Enfim chegou o dia do tira-teima. Depois das provocações e promessas de eliminação de jogadores de Joga 13 e Roleta Russa, a tão esperada partida pelas quartas-de-final chegara. Mas o jogo foi esvaziado de espectadores graças à incompetência do PlayBall, que abriu seu estacionamento para membros da Igreja Renascer, lotando o estacionamento e impedindo que clientes da empresa entrassem no PlayBall. Foram filas de trânsito fora do PlayBall, com jogadores chegando atrasado e muita confusão do lado de fora. Para o bem do torneio, Joga 13 e Roleta chegaram cedo e o jogo começou na hora certa.
O Roleta Russa veio com carimbo do escudo do time no braço de todos seus jogadores. Baru chegou até a carimbar a face com o logo Roleta. Era o espírito da equipe marcado no corpo. E com tanto falatório das duas partes antes da partida, principalmente na rodada anterior, e uma rivalidade forte entre as equipes, o jogo começou muito estudado e com os times com certo receio de tomar gol. A cautela marcou os minutos iniciais. O privilégio à defesa prevaleceu sobre o ataque. E foi assim que rodou todo o primeiro tempo.
Precisando da vitória, o Joga 13 tomou a iniciativa de partir para o jogo e dominou toda a primeira etapa. O que se viu em campo foi um Roleta Russa recuado, em certos momentos parecia mesmo com medo de “atacar” o Joga 13 e tomar um gol de contra-ataque. Assim, o 13 tocava a bola e ia chegando ao gol de Matrix. Teve bola na trave, belas defesas de Matrix e chutes para fora. O Roleta contra-atacava sempre com Bruno e Thiago. Bruno teve quatro chances de finalizar, mas todas foram para fora. A única que foi pro gol foi bem defendida por Caieras, de volta ao gol do 13.
Enquanto a bola não chegava para Nação no ataque do Roleta, Lele distribuía a bola para seus companheiros, mas ela teimava em não entrar. E assim foi até o fim do primeiro tempo, que terminou num chato 0 a 0, apesar de boas chances. As emoções e gols estavam guardados para o segundo tempo, quando dali surgiria o vencedor e, geralmente com ele, seu herói. Parecia escrito que o herói trágico do jogo classificatório estava predestinado a se tornar o herói do jogo.
Começa o segundo tempo e o jogo parece não valer muito. Jogando pelo empate, parece que o Roleta Russa resolveu apostar nisso e esperar o desespero do 13 em atacar e marcar. E, para seu desespero, o Roleta viu a bola sobrar para Lele, num bate-rebate dentro da área, aos 7 minutos, abrir o placar. O Joga 13 fez o gol, agora a situação se invertia – o Roleta tinha de sair pro jogo para ao menos empatar. E com isso as coisas foram se complicando, pois o gol não saía. Mesmo tomando a iniciativa, o 13 era mais perigoso que o Roleta Russa com seus contra-ataques. E foi num deles que, após falha do zagueiro Baru em antecipar na bola, Lele girou e fez 2 a 0. Eram 13 minutos, metade do segundo tempo. Dava tempo de buscar o empate, mas com o meia Thiago perdendo a cabeça e sendo expulso, as chances de virada quase que se extinguiram.
Não demorou para Lele marcar o terceiro gol depois de jogada de Alemão, que tinha entrado para infernizar a vida dos jogadores Roleta, e decretar de vez a vitória do 13. Eram 17 minutos e a partir dali era esperar o tempo passar para comemorar e “berrar” na cara do rival a eliminação. O Roleta ainda lutou, foi pra cima, mas não conseguiu marcar. O psicológico do time fora abatido e não tinha mais condições de qualquer reação. O 13 soube segurar o jogo até seu fim sem problemas.
Com o fim do jogo, os jogadores do 13 comemoraram muito, xingando muito, provocando muito, principalmente os mais falastrões do Roleta. A promessa de eliminação foi cumprida pelo 13, e não pelo Roleta, que teve espírito esportivo em aceitar a derrota e não entrar em qualquer forma de briga diante das provocações. Ao Roleta, restou ouvir os berros contra sua equipe, alguns ainda fizeram gestos obscenos e sair de quadra sem poder falar nada. A palavra, depois da vitória, era monopólio do 13. O Roleta teve de se contentar com mais uma vez sair sob vaias e xingamentos dos jogadores do Joga 13, assim como foi no III Chuteira.
