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Notícias de 03/09/2008

ATUAL CAMPEÃO, FIORELLA ESTRÉIA COM VITÓRIA


Ambas as equipes estrearam no Chuteira no mesma edição, a terceira, e desde então já haviam se enfrentado três vezes, com uma vitória para os peruanos e duas para o Fiorella. Após as quartas-de-final do V Chuteira de Ouro, quando o Fiorella eliminou o MachuPichu, provável que nenhuma delas esperasse que fossem se reencontrar tão cedo. Entretanto, na rodada de abertura do VI Chuteira de Ouro, estavam elas lá frente a frente novamente para ao que todos esperavam – um grande jogo.

O primeiro tempo começava e o equilíbrio parecia que seria a tônica da partida, com ambas as equipes criando oportunidades. Enquanto o Fiorella arriscava chutes de longe, os peruanos tocavam a bola com calma e pareciam que chegariam ao gol com naturalidade. Mas foi em jogada rebatida na área que o Fiorella jogou um balde de água fria no adversário. Após bobeada da zaga, chute prensado de Rogério Silva e a bola entrou chorando no canto do gol do goleiro Emilio. O placar de 1 a 0 só foi modificado no minuto final da primeira etapa, quando o mesmo Rogério marcou e levou o jogo para o intervalo com vantagem de dois gols para o time da ótica.

No segundo tempo o MachuPichu veio com a mesma filosofia demonstrada no primeiro. Tocava a bola e parecia dominar as ações da partida, porém a falta de qualidade nas finalizações, tornando a ausência de Ricci ainda mais sofrida, não permitia que o time peruano igualasse o placar.

Momentos antes do segundo gol do Fiorella, Tebas, o grande destaque peruano na partida, havia driblado o goleiro e chutado para o gol livre, mas um zagueiro salvador apareceu para isolar a bola, mostrando que a tarde realmente não seria dos peruanos. O jogo no segundo tempo seguiu no mesmo ritmo, com o MachuPichu forçando no ataque, e em chute de fora da área de Gustavo Carrer a bola sobrou para Taka, que bateu de raspão na bola deslocando-a o suficiente para atrapalhar o goleiro e diminuir o placar.

Daí em diante o MachuPichu partiu para cima em busca do empate e viu no fim do jogo suas esperanças acabarem quando em dois contra-ataques o Fiorella matou o jogo com gols de Jefferson e do zagueiro Sebastião Alvez.

Coma vitória por 4 a 1, o campeão Fiorella larga com o pé direito rumo ao bicampeonato, mesmo não mostrando o jogo coletivo feroz que o fez chegar ao título. Os peruanos perdem novamente de um time que parece ser seu algoz no Chuteira, mas saem com a certeza de uma boa atuação e de futuros bons resultados.

DESFALCADO, JOGA 13 SE RENDE AO PODER DO MELVILLE


Parece que a tarde fria e nublada de sábado não intimidou os times participantes do VI Chuteira de Ouro. Tanto isso é verdade que a primeira partida do campeonato começou fervendo! Afinal, era a chance do Joga 13 devolver em gols a eliminação na semifinal do torneio passado, quando o gol nos acréscimos que empatou o jogo tirou o 13 da tão aguardada final. A revanche não saiu do papel, pois o vice-campeão do V Chuteira ratificou sua superioridade tendo pela frente um Joga 13 desfalcado em campo, sem inspiração alguma. O 6 a 2 ao final da partida saiu barato para o 13.

Um detalhe interessante antes da partida foi a maneira de se preparar das equipes: de um lado do campo, o Joga 13, que atuou com muita raça e agressividade do começo ao fim, bradava com fúria seu grito de guerra ao mesmo tempo em que, do lado oposto, os integrantes do Melville, estratégicos e seguros ao longo da disputa, rezavam o Pai-Nosso de modo sereno e confiante. Seguros de si, o Melville rezou e passeou em quadra, com direito a rolinho de Alemão em Choco.

Sem o goleiro Caieras e o meia Calado, que uma semana antes da estréia mostrou seus dotes embaixo das traves fechando o gol num amistoso contra o Acidus, além de Kbral, contundido, e Fino, como sempre ausente, coube a Doce a missão suicida e utópica de evitar que Felipe e Alemão não fizessem gols. E se a ausência do arqueiro titular era um problema, o 13 resolveu que a tática ideal seria pressionar o Melville, talvez para tentar sua velha tática intimidatória. Ataques rápidos sempre com Choco e bolas altas para Lele eram as ações ofensivas da equipe. E se tentou o ataque, acabou por em menos de 3 minutos perder o controle das ações quando Alemão recebeu passe de Felipe e fez a bola morrer no canto direito do gol adversário. Esse era apenas o começo de uma excelente atuação da dupla de atacantes, que com tabelas cativou a atenção dos poucos espectadores e garantiu a goleada.

Mas o 13 não se acovardou e voltou a atacar. Ainda apostando nas jogadas aéreas e cruzamentos, o empate veio poucos minutos depois, com um chute forte do zagueiro Guma após cobrança de escanteio. O empurra-empurra na área, em que Lele deslocou o zagueiro, fez com que a bola sobrasse para Guma fuzilar. Os árbitros não marcaram falta e o gol foi o estímulo que o time precisava para crescer no jogo. Contudo, a resposta do Melville veio em seguida na forma de dois gols: outro de Alemão, novamente assistido pelo parceiro Felipe, e uma bicuda de Henrique, que se redimiu das excelentes oportunidades de gol que perdeu nos primeiros minutos de jogo. Muito viram aí um frango de Doce.

Mesmo com o placar de 3 a 1, o 13 prosseguia guerreiro.. Choco demonstrava incrível determinação e, embora tenha cometido algumas faltas e tomado um rolinho lindo de Alemão, armou as melhores jogadas do time no primeiro tempo. Mas foi o artilheiro Lele que diminuiu o placar ao aproveitar o rebote de Taxa após chute de Bruninho.

O segundo tempo foi marcado pelas tentativas desesperadas do Joga 13, que buscava a todo custo superar a até ali impecável zaga do Melville. Guma e Rodrigo arriscaram uma série de chutes de longe que, embora precisos, foram interceptados pelo goleiro Taxa, que mostrou personalidade e agilidade mesmo com seu tamanhão. A defesa do 13 também se destacou, obrigando o rival a pedir tempo para reavaliar as estratégias, e descansar um pouco também.

