus companheiros, pedia garra, pedia vontade. Pediu muita coisa, mas foi retribuído com quase nada. Aliás, recebeu o quarto, e o quinto e o sexto gols do Kadência. No quarto, Paulinho driblou o moribundo Doce e tocou para Luiz Eric marcar na saída de Caieras.

E foi Choco quem tentou o último suspiro de vida do Joga 13. Ele passou por Bruno e por Pedrinho, mas na hora do chute pegou mal na bola e errou por muito o alvo. Do outro lado, os kadencianos administravam a vantagem com sobras e foi a vez de Cássio brilhar e marcar o mais belo gol da partida. O camisa 2, que na partida não fez um passe sequer – todas as bolas ele abaixava a cabeça e saía a driblar, a chutar ou a perder a bola – viu o espírito Dener baixar nele. Cássio recebeu a bola na defesa, de onde partiu para frente e passou por Choco. No meio de campo, passou por nada menos que Rodrigo e, parecendo descendo a ladeira com pé no freio, ele chegou na cara de Caieras e, num toque precioso, deu um tapa na redonda por cima do goleiro. A bola morreu nas redes e ele correu para o abraço.

O 13 ainda tentava chegar ao gol de Renato, que fez grandes defesas, mas eram ataques meio que cientes de que nada valeriam. Nos minutos finais o Kadência diminuiu bastante o ritmo ofensivo e com isso permitiu que o Joga 13 chegasse duas vezes ao ataque levando maior perigo. Lele girou na marcação e deu bom chute de pé direito que foi defendido com uma linda ponte pelo arqueiro. Mais uma vez, Lele tentou, de voleio de frente para o gol, mas mandou a bola por cima da meta. O dia não era de Lele, nem do 13.

Pouco antes do término da partida o goleiro Renato jogou a bola na cabeça de Choco. Os dois se olharam feio, mas parece que o lance foi sem querer e que não houve maldade por parte do arqueiro. Pouco depois, Bruno decretou, definitivamente a eliminação do 13. Pedrinho tocou para ele, que avançou e chutou no alto, mais uma conclusão a gol do Kadência sem chances para o goleiro Caieras.

Com um sonoro 6 a 1 tomado em uma semifinal de campeonato, o Joga 13 deixou o campo arrasado. Alguns não falavam nada, mas era visível no rosto o fardo da derrota. Outros, como Choco, choravam e diziam que o time pipocou e faltou raça. Aliás, Choco estava visivelmente abalado pela derrota. Ele deixou o campo chorando e reclamando do futebolzinho miúdo apresentado por alguns de seus companheiros. Depois da partida, o zagueiro Guma ainda sugeriu um título para a derrota: Kadência dá passeio em Joga 13 (título este adotado para esta reportagem).

Do outro lado, os kadencianos vibravam muito com a acachapante vitória frente a um rival tido como favorito. Paulinho era só alegria, mas aquela alegria contida, típica dos mais velhos, experientes, daquele que sabe que arrebentou mas não puxa as glórias para si. Cheio de humildade, deixou de lado por um momento o discurso padrão e arrematou: “Não vejo ninguém na minha frente na artilharia. Acho que agora já era”. E já era mesmo, Paulinho, o troféu de artilheiro é seu, mais do que merecido.

Agora a equipe de Paulinho e Pedrinho mostra que quando se trata em jogar bola o time é –ão e não inho. O inho talvez fique para outros times, pois o Kadência está na grande final, na grande decisão do dia 13 de dezembro diante do Estudiantes de la Vila. Para SNG e 13, resta tentar ano que vem. Uma final inimaginada está desenhada no ar. Kadência ou Estudiantes, um deles vai ser o mais novo campeão do Chuteira de Ouro.
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