“Eles erraram ao gritar na última rodada que estávamos eliminados. Pagaram caro por aquilo, pois nós entramos no jogo com muita raiva e querendo destruir eles. Mexeram conosco na hora errada, de novo, e levaram o troco. Mais uma vez eles são eliminados e são ‘ovacionados’ por nós. Se não tínhamos ganhados deles ainda em jogos oficiais, esta vitória é a primeira, e no jogo mais importante”, desabafou Lele, autor dos 3 gols da partida.
Num jogo muito disputado, em que detalhes deveriam decidir, foi Lele, o herói do pênalti perdido na partida classificatória, que marcou três vezes contra seu algoz Matrix. Como foi dito naquela ocasião neste Chuteira News, naquele jogo o dia foi de Matrix. Desta vez, em jogo eliminatório, quem riu por último foi o Joga 13, foi o herói Lele, que teve outro dia seu em se tratando de futebol. E desta vez não teve São Matrix para salvar o Roleta. Aliás, já existe dia de São Lele? Podemos pensar no dia 1º de dezembro em caso de resposta negativa. Afinal, o “santo” do 13 voltou com tudo, com oportunismo e habilidade. E, como ele mesmo disse, “marcar contra o Roleta e vencê-los é melhor ainda”.
ACIDUS VENCE BRÓDER EM JOGO TUMULTUADO
Acidus x Bróder era um jogo cheio de rivalidade e o aperitivo da última rodada da fase de classificação serviu para aumentar a fome dos jogadores. Se pela 11ª rodada o jogo não valia muito, nas quartas-de-final era jogo eliminatório – o vencedor passaria às semifinais. O jogo foi pegado, com faltas de ambos os lados e alguns lances desleais, mas o brilho da partida e da vitória de 3 a 0 do Acidus foi totalmente ofuscado pela atitude infantil e sem coerência do jogador Daniel, que, após ser expulso por reclamar e discutir com o árbitro, quis ir pra cima dele e ainda ficou fora do campo com um apito apitando para atrapalhar o jogo.
Depois da classificação do Joga 13, era a vez de ou Acidus ou Bróder se classificar para enfrentar o temido adversário. E como é costume na Equipe Bróder, o time partiu pra cima com tudo, criando as melhores oportunidades. Com velocidade e bom toque de bola, rapidamente Mutssa, Edu, Marcelinho e Mutssinha tiveram oportunidades. E em todas a bola foi pra fora, na trave ou parou nas belas defesas do goleiro Publius. Numa cabeçada de Edu no canto inferior direito de Publius, este fez uma defesa parecida com aquela defesa mais bonita da história do futebol, em cabeçada de Pelé para baixo na Copa de 1970.
O Acidus só se encontrou em campo por volta dos 10 minutos, quando Kirk, em contra-ataque, chutou pro gol fraco, mas a bola desviou na zaga e enganou o goleiro Leo. O Acidus saía na frente num jogo que já mostrava que seria complicado... Dali até o final do primeiro tempo, ambas equipes tiveram chances de marcar. Edu quase guardou um belo chute no ângulo e depois mandou uma bola no travessão. Do lado contrário, Robinho e Kirk consagraram Leo, que não perdeu uma bola em lances cara a cara com os atacantes. Os dois goleiros garantiram o placar mínimo no primeiro tempo.
O segundo tempo começou e o jogo passou a ser mais duro. Faltas de ambos os lados mais duras e não marcadas começaram a irritar os jogadores. Aos 8 minutos, Kirk chuta quase de dentro da área no canto esquerdo para vencer Leo e marcar 2 a 0. Na volta para seu campo, acabou sendo xingado e agredido por jogadores do Bróder. A partir daí, o jogo começou a ficar feio. Várias trombadas e faltas paralisaram o jogo, que mais ficou parado do que jogado. Numa possível falta sofrida por Kirk e não marcada, Cavalera se indigna e xinga o árbitro. Acabou expulso, deixando o Acidus com um a menos em campo. Era a chance que o Bróder tinha para tentar uma reação e a virada, pois só a vitória interessava à equipe. E o Bróder pressionou. Chutavam no gol e Publius defendia. Em outra oportunidade foi o próprio corpo de um jogador do Bróder que evitou o gol.