A disputa se manteve equilibrada até a metade do segundo tempo, quando em pedido de tempo Doce e Mauricio foram trocar de uniforme para que este assumisse o posto de goleiro. Mauricio tirou a camisa e Doce, o shorts. Os árbitros viram e deram cartão azul aos dois jogadores, pois não é permitido tirar a camisa ou outra peça do uniforme durante a partida. Guma assumiu o gol do 13 e ali começava o passeio do Melville.com dois jogadores a menos em quadra, não teve como impedir que, no minuto seguinte de jogo, Juninho tocasse para Alemão ficar cara a cara com o goleiro e marcar o seu terceiro gol.

A partir daí restava ao 13 evitar uma goleada histórica. E foram 10 minutos de toque de bola do Melville para mais dois gols. O joga 13, com apenas um jogador no banco, acabou por ficar o resto do jogo com um 5 jogadores na linha, pois, como é sabido, o cartão azul exclui o atleta da partida. Assim, após jogar 2 minutos com 2 a menos, jogou o tempo restante com um a menos. E aí um jogo equilibrado acabou se convertendo todo para o lado do Melville.

Com um chute certeiro de Waltinho, o placar foi para 5 a 2 e finalmente, aos 19 minutos, Felipe, o MVP do torneio passado, fez o seu gol após distribuir assistências. O resto foi tocar a bola e esperar o tempo passar para comemorar.

Com a derrota, o Joga 13 larga mais uma vez mal um Chuteira enquanto o Melville mostra que seu futebol é para ser campeão desta vez. Quem tinha dúvidas quanto à constância do Melville, viu um time com seriedade na zaga e em sintonia com a rapidez do ataque. Uniram essas características e não reconheceram um Joga 13 retalhado, impossibilitado de resistir quando não mais se tem peças para tanto.

ACIDUS REAFIRMA MALDIÇÃO DO EMPATE NA ESTRÉIA DO THE VERAS


Personalidade. Essa é a palavra que melhor pode definir a surpreendente atuação do estreante The Veras contra o fluorescente Acidus, em mais uma gélida tarde paulistana de sábado. Pelo Acidus, ficou a sensação de de jà vu, em razão de mais um empate no que parece ser a maldição da equipe em 2008. Só para lembrar, o Acidus estreou o torneio passado contra o novato Crocciati e sofreu o gol de empate nos acréscimos. Além disso, teve mais três empates na competição e acabou desclassificado precocemente.

Sem cometer erros bobos, o jovem time do Veras começou a partida querendo atacar e mostrar que as duas derrotas em amistosos para a tradicional equipe do Chuteira não passaram de meros acidentes de percurso. Contudo, o Acidus contava com uma barreira quase intransponível em sua retaguarda: Rafão. Perfeito nas antecipações e valendo-se de seu corpanzil, o defensor foi fundamental para que o time tomasse as rédeas da partida, não permitindo que o centroavante Moura tivesse nenhuma oportunidade clara na parte inicial da peleja.

E foi assim, dominando o meio-de-campo e apresentando maior volume de jogo, que o Acidus criou chances de gol em todo o primeiro tempo. Foram lances de dentro da área que o goleiro Benga interceptava, ora com as mãos ora com os pés. O Veras apostava nos contra-ataques e nos chutes de Cássio Japa de longe, enquanto o Acidus era jogo forçado para entrar na área adversária. E foi só aos 18 minutos que o Acidus abriu o placar. Tudo graças a uma linda jogada individual do camisa 5 Philip, que se livrou de dois marcadores dentro da área, girou o corpo e finalizou uma bola fraca mas certeira, sem dar chances para o goleiro.

O gol gerou certa intranqüilidade na equipe do The Veras, que assistiu Benga – apelidado pelos críticos de “O Urso Branco” – fazer uma série de boas intervenções e salvar o time de um placar elástico ainda no primeiro tempo. O zagueiro Flama, contratado recentemente junto ao Pagalanxe, teve trabalho, mas marcou incansavelmente o habilidoso e lépido Robinho, que chegou até a se irritar com seu carrapato algumas vezes. A maior chance de gol do Veras foi, a rigor, uma cabeçada errada de Rafão após escanteio que acabou indo para trás e alta. A bola venenosa ia entrar no gol se não fosse a elasticidade de Diego para evitar um gol certo.

Na segunda etapa, o domínio inverteu-se e quem passou a trabalhar mais foi o goleirão Diego, tornando-se mais um destaque da partida. Isso porque, na base de desarmes precisos do zagueiro Cucio e de contra-ataques bem orquestrados pelo meia Japa, o The Veras ameaçou e criou diversas oportunidades para empatar. Como entrar na área estava difícil, principalmente após a entrada de Lói, formando com Rafão um paredão, os chutes de longe foram uma constante.

E o prêmio para tanta persistência do jovem escrete do The Veras veio no apagar das luzes, faltando apenas 5 minutos para o final. O pivô Moura, até então sem chances de gol, encontrou um espaço inexistente na zaga do Acidus, passou no meio de Rafão e Lói e finalizou forte e rasteiro, obrigando Diego a ir buscar a pelota no fundo do barbante. O semblante dos jogadores do Acidus demonstrava o óbvio: abatimento, por ver a vitória escorrer por entre os dedos faltando tão pouco. Em compensação, o rosto dos jogadores estreantes estampava uma emoção digna de cinema, que beirava as lágrimas, enquanto o irreverente atacante comemorava imitando o craque Riquelme.

O jogo, que já era bom, pegou fogo no final, com as duas equipes buscando desenfreadamente o desempate. Já nos acréscimos, numa saída equivocada de Diego, o capitão Pedro, do The Veras, arriscou um chute de trás do meio-campo, salvo com o peito por Lói no meio da área. Quando Nico, num arremate caprichado, carimbou a trave de Diego, já não havia tempo para mais nada. Final de um jogo emocionante, que apresentou ao campeonato duas equipes fortes, cada uma a seu estilo, mas com grande poder defensivo. Num jogo em que as defesas se sobressaíram, o empate acabou sendo o resultado mais justo, e o 1 a 1 reflete o que foi a partida.

Para os favoritos do Acidus, inegavelmente, foi um empate com sabor de derrota. “Eu sabia que vocês não vinham fracos, mas o que eu vi foi mesmo surpreendente. Acima do esperado”, dizia o resignado atacante Lucas, ao cumprimentar os adversários ao final do jogo. Pelo que se viu em campo, os fluorescentes terão um desempenho bem melhor do que o da última edição do Chuteira, quando caíram ainda na primeira fase. Mas a maldição do empate parece que vai continuar a assombrar a equipe. E o The Veras? Diante da primeira exibição, espera-se um time brigador e com maturidade para não sentir a pressão, como bem demonstrou na estréia. Agora é esperar para ver nas demais rodadas se o bom futebol será revertido em vitórias.