Em reclamação por não marcação de falta, o zagueiro Daniel, do “banco de reservas”, foi expulso e causou tumulto (veja detalhes na matéria abaixo). Retomada a partida, o Acidus segurou o jogo, principalmente com Alemão e, em lance isolado na direita, Mutssinha acabou acertando cotovelada em Alemão e foi expulso. Era a igualdade em número de jogadores dentro de campo. O jogo voltava a ser igual. Não demorou para o Bróder ultrapassar o limite de faltas. Kirk partia para o ataque e sofria faltas. Na volta, ele rachava também no meio de campo e o jogo ficou mais feio. Em cobrança de tiro livre direto em razão do excesso de faltas, Alemão chuta no meio de gol e perde a chance do Acidus ampliar.
Parelho, o jogo passou a ser o Bróder tentando ir com tudo para o ataque e o Acidus segurando o jogo no meio de campo e explorando a velocidade no contra-ataque. E foi numa falta de ataque que o Acidus teve outro tiro livre direto. Desta vez Kirk bateu e não desperdiçou. Era 3 a 0 e parecia selada a vitória. Comemorando seu gol, jogadores do Bróder não aceitaram e foram pra cima dele, dando tapas e empurrando o jogador. Os árbitros viram e, diante de um início de tumulto que certamente levaria a brigas e um quebra pau desnecessário em campo, resolveram encerrar a partida um pouco antes dos 25 minutos previstos. Não havia mais condições de jogo depois de todo o tumulto causado por Daniel, a perseguição a Kirk em campo e o placar de 3 a 0. Por questão de segurança, já que Kirk foi ameaçado de sair quebrado de campo, foi encerrado o jogo que colocou o Acidus na semifinal e eliminou a Equipe Bróder.
Para o Bróder, restou a reclamação do lamentável papelão armado por Daniel, que “jogou” contra sua própria equipe, manchando uma vitória brilhosa. Também fica o conturbado percalço para a classificação, que envolveu falta de jogadores, contusões sérias de joelho e um WO por causa da morte de um amigo do grupo. O Bróder lutou até o fim com o que podia, com os jogadores que tinha, mas não foi possível superar o Acidus. Fica o desejo de boa recuperação aos contundidos – a saber, Lapa, Henrique, Paulo e Tubs – e indicação de boa reestruturação da equipe, que repôs algumas peças com sabedoria, como o bom Marcelinho, que se tornou o motor no meio de campo da equipe.
O Acidus classificou-se e joga contra o Joga 13 valendo vaga na final. E não terá a presença de Cavalera e nem de Daniel.
DANIEL OFUSCA VITÓRIA DE ACIDUS CONTRA BRÓDER
O jogo corria complicado e nervoso. Mas mais nervoso ficou Daniel quando o árbitro não marcou falta em lance no meio de campo em Kirk. Irritado, gritando, foi advertido pelo árbitro. Não contente, retrucou e foi expulso. Indignado, quis partir pra cima do árbitro e foi seguro pelos companheiros. Nessa, acabou sobrando uma braçada pra Publius. Retirado de campo, pegou um apito e ficou do lado de fora apitando para atrapalhar o jogo. Partida paralisada pelos árbitros, que não seguiriam o jogo enquanto o jogador estivesse tumultuando, e Lucas foi pedir para ele parar de fazer aquilo, que deixasse o jogo seguir e terminar. Não foi ouvido e quando deu as costas para o jogador levou uma cusparada na cabeça. Outros jogadores foram tentar demover Daniel da idéia idiota de continuar com aquilo. O árbitro perseguido por ele mudou de lado e Daniel também mudou. Nova paralisação. Novos pedidos de parar com aquela criancice. Novas refutações de Daniel, que xingava e esbravejava com todos.
Enquanto isso, o Bróder queria deixar o campo. Acharam inadmissível tal atitude e não queriam mais jogar. O placar era de 2 a 0 naquele momento. Os jogadores do Acidus, todos, falaram com Daniel. Pediram bom senso. De repente ele resolve parar e o jogo consegue ser reiniciado. O Bróder continuou reclamando, mas era um jogador do Acidus agindo contra todos os demais jogadores.
Daniel perdeu a cabeça. Daniel não soube se controlar. Daniel passou dos limites e manchou uma bela vitória de sua equipe. Tanto que o Acidus nem comemorou. Naquela reação do jogador, todo o brilho da partida tinha sumido. A vitória foi ofuscada por um jogador que, ainda um mistério, agiu como um louco, prejudicou sua equipe e ainda cuspiu num amigo e companheiro de time. “Não tenho por que comemorar. O que o Daniel fez foi lamentável, acabou com qualquer possibilidade de comemoração. Tirou o brilho de um grande jogo”, declarou Kirk ao fim da partida, refletindo o que parece ser consenso no Acidus. Restou a vergonha, se de Daniel não se sabe, do Acidus com certeza.
O futuro de Daniel será decidido pela Comissão, que já se mostrou favorável a um julgamento de sua atitude antiesportiva.
SNG TOMA SUSTO INICIAL, MAS VENCE SÓ LANCE
O líder tinha a volta de Renê, ainda não totalmente recuperado, mas com fome de bola para ratificar a liderança na artilharia e ajudar sua equipe a vencer. SNG enfrentava um Só Lance motivado e com vontade, depois de uma segunda metade de campeonato de recuperação. E o jogo começou com um Só Lance mais empolgado e indo pra cima, com Ronei e Philip, a dupla endiabrada da equipe. E nessa correria empreendida pelo Só Lance, Ronei marcou o primeiro gol da partida logo aos 4 minutos.
O gol parece que abateu o SNG. Não demorou para haver bate-boca entre os jogadores da equipe, que não se encontravam dentro de campo. O Só Lance seguia melhor no jogo quando, em contra-ataque, Tejeda veio carregando a bola da defesa até a saída do goleiro e empatar a partida. Empate doído ao Só Lance, ainda mais quando logo em seguida Philip, num belo chute de primeira, acertou o travessão de Sampa, e Renê, que entrou logo depois que tomaram o gol, desempatou a partida.
Com 2 a 1, o SNG começou a tomar conta da partida. Tocando a bola, foram chegando ao gol adversário e marcando, ainda mais que o Só Lance não tinha um goleiro de ofício. Mauricio, que nos últimos jogos vinha jogando no gol e indo bem, não foi o goleiro da vez. Coube a Pedro ser o defensor das metas do Só Lance. Abelha fez o terceiro, Mario o quarto e novamente Abelha o quinto. O artilheiro Renê sentiu a contusão e saiu logo da partida. Jogou pouco e, segundo declaração do jogador, parece que a contusão o tirará do restante do campeonato.
O Só Lance ainda tentava atacar, mas Sampa estava seguro no gol e defendia o que contra ele era chutado. No segundo tempo, na base do tudo ou nada, o Só Lance conseguiu diminuir duas vezes com Philip em chutes de fora da área. Parecia que a equipe pudesse buscar o empate – estava naquele momento 5 a 3 – mas Memé tratou de acabar com as esperanças e marcou o sexto do SNG. Tranqüilos em campo, o SNG fechou o marcador com Tejeda, ratificando sua vitória e garantindo a vaga nas semifinais.
Faltando menos de 2 minutos para o fim do jogo, uma discussão entre Tejeda e um dos árbitros acabou em cartão amarelo do jogador que, já tendo recebido um, acabou expulso e desfalca o time na semifinal contra o Hollanda.
Ao Só Lance, fica a lição de um trabalho bem feito e cumprido: recuperou-se no fim do campeonato, se encontrou dentro da competição e se classificou. Teve o azar de cruzar de cara com o SNG. A este, líder da competição praticamente desde o início do torneio, fica a dúvida de como a equipe vai reagir sem Tejeda nas semifinais e a dúvida sobre a presença ou não do artilheiro Renê daqui em diante.
EM JOGO “CHATO”, HOLLANDA VENCE MACHUPICHU E PEGA SNG
O último jogo das quartas-de-final foi um jogo sem muitos espectadores e quase sem emoção. Para refletir a opinião de muitos que viram o jogo, foi um dos piores e mais chatos jogos deste IV Chuteira.
Hollanda e MachuPichu jogavam para ver quem enfrentaria o SNG nas semifinais. Um jogo que poucos poderiam prever qualquer resultado. De um lado, havia o craque Caio, que dava qualidade ao toque de bola do MachuPichu; do outro, o matador Salada, que chegou no meio do campeonato e marcou 13 vezes (contando o que fez no referido jogo). O que se viu foi justamente as duas figuras das quais mais se esperava apagadas em campo. Quem brilhou foi a bola, que saiu de campo sem balançar muito as redes diante de um jogo em que não tiveram muitas chances de gol.