SNG PERDE A CABEÇA E CEDE EMPATE A ROLETA NO FIM


Que o duelo entre SNG e Roleta Russa seria polêmico, não havia dúvidas. Afinal, jogos de revanche já são explosivos por natureza, pois remetem, sobretudo, à necessidade primordial que o homem sente de provar os seus valores, ao desejo humano de superação e de vingança. Em suma: era a grande oportunidade do SNG defender sua supremacia como bicampeão e esmagar o, segundo eles, “timinho” que havia ofuscado seu brilho no torneio passado.

Contudo, ninguém imaginava que a tão aguardada polêmica para essa partida seria praticamente uma reprise da que ocorreu na última disputa entre os dois times. Para quem não se lembra, o último jogo entre SNG e Roleta foi marcado pela goleada de virada desse último, conquistada graças à brilhante atuação do meia Kuminha. Tamanha foi a habilidade demonstrada pelo jogador em campo que alguns integrantes do time adversário se irritaram e acabaram por utilizar táticas violentas para impedi-lo de jogar. Desnecessário dizer que isso acabou gerando algumas merecidas expulsões e discussões acaloradas entre os jogadores. Pois bem. Nada muito diferente do que ocorreu ao longo da revanche.

Nos primeiros minutos de jogo o Roleta parecia contido, preocupado com o risco que a força de ataque do oponente oferecia. O time até tentou abrir espaço e atacar pelo centro, mas como sempre focou a maior parte dos seus esforços na defesa. O SNG, por sua vez, estava com total controle da partida: além de dominar quase que exclusivamente a posse de bola, a equipe bicampeã, por meio de ataques pelas laterais e de passes rápidos, colocava constantemente a defesa do Roleta em xeque.

Foi pressionando dessa forma que o veterano SNG abriu o placar. Aos 5 minutos, Tejeda arrancou pela direita e, da linha de fundo, cruzou para Memé desviar para as redes do goleiro Luiz Eduardo. O Roleta sentiu o gol e acordou para buscar o empate. Kuminha liderava o time pra frente, ajudado por Bocha e Rick como centroavante. Contudo, o SNG tinha duas potências na defesa: Allan e o goleiro Sampa. O primeiro, além de articular contra-ataques com eficiência, marcava duramente qualquer um que chegasse próximo à sua área. Já o segundo fez defesas incríveis, tanto com as mãos quanto com os pés. Graças a essa dupla, as poucas chances de gol que o Roleta obteve no primeiro tempo caíram por terra.

Mas a defesa do SNG não é a única que merece elogios. O arqueiro Luiz Eduardo apanhou bolas difíceis, como uma bicicleta de Renê, aos 15 minutos de jogo. A zaga do Roleta também segurou muito bem as pontas, dando trabalho para o já citado artilheiro Renê e Mario, que apoiou o ataque. Esse conjunto defensivo agüentou firme até os 20 minutos, quando Abelha não perdeu a oportunidade e mandou a bola pelo meio das pernas de Luiz para fazer 2 a 0.

A equipe do Roleta mal teve tempo para respirar. Aos 25 minutos, Renê aproveitou chute de Tejeda e marcou um lindo gol de letra, encerrando o primeiro tempo em 3 a 0 para o SNG.

Se a superioridade do SNG sobre o Roleta foi indiscutível no primeiro tempo, no segundo a coisa mudou de figura. No começo, o jogo ficou embolado no meio de campo, com ambos os times roubando a bola e tentando chegar cada um na área do respectivo adversário. Entretanto, após os primeiros minutos, o time bicampeão relaxou, abrindo espaço dessa forma para que o rival chegasse muitas vezes na cara do gol. Foi aí que Kuminha brilhou. O veloz atacante realizou ao longo do segundo tempo uma série de dribles e belas jogadas que, junto à determinação e precisão de sua equipe, possibilitaram o empate.

A reação começou aos 13 minutos, quando o camisa 19 driblou a zaga e deu a chance de rebote para Rick, que chutou alto no canto direito e acabou com a invulnerabilidade de Sampa. A partir daí a confiança do Roleta cresceu. O SNG, inexplicavelmente, voltou apático do intervalo, com exceção de Allan, o capitão: o jogador não parou de correr atrás da bola um instante sequer e fez de tudo para não dar espaço ao time adversário. Numa delas, acabou levando o amarelo. Contudo, sua determinação não foi o suficiente para deter o merecido gol de Kuminha, que veio aos 21 minutos.

O SNG acabou por se preocupar com o árbitro e deixou o Roleta jogar. Os quatro cartões amarelos tomados pela equipe foi minando as forças e, no minuto final de jogo, Bob empatou o jogo. Nos acréscimos, na primeira escapada de Kuminha, o homem do jogo, Allan não pensou duas vezes antes de acertar e jogar o camisa 19 na grade. Falta que foi punida com o cartão vermelho.

Pronto. O circo estava armado. Allan foi tirar satisfação com o árbitro, que, de acordo com integrantes do SNG, teria reagido de forma grosseira e autoritária em diversos momentos da partida. O jogador, furioso, saiu de campo proferindo palavras do mais baixo calão contra o árbitro e ameaçou espancá-lo quando a partida encerrasse. Felizmente, Allan se acalmou e as ameaças não se concretizaram.

Final de jogo: SNG 3 x 3 Roleta Russa. No campo, um contraste imenso: de um lado, um Roleta radiante por ter se superado novamente ao conseguir empatar com um dos mais tradicionais times do Chuteira. Do outro, um revoltado SNG reclamando com a arbitragem, que supostamente teria sido irregular, e aborrecido por, de novo, esbarrar no Roleta de Kuminha, mais uma vez o herói do jogo.

JOGO ENTRE ATLÉTICOS TERMINA EM EMPATE


No clássico dos Atléticos, o que se viu foi um confronto emocionante, que fez ambas as equipes lamentarem amargamente por não terem aproveitado as inúmeras chances que criaram no decorrer da partida, que teve nitidamente dois momentos distintos.

O primeiro tempo começou movimentado, com os novatos do Atlético Osasquense pressionando e aproveitando-se do visível desentrosamento do Pagalanxe, que passou por uma drástica reformulação e contava apenas com 7 atletas, não tendo nenhum reserva à disposição. Mais experientes, os osasquenses abriram o placar aos 11 minutos, com Paulinho Valério , que seria o nome de maior destaque da equipe estreante. Os Laranjinhas claramente acusaram o golpe e entraram nos 5 minutos infernais, sofrendo mais 3 gols até os 16 minutos de jogo. Done ampliou para 2 a 0. Paulinho, o camisa 7 de Osasco, com um estilo semelhante ao do craque búlgaro Hristo Stoichkov, ditava o ritmo do jogo, distribuindo bolas e explorando a velocidade de seus companheiros. E foi justo ele, quem alargou ainda mais a vantagem osasquense, com um golaço de calcanhar. E, segundos depois, Bill, que já vinha se destacando na partida, fez o quarto gol.