O Hollanda chegou sem reservas para o jogo. Vários desfalques pareciam indicar que as coisas não sairiam tão bem na partida. O MachuPichu tinha seu esquema de jogo defensivo apostando na velocidade de seu contra-ataque. E o que se viu em campo foi um MachuPichu muito recuado, com Caio jogando quase como um terceiro zagueiro, o que impedia que ele pudesse chegar ao ataque com rapidez.
Duas defesas bem postadas fizeram com que o primeiro tempo fosse fraco demais tecnicamente. Os zagueiros praticamente dominaram os ataques adversários. O Hollanda só marcou seu primeiro gol em erro de saída de bola do goleiro Leander, que tocou de lado para Salada abrir o placar. Foi um balde de água fria no MachuPichu, que se viu obrigado a sair mais para o jogo. Um time que venceu Joga 13 e SNG e teve grandes atuações contra grandes times tinha futebol suficiente para virar a partida.
E o segundo tempo foi do MachuPichu atacando o Hollanda e este se defendendo. Eram chutes de vários lugares da quadra e defesas do goleiro adaptado Guaraná, rebatidas da defesa ou arremates pra fora. A bola não entrava, não tinha jeito. Faltando cerca de 4 minutos para o fim do jogo, num escanteio para o MachuPichu, o goleiro Leander sobe para o ataque tentar o cabeceio. Nenhum jogador ficou resguardando a meta do time e, no rebote do ataque, a bola cai para Lillo que vê o gol livre, mata a bola, dá dois passos para arrumar o chute e chuta quase de dentro da sua área. A bola segue a trajetória certa e vai morrer no fundo das redes do MachuPichu. Era 2 a 0 para o time laranja.
Aí o desespero passou a tomar conta do MachuPichu. Caio passou a chamar a responsabilidade para si e tentou mais chutar ao gol. Com a pressão, o Hollanda excedeu o limite de faltas e, na cobrança do tiro livre direto, Caio diminuiu. O time de Danilo e Cia. ainda tentou, mas o Hollanda se fechou e não houve tempo para o MachuPichu empatar a partida. Hollanda vencia com 2 gols “dados” pelo MachuPichu. Duas fatalidades que custaram a classificação para as semifinais.
O lamento do capitão Danilo foi que não conseguia entender como o MachuPichu alterna grandes jogos contra grandes times e atuações pífias contra adversários teoricamente mais fracos. Não dá pra entender. Vencemos SNG e Joga 13, jogamos muito bem contra Acidus e Roleta Russa, mas acabamos por tropeçar nos times considerados mais fracos, nos iniciantes. É algo que o MachuPichu precisa consertar se quiser chegar mais longe no próximo torneio”, confessou ele.
O Hollanda comemora. Está nas semifinais em seu primeiro torneio e agora decide quem vai pra final contra o temido Se Não Guenta Por Que Veio?. É a hora de ver se o jovem time terá forças para derrotar o favorito ao título.
CULPEM O LUCAS, AFINAL, TUDO É SEMPRE CULPA DELE
Já virou rotina: time começa a perder e logo procuram o Lucas para culpar, para falar que está arranjado, que querem prejudicar os seus times, que o Acidus sempre é favorecido pela arbitragem (e os jogadores do Acidus sempre acham que são prejudicados) e por aí vai... A cada derrota uma justificativa. E sempre com culpa do Lucas, nunca de si mesmos. E assim segue mais um campeonato. Agora na reta final deste IV Chuteira.
Nesta quartas-de-final, foi a vez do Bróder culpar o Lucas. Isso se ainda não tivermos reclamações de Roleta Russa, Só Lance ou MachuPichu. Afinal, perderam e na derrota sempre se busca bodes expiatórios... Mas há equipes que buscam fora de campo a razão para suas derrotas. O Bróder fez isso no III Chuteira. Precisando da vitória contra o forte Assurra, empatavam até o fim do jogo e o Lucas era o mais xingado por Toledo não se sabe por que razão. Afinal, o time do Bróder perdia dentro da quadra e Lucas nada a ver com o jogo tinha. Era mero espectador. Ao final do jogo, com o gol de falta de Edu, o Bróder virava e vencia a partida. Toledo não comemorou com seu time, mas sim foi “jogar na cara” de Lucas a vitória broderiana.