O desastre parece iminente. Foi então que o Pagalanxe, comandado pela velocidade do capitão Bruno, decidiu começar a jogar bola. Como num passe de mágica, o toque de bola no meio-campo dos Laranjinhas melhorou e as jogadas começaram a fluir. O gol era questão de tempo. E veio logo com o próprio Bruno, aos 21 minutos, que fez questão de buscar a bola no fundo das redes, como quem diz “Estamos no jogo!”. Inspirado, o meia Nardelli fez linda jogada individual, livrando-se de meio time do Atlético Osasquense e cruzando para Bruno, que mandou na trave. No rebote, o mesmo Nardelli fez o segundo gol do Pagalanxe, fechando a etapa inicial em 4 a 2.

No intervalo, o autor do segundo gol dos laranjas apostava: “Eles são mais velhos e vão cansar no segundo tempo”. E não deu outra. A equipe osasquense já não apresentava mais o mesmo ímpeto do início do jogo, assistindo Paulinho mais preocupado em reclamar da arbitragem e penar para acompanhar os ainda imberbes Laranjinhas.

Para a segunda metade do jogo, uma jogada de mestre do Pagalanxe foi mandar o zagueiro Julio para o ataque, talvez apostando no fato de seu sobrenome ser Cruz. E o camisa 8 não fez feio e deu bastante trabalho à retaguarda rival.

Assim, o momento psicológico passou a ser todo do Pagalanxe, que vinha com tudo para a frente, contando com o talento de Daniel na construção das jogadas. E foi aí que começou a aparecer aquele que, quiçá, tenha sido a grande figura do jogo por parte do Osasquense: o goleiro Toninho. Ostentando um corte de cabelo a la Alcindo (ex-atacante do Corinthians, Grêmio, São Paulo, Fluminense e Flamengo), o arqueiro mostrou serviço, fazendo defesas difíceis e salvando a equipe em diversas oportunidades.

Mas, como diriam as avós, “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. Julio Cruz, em sua versão brasileira, fez o terceiro gol dos Laranjinhas e deixou Toninho a se descabelar, revoltado com as falhas de marcação de sua equipe. E o final do jogo ganhou contornos ainda mais dramáticos quando o árbitro marcou um pênalti muito discutido pelos osasquenses. Paulinho bufava pelo nariz e chutava o chão ao reclamar com os árbitros, mostrando-se visivelmente inconformado. Na cobrança, o mesmo Julio deslocou Toninho e empatou a peleja.

Ainda faltavam 10 minutos de jogo e parecia a virada milagrosa estava para acontecer. O Pagalanxe lançou-se com todas suas forças ao ataque, mas seus arremates eram todos para fora ou interceptados pelo goleiro Toninho, que certamente deixou a cidade de Osasco orgulhosa por ter salvado a pele da equipe, que parecia muito cansada e ansiosa pelo apito final, que logo veio. E que jogo! Um 4 a 4 espetacular, com dois tempos distintos e equipes que mostraram suas virtudes e defeitos, brindando a torcida com um futebol extremamente ofensivo.

ESTUDIANTES COMEÇA COM O PÉ DIREITO E GOLEIA FORA DE SÉRIE


A estréia do Estudiantes de la Vila não poderia ter sido melhor. Em seu primeiro jogo no VI Chuteira de Ouro, o antigo Crocciati se revelou uma desagradável surpresa para as equipes que já se consideravam favoritas ao título. Afinal, mesmo sem sua estrela Caio, o time começou goleando o veterano Fora de Série por 5 a 1, mostrando dessa forma que as reformas pelas quais passou não se limitam somente ao seu novo nome e à flâmula vermelha.

Ambos os times começaram bem, cada um à sua maneira. Nos primeiros minutos, o Estudiantes jogou mais tranqüilo, tocando bastante a bola e tentando abrir espaço pelas laterais. Já o Fora de Série marcou severamente e não parou de correr um instante sequer. Esse último aparentava uma ligeira vantagem, já que chegava com mais facilidade à grande área do adversário. Em uma das vezes, inclusive, esteve muito próximo de abrir o placar: aos 8 minutos, Chulapa arrancou pela lateral esquerda, costurou a zaga e deu um passe certeiro para Carlão, que, cara a cara com o goleiro, acabou se atrapalhando e chutou para fora, perdendo uma oportunidade ímpar.

Após o susto, o Estudiantes foi para cima e começou a jogar melhor com a troca de passes, o que abriu a a zaga do FS. Assim foi possível à equipe chegar ao primeiro gol, que ocorreu aos 10 minutos de jogo, quando Pit, graças a um toque preciso de Junior, chutou cruzado pela esquerda vencendo o goleiro Betão.

Dessa vez, quem ficou assustado foi o FS. Contudo, ao invés de reagir de modo racional como o Estudiantes, o time se atrapalhou e passou a cometer uma série de falhas. A começar pela defesa, cujo rendimento caiu de modo drástico, abrindo espaço para Leandro Raito, ex-Diabos, Piero assombrarem Betão. Quanto ao ataque, a equipe, para o próprio desespero, continuava a perder gols fáceis. O Fora de Série havia ficado “fora do sério”.

Acuado, o FS conseguiu se recompor somente aos 23 minutos, quando a zaga do Estudiantes demonstrou certa apatia. Por muito pouco Tonhão, após um cruzamento de Cadu, não marcou um belíssimo gol de bicicleta. O goleiro Richard conseguiu saltar a tempo de realizar essa difícil defesa, mas não pôde fazer nada contra a jogada que se deu logo a seguir: após cortar pela lateral esquerda, Dink cruzou para Cadu, que mandou rasteiro no canto direito do gol, empatando e trazendo alívio momentâneo para o FS. E logo acabou o primeiro tempo.

Parece que ambos os times relaxaram no intervalo, já que o segundo tempo começou bastante morno e embolado. Mas, na primeira oportunidade, o Estudiantes marcou o seu segundo gol, quando Piero chutou alto nas mãos do goleiro. Betão bem que tentou encaixar a bola, todavia, ele acabou deixando a mesma escapar, que acabou batendo na trave e entrando no gol. Um deslize que custou caro ao Fora de Série.

A angústia começou a tomar conta do FS. Cada vez mais o Estudiantes fechava a zaga, consolidando uma defesa praticamente inviolável. Para piorar, a equipe estreante marcou o terceiro: toque de Piero para um chute forte e certeiro de Junior.

Já estava mais do que na hora do FS pedir tempo para rever estratégias e esfriar os ânimos. E foi o que o ele fez. Ao retornar, a equipe apresentou mais garra e anseio de vitória. Tanto que começou a investir pelos laterais para abrir a defesa do Estudiantes. Mas mais uma vez aquele não era o dia do FS. Cadu e Dink continuavam a desperdiçar excelentes oportunidades de gol, mas o Estudiantes não. No contra-ataque, sepultou as últimas esperanças do rival quando Junior marcou de cabeça, aos 17 minutos, e Pit fechou o placar no minuto final de jogo num chute cruzado.

BASICUS LEVA “PNEU” DO KADÊNCIA


Depois do desastre na primeira aparição do time rosa no V Chuteira e da conquista do primeiro ponto numa competição no último jogo da fase classificatória, contra Melville Power, quando empatou em 2 a 2, houve resultados positivos nos últimos amistosos que antecederam a 6ª edição do Chuteira, contra Joga 13 B e Mentira Sem Maldade. Entretanto, quando o jogo ficou sério e para valer, como na estréia do Chuteira diante do Kadência, o Basicus amargou de cara nova derrota, uma goleada por 6 a 0 que, se fosse um jogo de tênis, seria chamado de "pneu".

Começo de jogo e a tática do Basicus de ocupar os espaços de ação do adversário logo foi por água abaixo em razão de falha no espaço primordial de controle para uma equipe que quer vencer – a própria área. Paulinho, jogando com a camisa 16 de seu novo uniforme – amarelo, numa tendência de cor que parece ter impregnado o Chuteira devido à presença de outras duas equipes com as mesmas cores, a saber, Bengalas e Aurora, marcou logo aos 6 minutos. Mesmo com o gol o Basicus não conseguia chegar ao gol adversário com chances claras de empatar. Precisando correr atrás do resultado, foi a defesa da equipe rosa que mais trabalhou para impedir as conclusões após toques rápidos do Kadência. Saulo correu em dobro para cortar cruzamentos e fazer desarmes, enquanto Goku, embaixo das traves, fazia das suas acrobacias e defendia com pés e mãos para evitar estragos maiores.

Mas uma hora a casa cai, e a do Basicus começou a ruir de vez aos 22 minutos, quando de novo Paulinho mandou para as redes cruzamento da linha de fundo. Só não foi maior o placar do primeiro tempo porque os atacantes do Kadência resolveram errar o alvo nos minutos finais. 2 a 0 saiu no lucro para o Basicus, que mostrou determinação defensiva, mas nenhum poder ofensivo que se preze. Mesmo Cavalera, que traria o toque de bola refinado no meio de campo da equipe, errava passes e abusava de lançamentos longos.

R. Barath, que optou por ficar apenas como técnico na partida em questão, tentou arrumar a casa do intervalo, mas o telhado já estava um tanto deteriorado e no segundo tempo ele despencaria totalmente.

O segundo tempo foi marcado novamente pela velocidade e pelo bom toque de bola do time do Kadência, que teimava no “um, dois” e com isso era contemplado com jogadores saindo frente a frente com Goku. E aos 9 minutos Leandro Caetano anotou o terceiro gol, dando a certeza da vitória ao Kadência. Desanimado e sem poder de reação, o Basicus se tornou presa fácil nos últimos dez minutos de jogo para que a goleada fosse construída com naturalidade. Ajudou na adversidade o fato de o Basicus ter apenas dois reservas, machucados no decorrer do jogo e sem condições de substituir Paulinho Ventura, que reclamava de fortes dores e ficou em campo no sacrifício. E assim foram mais três gols para fechar o “pneu” de 6 a 0 aplicado com tranqüilidade e sem nenhum perigo para o Kadência.

Se o grupo da morte, como foi chamado o Grupo B, realmente vingar a fama, fica o alerta para o time do Basicus, que, mesmo com jogadores talentosos, pode "morrer" e nem na praia vai ser. Fica o aviso para os demais times, que terão muito trabalho com o Kadência e seu novo tom, agora amarelo. tal qual no V Chuteira, o Kadência começa bem a competição e apaga a má imagem deixada pelo time no II Festival Bola na Rede.

BENGALAS GANHA, MAS DECEPCIONA CONTRA MSM


Um jogo bastante equilibrado. Assim pode ser resumido o duelo entre MSM e Bengalas. Apesar da superioridade ofensiva desse último ter ficado evidente ao longo de toda a partida, a equipe dos “mentirosos” não se intimidou e, mesmo contando com menor poder ofensivo, deu o máximo de si, jogando com raça e explorando ao máximo as oportunidades de contra-ataque. Dessa forma, o MSM conseguiu chegar muito perto de conseguir o empate, que terminou com o placar de 3 a 2 para o Bengalas.

O começo foi um tanto morno. Ambos os times iniciaram trabalhando pelas laterais e abusando dos toques de bola. Do lado do MSM, Kadson e Nathan trabalhavam bem em conjunto, mas perderam várias chances de gol. Já o Bengalas apostava em tabelas entre o artilheiro Guitolê, Fernando Forte e Bizu, que, apesar de bem executadas, não chegaram a sinalizar grande ameaça ao arqueiro Caio, que substituiu o grande Ricardo Salles.

Todavia, não demorou para o Bengalas mudar de tática e marcar o primeiro gol. Aos 5 minutos, aproveitando o cruzamento certeiro de lateral de Bizu, Nando cabeceou e marcou. O gol surtiu efeito em todo o time adversário, uma vez que este passou a atacar mais, mas também a perder gols fáceis nos instantes seguintes.

A situação dos “mentirosos” ficou ainda mais complicada quando Guitolê mandou uma bomba no ângulo esquerdo, deixando Caio a ver navios. Nesse momento do jogo, 18 minutos do primeiro tempo, a vitória do Bengalas parecia óbvia, já que, além do placar favorável, o time contava com a habilidade de Bizu, atacante que driblava a falta de velocidade pelo excesso de peso com chutes precisos ao gol, como um da intermediária que o goleiro foi buscar praticamente no ângulo direito. Outro ponto forte foi a defesa da equipe. Nando e Zeca, além do goleiro Robson, formavam juntos uma muralha intransponível.

E o MSM foi salvo pelo gongo. O intervalo fez bem para o MSM. A equipe voltou mais determinada e passou a pressionar a defesa com jogadas pelo meio. Entretanto, o Bengalas continuava pondo em xeque a defesa do rival com seus perigosos cruzamentos. Tanto isso é verdade que o terceiro gol veio logo, em menos de um minuto. Dudu cruzou para Guitolê finalizar de carrinho.

Ao invés de desanimar e baixar a guarda, o MSM cresceu. E cresceu muito! Luciano Guerra foi um dos destaques, não apenas defendendo em sua área como também trabalhando muito bem ao lado de Kadson na armação de jogadas de ataque. Este, com sua velocidade e passes rápidos, confundia a zaga do Bengalas.