Já se ouviu acusações de jogadores do Joga 13 quando o 13 perdeu do MachuPichu. O falatório é sempre concentrado quando alguma equipe perde – o jogo e quase sempre também a cabeça. E aí não há santo que impeça de alguns esbravejarem, soltarem a raiva carregada internamente – talvez fruto de alguma frustração de jogo – em alguém que está fora. A derrota é um momento de reflexão, de reavaliação de um trabalho que foi feito, de erros cometidos, sempre buscando melhorar para um futuro próximo. Só se aprende com as derrotas quando, diante dela, se sabe “olhar para dentro”, se sabe diagnosticar problemas e a partir daí almejar soluções. A busca por culpados, principalmente externos, não leva a um crescimento psicológico nem competitivo.
As derrotas devem ser levadas em conta para pensar em mudar. Há equipes e jogadores que não aprendem, que mantêm posturas inadequadas e que fazem coisas dentro e fora de campo que não estão de acordo com a ética e as regras do futebol. Isso acaba refletindo em campo, e a justiça ao final prevalece. Não se quer culpar aqui gregos nem troianos, mas sair de um jogo em que o Acidus venceu merecidamente, em que apenas um jogador do Acidus quis estragar o jogo e foi tentado por todos do time tirá-lo “de cena”, não é ação correta. Não houve nenhuma tentativa do Acidus de melar o jogo ou qualquer coisa. O Acidus queria jogar bola; Daniel não queria e conseguiram tirá-lo de campo depois de muito custo após sua expulsão (justa, por sinal). O Bróder precisava virar um jogo de 3 a 0 e, com menos de 10 minutos faltando, resolveram que era hora de bater em Kirk, que foi caçado em campo. Disseram a ele que queriam que continuasse o jogo para poder ainda “quebrá-lo”. Em todos os seus gols, ele foi agredido por jogadores do Bróder, que não aceitaram que o Acidus comemorasse seus gols. Em todas elas, a arbitragem viu e nada fez para evitar esse tipo de agressão.
A derrota do Bróder foi dentro de campo, e Lucas nada teve a ver com isso fora de campo (dentro de campo, sim, ele ajudou o Acidus). Como jogador, ele torceu e vibrou com seu time. Como parte de uma Organização, ele tentou a todo custo retirar Daniel de sua retaliação para que o jogo pudesse dar continuidade. Até levou uma cusparada na nuca do referido jogador. Tudo que podia ser feito foi feito, e o Acidus em momento algum foi favorecido. Reclamações da arbitragem não faltaram também por parte dos jogadores do Acidus, inclusive de Daniel, que virou bicho porque ficou indignado com tantas faltas feitas pelo Bróder e não marcadas. O jogo foi duro? Foi. Foi pegado? Foi. Tiveram jogadores expulsos? Sim, um de cada lado, o que fez com que jogassem com apenas 5 jogadores de linha, e mais Daniel, expulso do banco de reservas. Ambas as equipes jogaram bola e jogaram duro. O Acidus fez 3 a 0. Foi mais competente nas finalizações.
Quando perceberam que não teria como virar um jogo de 3 a 0, jogadores do Bróder agrediram Kirk após fazer o terceiro gol. Houve provocações? Houve, mas isso não justifica. O Roleta Russa perdeu do Joga 13 na bola e, mesmo ao final com todas as provocações e xingamentos, não quis agredir ninguém. Souberam perder. Com as agressões e conseqüentes expulsões, não haveria mais jogo, pois o Bróder ficaria sem o mínimo de jogadores para o fim da partida. Vendo que a situação seria de esperar passar 5 minutos em que não haveria mais futebol, mas sim um Bróder nervoso querendo “quebrar” Kirk e Alemão, a dupla de árbitros decidiu acabar o jogo antes para evitar mais expulsões, agressões e brigas. Agiu corretamente, não havia mais cabeça para o Bróder jogar.
O Bróder buscou uma desculpa para a derrota. Encontrou em Lucas e na arbitragem. Não no bom futebol do Acidus nem nos erros de sua equipe. Espera-se que o Bróder, time bicampeão e muito querido por todos, tenha ciência disso, honre com seus compromissos e saiba perder. Afinal, perder faz parte do jogo, e todos perdem um dia. Não existe equipe imbatível. Aprender com a derrota é mais saudável que qualquer tentativa de procurar um bode expiatório. Saibamos todos olhar pra dentro de nós e ter consciência do que foi feito – de certo e de errado, para o bem e para o mal. Só assim para enfim termos consciência de que a culpa não é sempre do Lucas... Afinal, todos são humanos, todos erram...
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