Aos 6 minutos, ocorreu uma jogada mais violenta, mas não proposital: bola para o alto na entrada da área do MSM e Fábio Leite armou a bicicleta. Ele foi com os pés nas alturas, onde encontrou o rosto de Bruninho Fontes, que subira para o cabeceio. O choque, um chute na boca, custou um corte fundo na gengiva ao jogador, que foi retirado de campo sangrando.

Após o incidente, o MSM seguiu pressionando no meio de campo e revidando duramente nos contra-ataques. Em uma dessas oportunidades, a equipe finalmente perfurou a muralha: Kadson diminuiu o placar e alimentou as esperanças de empate. A pressão sobre o Bengalas passou a ser insuportável e foi favorecida pela troca desregulada de jogadores por parte do adversário. Poucos minutos depois, aos 18, Kadson voltou a marcar, obrigando o time até então vencedor a pedir tempo.

A partida foi retomada. Os minutos finais foram marcados por investidas do MSM e pela defesa do Bengalas, que abusou de algumas entradas mais duras. Mas finalmente o juiz apitou e dessa vez quem foi salvo pelo gongo foi o Bengalas, que, tivesse mais alguns minutos de jogo, teria cedido à força de vontade dos “mentirosos”.

BICAMPEÃO BRÓDER APANHA FEIO DE MULEKE PIRANHA


O futebol é, sem dúvida, uma caixinha de surpresas. Por mais que esse ditado popular soe repetitivo e tenha se tornado um lugar-comum no jornalismo esportivo, não há expressão melhor que esta para descrever o jogo entre um recém-reformulado Muleke Piranha e o tradicional bicampeão Equipe Brodér. Afinal, quem poderia imaginar que o capitão Salada e seus companheiros debulhariam a equipe veterana com tanta facilidade e fechariam com o abissal placar de 11 a 2?

O jogo marcava a volta do time bicampeão do Chuteira de Ouro Equipe Bróder. E também era a estréia oficial da nova gestão, com Lapa no comando saindo de cena Toledo, que nem relacionado para o campeonato está. Mesmo lesionado, o goleiro Leo, já nitidamente mais obeso, compareceu para dar força ao time. Mas o que se viu em campo foi um passeio do Muleke Piranha, nitidamente um time muito mais organizado e letal que o do semestre passado. Quanto ao Bróder, faltou de tudo para a equipe que estreou novo uniforme, copiando o modelo do Acidus, só trocando o amarelo-limão para vermelho.

A superioridade do Piranha ficou visível logo nos primeiros minutos de jogo. O time não deixava espaço para o oponente atuar, convertendo as poucas investidas deste em contra-ataques e dominando quase que inteiramente a posse de bola por meio de toques ligeiros. Era como se a disputa fosse uma imensa partida de “bobinho”, e a Equipe Brodér era quem estava pagando o pato correndo atrás da bola.

Entretanto, a turma dos mulekes resolveu parar de “brincar” e deu início ao massacre. Após deixar a zaga para trás e ficar cara a cara com o goleiro, logo aos 4 minutos Douglas Nunes bateu certeiro no gol para abrir o marcador. Esse era apenas o cartão de visitas do jogador, que brilhou ao executar passes fundamentais para a vitória e marcar mais três gols ao longo da partida, o que lhe rendeu as três estrelas de melhor em campo.

Depois do gol, o jogo deu uma esfriada característica após a equipe sair na frente. Nesse tempo, basicamente o MP se limitou a tocar a bola pelo centro e realizar alguns cruzamentos sem vontade, enquanto a Equipe Brodér passou a arriscar chutes de longa distância na tentativa de conseguir rapidamente o empate.

A disputa parecia fadada ao tédio. Contudo, o MP começou a articular tabelas pelas laterais do campo, revelando dessa forma o calcanhar de Aquiles do rival. Aos 13 minutos, o mesmo Douglas seguiu driblando pela lateral esquerda e, próximo da área, tocou para Danilo, que dominou a bola, girou e a mandou com categoria no ângulo direito do improvisado goleiro Soneca. Era o segundo gol do Piranha.

A resposta do adversário veio em menos de 3 minutos: Edu cruzou para Mutssa mandar de bico para os fundos das redes. O gol parecia dar ânimo aos bicampeões, todavia, essa alegria durou pouco, já que a tréplica do MP veio no minuto seguinte. Douglas, sempre ele, fez a jogada, passou pela zaga adversária e, com categoria, chutou a bola pelo meio das pernas de Soneca. Não percam a conta – 3 a 0 para o Muleke Piranha, que muito bem podia ser o Moleque Travesso.

Esse gol foi um divisor de águas, uma vez que os veteranos da EB passaram a jogar de maneira cada vez mais nervosa e desajeitada, inclusive perdendo ótimas oportunidades de gol. Aproveitando-se do mau momento do adversário, o time dos mulekes passou a contra-atacar constantemente pelas laterais. Danilo e Fábio Donato, camisas 9 e 99, foram os destaques desse final de primeiro tempo com tabelas e toques rápidos entre a perdida e praticamente inexistente zaga broderiana. Tamanho foi o entrosamento da dupla que, aos 23 minutos, conseguiu marcar mais um para o MP, com Fábio Donato, num chute rasteiro em mais uma vez que um jogador do Piranha saía na cara do goleiro.

E no segundo tempo, quando se esperava uma reação da EB, o que se viu foi justamente o oposto – só deu Muleke Piranha. O time manteve praticamente o tempo todo a bola em seus pés. Salada, que havia entrado bem no primeiro tempo, foi o destaque da etapa final, brilhando ao lado de Robson e de Douglas. Logo aos 2 minutos, Edu perde bola no meio de campo e propicia contra-ataque. Salada passa com ela do meio de campo e experimenta dali para um chute preciso – rápido e certeiro – no ângulo esquerdo do goleiro. Um golaço do Piranha que foi comemorado com enorme vibração. A vibração de dentro de campo passou para fora, com a torcida na arquibancada gritando em coro o nome do jogador.

A EB diminuiu com Lapa dois minutos depois, mas a partir daí o time desapareceu completamente de campo. Foi quando o Piranha deslanchou, com um gol atrás do outro, para o delírio da torcida e para o desespero do goleiro Werner que, assumiu o posto no segundo tempo.

E quem começou a onda de gols foi Salada. O camisa 11 (que desistiu da camisa 10 que jogou no torneio passado) dos piranhas arrancou sozinho pela lateral esquerda e, chegando na grande área, disparou uma bomba para estudar as redes. Não percamos a conta – era o sexto do Piranha. Irritado, Lapa fez falta mais dura em Salada e tomou cartão amarelo. O goleiro Guaraná, que todos sabem ser discípulo de Rogério Ceni, se candidatou para bater a falta e acabou fazendo uma belíssima cobrança, marcando o sétimo do MP.

Robson, que assumiu a camisa 10 que era de Salada, também deixou a sua marca na goleada. Aos 10 minutos, ele aproveitou um preciso cruzamento de Salada e deixou o seu. Mas um era pouco pra ele, então em menos de três minutos ele resolveu fazer mais um e experimentou de fora da área para aumentar a conta. Não percamos – era 9 a 2.

A EB, apesar do justificado desânimo, ainda lutava para que a derrota não fosse tão vergonhosa. Mas as raras chances que teve foram desperdiçadas por chutes precipitados. A tarefa de liquidar a EB coube a Douglas, o nome do jogo. Ele fechou a fatura com mais dois gols, totalizando quatro e assumindo a artilharia do torneio isoladamente.

Ao final do jogo, à mesa tomando uma cerveja e comemorando a reestréia, os jogadores do Bróder comentaram com propriedade o que houve no jogo. “Estávamos sem goleiro, sem alguns jogadores importantes, sem ritmo de jogo. Só podia resultar mesmo em um time sem futebol”. O Bróder perde o jogo, mas não perde o bom humor.

BACANA VENCE COM SOSSEGO REESTREANTE TOSCO


Para a estréia no VI Chuteira, o Bacana mostrou seus pontos forte e fraco claramente. O ponto fraco é que, mesmo tendo 18 jogadores inscritos, nem todos os principais nomes aparecem para jogar. O ponto forte é que mesmo desfalcado o jogo da equipe flui e as vitórias devem acontecer com tranqüilidade. Pelo menos foi o que se viu diante do Tosco.

Para se ter idéia da situação, o time de vinho, que tem três goleiros inscritos, teve de iniciar a partida com o zagueiro e capitão Marcelo Rocha improvisado com a camisa 1, que, aliás, veio emprestado do Basicus. Além dele, o atacante Luizinho acabou jogando na zaga, o setor que mais ausências o time teve na ocasião. Com Demehur e o estréia cheia de polêmicas de Yanes, mas sem Rômulo e Vitinho, o Bacana não teve trabalhos para impor seu jogo diante de um totalmente renovado Tosco.

O Tosco merece um parágrafo à parte. Da equipe que disputou o IV Chuteira, restaram apenas o capitão Mikas, seu irmão Melo, PH e Flávio. São mais de 12 jogadores novos num time que pouco jogou junto e demonstrou claramente seu ponto fraco – a falta de entrosamento.

Mas quem pensa que o Bacana dominou desde o início se engana. Desestruturado devido a tantas improvisações, o goleiro Marcelo fez duas ótimas intervenções em chances claras de gols do Tosco. O defensor, graças a seu tamanho avantajado, conseguiu defender os chutes cara a cara. E não conseguiu apenas isso, mas também arrancou aplausos e congratulações de todos que acompanhavam o jogo do lado de fora, inclusive da torcida adversária.

E os erros do Tosco foram devolvidos em gols. Aos 6 minutos, numa cobrança de falta perfeita de longe, o que parece ser sua especialidade, Demehur acertou o gol fazendo um golaço e abrindo o placar para os bacanas. O gol mexeu com a equipe do Tosco, que perdeu toda a concentração do jogo e partiu afoito para cima, deixando em seu rastro muitos espaços para o Bacana, que nessa hora já tinha se fechado para explorar os contra-ataques. E foi justamente em dois deles que o Bacana fez 3 a 0 para fechar o primeiro tempo com folga. O primeiro foi anotado por Yanes, o outro, também estreante, foi de Leandro Araújo. Já no fim do primeiro tempo, os jogadores que faltavam chegar compareceram e deram maior tranqüilidade ao Bacana.

No segundo tempo, o Bacana fez seu típico jogo de valorizar a posse de bola, quase que evitando jogar bola mesmo. Tanto que uma das reclamações da torcida era que o Bacana ficava só ciscando e querendo dar dribles de efeito, sem objetividade alguma. Seus ataques pareciam mais preocupados em dar rolinho e driblar do que fazer gols. E mesmo assim Demehur voltou a marcar, aos 5 minutos.

Sem objetividade, o Tosco resolveu dar o troco e diminuiu com um golaço do atacante Batata. Mas o Tosco não tinha forças para reagir, pois já corriam 18 minutos do segundo tempo. Se o Tosco não tinha força nem tempo para mais gols, ao Bacana sobrou velocidade e gols. Aos 20 e 22 minutos, Yanes mostrou a que veio e fechou a goleada em 6 a 1.

Para a jovem equipe do Tosco, fica o aprendizado de que o jogo só termina quando o árbitro apita. Para o Bacana, a vitória pode esconder uma realidade – a falta de comprometimento de alguns para com o campeonato.

EM JOGO DE NOVATOS, AURORA PASSA POR CIMA DO FÚRIA


A disputa entre os estreantes Fúria e Aurora, última do primeiro dia de torneio, apresentou uma característica indispensável para uma boa partida de futebol: a emoção, que esteve presente do início ao fim do jogo dentro e fora de campo. Times estreantes, levaram todos para torcer, o que ajudou a preencher o vazio do adiantada da hora.

O Fúria começou com muita velocidade e determinação, fazendo jus ao nome que ostenta. Valendo-se de passes rápidos e tabelas, o time inicialmente não encontrou dificuldades para driblar os zagueiros do Aurora. Thiago Motta chegou na cara do gol duas vezes logo no primeiro minuto, mas perdeu ambas oportunidades de abrir o marcador.

A equipe do Aurora, por sua vez, foi inteligente, pois percebeu que o ponto fraco do adversário era a defesa e logo organizou um contra-ataque, abrindo o placar em menos de 2 minutos com o chute cruzado de Pena, que surge como grande nome da equipe e craque a rivalizar com Kuminha. Estava armada a estratégia que o Aurora usaria ao longo de toda a partida: concentrar sua força e atenção na zaga e sair em contra-ataques, explorando, sobretudo, a velocidade de Pena.

Contudo, o ágil camisa 7 do Fúria não deu sossego para a defesa adversária e continuou martelando pelas laterais. Em uma dessas investidas, aos 8 minutos, ele deixou a zaga comendo poeira e marcou um golaço de cobertura.

Com o empate, o Fúria cresceu ainda mais e passou a pressionar o Aurora. Contudo, a força defensiva da equipe amarela não facilitou. O zagueiro Caio atuou muito bem, cortando a maioria das oportunidades dos “furiosos”. As poucas chances que o Fúria teve de aumentar o placar foram desperdiçadas com chutes sem muita direção.

Um incidente ocorreu aos 16 minutos de jogo: o goleiro Harley, do Fúria, deslocou o ombro ao disputar a bola com Pena. Acabou substituído por Jefferson, que posteriormente se tornou o grande nome do jogo ao realizar defesas dificílimas. Se não fosse a competência e a sorte de Jefferson, com certeza o placar da partida teria sido ainda mais favorável ao Aurora.

Parece que o tempo que o Fúria pediu após a substituição ajudou a equipe a lidar melhor com a defesa do adversário, uma vez que Dé e Thiago Motta começaram a ameaçar com mais freqüência o gol do Aurora. Todavia, a dupla perdeu uma série de oportunidades de gol com chutes desajeitados. Quando os atacantes acertavam o chute, o arqueiro Alemão, outro destaque da partida, defendia com extrema habilidade, eliminando as esperanças do time rival.

O segundo gol do Aurora veio aos 15 minutos, com Robson, em uma bela cobrança de falta. O Fúria não se abateu e voltou a pressionar, empatando logo em seguida com Fagner, num chute que quase arrancou a trave do lugar. E empatado o jogo foi para o segundo tempo.

O desgaste do Fúria era nítido logo no início da volta do intervalo. O cansaço havia roubado a maior virtude da equipe: a velocidade. Nem mesmo os incentivos da torcida feminina conseguiam reerguer os jogadores. Aproveitando-se disso, o Aurora partiu para o ataque com força total e, aos 3 minutos, Pena cobrou um escanteio para cabeçada e gol de Robson. Era o início da ruína do Fúria. A equipe bem que tentou revidar, mas não pôde fazer muita coisa com os jogadores exaustos. Aos poucos, o Aurora ia esmagando o time adversário, rompendo sua frágil defesa com contra-ataques.

Depois do terceiro gol, veio rapidamente o quarto, decretando que a vitória ficaria do lado do Aurora. Marcos Vinicius aproveitou um escanteio e escorou para fazer o quarto gol. O quinto e último do Aurora veio com o destaque da partida Pena, que pegou rebote de Jefferson e fechou a goleada.

No final do jogo, silêncio. A única voz que se ouvia era o lamento de uma torcedora do Fúria que, indignada, repetia: “Que vergonha perder para um time com nome de lingüiça”.

DIABOS LARANJAS DÃO AS BOAS-VINDAS AO GIRO SP


Estreante em quadra, seria o Diabos Laranjas e receber a Giro SP no Chuteira. Jogo de uniformes iguais – preto com detalhes em laranja – coube ao novato Giro usar os coletes amarelos. E no início do jogo parecia que a Giro estava com mais apetite para vencer a partida e estrear com vitória. Tanto que as jogadas eram mais direcionadas ao gol, principalmente com os chutes de Alemão. A coisa ficou pior para o Diabos quando Juba sentiu a perna e abandonou a partida, deixando sua equipe sem nenhum reserva. Seriam aqueles 7 jogadores em quadra que fariam de tudo e mais um pouco para chegar à goleada de 5 a 1 e carimbar o visto da Giro no Chuteira.

Com grande torcida para o horário (começou mais de 19h) de ambos os lados, a Giro SP saiu na frente com gol de Alemão aos 10 minutos, após 3 tentativas frustradas. O primeiro gol da equipe acendeu o Diabos, principalmente o estreante Ronei – aquele mesmo do Só Lance. O camisa 99 do Diabos, herdeiro da camisa de Emerson Neném, passou a comandar o time no meio para o ataque, tendo o sempre eficiente e competente Argentino na marcação e chegada para o bate. Num lance típico de Argentino, ele interceptou bola na defesa e saiu driblando até chutar a gol. A bola passou muito pouco acima do travessão do goleiro Hector.

O gol de empate do Diabos saiu aos 12 minutos, com o próprio Ronei, após cruzamento desviar em Peixão e enganar o goleiro Wector. O gol deve ter mexido com os novatos, pois o jogo passou a ficar mais para o Diabos a partir de então. A Giro errava, o Diabos se superava na defesa e começava a se soltar ao ataque. Mas mesmo assim o placar ficou no 1 a 1 até o fim do primeiro tempo.

No segundo tempo o Diabos tratou de mostrar quem mandava ali. Impôs seu característico jogo de forte pegada na defesa e aplicou o golpe mortal na Giro – Vavá, rápido e habilidoso, passou a aparecer mais para o jogo e puxar os contra -ataques. O resultado foi velocidade e correria pra cima do adversário, e muitos gols.

Aos 7 minutos veio a virada, com Ronei de novo. O mesmo Ronei fez o terceiro aos 11 minutos quando a Giro buscava se recompor dos gols e ouvia do lado de fora a torcida de “OOOOO Todo poderoso Giro” e pedidos para que o goleiro Guilherme entrasse e mostrasse seu futebol. O meio de campo com Cabrito tinha habilidade, mas o pecado da Giro estava na finalização. Enquanto os novatos perdiam gols e se mostravam abalados psicologicamente, o Diabos ia marcando. Thiago fez o quarto gol aos 13 minutos da etapa final e praticamente liquidou a fatura para os diabos. Perdidos em campo, atordoados com a necessidade de ir para cima e não conseguir chegar ao gol adversário com precisão, a Giro se tornou presa fácil ao Diabos. Peixão, zagueiro da Giro, virou lambari.

Sem muitas alternativas, o técnico Marcelo enfim ouviu os pedidos da torcida e lançou Guilherme para o gol da Giro. O goleiro mostrou personalidade e fez 2 boas defesas. Mas a maré estava com o time adversário e faltando dois minutos para o término do tempo regulamentar veio o tiro de misericórdia num golaço de Vavá, que pegou um toque do meio na ala direita e mandou um tiro no ângulo. Um gol perfeito para fechar uma partida em que a vontade e raça foi a chave para derrotar um adversário numericamente maior e que mostrou qualidade de jogo, mas pouca pontaria e cabeça para lidar com placares adversos, tanto que Peixão ao final deu um carrinho mais forte e quase houve confusão. A arbitragem achou por bem apenas o amarelo para o lance.

E assim a Giro SP estreou e conheceu o que é o Chuteira. O gogo do técnico da Giro, que apostava em vitória tranqüila, está um tanto inflamada com os cinco gols sofridos. Resta pensar em reabilitação sábado que vem contra o Roleta Russa. Há quem veja o técnico Marcelo na corda bamba, e muitos já pediram a volta urgente do técnico Batata, que deve fato deve voltar de uma cirurgia e comandar o time dentro de campo na próxima rodada. Quanto a Marcelo, deve voltar a ser auxiliar técnico.
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